sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Perdido

PERDIDO 
Fernando Ferric

Carlos estava caminhando entre os túmulos, olhava lápide por lápide, era um dia cinzento e frio. Ele admirava a beleza daquele cemitério, o silêncio, o aroma das flores, a arte dos túmulos perfilados. Poderia permanecer horas naquele local, sentia uma paz absoluta, que só foi quebrada quando um velhinho estabanado se aproximou por trás dele. 

"Meu filho... meu filho... Por favor, me ajude?" 

O coração de Carlos quase saltou pela boca. Virou assustado e avistou aquele senhor magro, grisalho, com um rosto sofrido, já marcado pelo tempo. Seu susto e sua raiva se transformaram em dó, em vontade de ajudar o frágil senhor. 

"O que o senhor deseja?" 

"Meu filho... Estou perdido." - respondeu o senhor retirando do casaco um cartão azul - "Já não consigo enxergar essas letras tão pequenas, preciso encontrar este local." 

Carlos pegou o cartão, era do próprio cemitério, indicava o lote e a quadra da pessoa falecida.Carlos ficou sensibilizado com o velhinho e resolveu ajudá-lo. 

"Tudo bem, vamos encontrar a quadra, e depois fica fácil. Não estamos muito longe.” 

"Muito obrigado meu filho, mas não vou te atrapalhar?"- perguntou o velhinho. 

"Claro que não, trabalho algum”. 

Os dois seguiram para a tal quadra. Enquanto andavam, conversavam sobre vários assuntos. O velhinho andava lentamente e Carlos fazia o possível para não deixa-lo para trás. 

"Que bom que você está me ajudando meu filho, eu estou procurando esta quadra há um tempo já. E o pior é que estou atrasado.' - disse o velhinho. 

"Atrasado?' - perguntou Carlos. 

"Sim, meu filho. Estou atrasado para o enterro. Já estão todos lá, só que não consigo encontrar”.- resmungou o velhinho olhando para o papel. 

"Entendo... Desculpe a curiosidade, é parente do senhor?” 

"Olha meu filho, me desculpa viu? Mas, não quero falar disso agora”- retrucou o velhinho com um ar triste. 

Ele ficou sem graça, não teve a intenção de chatear o velho. 

Os dois continuaram andando. Quadra por quadra, lápide por lápide, Carlos observava cada túmulo, as fotos das pessoas falecidas, crianças, jovens, velhos. Enquanto se aproximava Carlos avistou algumas pessoas reunidas. 

"Olha lá! Acho que encontramos o lote senhor. Está acontecendo um enterro." - disse Carlos apontando para o grupo de pessoas. 

O velhinho parou, ficou observando alguns segundos, e disse

"É, são eles mesmo. Minha família... Chegamos bem na hora." 

"O senhor está se sentindo bem?" - perguntou Carlos. 

Os dois se aproximaram do enterro. O velhinho parou colocou a mão no ombro de Carlos. 

"Sim meu filho estou bem. Muito obrigado pela ajuda, eu não poderia chegar atrasado nesse enterro. Não poderia deixar de estar aqui, de me despedir de todos”. 

"Como assim de todos?" 

"Da minha família, hoje é meu enterro. É hora da minha despedida. Muito obrigado”. 

Carlos não podia acreditar que estava falando com um morto, saiu correndo em disparada, e nem ao menos olhou para trás. Enquanto corria, jurava para si mesmo que nunca mais ia voltar em um cemitério para... Carlos parou. Sua pulsação ficou mais forte, estava ofegante. Ele não conseguia lembrar o que estava fazendo ali. Qual o motivo de estar naquele cemitério. Só lembrava que antes do velho aparecer ele estava olhando túmulo por túmulo. Percebeu que tinha algo em seu bolso. Colocou a mão e retirou um cartão azul. No cartão estava seu nome e o local onde seria enterrado.

1) Em relação ao texto, classifique como Verdadeiras ou Falsas as afirmações abaixo:
(   ) O texto apresenta um narrador-personagem, que vive os fatos narrados no texto.
(   ) As ações passam-se em um cemitério, em um dia cinzento e frio.
(   ) O pronome “ele”, na primeira linha do primeiro parágrafo do texto, refere-se a Carlos.
(  ) Na frase “Carlos fazia o possível para não deixá-lo para trás.” (10º parágrafo), a palavra sublinhada refere-se ao velhinho.
(  ) Carlos, ao ajudar o velhinho pensou que o que ele queria encontrar era o local do enterro de algum conhecido.
(  ) No momento em que Carlos retira do bolso o cartão azul, o leitor consegue entender o que Carlos estava fazendo naquele cemitério: ele também estava morto.
(  ) A família de que fala o texto e a de Carlos.

2) O que o autor utiliza para indicar a fala dos personagens?

3) Encontre, no texto, um sinônimo para a palavra “perfume”.

4) Encontre, no primeiro parágrafo do texto, 3 substantivos abstratos.

5) Encontre, no texto, um substantivo derivado de “pulso”.

6) Encontre, no texto, um sinônimo de “reclamou”.

7) Retire, do texto, os adjetivos utilizados para caracterizar os substantivos abaixo:
a) Dia (1º parágrafo):
b) Cemitério (1º parágrafo):
c) Túmulos (1º parágrafo):
d) Velhinho (1º parágrafo):
e) Senhor (3º parágrafo):
f) Rosto (3º parágrafo):
g) Cartão (5º parágrafo):
h) Letras (5º parágrafo):
i) Pessoas (5º parágrafo):

8) O que estava escrito no cartão que Carlos tinha no bolso?

9) Que adjetivos podemos derivar dos substantivos abaixo?
a) Susto:
b) Raiva:
c) Silêncio:

10) Em relação aos verbos destacados no texto, indique: 
a) Conjugação: 
b) Tempo e Modo: 
c) Pessoa e número: 

11) Substitua as locuções verbais destacadas nas frases abaixo por uma forma verbal simples equivalente. Reescreva a frase, fazendo as alterações necessárias. 
a) “Tudo bem, vamos encontrar a quadra ...” 
b) “...estou procurando esta quadra há um tempo já.” 
c) “... só que não consigo encontrar.” 
d) “Carlos não podia acreditar que estava falando com um morto, saiu correndo em disparada, e nem ao menos olhou para trás.” 
e) “Enquanto corria, jurava para si mesmo que nunca mais ia voltar em um cemitério para...” 
f) "Muito obrigado meu filho, mas não vou te atrapalhar?"

13) Reescreva a frase abaixo, passando os verbos para o pretérito mais-que-perfeito do indicativo. 

“Ele ficou sem graça, não teve a intenção de chatear o velho.” 

15) Retire, do 5º parágrafo do texto, um verbo no gerúndio e dois verbos no infinitivo. 

16) Reescreva as frases abaixo, passando os verbos para o tempo/modo, número/pessoa indicados entre parênteses. 
a) “Chegamos bem na hora.” (Futuro do Pretérito do Indicativo – 1ª pessoa do singular) 
b) “Estou perdido.” (Pretérito Perfeito do Indicativo – 2ª pessoa do singular) 
c) “Continuaram andando.” (Pretérito Imperfeito do Indicativo – 3ª pessoa do singular)

Um comentário:

Dulcineia disse...

Gostei muito do texto Perdido, acho que vai chamar a atenção dos alunos.