sexta-feira, 30 de agosto de 2013

O NAMORADO DA FILHA

O NAMORADO DA FILHA
Kledir Ramil

Quem tem filha adolescente sabe, chega uma hora em que você vai ter que conviver com o namorado dela dentro de casa.

Lei da vida. Você pegou a filha dos outros, alguém vai pegar a sua.

Em geral, no início, o garoto é tímido. Chega devagar, meio sem graça, mas pouco a pouco vai se sentindo cada vez mais à vontade.

Até que um dia ele chega à conclusão de que aquela é a casa da sogra.

E é aí que começa o seu calvário.

Você quer assistir ao jornal da Globo e ele está vendo o Rock Gol na MTV. Procura leite na geladeira e não tem mais. Vai fazer um sanduíche e o pão acabou.

O abuso aumenta quando “o genro” faz 18 anos, tira a carteira de motorista e começa a pegar seu carro emprestado. E nunca enche o tanque.

Minha filha me ligou às 3 da madrugada:

- Pai, o carro parou e não quer funcionar.

- Bateu? Alguém se machucou?

- Não, pai. Só parou e não anda.

- Por favor, dá uma olhada no ponteiro da gasolina.

Aí você tem que levantar, pegar o carro de sua mulher, um galão de plástico, passar no posto de gasolina e fazer seu papel de pai.

Ninguém vai deixar uma filha parada no meio da rua, no meio da noite. Pelo menos nas duas primeiras vezes.

Na terceira vez que isso acontece, você já perdeu a paciência:

- Diz pra essa anta do seu namorado que carro precisa botar gasolina!!! Liga pro padre e pede ajuda. Eu tô dormindo.

Domingo passado, por volta de meio dia, eu estava na sala lendo o jornal e entrou “o genro”. Cheio de tatuagens, duas argolas na sobrancelha e a cara toda amassada:

- E aêeee!

Imaginei que aquele grunhido devia ser algum tipo de cumprimento, uma maneira nova de dizer bom dia. Resmunguei uma resposta qualquer e continuei lendo.

Pra não parecer antipático, resolvi puxar conversa e comentar sobre a roupa que ele estava usando:

- Olha só. Acabo de descobrir um ponto em comum entre nós dois: eu tenho uma camiseta igual a sua.

- Não é minha, não. Peguei no seu armário ontem de noite. Não tinha nada pra botar pra dormir.

Como se já não bastasse pegar a minha filha, agora começou a pegar as minhas roupas.

Ninguém merece!

VOCABULÁRIO
1) Em relação às afirmações abaixo, assinale a alternativa correta:
I – “Em geral, no início, o garoto é tímido.” – O termo destacado é antônimo de “acanhado”, “envergonhado”.
II – “E é aí que começa o seu calvário.” – O termo destacado pode ser substituído por “tormento”, “sofrimento”, sem alterar o sentido da frase.
III – “O abuso aumenta quando “o genro” faz 18 anos [...]” - O termo destacado é sinônimo de “desaforo”, “atrevimento”.
IV – “Imaginei que aquele grunhido devia ser algum tipo de cumprimento [...]”- O termo destacado pode ser substituído por “saudação” sem alterar o sentido da frase.
V – “Aí você tem que levantar, pegar o carro de sua mulher, um galão de plástico, passar no posto de gasolina e fazer seu papel de pai.” – O termo destacado refere-se a um recipiente para colocar líquidos.

a) Todas as alternativas estão corretas. 
b) As alternativas II, III e V estão corretas.
c) Nenhuma alternativa está correta. 
d)Apenas a alternativa IV está incorreta.
e) As alternativas I e IV estão corretas.

ATIVIDADES DE INTERPRETAÇÃO

1. A crônica é, geralmente, um texto curto e de fácil interpretação. Tem por característica descrever fatos do cotidiano, assumindo um caráter humorístico, crítico ou irônico. Seus personagens também são comuns e de fácil identificação do público. 

a) Que fato está sendo comentado no texto?

b) Ele pode ser considerado como cotidiano, de fácil identificação do público? Por quê?

c) O locutor tem consciência disso? Que trecho do texto comprova isso?

d) Para quem ele escreve? Que palavras marcam, no texto, a presença desse interlocutor?


2. Observe: Até que um dia ele chega à conclusão de que aquela é a casa da sogra. Por que a casa “da sogra” e não a “do sogro”?


3. A impossibilidade de assistir ao Jornal da Globo, de encontrar leite na geladeira e pão para fazer um sanduíche são exemplos do calvário a que o pai se vê submetido. Por que a escolha desse substantivo para definir essa situação?


4. Observe: Aí você tem que levantar, pegar o carro da sua mulher, um galão de plástico, passar no posto de gasolina e fazer seu papel de pai. Qual é o papel de um pai, segundo o texto?

5. Qual a informação retomada pelo pronome demonstrativo “isso” em Na terceira vez que isso acontece..(15º parágrafo)?


6. Que fatos justificam o pai da moça chamar o genro de anta? Que outras denominações poderiam ser empregadas nesse caso?


ATIVIDADES GRAMATICAIS

1) ASSINALE A ALTERNATIVA CORRETA EM RELAÇÃO À CLASSIFICAÇÃO DOS ADJUNTOS ADVERBIAIS DESTACADOS.
a) “[...] você vai ter que conviver com o namorado dela dentro de casa.”
( ) Lugar               ( ) Tempo                ( ) Modo                 ( ) Finalidade

b) “O abuso aumenta quando o genro faz 18 anos,[...]”
( ) Lugar               ( ) Tempo                ( ) Modo                 ( ) Finalidade

c) “E nunca enche o tanque.”
( ) Afirmação       ( ) Lugar                  ( ) Negação           ( ) Modo

2) EM RELAÇÃO À CLASSIFICAÇÃO DOS TERMOS DESTACADOS NAS FRASES ABAIXO, ASSINALE A ALTERNATIVA CORRETA.

I - “Ninguém vai deixar uma filha parada no meio da rua, no meio da noite.”
a) Adjunto Adverbial de Tempo e Adjunto Adverbial de Lugar.
b) Adjunto Adverbial de Lugar e Adjunto Adverbial de Lugar.
c) Adjunto Adverbial de Lugar e Adjunto Adverbial de Tempo.

II – “Domingo passado, por volta do meio dia, eu estava na sala lendo o jornal [...]”
a) Adjunto Adverbial de Tempo – Adjunto Adverbial de Lugar – Adjunto Adverbial de Lugar
b) Adjunto Adverbial de Tempo – Adjunto Adverbial de Tempo – Adjunto Adverbial de Lugar
c) Adjunto Adverbial de Lugar – Adjunto Adverbial de Lugar – Adjunto Adverbial de Lugar

III – “Chega devagar, meio sem graça, mas pouco a pouco vai se sentindo cada vez mais à vontade.”
a) Adjunto Adverbial de Tempo – Adjunto Adverbial de Modo – Adjunto Adverbial de Lugar
b) Adjunto Adverbial de Modo – Adjunto Adverbial de Modo – Adjunto Adverbial de Modo
c) Adjunto Adverbial de Tempo – Adjunto Adverbial de Modo – Adjunto Adverbial de Modo

3) OBSERVE O TERMO DESTACADO NA FRASE “Lei da vida.” O TERMO DESTACADO É UM:
a) Complemento Nominal                b) Adjunto Adnominal                 c) Vocativo

4) NAS FRASES ABAIXO, INDIQUE O AGENTE DA PASSIVA E, EM SEGUIDA, PASSE AS FRASES PARA A VOZ ATIVA.
a) O carro da mulher foi pego por ele.

b) Minhas roupas são usadas pelo meu genro.

c) Uma resposta qualquer foi resmungada por mim.

d) A filha não será deixada na rua pelo pai.

5) PASSE AS FRASES ABAIXO PARA A VOZ PASSIVA E, EM SEGUIDA, INDIQUE O AGENTE DA PASSIVA.
a) O genro tirou a carteira de motorista.

b) O pai empresta o carro ao genro.

c) Li o jornal.

d) “Acabo de descobrir um ponto em comum entre nós dois”

e) Ele pegou minhas roupas.

6) CLASSIFIQUE EM APOSTO OU VOCATIVO OS TERMOS DESTACADOS NAS FRASES:
a) “ – Pai, o carro parou e não quer funcionar.”
b) “ – Não, pai. Só parou e não anda.”
c) Ele está vendo Rock Gol, programa da MTV, e eu, Jornal da Globo.

7) CLASSIFIQUE OS TERMOS DESTACADOS EM COMPLEMENTO NOMINAL OU ADJUNTO ADNOMINAL, JUSTIFICANDO:
a) O namorado da filha:
b) A casa da sogra:
c) Um galão de plástico:
d) Carro da mulher:
e) Ponteiro da gasolina

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