quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

SOBRE A POLÊMICA DA APROPRIAÇÃO CULTURAL - Atividades para o ensino médio

Texto 1 

Jovem branca com câncer gera polêmica ao usar turbante

A paranaense Thauane Cordeiro, diagnosticada com leucemia, foi repreendida por usar turbante nas ruas de Curitiba

DA REDAÇÃO   11/02/2017 15:40 , ATUALIZADO EM 11/02/2017 15:48


A paranaense Thauane Cordeiro, diagnosticada com leucemia mieloide aguda, gerou polêmica em Curitiba ao usar turbante. O item é um símbolo de identidade e luta do movimento negro. Careca e branca, a jovem andava pelas ruas de Curitiba quando foi abordada por uma mulher negra numa estação de transporte. Ela contou o episódio no Facebook e o post viralizou.

Com mais de 60 mil curtidas e 20 mil compartilhamentos, a postagem narra a conversa que Thauane teve com a mulher que a repreendeu. “Comecei a reparar que tinha bastante mulheres negras, lindas aliás, que tavam me olhando torto, tipo ‘olha lá a branquinha se apropriando dá (sic) nossa cultura’, enfim, veio uma falar comigo e dizer que eu não deveria usar turbante porque eu era branca”, ela escreveu.

Na conversa, Thauane tirou o turbante e mostrou que era careca. “Isso se chama câncer”, contou. “Saí e ela ficou com cara de tacho”. A jovem curitibana usou a hashtag “VaiTerTodosDeTurbanteSim para encerrar o desabafo.

O episódio reacendeu o debate sobre apropriação cultural. Mais do que um mero adereço, o turbante tem um forte significado de empoderamento para as mulheres negras. As africanas usavam turbante para proteger a cabeça do sol. No Brasil, as escravas colocavam o item nos cabelos.

1) A que gênero textual pertence o texto lido? Justifique, apresentando as características do texto.

2) Que termo foi empregado no primeiro parágrafo do texto, para evitar a repetição da palavra "turbante"? 

3) Que outra palavra foi usada no texto, para referir-se ao turbante?

4) Há, no texto, um sinônimo de criticar, advertir. Transcreva-o.

5) Na postagem da jovem, ela empregou a linguagem formal ou informal? Justifique apresentando exemplos.

6) Que expressão foi usada no texto para dizer que o fato se espalhou rapidamente?

7) Qual a relevância do uso dos adjetivos "careca e branca", usados no primeiro parágrafo do texto, para o tema em questão?

8) O que você entende por "apropriação cultural"? Na sua opinião, a mulher que criticou a moça estava com razão? Argumente em um parágrafo.

9) Explique a expressão: "cara de tacho".

Texto 2 
Por que o conceito de "apropriação cultural" não passa de racismo e ignorância
Vanessa Rodrigues

Um relato que tomou conta das redes sociais nessa última semana reacendeu o debate sobre mais uma invenção dos justiceiros sociais: a “apropriação cultural”. O termo refere-se à ideia de que brancos ocidentais roubam elementos culturais de “minorias étnicas”, usando-as de forma indiscriminada e sem respeitar a “cultura alheia”. 

O relato em questão foi escrito por uma moça que, por ter raspado os cabelos em razão de um câncer, optou por usar turbantes na cabeça. A moça foi questionada por duas mulheres negras no metrô, visto que era branca e que, na cabeça dessas pessoas, não possuía o direito de usar o turbante, que deve ser de uso exclusivo de negros. A moça conta que explicou que utilizava em razão de sua doença. 

Apesar de ter indignado muitas pessoas em relação à estupidez de quem acredita na ideia de que culturas de minorias são “roubadas” por brancos ocidentais, o relato também ajudou a tirar a máscara de justiceiros sociais que escondem um racismo velado. Mesmo com o fato de que o turbante estava sendo usado por causa de uma doença, ainda houve quem argumentasse que “câncer não é desculpa para se apropriar da cultura negra”, entre outras idiotices, como é possível ver nos prints abaixo: 


Esse tipo de postura da militância de esquerda/negra não mascara apenas o racismo, mas também a enorme ignorância de quem defende esse tipo de coisa. Os turbantes foram criados muito provavelmente pelos mesopotâmicos e foram utilizados por diversos povos diferentes pelos séculos. Persas, árabes, judeus, hindus, indianos, gregos, povos das Américas, todos usaram turbantes de várias maneiras e bem antes da era cristã. O turbante, inclusive, já foi símbolo de status social e poder econômico e político em alguns povos, inclusive africanos. Aliás, esse também é o caso das tranças e dreadlocks. 

Turbantes também já foram utilizados por pintores e artistas para proteger os cabelos das tintas e pó de mármore, fizeram parte da indumentária de homens e mulheres europeus durante o período medieval, foram utilizados por Maria Antonieta como peça de moda, e, finalmente, renasceram quando Paris já era considerada a capital mundial da moda no século XX com o estilista frânces Paul Poiret na década de 20. Turbantes também foram muito utilizados pelas mulheres europeias durante a II Guerra Mundial para esconder os cabelos mal cuidados devido às condições de vida precárias da época. 

