terça-feira, 22 de abril de 2014

CORRUPÇÃO: AUSÊNCIA DE LEIS OU DE MORALIDADE

Corrupção : Ausência de leis ou de moralidade 


Quando se abre o jornal, no Brasil, é raro não nos defrontarmos com escândalos no mundo político. Casos de desvio de recursos públicos, uso indevido da máquina administrativa, redes de clientelas e tantas outras mazelas configuram uma sensação de mal-estar coletivo, em que sempre olhamos de modo muito cético os rumos que a política tem tomado. Na verdade, nada disso é recente. A corrupção está enraizada historicamente a começar pela forma de colonização e exploração de nossas terras. 

Também não é novidade alguma que os efeitos nocivos da corrupção são muitos e óbvios. Ela prejudica a eficiência do gasto público e desestimula investimentos, reduzindo o crescimento, a geração de empregos, os serviços como educação e saúde, a renda da população e fere criminalmente a Constituição quando amplia a exclusão social e a desigualdade econômica. 

Dois economistas do Banco Mundial, Daniel Kaufmann e Aart Kraay, elaboraram um banco de dados com indicadores de boa governança de 160 países, incluindo o combate à corrupção. De acordo com esse indicador, o Brasil ocupa a septuagésima posição. Somos “vizinhos” do Sri Lanka, Malauí, Peru e Jamaica, e de duas ditaduras, Cuba e Bielo-Rússia. Cruzando os dados, os economistas concluíram que se a corrupção no Brasil se agravar até atingir um nível extremo, comparável ao de Angola, um dos casos mais graves, a renda per capita brasileira ficará 75% menor em oito décadas. 

Pois é, e como se não bastasse, a corrupção no Brasil tem destaque internacional: O jornal econômico inglês Financial Times publicou artigo intitulado "Corrupção brasileira: longe de acabar" ; “A economia do Brasil tem sido prejudicada pela corrupção e por problemas de infraestrutura”, afirma o jornal britânico “The Independent” e assim nosso país mergulha na desordem. E pra piorar : Somemos a corrupção à impunidade e à morosidade da justiça. E mais o fato de os políticos gozarem de direitos como o foro privilegiado e serem julgados de maneira diferente da do cidadão comum. E a corrupção vai avançando diante da impunidade. 

A situação consegue ficar mais caótica, a ponto dos critérios para distinção do que é honesto e desonesto ficarem cada vez mais obscuros. Senão vejamos: De acordo com uma pesquisa realizada pela Universidade Federal de Minas Gerais e o Instituto Vox Populi, quase um em cada quatro brasileiros (23%) afirma que dar dinheiro a um guarda para evitar uma multa não chega a ser um ato corrupto. Ou seja, a tolerância a pequenas violações vão desde a taxa de urgência paga a funcionários públicos para conseguir agilidade na tramitação dos processos até aquele motorista que suborna um guarda de trânsito para não ser multado. Diante de tantos “abusos”, perde-se o referencial. Ou melhor, este vai sendo empurrado rumo ao abismo. 

O Promotor de Justiça Jairo Cruz Moreira afirma que: “Aceitar essas pequenas corrupções legitima aceitar grandes corrupções. Seguindo esse raciocínio, seria algo como um menino que hoje não vê problema em colar na prova ser mais propenso a, mais pra frente, subornar um guarda sem achar que isso é corrupção”. 

Nossa forma de vida individualista e capitalista suscitou na perda do valor de conceitos como ética, por exemplo, que ficaram sem definição para muitos – isso se aplica à Justiça, à Política, às nossas relações sociais como cidadãos e funcionários. Muitas pessoas não enxergam o desvio privado como corrupção, só levam em conta a corrupção no ambiente público. 

Segundo a BBC Brasil, segue uma lista de dez atitudes que os brasileiros costumam tomar e que, por vezes, nem percebem que se trata de corrupção. 

- Não dar nota fiscal; 

- Não declarar Imposto de Renda; 

- Tentar subornar o guarda para evitar multas; 

- Falsificar carteirinha de estudante; 

- Dar/aceitar troco errado; 

- Roubar TV a cabo; 

- Furar fila; 

- Comprar produtos falsificados; 

- No trabalho, bater ponto pelo colega; 

- Falsificar assinaturas. 

Em suma, não é de hoje que o país vive uma crise de moralidade. O problema não é a falta de legislação, mas sim a falta de controle, de prestação de contas, de punição e de cumprimento das leis. O problema brasileiro é a falta de parâmetros éticos. 

Para combater a corrupção, é preciso ter políticas de longo prazo, preventivas, é preciso fazer uma reforma administrativa, informatizar os processos de gestão, permitir que o cidadão fiscalize a execução orçamentária on line. 

Precisamos de um país que compartilhe de uma regra comum a todos os cidadãos ao invés dessa mesma regra aplicar-se apenas a alguns. Enfim, corrupção não envolve apenas questões de dinheiro, mas também questões de moral e respeito. 

Referências : 






VOCABULÁRIO 
1) ENCONTRE, NO TEXTO, SINÔNIMOS DAS PALAVRAS ABAIXO: 
a) Incrédulo:__________________________ 
b) Prejudicial: ________________________ 
c) Confusa, bagunçada:_________________ 
d) Valida, justifica:_____________________ 
e) Provoca, gera:_____________________ 
f) Individual, particular:________________ 
g) Lentidão, demora: __________________ 

INTERPRETAÇÃO TEXTUAL
1) EM RELAÇÃO AO TEXTO, ANALISE AS AFIRMAÇÕES ABAIXO E ASSINALE A ALTERNATIVA CORRETA.

I – Segundo o autor, escândalos políticos no Brasil não são raros.
II – Um dos efeitos da corrupção, segundo o texto, é a ampliação do desigualdade econômica e a exclusão social.
III – De acordo com autor, um dos fatores do avanço da corrupção é a impunidade.
IV – Conforme pesquisa realizada pelo Instituto Vox Populi, 23% dos brasileiros acreditam que pequenas violações, como subornar um guarda de trânsito, por exemplo, são toleráveis.
V – Para muitas pessoas, conforme o texto, a única corrupção de fato é a corrupção que acontece no âmbito privado.

a) Apenas a alternativa V está incorreta.
b) Todas as alternativas estão corretas.
c) Nenhuma alternativa está correta.
d) Apenas as alternativas I e V estão corretas.
e) Apenas as alternativas II e V estão corretas.

ATIVIDADES GRAMATICAIS
1) Identifique e classifique o sujeito presente nas orações abaixo:
a) "Casos de desvio de recursos públicos, uso indevido da máquina administrativa, redes de clientelas e tantas outras mazelas configuram uma sensação de mal-estar coletivo,[...]"
b) "A corrupção está enraizada historicamente [...]"
c)  "[...] afirma o jornal britânico “The Independent”[...]"
d) "Precisamos de um país que compartilhe de uma regra comum a todos os cidadãos [...]"

2) Leia a tirinha abaixo e responda às questões:


a) Circule, na tirinha, um sujeito composto.

b) Qual é o predicado do sujeito “Você) (4º balão)? 

c) Transcreva, da tirinha, uma frase nominal.

d) Transcreva, da tirinha, um período simples.

3) Leia a tirinha abaixo e responda às questões.


a) Circule, na tirinha, o balão que contém um sujeito indeterminado.

b) Quantas orações tem o segundo balão do 1º quadrinho?

c) Transcreva, da tirinha, uma frase nominal.


Nenhum comentário: