quinta-feira, 28 de agosto de 2014

MOTIVO (Cecília Meirelles) e SONETO DO AMOR MAIOR (Vinícius de Moraes)

TEXTO 1
MOTIVO

Cecília Meirelles

Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta

Irmão das coisas fugidias;
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.

Se desmorono ou edifico,
se permaneço ou me desfaço,
- não sei, não sei. Não sei se fico
ou se passo

Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada
E um dia sei que estarei mudo:
- Mais nada

VOCABULÁRIO
Fugidias:
fugazes, efêmeras, passageiras.
1) Segundo o eu lírico, o que define um poeta? 

2) Nos versos a seguir, porque é uma conjunção explicativa. De que maneira ela retoma o sentido do título do poema? 

3) De que maneira a expressão “fugidias”, associada à existência do “instante”, define o que é “ser poeta” para o eu lírico? 

4) Qual o tempo e qual o modo em que estão todos os verbos do poema com exceção de “estarei”? 

5) Antítese é uma figura de linguagem (figuras de estilo) que consiste na exposição de ideias opostas. Ocorre quando há uma aproximação de palavras ou expressões de sentidos opostos. Ex: Amor / ódio; guerra/ paz. Na terceira estrofe, o eu lírico apresenta várias antíteses. Quais são elas e o que simbolizam no poema? 

6) Essas antíteses encaminham a conclusão do poema: a única certeza que o eu lírico tem sobre si mesmo. Qual é ela? 

TEXTO 2
SONETO DO AMOR MAIOR

Vinícius de Moraes
Maior amor nem mais estranho existe
Que o meu, que não sossega a coisa amada
E quando a sente alegre, fica triste
E se a vê descontente, dá risada.

E que só fica em paz se lhe resiste
O amado coração, e que se agrada
Mais da eterna aventura em que persiste
Que de uma vida mal-aventurada.

Louco amor meu, que quando toca, fere
E quando fere vibra, mas prefere
Ferir a fenecer - e vive a esmo

Fiel à sua lei de cada instante
Desassombrado, doido, delirante
Numa paixão de tudo e de si mesmo.

VOCABULÁRIO
A ESMO:
sem rumo, perdido
FENECER: tornar-se extinto, acabar.
7) O eu lírico afirma que seu amor é “estranho”. Por quê? Quais comportamentos comprovam essa estranheza? 

8) O que essas imagens sugerem sobre o sentimento amoroso do eu lírico? 

9) Transcreva, das duas últimas estrofes, outras palavras e expressões que caracterizam o sentimento vivido pelo eu lírico. 

10) O amor deseja a resistência do coração? Por quê? 

11) Na terceira estrofe, as ações do amor explicitam as suas leis. Por que o amor deve ser fiel a estas leis? 

12) As ações definem o sentimento do eu lírico como o “amor maior”. Explique o que seria, no poema, um “amor menor”. 

Fonte: Adaptado de
ABAURRE, Maria Luiza M. ABAURRE, Maria Bernadete M. PONTARA, Marcela. PORTUGUÊS - CONTEXTO, INTERLOCUÇÃO E SENTIDO. Vol. 3. São Paulo: Moderna, 2008.


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