quinta-feira, 21 de agosto de 2014

O TIGRE, O MENINO E O TRÂNSITO
Geraldo Simões

Como um acidente pode explicar o comportamento humano

O Brasil ficou chocado nos últimos dias de julho quando um garoto de 11 anos teve o braço direito dilacerado por um tigre. O "acidente" ocorreu em um zoológico de Cascavel, PR, quando o garoto, acompanhado do pai, pulou uma cerca de proteção, ignorou os avisos de manter-se afastado e provocou primeiro um leão e depois o tigre. O desfecho todo mundo viu: teve o braço amputado na altura do ombro e terá a vida inteira para refletir sobre esse ato "corajoso". Esse acidente é exemplar, em todos os sentidos.
Quem acompanha minhas colunas sabe que há décadas eu insisto no declínio na qualidade do ser humano em sociedade. Especialmente no Brasil, país que parece caminhar ladeira abaixo no campo das relações humanas.
Felizmente alguém filmou e mostrou uma imagem que retrata o que vem acontecendo em uma sociedade desacostumada a respeitar uma autoridade. O garoto ficou por cerca de seis minutos atiçando dois felinos de grande porte, conhecidos por qualquer ser vivente como predadores. Até as pedras sabem que esses animais se alimentam de outros animais desde que o mundo é mundo.
Imediatamente após a divulgação das imagens começaram os julgamentos, principalmente os do "contra" e "a favor", seja do tigre, do garoto, do pai, do zoológico, de Deus etc. No atual modus operandi social de palpitar sobre tudo houve a esperada distribuição de culpa para todos os envolvidos, alguns até tentando amenizar o lado do garoto sob a alegação de que era "incapaz" de avaliar os riscos. Será? Com 11 anos você não sabe a diferença de um gato para um tigre?
Deixando um pouco o tigre de lado, vamos lembrar um pouco das histórias da Bíblia. Sem a menor conotação católico-cristã, mas apenas como exemplo. Muita gente atribui o pecado original ao sexo, fazendo uma analogia direta da mordida na maçã com rala e rola entre Adão e Eva. Mas Deus não poderia castigar pelo sexo, senão inviabilizaria a reprodução humana e jogaria por terra o famoso "crescei e multiplicai". 
O pecado original que condenou Eva e seu amasio ao mundo terreno foi a DESOBEDIÊNCIA. Deus deixou bem claro: não coma a fruta dessa árvore! E quando virou as costas lá foi ela e nhoc! Não tinha uma placa na macieira do tipo "fique longe, não coma". Por trás da desobediência está o conceito que quero chegar: o desrespeito!
Voltando ao zoológico, qual o padrão de comportamento dos visitantes: enfiar o braço na jaula ou manter-se afastado? Se uma criança violou o padrão é preciso olhar para esse caso isolado e tentar entender melhor de onde vem o comportamento tão prepotente.
Hoje em dia existe uma enorme confusão aqui em terras brasileiras com relação à educação. Também já escrevi sobre isso. E é um tal de pais entregarem seus filhos às escolas na crença cega de que o pimpolho sairá de lá um lorde inglês e com conhecimento de filósofo alemão. Mas em casa o filho faz o que quer, passa o dia no videogame, desobedece aos pais e eventualmente despreza a autoridade dos empregados.
Educação é aquele conjunto de regras transmitidos de pais para filhos como uma carga genética. O que a escola transmite é conhecimento. Portanto, escola não educa, quem educa é o convívio familiar. Já defendi mais de um milhão de vezes a mudança do nome de ministério da Educação para ministério do Ensino.
Pergunto, que tipo de pai pode gerar um filho tão incapaz de entender a regra mais elementar, bíblica e basilar da educação que é a obediência? Que tipo de exemplo esse garoto tem em casa para ignorar tão descaradamente os perigos que envolvem o enfrentamento de um animal feroz? Uma criança que atiça descaradamente um animal selvagem como o tigre respeita seus professores? Obedece a seus pais?
É o reflexo da falta de cuidado na educação, não da escola, mas aquela da formação do caráter. Quem enfrenta um tigre não é corajoso - como escreveram alguns - ou simplesmente desobediente?
Chamou-me a atenção o comentário de vários jornalistas que reforçaram o fato de no momento do acidente não ter nenhum vigia, embora o zoológico tenha se defendido alegando que a área é monitorada por quatro fiscais.
Ora, jornalistas são pessoas esclarecidas, viajam e normalmente voltam do exterior sempre com uma história de civilidade na ponta da língua. Ficam impressionados que nos museus americanos o visitante deposita o valor em uma caixa que fica ali, ao alcance de qualquer um, mas ninguém pega. Contam - impressionados - que na Áustria as padarias deixam o leite fora e as pessoas pegam e depositam as moedas em um pote, sem ninguém vigiando.
Mas cobram o fato de naquele local do zoo não haver um vigilante. É ISTO que quero chamar a atenção: educação não é um comportamento expresso diante de fiscalização, o nome disso é obediência. Educação é o comportamento do indivíduo quando não tem NINGUÉM olhando!
Por isso a Prefeitura de SP instalou mais uma centena de radares e câmeras de vigilância, porque o motorista só consegue se manter educado sob constante fiscalização. Porque não foi educado. Os motoristas/motociclistas mal e porcamente foram instruídos, quando foram... E os ciclistas nem isso!
Pela ótica do jornalismo sensacionalista podemos perder a esperança em trânsito solidário sem que haja uma fiscalização opressiva e constante, como no zoológico. Não basta uma placa de proibido estacionar, precisa ter um fiscal. Não basta investir em passarela ou ciclovia, tem de fiscalizar. Não basta avisar que o leão é bravo, precisa colocar o braço lá dentro!

