quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Textos - "Por que publicamos a imagem do menino sírio afogado?" e "QUEMÉ AQUELE MENINO?"

TEXTO 1

 Por que publicamos a imagem do menino sírio afogado?

As imagens são chocantes. Na primeira, um policial turco encontra o corpo de um menino sírio na costa de Bodrum, balneário popular no verão europeu. De camiseta vermelha e bermuda azul, ele está de bruços, com o rosto para baixo, próximo à linha da água. Na segunda foto, o policial é visto carregando o corpo da criança para fora da praia.
O garoto era uma das 12 pessoas que perderam a vida na travessia marítima em direção à ilha grega de Kos. Entre os mortos havia outras quatro crianças e uma mulher.
A Europa enfrenta uma das mais graves crises migratórias da sua história recente. Milhares de sírios trocam a perspectiva de uma morte certa em território controlado pelo Estado Islâmico pela possibilidade de sobreviver no continente europeu. Em muitos casos, como o de hoje, a esperança termina em tragédia.
A notícia é relevante e merece destaque. Mas a imagem forte deveria estampar a primeira página do UOL, acessada por milhões de pessoas todos os dias? Nossos usuários deveriam, sem qualquer aviso prévio, ser impactados pela foto?
Nós entendemos que sim.
Imagens influenciam o curso da história. Em 1972, a foto de uma menina vietnamita correndo nua após o lançamento de bombas incendiárias perto de Trang Bàng fortaleceu o movimento antiguerra, que terminou três anos depois.
A decisão de hoje não foi fácil. Além de jornalistas, somos pais, mães, filhos, tios. E as fotos nos comovem profundamente. Provavelmente seremos acusados de sensacionalismo e de busca por audiência fácil -- quando o cenário mais provável é que a imagem espante as pessoas, em vez de atraí-las.
Mas o jornalismo existe para informar. E palavras não descreveriam com a força necessária a dimensão da tragédia em curso na Europa e Oriente Médio. Não nos compete suavizar a realidade, mas sim retratá-la com precisão.


1) "As imagens são chocantes." (1º parágrafo). A que imagens o texto se refere?

2) Que expressão do texto é utilizada para explicar o local onde foi encontrado o menino? 

3) É possível, a partir da leitura do texto, saber quantas pessoas perderam a vida durante essa travessia. Quantas delas eram homens?

4) Observe a frase: "A Europa enfrenta uma das mais graves crises migratórias da sua história recente." (3º parágrafo). Em que consiste essa crise?

5) Por que os sírios estão tentando migrar para a Europa?

6) "A notícia é relevante e merece destaque." (4º parágrafo). Que sentido adquire, no trecho, o termo destacado?

7) A reportagem faz referência a outra foto influente para a história mundial. Que foto é essa e qual foi o seu papel?

8) Explique a frase: "Provavelmente seremos acusados de sensacionalismo e de busca por audiência fácil [...]" (7º parágrafo).

9) Por que a página do UOL optou em publicar a foto do menino?

10) Reescreva as sentenças abaixo, empregando o verbo no tempo/modo, número/pessoa solicitados entre parênteses. Faça as alterações necessárias.
a) "[...] um policial turco encontra o corpo de um menino [...]" (Pretérito Perfeito do Indicativo / 3ª pessoa do singular).
b) "A Europa enfrenta uma das mais graves crises migratórias [...]" (Futuro do Presente / 3ª pessoa do singular).
c) "A notícia é relevante e merece destaque." (Pretérito Imperfeito do Indicativo / 3ª pessoa do singular).
d) "[...] a esperança termina em tragédia." (Futuro do Pretérito do Indicativo / 3ª pessoa do singular).
e) "Provavelmente seremos acusados de sensacionalismo [...]" (Futuro do Pretérito / 3º pessoa do plural).

11) Transcreva, do texto, 3 frases duas frases que contenham um verbo de 2ª conjugação, conjugado no Futuro do Pretérito do Indicativo. Em seguida, reescreva essas frases, empregando os verbos no Futuro do Presente do Indicativo.


Texto 2
QUEM É AQUELE MENINO?

