quinta-feira, 13 de junho de 2013

"OS ALUNOS NÃO SABEM ESCREVER E NÃO COMPREENDEM O QUE LEEM

TEXTO 1


A REGREÇÃO DA REDASSÃO

Semana passada, recebi um telefonema de uma senhora que me deixou surpreso. Pedia encarecidamente que ensinasse seu filho a escrever.
- Mas minha senhora – desculpei-me –, eu não sou professor.
- Eu sei. Por isso mesmo. Os professores não têm conseguido muito.
- A culpa não é deles. A falha é do ensino.
- Pode ser, mas gostaria que o senhor ensinasse o menino. O senhor escreve muito bem. 
- Obrigado – agradeci – , mas não acredite muito nisso. Não coloco vírgulas e nunca sei onde botar os acentos. A senhora precisa ver o trabalho que dou ao revisor.
- Não faz mal – insistiu –, o senhor vem e traz um revisor.
- Não dá, minha senhora – tornei a me desculpar –, eu não tenho o menor jeito com crianças. 
- E quem falou em crianças? Meu filho tem 17 anos.
Comentei o fato com um professor, meu amigo, que me respondeu: “Você não deve se assustar, o estudante brasileiro não sabe escrever.” No dia seguinte, ouvi de outro educador: “O estudante brasileiro não sabe escrever”. Depois li no jornal as declarações de um diretor da faculdade: “O estudante brasileiro escreve muito mal”. Impressionado, saí à procura de outros educadores. Todos me disseram: acredite, o estudante brasileiro não sabe escrever. Passei a observar e notei que já não se escreve mais como antigamente. Ninguém mais faz diário, ninguém escreve em portas de banheiros, em muros, em paredes.
Não tenho visto nem aquelas inscrições, geralmente acompanhadas de um coração, feitas em casa de árvore. Bem, é verdade que não tenho visto nem árvore.
- Quer dizer – disse a um amigo enquanto íamos pela rua – que o estudante brasileiro não sabe escrever? Isto é ótimo para mim. Pelo menos diminui a concorrência e me garante emprego por mais dez anos.
- Engano seu – disse ele. A continuar assim, dentro de cinco anos você terá que mudar de profissão.
- Por quê? – espantei-me. – Quanto menos gente sabendo escrever, mais chance eu tenho de sobreviver.
- E você sabe por que essa geração não sabe escrever?
- Sei lá – dei com os ombros –, vai ver que é porque não pega direito no lápis.
- Não senhor. Não sabe escrever porque está perdendo o hábito da leitura. E quando o perder completamente, você vai escrever para quem?
Taí um dado novo que eu não havia considerado. Imediatamente pensei quais as utilidades que teria um jornal no futuro: embrulhar carne? Então vou trabalhar num açougue. Serviria para fazer barquinhos, para fazer fogueira nas arquibancadas do Maracanã, para forrar sapado furado ou para quebrar um galho em banheiro de estrada? Imaginei-me com uns textos na mão, correndo pelas ruas para oferecer às pessoas, assim como oferece hoje bilhete de loteria:
- Por favor, amigo, leia – disse, puxando um cidadão pelo paletó.
- Não, obrigado. Não estou interessado. Nos últimos cinco anos a única coisa que leio é bula de remédio.
- E a senhoria não quer ler? – perguntei, acompanhando os passos de uma universitária. – A senhorita vai gostar. É um texto muito curioso.
- O senhor só tem escrito? Então não quero. Por que o senhor não grava o texto? Fica mais fácil ouvi-lo no meu gravador.
- E o senhor, não está interessado nuns textos?
- É sobre o quê? Ensina como ganhar dinheiro?
- E o senhor, vai? Leva três e paga um.
- Deixa eu ver o tamanho – pediu ele.
Assustou-se com o tamanho do texto:
- O quê? Tudo isso? O senhor está pensando que sou vagabundo? Que tenho tempo para ler tudo isso? Não dá para resumir tudo em cinco linhas?
Carlos Eduardo Novaes.


