sexta-feira, 8 de novembro de 2013

TODO O RESTO

Todo o resto
Martha Medeiros

“Existe o certo, o errado e todo o resto”. Esta é uma frase dita pelo ator Daniel Oliveira representando Cazuza, em conversa com o pai, numa cena que, a meu ver, resume o espírito do filme que esteve em cartaz até pouco tempo. Aliás, resume a vida.

Certo e errado são convenções que confirmam-se com meia dúzia de atitudes. Certo é ser gentil, respeitar os mais velhos, seguir uma dieta balanceada, dormir oito horas por dia, lembrar dos aniversários, trabalhar, estudar, casar e ter filhos. 

Certo é morrer bem velho e com o dever cumprido. Errado é dar calote, rodar de ano, beber demais, fumar, se drogar, não programar um futuro decente, dar saltos sem rede. Todo mundo de acordo?

Todo mundo teoricamente de acordo, porém a vida não é feita de teorias. E o resto? É tudo aquilo que a gente mal consegue verbali­zar, de tão intenso? Desejos, impulsos, fantasias, emoções. Ora, meia-dúzia de normas preestabelecidas não dão conta do recado. lmpossí­vel enquadrar o que lateja, o que arde, o que grita dentro de nós.

Somos maduros e ao mesmo tempo infantis, por trás do nosso au­tocontrole há um desespero infernal. Possuímos uma criatividade insuspeita: inventamos músicas, amores e problemas, e somos curio­sos, queremos espiar pelo buraco da fechadura do mundo para descobrir o que não nos contaram. Todo o resto.

O amor é certo, o ódio é errado e o resto é uma montanha de outros sentimentos, uma solidão gigantesca, muita confusão, desassossego, saudades cortantes, necessidade de afeto e urgên­cias sexuais que não se adaptam às regras do bom comporta­mento. ___  bilhetes guardados no fundo das gavetas que con­tariam outra versão da nossa história, caso viessem a públi­co. Todo o resto é o que nos assombra: as escolhas não feitas, os beijos não dados, as decisões não tomadas, os mandamen­tos que não obedecemos, ou que obedecemos bem demais. ____  troco de quê fomos tão bonzinhos? _____ o certo, o errado e aquilo que nos dá medo, que nos atrai, que nos sufoca, que nos entorpece. O certo é ser magro, bonito, rico e edu­cado, o errado é ser gordo, feio, pobre e analfabeto, e o resto nada tem a ver com estes reducionismos: é nossa fo­me por idéias novas, é nosso rosto que se transforma com o tempo, é nossas cicatrizes de estimação, nossos erros e desilusões.

Todo o resto é muito mais vasto. E nossa porra-lou­quice, nossa ausência de certezas, nossos silêncios inquisidores, a pureza e inocência que se mantém vivas dentro de nós, mas que ninguém percebe, só porque crescemos. A maturidade é um álibi frágil. Seguimos com uma alma de criança que finge saber direitinho tudo o que deve ser feito, mas que no fundo en­tende muito pouco sobre as engrenagens do mundo. Todo o resto é tudo que ninguém aplaude e ninguém vaia, porque ninguém vê.

*1) Com relação ao texto, é incorreto afirmar que:
(A) O resto é aquilo que não nos importa, o que sobra.
(B) O resto é o que não está exposto, não vem a público.
(C) O resto é o que não se enquadra nas regras que norteiam o mundo.
(D) O resto é cheio de amplidão, impossível de ser gritado, avaliado.
(E) Somos infantis e curiosos, sentimos que o mundo nos sonega informações.

*2) Leia com atenção as afirmações feitas a partir do texto:
I Uma das coisas que a autora chama de resto é a nossa necessidade de idéias novas.
II Depois que amadurecemos nós sabemos direitinho o que deve ser feito, mas nem sempre fizemos.
III As convenções de certo e errado não são corretas.
IV As convenções de certo e errado, apesar de terem sentido, não abrangem todos os nossos mistérios. 
Podemos dizer que:
(A) Todas estão corretas.
(B) Apenas a três está errada.
(C) II e III estão incorretas.
(D) A afirmativa IV apresenta uma incorreção.
(E) Nenhuma das alternativas anteriores.

*3) Releia o último parágrafo do texto. A autora afirma que “A maturidade é um álibi frágil” porque:
(A) Nos refugiamos nela, mas na verdade permanecemos crianças.
(B) Não é possível deixar de amadurecer.
(C) O álibi não permiti que mintamos de modo algum.
(D) Maturidade não combina com refúgios.
(E) Todas as afirmativas estão corretas.

4) Em relação às formas nominais dos verbos presentes no primeiro parágrafo do texto, é correto afirmar que:
a) “dita”está no particípio; “representando” está no gerúndio; e “ver” está no infinitivo.
b) “errado” está no particípio; “ator” está no infinitivo; e “representando” está no gerúndio.
c) “errado” está no particípio; “representando” está no gerúndio; e “ver” está no infinitivo.

5) Substitua as locuções verbais destacadas nas frases abaixo por uma forma verbal simples equivalente. REESCREVA as frases.
a) “É tudo aquilo que a gente mal consegue verbali­zar, de tão intenso?”

b) “queremos espiar pelo buraco da fechadura do mundo para descobrir o que não nos contaram.”

6) Na frase “Todo mundo de acordo?” foi omitido um verbo. Que verbo é este? Reescreva a frase empregando-o.

7) Reescreva a frase “Certo e errado são convenções que confirmam-se com meia dúzia de atitudes.” Empregando os verbos no Futuro do Pretérito do Indicativo.

