sexta-feira, 19 de abril de 2013

Ele não sabe o que faz (Ruth de Aquino) - atividades diversas de sintaxe e classes gramaticais

ELE NÃO SABE O QUE FAZ
Ruth de Aquino

Mais um assassino covarde tira proveito da lei paternalista no Brasil, que considera os menores de 18 anos incapazes de responder criminalmente por seus atos. Como não sentir vergonha diante dos pais do universitário Victor Hugo Deppman, assaltado e morto na calçada de casa em São Paulo? Como convencê-los a se conformar com o Estatuto da Criança e do Adolescente, que protege o homicida de 17 anos que deu um tiro na cabeça de seu filho após roubar seu celular? Como conviver com a perda brutal de um filho e saber que seu algoz será internado por no máximo três anos porque “não sabia o que estava fazendo”? 

Não consigo enxergar jovens de 16 anos como “adolescentes” ou “menores”. Eles votam, fazem sexo, chegam em casa de madrugada ou de manhã. Por que considerá-los incapazes de discernir o certo do errado? Ao tornar jovens de 16 anos responsáveis por seus atos diante da Justiça, o objetivo não é encarcerar todos os delinquentes dessa idade, mas, quem sabe, reduzir os crimes hediondos juvenis. A mudança na lei reforçaria o status que eles próprios já reivindicam em casa diante dos pais: “Eu não sou mais criança”. E não é mesmo. 

Para quem argumenta que de nada adiantará reduzir a maioridade penal para 16 anos, respondo com uma pergunta: longas penas para assassinos adultos acabam com o crime bárbaro? Não, claro. Então, vamos acabar com as cadeias porque elas são custosas e inócuas? Não, claro. Longas penas servem para reduzir a impunidade e dar às famílias de vítimas a sensação de que foi feita justiça. Não se trata de “vingança”. É um ritual civilizatório. Matou? E ainda por cima por motivo torpe? Tem de pagar. 

Um argumento popular contra a redução da maioridade penal para 16 anos é: e se um adolescente de 14 ou 15 anos matar alguém, mudaremos de novo a legislação? Sempre que escuto isso, lembro um caso na Inglaterra, em 1993. Dois garotos ingleses de 10 anos foram condenados à prisão perpétua por ter mutilado e matado um menino de 2 anos. A repercussão foi tremenda. Os assassinos foram soltos após oito anos de prisão. Mas não foram tratados com benevolência no julgamento. O recado para a sociedade era claro: não se passa a mão na cabeça de quem comete um crime monstruoso. Mesmo aos 10 anos de idade. 

Outro argumento comum no Brasil contra a redução da maioridade penal afirma que só com boa educação e menos desigualdade social poderemos reduzir a criminalidade juvenil. Essa é uma verdade parcial. Há muitos países pobres em que jovens assaltam, mas não matam por um celular ou uma bicicleta. Eles têm medo da punição, medo da Justiça. Também acho injusto atribuir aos pobres uma maior tendência ao crime bárbaro. Tantos ricos são bandidos de primeira grandeza... Melhorar a educação e reduzir a pobreza são obrigações. Isso não exclui outra obrigação nossa: uma sociedade que valoriza a vida e a honestidade precisa acabar com a sensação de que o crime compensa. Para menores e maiores de 18 anos. 

Os filósofos de plantão que nunca perderam o filho num assalto apelam à razão. Dizem que não se pode legislar sob impacto emocional. Ah, sim. Quero ver falar isso diante de Marisa e José Valdir Deppman, pais enlutados de Victor Hugo, que ouviram o tiro de seu apartamento, no 9º andar. Uma família de classe média que livrou o filho da asma com plano de saúde privado e investiu com esforço em seus estudos. A mãe falava com Victor Hugo todos os dias pelo celular. “Eu sempre falava para ele não reagir, porque a vida não vale um celular ou um carro. Ele não reagiu, mas foi morto. Estou estraçalhada por dentro.” 