No Brasil, ao contrário do que se possa pensar, o turbante chegou com os primeiros europeus que vieram desbravar o território, não com os negros africanos. Há relatos de que viraram moda no país com a chegada da família real, em 1808, visto que a rainha Carlota Joaquina e outras damas da corte desembarcaram usando turbantes para disfarçar a peste de piolhos que acometeu os tripulantes durante a viagem. 

Se levarmos ao pé da letra a ladainha de “apropriação” cultural, então coisas como calça jeans, aviões, eletricidade, penicilina, pasteurização, antibióticos e ressonância magnética não devem ser utilizados por qualquer um que não seja homem, ocidental e branco, já que são fruto do trabalho árduo de homens brancos. O mesmo vale para o famoso iPhone, acessório desenvolvido por Steve Jobs, um americano branco, o smartphone favorito dos justiceiros sociais para escrever textões no Facebook sobre opressão. 

Se alguém está fazendo algum tipo de “apropriação cultural” são os próprios militantes do movimento negro ao tentar transformar uma peça utilizada por diversos povos ao longo dos séculos em algo exclusivo de um grupo étnico “oprimido” e símbolo de luta.

1) De acordo com o texto, o que significa "apropriação cultural"?

2) A quem se refere a expressão "minorias étnicas"?

3) Explique a expressão destacada no seguinte trecho: "[...] brancos ocidentais roubam elementos culturais de “minorias étnicas”, usando-as de forma indiscriminada e sem respeitar a 'cultura alheia'" (1º parágrafo).

4) A quem a autora denomina "justiceiros sociais"?

5) O que significa a expressão "racismo velado"?

6) O gênero textual deste texto em análise é o mesmo do texto anterior? Justifique e aponte as semelhanças e/ou diferenças.

7) Que argumentos a autora apresenta para afirmar que as críticas direcionadas à jovem mascaram o racismo e a ignorância das pessoas que defendem essas reações?

8) Cite algumas das funções do turbante listadas pela autora.

9) Transcreva, do texto, sinônimos das palavras:
a) explorar:
b) insuficiente:
c) dominação:
d) difícil, cansativo:
e) vestimenta:

10) Qual o significado da palavra "ladainha" na frase: "Se levarmos ao pé da letra a ladainha de “apropriação” cultural, então coisas como calça jeans, aviões, eletricidade, penicilina, [...]" (7º parágrafo)?

11) Se passarmos a frase: "A moça foi questionada por duas mulheres negras no metrô", para o masculino, o número de termos a ser alterado é de:
a) 4       b) 6       c) 5        d) 3        e) 7

12) Em relação ao gênero, o substantivo "pessoas" é comum de dois gêneros ou sobrecomum? Explique:

13) Classifique, de acordo com o exemplo, os substantivos destacados na frase: "Mesmo com o fato de que o turbante estava sendo usado por causa de uma doença."
EX: amor: simples, comum, abstrato e primitivo.

14) Observe a seguinte frase: "Ajudou a tirar a máscara dos justiceiros sociais." O termo destacado deriva de qual substantivo abstrato?

15) "Turbantes também já foram usados por pintores e artistas para proteger os cabelos das tintas e pó de mármore."
a) Em relação ao gênero, como se classifica o substantivo "pintores"?
b) Em relação ao gênero, como se classifica o substantivo "artistas"? De que substantivo ele é derivado?
c) Derive um substantivo de "pó". Esses substantivos são concretos ou abstratos? Explique?


Texto 3

Sobre turbantes e a farsa da apropriação cultural
http://www.oreacionario.blog.br/2017/02/sobre-turbantes-e-farsa-da-apropriacao.html


Escrevo tardiamente sobre a questão da moça com câncer que teria sido vítima de tentativa de coerção por parte de uma ativista negra por usar turbante. A moça que é branca teria sido acusada de racismo pela militante, e ainda de apropriação cultural. A história moralizadora que gerou em polêmicas e justificativas patéticas por parte dos defensores do africanismo racialista acabou por jogar nas sombras um ponto muito relevante desta discussão: a tese da apropriação cultural parte de uma premissa falsa, e, portanto, é uma farsa. 

Sim, trata-se de uma farsa. Tratando do termo literal, trata-se tão somente do uso ou adoção de elementos culturais e religiosos de determinado povo por um grupo diferente. É bom contextualizar: não há nada de racista, imperialista ou supremacista aqui. Esse tipo de fenômeno existe desde as primeiras civilizações, e é fruto justamente das interações entre os diversos grupos étnicos, tribais e nacionais. Mesmo antes das grandes navegações, já havia intensa troca cultural entre os povos. Na ordem espontânea da humanidade, a apropriação cultural é traço corriqueiro da própria humanidade. 

Mas isso não explica a suposta polêmica. Para os ideólogos de várias correntes do movimento negro, há um processo racista que pretende se apropriar de símbolos e de legados afro. Roubo puro e simples de algo que deveria pertencer a nós (falo aqui como negro). Outros tratam o caso como desrespeito, já que os antepassados negros sofreram os horrores do colonialismo e escravidão, e que isso é esquecido pelos negros. Há alguns que vão ainda mais longe: o processo de apropriação cultural teria a finalidade de "resignificar" símbolos de acordo com uma ótica privilegiada, além de calar as minorias ao usar os símbolos sem mencioná-las? Não entendeu? Não é para entender, já que isso não tem qualquer lastro na realidade. 