 “Mana, quem é aquele menino deitado na praia?”
Mateus, 5 anos,  indaga sobre as imagens na televisão do menino sírio desfalecido na beira do mar. Meu coração congela instantaneamente. Me sinto afogada nas verdades do mundo.
Quando descobri que seria irmã mais velha de novo, sabia que seria um desafio encarar a curiosidade dupla lá de casa, nestes dias de hoje que eu mesma não entendo bem.  Aos trinta anos, eu tinha que explicar para a pouca experiência de vida do Mateus, e também do Murilo, que falhamos não apenas como humanidade, na tomada de decisões. Mas que falhamos em proteger a inocência de quem ainda não decide nada.
Quando eu tinha 5 anos, não entendia porque meninos de rua não tinham casa, e batiam na nossa porta pedindo comida. Meu pai então preparava sanduíches para eles, sem saber muito o que me explicar, e se resumia a me envolver na tarefa de encher os pães com presunto. Era o jeito dele de ajudar, como também de preservar minha inocência. Na minha cabeça, o pão com presunto resolvia. E eu era parte da solução.
Não seria o mesmo que acontece hoje? Não seria eu, parte na solução?
O corpo sem vida as margens de qualquer lugar, choca os olhinhos antes tão serenos dos meus irmãos. Penso em desligar a TV e levá-los a cozinha para fazermos pão com presunto. Penso em explicar que aquele menino encarou a imensidão do mar junto aos pais, na esperança de um lar sem furos de balas. Aliás, bala deveria oferecer unicamente doçura às crianças. Não medo.  Penso em dizer que o mundo se tornou um lugar complicado, em que estamos preocupados exclusivamente com nossos filhos, seus tablets e Nickelodeon, do que com os filhos dos outros, aqueles despatriados. Desprotegidos. Desamparados.  Quem sabe, se o Mateus e o Murilo entendessem desde cedo que o mundo é um lugar egoísta, medíocre e desalmado, eles sofram menos. Tenham menos vergonha em fazer parte desta humanidade desconstruída.
Mas não seria eu, parte na solução?
E sou. Ainda que como irmã, eu tenho o compromisso de proteger a inocência deles, sem deixar de ensiná-los de que mesmo falhando gravemente com o presente que nos foi dado, devemos ter coragem em fazer um futuro bem melhor. E assim educar melhor. Dividir melhor. Devemos ensinar aos Mateus e Murilos de nossas casas dando exemplos construtivos, envolvendo-os em causas importantes. Ensinando sustentabilidade, sendo sustentável. Ensinando a amar o próximo, com ações de compaixão, respeito e comprometimento. Criando filhos melhores, que vão fazer nos próximos anos, um trabalho muito melhor que o nosso. Se hoje não somos seres humanos mais admiráveis para nós mesmos, sejamos admiráveis para os olhinhos que tudo enxergam e aprendem. Assim quando for a vez deles de fazer as escolhas, que façam escolhas muito melhores do que as nossas.
“Quem é aquele menino, mana?” – O Murilo agora repete a pergunta do Mateus, pedindo atenção ao segurar as minhas bochechas. Beijo a testa dos dois, e aperto-os num forte abraço, abraço esse que todos queríamos ter dado no menino sírio em um sincero pedido de desculpas.
“Aquele menino, Mateus e Murilo, vai ser o menino que vai mudar o mundo.” Respondo com uma esperança quase infantil, enquanto eles sorriem.  “Aquele menino vai ensinar ao mundo como cuidar de todos os meninos fazem parte dele.”


Fim da sessão.

1) Observe a frase: "Meu coração congela instantaneamente. Me sinto afogada nas verdades do mundo." (2º parágrafo). Ao que a autora está se referindo, no final do trecho? E com que objetivo ela faz uso da palavra "afogada"?


2) Qual é a relação entre o menino questionador do texto e a autora? Qual a diferença de idade entre eles?


3) Por que a autora afirma que " [...] falhamos [...] como humanidade [...]"? (3º parágrafo). A que falhas você acredita que ela está se referindo?


4) Qual era a dúvida da autora, quando ela tinha 5 anos de idade? E o que, para ela, resolvia aquela situação?


5) Observe o seguinte trecho: "[...] na esperança de um lar sem furos de balas. Aliás, bala deveria oferecer unicamente doçura às crianças." (6º parágrafo). A palavra "bala" foi usada com o mesmo sentido em ambas as frases? Explique:

6) De que forma, na opinião da autora, deveríamos educar as crianças? Por quê?


7) Qual foi a resposta que a autora deu à pergunta de seus irmãos?


8) Transcreva, do texto, 4 palavras onde o  prefixo -DES assuma o sentido de negação. Em seguida, explique o sentido dessas palavras, a partir do prefixo empregado.


9) Reescreva as sentenças abaixo, empregando o verbo no tempo/modo, número/pessoa solicitados entre parênteses. Faça as alterações necessárias.
a) "[...] indaga sobre as imagens na televisão [...]" (Pretérito Perfeito do Indicativo / 3ª pessoa do plural).
b) "[...] seria um desafio encarar a curiosidade dupla [...]" (Futuro do Presente do Indicativo / 3ª pessoa do singular).
c) "[...] eu tenho o compromisso de proteger a inocência deles [...]" (Pretérito Imperfeito do Indicativo / 2ª pessoa do singular).
d) "[...] penso em dizer [...]" (Pretérito Perfeito do Indicativo / 1ª pessoa do plural)
e) " Meu pai preparava sanduíches para eles [...]" (Futuro do Pretérito do Indicativo / 3ª pessoa do singular).

10) Frase Verbal é aquela que contém um verbo. A frase nominal, não contém. Transcreva, do texto, uma frase nominal.

11) Reescreva a frase abaixo, eliminando a locução verbal destacada pelo verbo no tempo correspondente.
a) "Aquele menino vai ensinar ao mundo como cuidar de todos os meninos que fazem parte dele."

12) Os dois textos lidos pertencem ao mesmo gênero textual? Explique:

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