1) De acordo com o texto, é correto afirmar que: 
I – A culpa pelos estudantes não saberem escrever é dos professores.
II – De acordo com as diversas opiniões que o escritor foi buscar, definitivamente, o estudante brasileiro não sabe escrever.
III – O fato de não saberem escrever se deve ao fato de não terem o hábito da leitura.
IV – Os estudantes não sabem escrever porque não aprenderam a segurar o lápis, pois são habituados apenas a ler.
V – Para o autor, é ótimo que os estudantes não saibam ler porque assim não terá concorrentes.

A) Todas as alternativas estão corretas.                 D) As alternativas II e III estão corretas.
B) Nenhuma alternativa está correta.                       E) As alternativas I, IV e V estão corretas.
C) Apenas a alternativa II está correta.

2) Há, no texto, dois argumentos usados para comprovar a tese de que os alunos não sabem escrever. Que argumentos são estes?

3) Quais são os supostos argumentos que seriam utilizados pelas pessoas, futuramente, para se negarem a ler?

4) Classifique os termos sublinhados em OD, OI, CN ou AA.
a) “...ninguém escreve em portas de banheiros, em muros, em paredes.”
b) “Depois li no jornal as declarações de um diretor da faculdade.”
c) “Não sabe escrever porque está perdendo o hábito da leitura.”
d) “Por que o senhor não grava o texto?”
e) “Assustou-se com o tamanho do texto.”

TEXTO 2

ESTUDANTES LÊEM, MAS NÃO ENTENDEM

“Brasília (Agência Estado) – O aluno brasileiro não compreende o que lê, revela o programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), divulgado ontem. Entre 32 países submetidos ao teste, o Brasil ficou em último lugar. A prova mediu a capacidade de leitura de estudantes de 15 anos, independentemente da série em que estão matriculados.

“Esperava um desastre pior”, disse o ministro da Educação, Paulo Renato Souza, ao anunciar o resultado. Em primeiro lugar ficou a Finlândia. Em penúltimo, à frente do Brasil, o México. Dos 32 países avaliados, 29 fazem parte da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) – entidade que reúne nações desenvolvidas, como os Estados Unidos ou o Reino Unido, e outras nem tanto, como a Polônia e a República Checa. Também participaram Brasil, Letônia e Rússia.

A prova foi aplicada no ano passado, envolvendo ao todo 265 mil estudantes de escolas públicas e privadas. No Brasil, participaram 4,8 mil alunos de 7ª e 8ª séries do ensino fundamental e do 1º e 2º anos do ensino médio. O objetivo foi verificar o preparo escolar de adolescentes de 15 anos, tendo em vista os desafios que terão pela frente na vida adulta.”


1) Qual é a tese defendida no texto?
2) Identifique o parágrafo que comprova essa tese.
3) Classifique os termos sublinhados em OD, OI, CN ou AA.
a) “A prova mediu a capacidade de leitura de estudantes de 15 anos,...”



Quem não lê, mal ouve, mal fala , mal vê.