Em resumo, pessoas não deveriam se apropriar de bens produzidos por outras culturas. Brancos não devem utilizar dreadloks, tranças, turbantes e estampas africanas. É aí que o fascismo toma os primeiros contornos: as publicações militantes (principalmente as que são ligadas ao feminismo negro), passam a espalhar um discurso de ódio contra quem comete esta infração. Aos poucos, os que bebem nestas fontes de água podre começam a agir como justiceiros. O caso da moça do turbante não é o único.[...]

Para entender mais a farsa, observem o padrão: 

Quando se fala em apropriação, ela só existe quando o branco se apropria de algo. Negros podem ternos, dirigir automóveis, poltronas, couro, cardigãs e o que quiserem. Até mesmo pintar os cabelos de loiro. Só é apropriação quando o "opressor" se rende aos gostos dos "oprimidos". 

A suposta apropriação indevida serve para que fascistas apontem o dedo, espreitem pessoas e façam ameaças veladas. Seja contra um jovem americano ou uma moça com câncer. 

O uso de símbolos culturais não é prova de que o racismo está em declínio ou que avançamos nas questões de igualdade racial (anos atrás, jamais um branco iria querer adotar costumes de negros). Pelo contrário, os justiceiros negros apontam isso como evidência do aprofundamento do racismo. O que não passa de desculpa para pregar justamente o racismo. 

Agora, voltemos ao turbante em questão. É uma história riquíssima. Segundo relatos, a palavra turbante tem origem no persa dulband, que foi "afrancesado" como "turbant". Para os lusófonos, a própria palavra é uma apropriação cultural de franceses e persas. Mas, peraí: o turbante não era africano? Não, isso é mais uma patuscada do movimento negro. O turbante é persa, de acordo com praticamente todos os registros mais antigos. Possivelmente chegou a África por meio de mercadores, assim como se espalhou pela Ásia. Quem pesquisa sobre os turbantes vê que existe uma profusão de variações em lugares distintos como Grécia (Ilha de Creta), Índia, Oriente Médio, Indonésia e Paquistão. Para os africanistas que defendem "as razões religiosas do turbante", seu uso é registrado entre judeus, cristãos ortodoxos de Somália, Etiópia e Eritréia, sikhs da Índia, clérigos islâmicos, sacerdotes de Fiji, tuaregues... os africanos são os que menos utilizam a indumentária em ritos religiosos. Ao que parece, as feminazis africanistas estão se apropriando de um legado persa. 

Vale aprofundar a polêmica: quem fala de "apropriação cultural" geralmente a pratica contra os próprios africanos". Qualquer um que conhece a história da África de fato sabe são povos muito distintos entre si. São mais de cinquenta países e mais de trezentas tribos. Muitas que são rivais históricas. Com o processo de escravidão, a logística do tráfico fez com que negros fossem comercializados de acordo com a geografia: para a região nordeste, iorubas (o Nordeste está mais próximo de Nigéria e Benim geograficamente), enquanto o Sudeste recebeu mais negros de origem banto (estamos mais próximos de Angola e da antiga possessão de Cabinda). Por isso os negros paulistas e mineiros tendem a ter traços diferentes de baianos e maranhenses, por exemplo. Corre o risco de uma feminista africanista estar se apropriando de elementos afro que não correspondem a sua etnia. 

Depois de tudo o que foi dito, fica claro que a intenção dos adeptos desta tese é o simples estelionato intelectual para justificar reivindicações políticas e a imposição de uma espécie de ditadura do oprimido, partindo da premissa de que há uma divida da sociedade para com determinados grupos. Não temos que nos curvar a estes sociopatas. Primeiro, porque eles não conseguem ser unanimidade nem entre os negros. A maioria de nós não comunga destas teses racistas e totalitárias, e vemos a apropriação como sinal de que o racismo vai perdendo espaço (certamente um neonazista não irá usar dreads ou praticar capoeira). Em segundo lugar, destaco que estes justiceiros sociais usam botas, tênis, roupas industrializadas (produtos de origem européia), além de óculos, lençóis, chinelos e sombrinhas (de origens asiáticas e do norte da África). Ah, também devem consumir chá (chinês), comer pizza (tradicionalmente italiana), beber cerveja (origem incerta, há dúvidas entre Egito ou China). Pensando bem, é quase impossível para um cidadão do século XXI não consumir nada que tenha sido pensado por uma outra cultura. Só mesmo as mentes deformadas dos cretinos embusteiros do movimento negro podem conceber algo assim.

*P.S: Alguns argumentam que é fanfic. Pode até ser, mas há casos reais de violência e coerção por parte dos ditos movimentos negros. E se o assunto for fanfic política, meus caros, a extrema-esquerda é pródiga na produção de mentiras. Não tentem nos acusar daquilo que vocês tanto praticam.

