sábado, 14 de fevereiro de 2015

SUFLÊ DE CHUCHU - Luís Fernando Veríssimo

Suflê de chuchu (Luís Fernando Veríssimo)



Houve uma grande comoção em casa com o primeiro   feamoleten__________________ da Duda, à pagar, de Paris. O primeiro telefonema desde que ela embarcara, ocilmah___________ nas stoasc________ (a Duda, que em casa não levantava nem a sua porua___________ do ãcoh__________!), na Varig, contra a vontade do pai e da mãe. Você nunca saiu de casa sznohia_________, minha filha! Você não sabe uma pvarlaa___________ de francês! Vou e pronto. E fora. E agora, depois de esmsnaa____________ de aflição, de "onde anda essa mninea________________?", de "você não devia ter deixado, Eurico!", vinha o primeiro sinal de vdai______________. Da Duda, de Paris. 
- Minha filha...
- Não posso falar muito, mãe. Como é que se faz céaf______________? 
- O quê? 
- Café, café. Como é que se faz? 
- Não sei, minha filha. Com ugáa___________, com... Mas onde é que você está, Duda? 
- Estou trabalhando de "au pair" num apaartmneto___________. Ih, não posso falar mais. Eles estão chegando. Depois eu ligo. Tchau! 
O pai quis saber detalhes. Onde ela estava morando? 
- Falou alguma coisa sobre "opér".
- Deve ser "ópera". O fsacrnê______________ dela não melhorou...
Dias depois, outra liãoaçg______________. Apressada como a primeira. A Duda queria saber como se mudava alfrda__________. Por um momento, a mãe teve um pensamento louco. A Duda teve um filho de um francês! Não, que bobagem, não dava tempo. Por que você quer saber, minha filha? 
- Rápido, mãe. A canriça________________ tá borrada! 
Ninguém em casa podia imaginar a Duda trocando fraldas. Ela, que tinha nojo quando o irmão menor espirrava. 
- Pobre criança... - comentou o pai. 
Finalmente, um telefonema sem pressa da Duda. Os aõtreps____________ tinham saído, o cagão estava dormindo, ela podia contar o que estava lhe acontecendo. "Au pair" era empregada, faz-tudo. E ela fazia tudo na casa. A princípio tivera alguma dificuldade com os aparelhos. Nunca notara antes, por exemplo, que o adpiasror____________ de pó precisava ser ligado numa dtoama_____________. Mas agora estava uma opér "formidable". E Duda enfatizara a pronúncia francesa. "For-mi-da-ble". Os patrões a adoravam. E ela tinha prometido que na semana seguinte prepararia uma autêntica fadaeijo___________ brasileira para eles e alguns amigos. 
- Mas, Duda, você sabe fazer feijoada? 
- Era sobre isso que eu queria falar com você, mãe. Pra começar, como é que se faz aorrz_______________? 
A mãe mal pôde esperar o telefonema que a Duda lhe prometera, no dia seguinte ao da feijoada.
- Como foi, minha filha. Conta! 
- Formidable! Um sucesso. Para o próximo jantar, vou preparar aquela sua moqueca. 
- Pegue o eixpe__________________... - começou a mãe, animadíssima. 
A moqueca também foi um sucesso. Duda contou que uma das amigas da sua aptroa­­­­­­­­­­­­­­__________ fora atrás dela, na cihanoz_____________, e cochichara uma proposta no seu ouvido: o dobro do que ela ganhava ali para ser “opér” na sua casa. Pelo menos fora isso que ela entendera. Mas Duda não pretendia deixar seus patrões. Eles eram uns amores. Iam ajudá-la a regularizar a sua situação na França. Daquele jeito, disse Duda a sua mãe, ela tão cedo não voltava ao Brasil. 
É preciso compreender, portanto, o que se passava no cçoraão________________ da mãe quando a Duda telefonou para saber como era a sua cereait_____________ de suflê de chuchu. Quase não usavam o chuchu na França, e a Duda dissera a seus patrões que suflê de chuchu era um atpro____________________ típico brasileiro e sua receita era passada de geração a geração na floresta onde o chuchu, inclusive, era considerado afrodisíaco. Coração de mãe é um pouco como as Caraíbas. Ventos se cruzam, correntes se chocam, é uma área de tumultos naturais. A própria dona daquele coração não saberia descrever os vários impulsos que o percorreram no segundo que precedeu sua decisão de dar à filha a reecita________________ errada, a receita de um fracasso. De um lado o desejo de que a filha fizesse bonito e também - por que não admitir? - uma certa curiosidade com a repercussão do seu suflê de chuchu na terra, afinal, dos suflês.  Do outro, o medo de que a filha nunca mais voltasse, que a Duda se consagrasse como a melhor opér da Europa e não voltasse nunca mais. Todo o destino num suflê. A mãe deu a receita errada. Com o coração apertado. Proporções grotescamente deformadas. A receita de uma bomba.
Passaram-se dias, semanas, sem uma ícinota_______________ da Duda. A mãe imaginando o pior. Casais intoxicados. Jantar em Paris acaba no hospital. Brasileira presa. Prato selvagem enluta amfaílis_____________, receita infernal atribuída à mãe de trabalhadora clandestina, Interpol mobilizada. Ou imaginando a chegada de Duda em casa, desiludida com sua aventura parisiense, sua carreira de opér encerrada sem glória, mas pronta para tentar outra vez o vestibular. 
O que veio foi outro telefonema da Duda, um mês depois. Apressada de novo. No fundo, o som de bongôs e maracas. 
- Mãe, pergunta pro pai como é a letra de Cubanacã! 
- Minha filha... 
- Pergunta, é do tempo dele. Rápido que eu preciso pro meu número. 
Também houve um certo conflito no coração do pai, quando ouviu a pergunta. Arrá, ela sempre fizera pouco do seu gosto usimlca______________________ e agora precisava dele.
Mas o segundo impulso venceu: 
- Diz pra essa menina voltar pra casa. JÁ!

ATIVIDADES
1) No texto, há diversas palavras embaralhadas. Sua função é descobrir quais são essas palavras e completar o texto corretamente.
2) Encontre, no primeiro parágrafo do texto, sinônimos para as palavras:
a) Emoção:
b) Preocupação:
3) Que argumentos os pais usaram para tentar impedir a viagem de Duda, no primeiro parágrafo do texto?
4) O que Duda quis saber:
a) Na primeira ligação?
b) Na segunda ligação? 
c) E na terceira?
5) Duda, na primeira ligação, disse que estava trabalhando como “au pair”. À medida que lemos o texto, ficamos sabendo do que se trata essa profissão. O que Duda fazia?
6) Como era a vida de Duda, em relação às atividades domésticas, no Brasil? E na França?
7) Duda se considerava uma “au pair formidable”. Formidable é uma palavra francesa que significa_________________.
8) Por que a mãe de Duda lhe passou a receita errada do suflê de chuchu?
9) Que consequências a mãe de Duda imaginou, depois de ter passado a receita errada do suflê de chuchu?
10) Pela leitura do texto, descobrimos que a França é a terra de que prato típico?

11) Quais os pratos que Duda preparou para os patrões, na França?

12) É possível deduzir, a partir da leitura do texto, que Duda continuou ou não trabalhando como” au pair”, depois do suflê de chuchu? Comprove com uma passagem do texto.
13) “Arrá, ela sempre fizera pouco do seu gosto musical e agora precisava dele.” Explique, com suas palavras, o que significa a expressão destacada, na frase.
























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