sexta-feira, 14 de novembro de 2014

A FADIGA DA INFORMAÇÃO - Augusto Marzagão


      A FADIGA DA INFORMAÇÃO
Augusto Marzagão

Há uma nova doença no mundo: a fadiga da informação. Antes mesmo da Internet, o problema já era sério, tantos e tão velozes eram os meios de informação existentes, trafegando nas asas da eletrônica, da informática, dos satélites. A Internet levou o processo ao apogeu, criando a nova espécie dos internautas e estourando os limites da capacidade humana de assimilar os conhecimentos e os acontecimentos deste mundo. Pois os instrumentos de comunicação se multiplicam, mas o potencial de captação do homem - do ponto de vista físico, mental e psicológico - continua restrito. Então, diante do bombardeio crescente de informações, a reação de muitos tende a tornar-se doentia: ficam estressados, perturbam-se e perdem em eficiência no trabalho.

Já não se trata de imaginar que esse fenômeno possa ocorrer. Na verdade, a síndrome da fadiga da informação está em plena evidência, conforme pesquisa que acaba de ser feita nos Estados Unidos, na Inglaterra e em outros países, junto à 1.300 executivos. Entre os sintomas da doença apontam-se a paralisia da capacidade analítica, o aumento das ansiedades e das dúvidas, a inclinação para decisões equivocadas e até levianas.

Nada avançou tanto no mundo como as comunicações. Pouco durou, historicamente, para que saíssemos do isolamento para a informação globalizada e instantânea. Essa revolução teria inevitavelmente de gerar, ao lado dos efeitos mágicos e benfazejos, aqueles que provocam respostas de perplexidade no ânimo público e das pessoas em particular. Choques comportamentais e culturais surgem como subprodutos menos estimáveis desse impacto modernizador, talvez por excessiva celeridade no desenrolar de sua evolução.

Curiosamente, a sobrecarga de informações pode redundar em desinformação. Recebíamos antes a notícia do dia e poderíamos ruminá-la durante horas. Hoje temos a notícia renovada e modificada a cada segundo, acompanhando em tempo real o desdobramento dos fatos e das decisões, o que rapidamente envelhece a informação transmitida e nos deixa sem saber, afinal, qual a versão mais próxima da realidade do momento. As agências noticiosas não dispõem de tempo para maturar o seu material, há que lançá-lo logo ao consumo - mesmo sob o risco de uma divulgação incompleta ou deformada, avizinhada do boato.

Há 30 anos, o então estreante Caetano Veloso perguntava numa das estrofes de sua famosa canção "Sem Lenço sem Documento": "Quem lê tanta notícia?". Presentemente a oferta de informações, só nas bancas de jornais, deixaria ainda muito mais instigado o poeta do tropicalismo. Além da televisão aberta, a TV a cabo e por assinatura põe o telespectador diante da opção de centenas de canais. Há emissoras nacionais e estrangeiras, de rádio e de TV, dedicadas exclusivamente a transmitir notícias. O CD-ROM ampliou consideravelmente a dimensão multimídia do computador. O fax e o correio eletrônico deixaram para trás o telefone, o telegrama e todos os meios de comunicação postal. Agora instalamos uma miniparabólica na nossa janela e trazemos para dentro de casa um universo de transmissões televisivas.

A massa de informações gerais ou especializadas contida na imprensa diária exigiria um super-homem para absorvê-la. E, a cada dia, jornais e revistas se enriquecem de suplementos e de encartes pedagógicos e culturais.

É claro que esse processo não vai estancar e muito menos regredir. A informação não poderia estar ____ margem do mercado competitivo. Não há dúvida, porém, de que precisamos aprender ____ filtrá-la, ____ ajustá-la ao nosso metabolismo de público-alvo. A eletrônica e a informática estão a nosso serviço, mas não substituem as limitações orgânicas, cerebrais e emocionais do homem. A informação nos faz também sentir as dores do mundo, onde quer que ocorram, sob a forma de calamidades, tragédias, adversidades coletivas ou individuais. Ou buscamos um equilibrado "modus vivendi" com as pressões da prodigiosa tecnologia da comunicação, ou o feitiço virará contra o feiticeiro. O oxigênio da informação, sem o qual no passado recente não conseguiríamos respirar, terá de ser bem inalado para não nos ameaçar com a asfixia, o estresse, as neuroses e, quem sabe, o infarto.

VOCABULÁRIO
1) EM RELAÇÃO À SUBSTITUIÇÃO VOCABULAR, ANALISE AS AFIRMAÇÕES E ASSINALE A ALTERNATIVA CORRETA.