1) Em relação à substituição vocabular, analise as afirmações e assinale a alternativa correta:
I - "[...] a tese da apropriação cultural parte de uma premissa falsa, e, portanto, é uma farsa." ( 1º parágrafo) - Se substituirmos o termo destacado por "argumento", o sentido da frase será alterado.
II - "Na ordem espontânea da humanidade, a apropriação cultural é traço corriqueiro da própria humanidade." (2º parágrafo) -  O termo destacado é sinônimo de "comum".
III - "[...] há um processo racista que pretende se apropriar de símbolos e de legados afro." (3º parágrafo) - Poderíamos reescrever esse trecho da seguinte forma, sem alterar o sentido da frase: "há um processo racista que pretende apoderar-se de símbolos e heranças afro".
IV - "Não é para entender, já que isso não tem qualquer lastro na realidade." (3º parágrafo) - O termo destacado pode ser substituído por "fundamento" sem alterar o sentido da frase.
V - "A maioria de nós não comunga destas teses racistas e totalitárias,[...]" (11º parágrafo) - Se usarmos no lugar do termo destacado o termo "concorda", o sentido da frase será o mesmo.

a) Todas estão corretas.
b) Apenas a I está correta.
c) Nenhuma está correta.
d) II, III, IV e V estão corretas.
e) II, III e IV estão incorretas.

2) Nos textos 2 e 3 há argumentos comuns em relação ao turbante. Que argumentos são esses?

3) A partir da leitura do texto, tomamos conhecimento da descendência étnica do autor. Destaque o trecho onde isso pode ser comprovado.

4) Ele concorda com a crítica feita à jovem, por ela estar usando turbante?

5) Qual é, segundo o autor, a intenção dos adeptos da tese de "apropriação cultural"?

6) A quem se refere o termo "feminazi"? De que palavras ela deriva? Por que foi feita essa relação?

7) Qual é, segundo o texto, a origem do turbante? Que questões ele coloca, a partir dessa origem?

8) Que palavra foi usada no texto para referir-se a religiosos?

9) Reescreva a frase abaixo, substituindo os termos destacados por sinônimos, sem alterar o sentido da mesma.
"Só mesmo as mentes deformadas dos cretinos embusteiros do movimento negro podem conceber algo assim."

10) Qual a conclusão do autor, ao final do texto?

11) Após encerrar o texto, o autor levanta a questão de que alguns afirmam que o fato é "fanfic". Pesquise o significado dessa palavra e explique-a, relacionando-a ao contexto.

TEXTO 4
De uma branca para outra
O turbante e o conceito de existir violentamente
http://brasil.elpais.com/brasil/2017/02/20/opinion/1487597060_574691.html

Thauane,

1  Em 4 de fevereiro, você postou o seguinte texto em sua página no Facebook: “Vou contar o que houve ontem, pra entenderem o porquê de eu estar brava com esse lance de apropriação cultural: eu estava na estação com o turbante toda linda, me sentindo diva. E eu comecei a reparar que tinha bastante mulheres negras, lindas aliás, que tavam me olhando torto, tipo ‘olha lá a branquinha se apropriando da nossa cultura’, enfim, veio uma falar comigo e dizer que eu não deveria usar turbante porque eu era branca. Tirei o turbante e falei ‘tá vendo essa careca, isso se chama câncer, então eu uso o que eu quero! Adeus’. Peguei e saí e ela ficou com cara de tacho. E, sinceramente, não vejo qual o PROBLEMA dessa nossa sociedade, meu Deus”. Ao final, você fez a hashtag: #VaiTerTodosDeTurbanteSim.

2  Desde então, Thauane, você deu entrevistas, foi xingada e foi elogiada nas redes sociais. Desde então, produziu-se uma grande quantidade de textos de opinião, matérias e posts sobre o que aconteceu com você. Uma parte significativa desse material produzido continha acusações ao movimento negro, de que estaria fazendo algo nomeado como “racismo reverso”.

3  O episódio relatado por você e a repercussão do seu relato são tudo menos uma banalidade. Ambos contam de um momento muito particular do Brasil no que se refere à denúncia do racismo. Um momento que, por sua riqueza, não pode ser interditado por muros. É por isso que decidi escrever minha coluna pública como uma carta para você. Porque não poderia falar de você como “a branca do turbante”, apenas. Sim, você é branca. E você colocou um turbante. Mas você também é Thauane, uma mulher e suas circunstâncias. E, assim, a carta é o gênero com que posso melhor expressar meu afeto.

4  Eu acredito muito em cartas, Thauane, porque elas pressupõem um remetente e um destinatário. E elas expressam algo ainda mais fabuloso, que é o desejo de alcançar o outro. Poucas coisas são mais tristes que cartas perdidas, extraviadas. Cartas que não chegam ao seu destino. E quando a gente conversa com um muro no meio, as cartas não chegam. O muro barra o movimento da palavra.

5  Assim, Thauane, eu inicio dizendo a você que não sei como é receber um diagnóstico de leucemia. Não sei como é perder o cabelo aos 19 anos. Não sei como é acreditar que encontrou uma saída estética para cobrir a nudez da cabeça e ouvir que esta saída não é ética. Não sei. Mas tento saber. Acredito profundamente em vestir a pele do outro. Mas sei também do limite deste gesto. Buscamos vestir, mas não conseguimos vestir por completo. A beleza deste movimento é justamente a busca.

6  Ao tentar vestir a sua pele, consciente dos limites deste gesto, posso sentir o quanto deve ter sido duro ouvir o que você conta ter ouvido: “Você não pode usar turbante porque é branca”. Ter câncer é estar nu de tantas maneiras diferentes, e a sua nudez estava exposta na sua cabeça. E você tinha encontrado um abrigo que te fazia sentido, que era um turbante bonito. Para você também não era só um acessório, talvez fosse quase uma casa. E a estranha que te aborda, cortando esta cena com um “não”, pode ter doído em porções do seu corpo que você nem sabia que existiam até então.

7  É isso que eu apalpo quando tento te alcançar tendo apenas lido você no Facebook. Você doendo. E, sentindo-se atacada, apropria-se do que considera seu direito de vestir o que quiser, de se expressar como quiser pelo que bota sobre seu corpo, e diz que, sim, TODOS podem usar turbante mesmo que negras digam a você que não porque, afinal, qual é o problema de ser branca e usar turbante? Afinal, não seria até mesmo um reconhecimento e uma homenagem, já que você considera algo identificado com a cultura negra tão bonito que escolhe botar na cabeça? E isso te parece bastante óbvio. E parece bastante óbvio para muitas pessoas que te apoiam.

8  Eu escuto você. E compreendo o caminho do seu pensamento. E percebo que, para mim, não é difícil vestir a sua pele, ainda que não possa, jamais poderei, vesti-la por completo. É neste ponto que sou atravessada pela primeira interrogação. É mais fácil para mim vestir a sua pele branca do que vestir a pele negra da mulher que te abordou com um não. Eu tenho mais elementos para vestir a sua pele branca e bem menos elementos para vestir a pele negra dela. Por uma razão bastante óbvia: eu tenho uma vida de mulher branca num país como o Brasil.

9  Esta constatação me faz perceber que, exatamente por ser mais difícil, eu preciso tentar mais. Bem mais. Sabe, Thauane, eu nasci e cresci numa cidade em que a maioria é descendente de imigrantes europeus, especialmente alemães. Eu mesma sou descendente de italianos. Cresci observando o racismo ser uma condição tão natural quanto comer e dormir. Não o racismo disfarçado de tantos, mas o racismo que sequer estranha a si mesmo. Assim, quando começaram os debates das cotas sociais X cotas raciais, e isso porque não estou contando a parcela da população que acha que não precisa de cota nenhuma, não me foi difícil concluir que as cotas deveriam ser raciais.

10  Na cidade da minha infância, as negras sequer eram aceitas como empregadas domésticas. Como os patrões eram descendentes de imigrantes europeus, não traziam a experiência da Casa Grande, em que os negros escravizados faziam todo o serviço pesado, dentro e fora das casas. Ao contrário. Os avós e bisavós da maioria, como os meus mesmo, conseguiram escapar da fome de seus países de origem graças à ideia de branqueamento do Brasil que esteve no cerne das políticas de imigração do século 19. Para evitar o risco de que o Brasil ficasse mais preto, importou-se carne branca. Na região em que eu vivia, havia dois párias: os indígenas e os negros.

11  No Brasil da minha infância, ser empregada doméstica era quase ser escrava. Como todos sabemos, ainda hoje, em tantos lugares, segue assim. Mas o racismo era tão profundo que nem para cozinhar, lavar e limpar sem limite de horas para terminar a jornada e ganhar um salário miserável ao final as negras serviam. Sabe por quê? Porque boa parte das famílias brancas não queria a pele negra “sujando” a sua comida, a sua roupa de cama, o seu mundo. Assim, até para os serviços com a pior remuneração e com as piores condições de trabalho a preferência era pelos brancos pobres. O racismo, mais uma vez, condenava as negras a ver seus filhos passarem fome.

12  Percebi então que eu, como mulher branca, descendente de imigrantes europeus, já nasço neste país com muitos privilégios. Percebi primeiro pela intuição, ao observar o meu entorno, e depois fui estudar para compreender também através dos fatos, das reflexões e do processo histórico. Nasço neste país com privilégios. Mas não só. Percebo que já me insiro neste mundo pela experiência de “existir violentamente”. Vou aprofundar este conceito mais adiante.

13  Quando a gente ouve um “não”, Thauane, nossa primeira reação é dizer um “sim”. Sim, eu faço. Sim, eu vou. Sim, eu posso. Especialmente numa época em que se vende a ideia de que podemos tudo. E de que poder tudo é uma espécie de direito. Mas não, não podemos tudo. E nos deparamos com essa realidade a cada dia. Compreendo também, Thauane, que você sabe disso talvez melhor do que a maioria, porque não há nada mais revelador de nossos limites do que uma doença que nos coloca diante da tragédia maior da condição humana, que é morrer. E uma doença como câncer, mesmo quando há muitas chances de cura, nos lança neste abismo. Porque só a possibilidade já é devastadora.