TEXTO 3

A ARTE DE ESCREVER

Há, portanto, uma arte de escrever – que é a redação. Não é uma prerrogativa dos literatos, senão uma atividade social indispensável, para a qual falta, não obstante, muitas vezes, uma preparação preliminar.
A arte de falar, necessária à exposição oral, é mais fácil na medida em que se beneficia da prática da fala cotidiana, de cujos elementos parte em princípio.
O que há de comum, antes de tudo, entre a exposição oral e a escrita é a necessidade da boa composição, isto é, uma distribuição metódica e compreensível de ideias.
Impõe-se igualmente a visualização de um objetivo definido. Ninguém é capaz de escrever bem, se não sabe bem o que vai escrever.
Justamente por causa disso, as condições para a redação no exercício da vida profissional ou no intercâmbio amplo dentro da sociedade são muito diversas das da redação escolar. A convicção do que vamos dizer, a importância que há em dizê-lo, o domínio de um assunto da nossa especialidade tiram à redação o caráter negativo de mero exercício formal, como tem na escola.
Qualquer um de nós senhor de um assunto é, em princípio, capaz de escrever sobre ele. Não há jeito especial para a redação, ao contrário do que muita gente pensa. Há apenas uma falta de preparação inicial, que o esforço e a prática vencem.
Por outro lado, a arte de escrever, na medida em que consubstancia a nossa capacidade de expressão do pensar e do sentir, tem de firmar raízes na nossa própria personalidade e decorre, em grande parte, de um trabalho nosso para desenvolver a personalidade por este ângulo. [...]
A arte de escrever precisa assentar numa atividade preliminar já radicada, que parte do ensino escolar e de um hábito de leitura inteligentemente conduzido; depende muito, portanto, de nós mesmos, de uma disciplina mental adquirida pela autocrítica e pela observação cuidadosa do que outros com bom resultado escreveram.” 

CÂMARA JR. , Joaquim Mattoso. Manual de expressão oral & escrita. 7 ed. Petrópolis: Vozes, 1983.

1) Em relação às afirmações a seguir, assinale a alternativa correta:
I – “Não é uma prerrogativa dos literatos [...]“ - Os termos destacados podem ser substituídos por “privilégio” e “escritores” respectivamente.
II – “...uma distribuição metódica e compreensível de ideias.” – O termo destacado é antônimo de “desorganizada”.
III - “Por outro lado, a arte de escrever, na medida em que consubstancia a nossa capacidade de expressão do pensar e do sentir [...]” – o termo destacado pode ser substituído por “une” sem alterar o sentido da frase.
IV – “A arte de escrever precisa assentar numa atividade preliminarradicada [...]” – Os termos destacados são, respectivamente, sinônimos de “estabelecer”, “anterior” e “estabelecida”.
V - “A convicção do que vamos dizer, a importância que há em dizê-lo, [...]” – O termo destacado pode ser substituído por “certeza” sem alterar o sentido da frase.

A) Todas as alternativas estão corretas.                D) Nenhuma alternativa está correta.
B) I, III, IV E V estão corretas.                                   E) Apenas a alternativa II está correta.
C) As alternativas I, II e III estão corretas.

2) Em relação ao texto, é correto afirmar:
I – A redação é a arte de escrever.
II – Escrever é mais fácil que falar.
III – Escrever é uma atividade social indispensável para a qual a maioria das pessoas não está preparada, pois tem dificuldades em organizar bem as ideias que deseja expor.
IV – Somos capazes de escrever sobre qualquer assunto, desde que o conheçamos.
V – A arte de escrever exige de nós uma disciplina e uma capacidade crítica de discernir entre o que de bom já foi escrito, bem como, um hábito de leitura sobre os assuntos que nos interessam.

A) Todas as alternativas estão corretas.                  D) Nenhuma alternativa está correta.
B) I, III, IV E V estão corretas.                                     E) Apenas a alternativa II está correta.
C) As alternativas I, II e III estão corretas.

6) Por que o autor afirma que a arte de falar é mais fácil do que a arte de escrever?

7) Explique a expressão “Não é uma prerrogativa dos literatos, senão uma atividade social indispensável, para a qual falta, não obstante, muitas vezes, uma preparação preliminar.” 

8) Classifique os termos destacados em OD, OI, CN ou AA:
a) “Há, portanto, uma arte de escrever.”
b) “Não é uma prerrogativa dos literatos, [...]”
c) “A arte de falar, necessária à exposição oral, é mais fácil na medida em que se beneficia da prática da fala cotidiana, [...]”
d) “Ninguém é capaz de escrever bem [...]”
e) “...que parte do ensino escolar e de um hábito de leitura inteligentemente conduzido;[...]”

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