8) Em relação às afirmações a seguir, assinale a alternativa correta.
I – “Desejos, impulsos, fantasias e emoções.” – Dos substantivos destacados derivam verbos de 1ª conjugação.
II – “Somos maduros e ao mesmo tempo infantis, por trás do nosso au­tocontrole há um desespero infernal.” - Dos substantivos destacados derivam, respectivamente, verbos de 2ª e 1ª conjugação.
III – “lmpossí­vel enquadrar o que lateja, o que arde, o que grita dentro de nós.” – Os verbos destacados estão conjugados na 3ª pessoa do singular, no Presente do indicativo.
IV – “Certo e errado são convenções que confirmam-se com meia dúzia de atitudes.” – O termo destacado pode ser substituído por “acordos” sem alterar o sentido da frase.
V – “nossos erros e desilusões.” - Dos substantivos destacados, derivam, respectivamente, verbos de 1ª e 3ª conjugações.

a) Todas as alternativas estão corretas.                   d) Apenas a alternativa V estão correta.
b) Nenhuma alternativa está correta.                         e) Apenas a alternativa IV está incorreta.
c) As alternativas I, III e V estão incorretas. 

9) Na frase “é nossas cicatrizes de estimação,” há um erro. Identifique-o e corrija-o, REESCREVENDO a frase.

10) Dos verbos destacados no texto, indique:
a) a conjugação:
b) o tempo e o modo:
c) o número e a pessoa:

*11) Leia o seguinte diálogo imaginário feito a partir de idéias do texto decidindo, qual a melhor seqüência para completá-lo: - ___________ as pessoas escondem tanto o que sentem? 
- Difícil saber. Talvez _______________ tenham medo de se ferir. 
- É, provavelmente o grande problema seja querermos tanto saber o _____das coisas. 
- Bom, mas não mudamos de assunto ______________? Vim aqui ______ queria conversar contigo e não filosofar. 
(A) por que – por que – porquê – por quê - porque 
(B) por que – porque – porquê – por quê - porque 
(C) porque – porque – porque – por que – por que 
(D) por que – porque – porquê – porque – por quê 
(E) por que – por que – porque – porque – por quê

12) Assinale a alternativa que completa, corretamente, as lacunas presentes no texto: 
a) a – a – a                           c) há – há – há                          e) há – a – a 
b) a – há – há                       d) há – a – há


13) Na frase “Todo mundo teoricamente de acordo, porém a vida não é feita de teorias.”, a conjunção destacada estabelece uma ideia de:
a) adição       b) oposição       c) explicação          d) alternância     e) conclusão

14) No período “É tudo aquilo que a gente mal consegue verbali­zar, de tão intenso?” – a oração subordinada substantiva destacada exerce a função de:
a) sujeito         b) objeto direto           c) objeto indireto        d) complemento nominal     e) aposto

15) No período “Todo o resto é o que nos assombra: as escolhas não feitas, os beijos não dados, as decisões não tomadas, os mandamen­tos que não obedecemos, ou que obedecemos bem demais.” – a oração subordinada substantiva destacada exerce a função de:
a) sujeito     b) objeto direto          c) predicativo do sujeito   d) objeto indireto       e) aposto

16) No período “queremos espiar pelo buraco da fechadura do mundo para descobrir o que não nos contaram” – a oração subordinada substantiva destacada exerce a função de:
a) sujeito    b) predicativo do sujeito       c) objeto direto       d) objeto indireto       e) aposto

17) No período “lmpossí­vel enquadrar o que lateja, o que arde, o que grita dentro de nós.” – as orações subordinadas substantivas destacadas exercem, respectivamente, a função de:

a) sujeito – predicativo do sujeito – objeto direto
b) predicativo do sujeito - objeto direto – objeto direto 
c) objeto direto – objeto indireto – objeto indireto
d) objeto direto – objeto direto – objeto direto
e) objeto indireto – objeto indireto – objeto direto

18) No período “Todo o resto é muito mais vasto. E nossa porra-lou­quice, nossa ausência de certezas, nossos silêncios inquisidores, a pureza e inocência que se mantém vivas dentro de nós, mas que ninguém percebe, só porque crescemos.”, as conjunções destacadas estabelecem, respectivamente, uma relação de:
a) oposição – condição                        d) oposição – adição 
b) oposição – causa                             e) oposição – oposição
c) explicação – oposição 

19) No período “Todo o resto é tudo que ninguém aplaude e ninguém vaia, porque ninguém vê.” – as conjunções destacadas estabelecem, respectivamente, uma relação de:
a) adição – causa                 c) adição – adição            e) oposição – causa 
b) causa – causa                  d) causa – adição 

20) “Possuímos uma criatividade insuspeita: inventamos músicas, amores e problemas, e somos curio­sos, queremos espiar pelo buraco da fechadura do mundo para descobrir o que não nos contaram.” Se passarmos os verbos da frase para o singular, o número de termos alterados será de:
a) 4             b) 5                   c) 7                     d) 8               e) 6

21) “Somos maduros e ao mesmo tempo infantis, por trás do nosso au­tocontrole há um desespero infernal.” Se passarmos os verbos da frase para o singular, o número de termos alterados será de:
a) 4           b) 5                     c) 7                     d) 8               e) 6

22) Assinale a opção em que o termo destacado na frase “resume o espírito do filme que esteve em cartaz até pouco tempo.” não tem o mesmo sentido:
a) O espírito do filho se comunicou com a mãe.
b) O espírito do evento era ajudar os necessitados. 
c) O espírito esportivo está presente nos eventos olímpicos.

*Questões da Andréia Dequinha

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