14  Mas tenho aprendido, Thauane, e isso me veio com o envelhecimento, que, muitas vezes, mesmo quando a gente pode a gente não pode. Ou, dizendo de outro modo: o fato de poder não quer dizer que a gente deva. Assim, é verdade. Você pode usar um turbante mesmo que uma parte significativa das mulheres negras digam que você não pode. Mas você deve? Eu devo?

15  Como para mim é mais difícil vestir a pele de uma mulher negra, porque por ser branca eu tenho menos elementos que me permitem alcançá-la, eu preciso fazer mais esforço. Não porque sou bacana, mas por imperativo ético. E a melhor forma que conheço para alcançar um outro, especialmente quando por qualquer circunstância este outro é diferente de mim, é escutando-o. Assim, quando ouvi que não deveria usar turbante, entre outros símbolos culturais das mulheres negras, fui escutá-las. Acho que isso é algo que precisamos resgatar com urgência. Não responder a uma interdição com uma exclamação: “Sim, eu posso!”. Mas com uma interrogação: “Por que eu não deveria?”. As respostas categóricas, assim como as certezas, nos mantêm no mesmo lugar. As perguntas nos levam mais longe porque nos levam ao outro.

16  A resposta mais completa que encontrei na minha busca foi um texto de Ana Maria Gonçalves. Escritora de grande talento, mulher, negra. Autora de Um defeito de cor, um romance extraordinário. Sugiro a leitura do texto inteiro, publicado no Intercept. Mas reproduzo aqui os trechos que me parecem fundamentais para que eu possa continuar a escrever a minha carta de branca. Ana Maria Gonçalves diz:

17  “Boa parte da população branca brasileira sabe de suas origens europeias e cultiva, com carinho e orgulho, o sobrenome italiano, o livro de receitas da bisavó portuguesa, a menorá que está há várias gerações na família. Quem tem condições vai, pelo menos uma vez na vida, visitar o lugar de onde saíram seus ancestrais e conhecer os parentes que ficaram por lá. E os descendentes dos africanos da diáspora? Quando chegaram por aqui, os traficantes de pessoas já tinham apagado os registros do lugar de onde haviam saído, redefinindo etnias com nomes genéricos como Mina (todos os embarcados na costa da Mina), feito-os dar voltas e voltas em torno da Árvore do Esquecimento (ritual que acreditavam zerar memórias e história) ou passarem pela Porta do Não Retorno, para que nunca mais sentissem vontade de voltar, separando-os em lotes que eram mais valiosos quanto mais diversificados, para que não se entendessem.

18  Ainda em terras africanas tinham sido submetidos ao batismo católico para que deixassem de ser pagãos e adquirissem alma por meio de uma religião ‘civilizatória’, ganhando um nome ‘cristão’ que se juntava, em terras brasileiras, ao sobrenome da família que os adquiria. No Brasil, não podiam falar suas próprias línguas, manifestar suas crenças, serem donos dos próprios corpos e destinos. Para que algo fosse preservado, foram séculos de lutas, de vidas perdidas, de surras, torturas, ‘jeitinhos’, humilhações e enfrentamentos em nome dos milhares dos que aqui chegaram e dos que ficaram pelo caminho. Como resultado disto, somos o que somos: seres sem um pertencimento definido, sem raízes facilmente traçáveis, que não são mais de lá e nunca conseguiram se firmar completamente por aqui. (...)

19  Viver em um turbante é uma forma de pertencimento. É juntar-se a outro ser diaspórico que também vive em um turbante e, sem precisar dizer nada, saber que ele sabe que você sabe que aquele turbante sobre nossas cabeças custou e continua custando nossas vidas. Saber que a nossa precária habitação já foi considerada ilegal, imoral, abjeta. Para carregar este turbante sobre nossas cabeças, tivemos que escondê-lo, escamoteá-lo, disfarçá-lo, renegá-lo. Era abrigo, mas também símbolo de fé, de resistência, de união. O turbante coletivo que habitamos foi constantemente racializado, desrespeitado, invadido, dessacralizado, criminalizado. Onde estavam vocês quando tudo isto acontecia? Vocês que, agora, quando quase conseguimos restaurar a dignidade dos nossos turbantes, querem meter o pé na porta e ocupar o sofá da sala. Onde estão vocês quando a gente precisa de ajuda e de humanidade para preservar estes símbolos? (...)

19  As mulheres negras querem evitar que o turbante, um símbolo tão precioso para elas, vire mercadoria na nossa cabeça

20  O turbante que habitamos não é o mesmo. O que para você pode ser simples vontade de ser descolado, de se projetar como um ser livre e sem preconceitos, para nós é um lugar de conexão”.

21  Não sei como você escuta isso, Thauane. Mas posso te contar como eu escuto. Escutar a voz de Ana Maria Gonçalves, assim como de outras mulheres negras, produz movimento em mim. As vozes dessas mulheres me alargam por dentro. Alargam a minha visão de mundo. Eu não conseguiria compreender desta forma, desta forma que atravessa o meu corpo, não fosse elas terem a paciência de me explicar com palavras que também atravessam seus corpos.