VOCABULÁRIO
1) ENCONTRE, NO TEXTO, SINÔNIMOS PARA AS PALAVRAS ABAIXO:
a) Cortado, rasgado: _______________________
b) Opinar: _______________________________
c) Suavizar: ______________________________
d) Desconsiderou: _______________________________
e) Desobedeceu:________________________

2) ASSINALE A ALTERNATIVA ONDE A PALAVRA “CHOCAR” APRESENTA O MESMO SENTIDO COM QUE FOI EMPREGADO NA FRASE: “O Brasil ficou chocado nos últimos dias de julho quando um garoto de 11 anos teve o braço direito dilacerado por um tigre.”
(      ) "Não devemos ter medo dos confrontos. Até os planetas se chocam e do caos nascem as estrelas." (Charles Chaplin)
(    ) “Se não era amor, era da mesma família. Pois sobrou o que sobra dos corações abandonados. A carência. A saudade. A mágoa. Um quase desespero, uma espécie de avião em queda que a gente sabe que vai se estabilizar, só não se sabe se vai ser antes ou depois de se chocar contra o solo.” (Martha Medeiros)
(     )As pessoas estão tão acostumadas a ouvir mentiras, que sinceridade demais choca e faz com que você pareça arrogante.” (Jô Soares)

3) SABENDO QUE OS PREFIXOS –DES E –IN ATRIBUEM À PALAVRA UM SENTIDO DE NEGAÇÃO, RETIRE, DO TEXTO, 1 PALAVRA COM O PREFIXO –IN E 3 COM O PREFIXO –DES, QUE EXEMPLIFIQUEM ISSO:

INTERPRETAÇÃO TEXTUAL

1)       ANALISE AS AFIRMAÇÕES ABAIXO E ASSINALE A ALTERNATIVA CORRETA:
I – Segundo o texto, um menino teve o braço esquerdo dilacerado por um tigre, num zoológico do Paraná.
II – O texto deixa claro que um garoto de 11 anos ainda não é capaz de avaliar os riscos que uma situação como a de atiçar um animal feroz traz.
III – Pode-se depreender, a partir da leitura do texto, que os brasileiros têm o péssimo hábito de respeitar normas ou leis, somente quando são vigiados ou fiscalizados.
IV – O autor usa como exemplo a história bíblica de Adão e Eva para explicar que o grande problema do ser humano, inclusive do garoto que teve o braço amputado, é a falta de fé.
V – Segundo o autor, a educação é um comportamento que não exige fiscalização, já a obediência, sim.
 a) Todas as alternativas estão corretas.                             
b) Nenhuma alternativa está correta.                                 
c) As alternativas I, II e III estão corretas.
d) As alternativas III e V estão corretas.
e) As alternativas IV e V estão corretas.

2) Por que o autor emprega as palavras acidente e corajoso entre aspas?


3) qual é, segundo o autor,  o conceito de educação?


ATIVIDADES GRAMATICAIS
1) REESCREVA AS FRASES A SEGUIR, SUBSTITUINDO AS EXPRESSÕES DESTACADAS PELOS PRONOMES ADEQUADOS:
a) “O garoto ficou por cerca de seis minutos atiçando dois felinos de grande porte [...]”
b) “[...] gerar um filho [...]”
c) “[...] o visitante deposita o valor em uma caixa [...]”
d) “[...] uma sociedade desacostumada a respeitar uma autoridade.” 
e) “[...] incapaz de entender a regra [...]”
f) “[...] podemos perder a esperança [...]”
g) “[...] era "incapaz" de avaliar os riscos.[...]”

2) INDIQUE OS TERMOS AOS QUAIS SE REFEREM OS PRONOMES RELATIVOS DESTACADOS NAS FRASES ABAIXO:
a) “[...] país que parece caminhar ladeira abaixo no campo das relações humanas.[...]
b) “Por trás da desobediência está o conceito que quero chegar: o desrespeito!”
c) “Uma criança que atiça descaradamente um animal selvagem como o tigre respeita seus professores?”

3) NA FRASE: “Quem acompanha minhas colunas sabe que há décadas eu insisto no declínio na qualidade do ser humano em sociedade.” (2º parágrafo), O PRONOME POSSESSIVO DESTACADO INDICA QUE AS COLUNAS SÃO DE QUEM?

4) “O garoto ficou por cerca de seis minutos atiçando dois felinos de grande porte [...]” (3º parágrafo). O TERMO DESTACADO PODE SER SUBSTITUÍDO PELO PRONOME PESSOA RETO – 3ª PESSOA DO SINGULAR – ELE – FAZENDO COM QUE A REDAÇÃO DA FRASE FIQUE: “Ele ficou por cerca de seis minutos atiçando dois felinos de grande porte [...]” REESCREVA A FRASE, FAZENDO AS ALTERAÇÕES NECESSÁRIAS AO EMPREGAR:

a) O pronome pessoal reto relativo a 1ª pessoa do plural: 
b) O pronome pessoal reto relativo a 1ª pessoa do singular: 
c) O pronome pessoal reto relativo a 3ª pessoa do plural: 

5) OBSERVE OS PRONOMES DESTACADOS NAS FRASES ABAIXO E RESPONDA A QUE TERMOS OU EXPRESSÕES ELES FAZEM REFERÊNCIA NO TEXTO:
a) “Também já escrevi sobre isso.” (8º parágrafo): 
b) o nome disso é obediência.” (14º parágrafo): 

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