I – “A Internet levou o processo ao apogeu, criando a nova espécie dos internautas e estourando os limites da capacidade humana de assimilar os conhecimentos e os acontecimentos deste mundo.” (1º parágrafo) – os termos destacados podem ser substituídos, respectivamente, por “auge” e “compreender”.
II – “Pois os instrumentos de comunicação se multiplicam, mas o potencial de captação do homem - do ponto de vista físico, mental e psicológico - continua restrito.” (1º parágrafo) – os termos destacados são sinônimos de “compreensão” e “limitado”.
III – “É claro que esse processo não vai estancar e muito menos regredir.” (7º parágrafo) – os dois termos destacados são sinônimos e poderiam ser substituídos, sem alterar o sentido da frase, por “parar, cessar”.
a) Todas as alternativas estão corretas.
b) Nenhuma alternativa está correta.
c) Apenas a alternativa I está correta.
d) Apenas a alternativa III está incorreta.
e) Apenas a alternativa II está incorreta.

2) “Choques comportamentais e culturais surgem como subprodutos menos estimáveis desse impacto modernizador, talvez por excessiva celeridade no desenrolar de sua evolução.” (3º parágrafo) – Uma possível reescrita da frase, substituindo os termos destacados por sinônimos, poderia ser:
a) “Choques comportamentais e culturais surgem como subprodutos desprezíveis desse impacto modernizador, talvez por excessiva rapidez no desenrolar de sua evolução.”
b) “Choques comportamentais e culturais surgem como subprodutos importantes desse impacto modernizador, talvez por excessiva rapidez no desenrolar de sua evolução.”
c) “Choques comportamentais e culturais surgem como subprodutos desprezíveis desse impacto modernizador, talvez por excessiva burocracia no desenrolar de sua evolução.”

3) “[...] o aumento das ansiedades e das dúvidas, a inclinação para decisões equivocadas e até levianas.” – Uma possível reescrita desse trecho, substituindo os termos destacados por sinônimos, poderia ser:
a) “[...] o aumento das ansiedades e das dúvidas, a relutância para decisões errôneas e até irresponsáveis.”
b) “[...] o aumento das ansiedades e das dúvidas, a tendência para decisões errôneas e até cautelosas.”
c) “[...]o aumento das ansiedades e das dúvidas, a tendência para decisões errôneas e até irresponsáveis.”

INTERPRETAÇÃO TEXTUAL
1) Qual é, segundo o texto, a causa da nova doença, a qual o autor nomeou como “fadiga da informação”?
2) Quais os sintomas dessa doença?
3) Que afirmação é feita no início do 3º parágrafo do texto? Você concorda? Por quê?
4) Qual a hipótese levantada pelo autor para explicar os choques comportamentais e culturais que surgiram em razão da evolução do acesso à informação?
5) Explique com suas palavras a frase “Curiosamente, a sobrecarga de informações pode redundar em desinformação.”(4º parágrafo)
6) A que a informação é comparada no 4º parágrafo do texto? Por quê?
7) Explique com suas palavras a expressão “A informação nos faz também sentir as dores do mundo, [...]” (7º parágrafo)

8) Observe a HQ abaixo e responda às questões:

a) Qual a relação que se pode estabelecer entre a história em quadrinhos e o texto lido?
b) O termo “aqui” (5º quadrinho) está se referindo a quê?
c) A HQ traz implícita uma crítica a uma determinada situação bem atual. Que crítica é essa?


ATIVIDADES GRAMATICAIS
1) Em relação ao emprego da crase, assinale a alternativa que preenche adequadamente as lacunas presentes no texto.
a) à - a – à
b) à – a – a
c) à – à – à
d) a – a – à
e) a – a – a

2) No 2º parágrafo do texto, a crase foi empregada de forma errônea, propositalmente. Corrija a frase onde ela aparece e explique o porquê da inadequação.

4) Transcreva, do 1º parágrafo do texto, um período onde apareça uma oração coordenada sindética explicativa e outra adversativa.

4) Transcreva, do 1º parágrafo do texto, uma oração coordenada sindética aditiva.
 
5) Classifique as orações subordinadas substantivas abaixo:
a) “Já não se trata de imaginar que esse fenômeno possa ocorrer.”
b) Não há dúvida, porém, de que precisamos aprender a filtrá-la, a ajustá-la ao nosso metabolismo de público-alvo.
c) É claro que esse processo não vai estancar e muito menos regredir.

6) “Na verdade, a síndrome da fadiga da informação está em plena evidência, conforme pesquisa que acaba de ser feita nos Estados Unidos, na Inglaterra e em outros países, junto à 1.300 executivos.” A palavra destacada estabelece com a oração anterior uma relação de:
a) Comparação
b) Condição
c) Conformidade
d) Causa
e) Finalidade
 
7) “Pouco durou, historicamente, para que saíssemos do isolamento para a informação globalizada e instantânea.” A palavra destacada estabelece com a oração anterior uma relação de:
a) Comparação
b) Condição
c) Conformidade
d) Causa
e) Finalidade

8) Transcreva, do último parágrafo do texto, uma oração coordenada sindética alternativa.
 
9) “Não há dúvida, porém, de que precisamos aprender a filtrá-la, a ajustá-la ao nosso metabolismo de público-alvo.” A conjunção destacada estabelece com a oração anterior uma relação de:
a) Oposição
b) Adição
c) Alternância
d) Explicação
e) Conclusão

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