22  Eu compreendo que, para você, o turbante também significava abrigo. E talvez abrigo da dor. Mas você tem outras formas de encontrar abrigo para sua cabeça nua. Assim como eu tenho outros jeitos de me expressar através do que coloco na cabeça. As mulheres negras nos explicam que não. Que para elas o turbante é memória, é identidade e é pertencimento. É, portanto, vital. O que as mulheres negras nos dizem, Thauane, é que não querem que o turbante, que tão precioso é para elas, vire mera mercadoria na nossa cabeça. Então, Thauane, acho que eu e você precisamos escutá-las. E podemos não usar um turbante. Aliás, não usar um turbante é bem o mínimo que podemos fazer.

23  E podemos não usá-lo por muitos argumentos, mas aqui, me basta este. Porque são elas que me dizem. As mulheres negras, as que no passado foram arrancadas de suas terras e trazidas como carga para o Brasil para trabalharem como escravas, as mulheres negras que eram violentadas por brancos como desacontecimento cotidiano. As mulheres negras, que deixaram de amamentar seus próprios filhos para amamentar os filhos das sinhazinhas brancas. As mulheres negras, que foram obrigadas a criar os filhos de outras enquanto os seus eram esquecidos. As mulheres negras, que quando seus filhos sobreviviam à fome, aos maus tratos e às doenças, tudo o que podiam esperar de um futuro era que também fossem escravos. As mulheres negras, que no presente seguem tendo os piores salários, a mais baixa escolaridade, menos acesso a tudo. As mulheres negras, que hoje são as que mais morrem de parto, são as que mais perdem filhos pequenos para doenças que não deveriam mais matar, são as que mais sofrem com filhos adolescentes e adultos em prisões que são campos de concentração não disfarçados. As mulheres negras, que têm seus filhos executados pela polícia e por grupos de extermínio, vítimas de um genocídio que provoca escassa revolta na parcela branca da população. As mulheres negras, que são as que mais sofrem estupro e as que têm menos acesso à tratamento quando adoecem de câncer.

24  Se não conseguirmos estabelecer um diálogo que seja mais do que gritos de um lado e outro, ergueremos novos muros

25  Se as mulheres negras me dizem que não posso usar um turbante porque para elas o turbante é um símbolo de pertencimento, eu escuto. E compreendo que não devo usar um turbante. Sim, Thauane, acho que você e eu e todas as brancas deste país em que a abolição da escravatura jamais foi completada podemos e devemos baixar a nossa cabeça em sinal de respeito e não usar um turbante apenas porque as negras dizem que não podemos. Apenas porque as fere que usemos turbantes. Há muitos outros argumentos, mas só este já me parece suficiente.

26  Mas eu entendo também, Thauane, que precisamos conversar sobre isso. Escuto de algumas mulheres negras que é demais pedir que tenham a paciência de nos explicar depois do tanto que sofreram esses séculos todos e com um genocídio negro se desenrolando agora mesmo sem causar clamor. E compreendo que é difícil. Mas ainda assim acho que é preciso. Porque se não conseguirmos estabelecer um diálogo que não seja mais do que gritos de um lado e outro, ergueremos novos muros ou aumentaremos ainda mais a altura dos já existentes. E acho que podemos concordar que se há algo que este país não precisa é de mais muros.

27  Antes eu achava que não ser racista era suficiente. Ao escutar os negros, aprendi que é bem mais complicado

28  Gostaria de acreditar, Thauane, que se você em vez de ouvir um repentino “não pode usar turbante porque é branca” fosse abordada de outra maneira, que se em vez de “não pode usar” e “vou usar sim” houvesse uma conversa entre duas pessoas capazes de se escutar mutuamente, você talvez tivesse concluído que não deveria usar um turbante. E a história que você publicou no Facebook seria então outra, mais inspiradora e com muito mais potência.

29  Se esse episódio acontecesse alguns anos atrás, Thauane, eu talvez aderisse à sua hashtag #VaiTerTodosDeTurbanteSim. Porque acharia uma convocação mais igualitária. Até alguns anos atrás eu acreditava que era suficiente não ser racista. Eu me achava bacana por defender os direitos humanos e denunciar a violência contra as minorias. Eu me achava legal por não distinguir raça, mas enxergar pessoas. Eu teria convicção de que, ao usar um turbante, estaria fazendo um reconhecimento e uma homenagem à outra cultura. Até alguns anos atrás eu acreditava que era isso o que eu poderia fazer de melhor como branca num país racista.

30  Tenho aprendido, Thauane, que é mais complicado. E tenho aprendido que é mais complicado com as mulheres negras e com os homens negros. Desde que a internet e as redes sociais tornaram possível que suas vozes ecoassem mais e mais longe, já que os espaços tradicionais eram e seguem sendo bastante interditados para os negros, eu tenho tido a chance de aprender com eles. Isso não significa que exista uma voz absoluta que possui todas as verdades e que tem razão a priori. Significa ter a oportunidade de escutar e de interrogar e até de discordar porque aprender é movimento, não deglutição.

31  Escutando os vários movimentos negros, Thauane, tenho aprendido que às vezes somos racistas sem saber que somos. É algo tão entranhado na nossa apreensão de mundo que, mesmo quando acreditamos não sermos, às vezes somos. Nas palavras, nos gestos, no caminho que alguns pensamentos fazem. Quantas vezes, por exemplo, amigos brancos não acharam que eram muito bacanas por tratarem bem os negros? A própria ideia de se achar incrível por tratar bem alguém de outra raça pressupõe que haveria um motivo para não tratar bem alguém de outra raça. E este já é um pensamento racista. Ou o famoso “não sou racista, tenho até amigos negros”.

32  Mas o que para mim tem se tornado mais evidente, Thauane, é o que tenho chamado de existir violentamente. Por mais éticos que nós, brancos, pudermos ser, a nossa condição de branco num país racista nos lança numa experiência cotidiana em que somos violentos apenas por existir. Quando eu nasço no Brasil, em vez de na Itália, porque as elites decidiram branquear o país, já sou de certo modo violenta ao nascer. Quando ao meu redor os negros têm os piores empregos e os piores salários, a pior saúde, o pior estudo, a pior casa, a pior vida e a pior morte, eu, na condição de branca, existo violentamente mesmo sem ser uma pessoa violenta.

33  Por isso escrevi um texto aqui afirmando que, no Brasil, o melhor branco consegue no máximo ser um bom sinhozinho. Porque, sim, ainda somos sinhazinhas e sinhozinhos, mesmo quando tentamos ser igualitários. Porque a desigualdade racial é nossa condição cotidiana. E essa experiência de existir violentamente – ou de ser violenta mesmo sem ser violenta – é algo que me corrói.

34  É duro, Thauane, reconhecer e sentir nos ossos, a cada dia, que existo violentamente. Não posso escolher não existir violentamente, porque esta é a condição que me foi dada neste momento histórico. Mas penso que há algo que posso escolher, que é lutar para que meus netos possam viver num país em que um branco não exista violentamente apenas por ser branco. E para isso eu preciso escutar. E, principalmente, preciso perder privilégios. Me parece que hoje uma das questões mais cruciais deste país diz respeito a quanto estamos dispostos a perder para estar com o outro. Porque será preciso perder para que o Brasil se mova, para que o mundo se mova.

35  E às vezes os privilégios mais difíceis de perder, Thauane, são os mais sutis, assim como os mais subjetivos. Por séculos os brancos falaram praticamente sozinhos no Brasil, inclusive sobre o que é cultura e sobre o que é pertencimento. Os brancos falaram praticamente sozinhos até sobre o lugar do negro neste país. Agora, ainda bem, perdemos esse privilégio. E vamos ter que conversar. Mas o privilégio primeiro que perdemos quando as vozes negras começaram a ecoar mais longe é o da ilusão de que somos “limpinhos” porque não somos racistas. Não somos limpinhos. Porque não há como ser branco e ser limpinho num país em que os negros vivem pior e morrem primeiro. É isso que eu chamo de existir violentamente.


36  Escrevo esta carta para você, para todos e também para mim, na esperança de que ela atravesse os muros e chegue ao seu destino. E me despeço dizendo, Thauane, que com toda a sua dor e com toda a sua nudez, acho que você, eu, todas nós, mulheres brancas, precisamos escolher perder o privilégio de usar turbante, com tudo o que isso significa. Não apenas porque alguém barrou o gesto, mas porque somos capazes de escutar argumentos e aprender com eles. E porque queremos muito estar com o outro sem ser violentamente.

1) A que gênero textual a autora do texto se refere? Por que, segundo ela, optou por escrever esse gênero? Cite as características presentes no texto que pertencem a esse gênero.

2) Quem é o destinatário desta carta? Quem é o remetente? Qual é a mensagem?

3) Explique a seguinte frase "Acredito profundamente em vestir a pele do outro." (5º parágrafo).

4) Ao que a autora se refere com a expressão "racismo reverso"? (2º parágrafo)?

5) Como a autora define Thauane, no texto?

6) Com base no texto, explique o seguinte trecho: "Eu tenho mais elementos para vestir a sua pele e bem menos elementos para vestir a pele negra dela." (8º parágrafo).

7) Na frase: "Na região em que vivia, havia 2 párias: indígenas e negros" (10º parágrafo). Que palavra podemos usar para substituir  o termo sublinhado, sem alterar o sentido da frase?

8) "Acho que isso precisamos resgatar com urgência." (15º parágrafo). Isso o quê?

9) De que forma a autora Ana Maria Gonçalves, citada no texto, define os negros em trechos de seu livro?

10) A que métodos os negros eram submetidos para que esquecessem suas origens?

11) O que as mulheres negras querem evitar, segundo a autora do texto, em relação ao uso do turbante?

12) O que, de acordo com o texto, significa o turbante para as mulheres negras?

PRODUÇÃO TEXTUAL 

A partir dos textos lidos e das discussões em aula, produza um texto dissertativo-argumentativo, posicionando-se acerca do tema.


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