Victor Hugo, o Vitão, era santista fanático, um dos artilheiros do “Inferno vermelho”, apelido do time da Faculdade Cásper Líbero, onde estudava rádio e TV. Sonhava em virar locutor esportivo e estava apaixonado. A câmera do prédio mostra o momento em que sua vida acabou. Mostra a covardia do rapaz, cujo nome nem pôde ser divulgado por ser “inimputável”. Na sexta-feira passada, o assassino de Vitão, infrator conhecido na Febem, completou 18 anos. 

Seu futuro pode ser o mesmo do menor E., que, aos 16 anos, ajudou a matar no Rio de Janeiro, em 2007, o menino João Hélio. Ele pertencia ao bando que arrastou João Hélio pelas ruas, pendurado na porta de um carro que havia sido roubado de sua mãe. Após três anos numa instituição para jovens infratores, foi libertado. A Justiça o incluiu temporariamente num programa de proteção a adolescentes ameaçados de morte, o PPCAAM. Ridículo. Ezequiel Toledo de Lima foi preso em março de 2012, aos 21 anos, por posse ilegal de arma, tráfico e corrupção ativa. Ezequiel não tinha antecedentes criminais como adulto – apesar de ter matado com requintes de crueldade um menino de 6 anos. É ou não é uma inversão total de valores?

Fonte: http://revistaepoca.globo.com/Mente-aberta/ruth-de-aquino/noticia/2013/04/ele-nao-sabe-o-que-faz.html

VOCABULÁRIO 
1) Encontre, no texto, sinônimos das palavras: 
a) Diminuição:                                                       d) Criminosos, bandidos: 
b) Exigem, pedem:                                               e) Ações: 
c) Particular, pessoal:                                           f) Cruel: 

2) Analise as afirmações abaixo e assinale a alternativa correta: 
I – “Como conviver com a perda brutal de um filho e saber que seu algoz será internado por no máximo três anos [...]” – O termos sublinhado pode ser substituído por “carrasco” sem alterar o sentido da frase. 
II – “[..]mas, quem sabe, reduzir os crimes hediondos juvenis.” – o termo sublinhado pode ser substituído por “cruéis” sem alterar o sentido da frase. 
III – “Então, vamos acabar com as cadeias porque elas são custosas e inócuas?” – o termo destacado pode ser substituído por “inofensivas” sem alterar o sentido da frase. 
IV – “Dois garotos ingleses de 10 anos foram condenados à prisão perpétua por ter mutilado e matado um menino de 2 anos.” – o termo sublinhado pode ser substituído por “eterna” sem alterar o sentido da frase. 
V – “Mostra a covardia do rapaz, cujo nome nem pôde ser divulgado por ser “inimputável”.” – o termo destacado refere-se à condição do crime não ser atribuído ao rapaz, em função dele ser menor de idade. 
A) Todas as alternativas estão corretas.               D) As alternativas I, II, IV e V estão incorretas. 
B) Todas as alternativas estão incorretas.            E) Apenas a alternativa V está incorreta. 
C) A alternativa V está correta. 

INTERPRETAÇÃO TEXTUAL 
1) Assinale a alternativa INCORRETA em relação ao texto: 
A) Segundo a autora, jovens de 16 anos que já transam e exigem de seus que não sejam mais tratados como crianças, devem ser responsabilizados por seus atos diante da justiça. 
B) A autora do texto se mostra contrária à redução da idade penal, pois acredita que os adolescentes, menores de 18 anos, não têm condições de distinguir o que é certo e o que é errado. 
C) A autora afirma que as penas longas não apagam os crimes cometidos, mas concedem às famílias o sentimento de que a justiça foi feita, reduzindo a impunidade. 

2) Quais os argumentos utilizados, segundo a autora, de quem se posiciona contra a redução da maioridade penal? Ela concorda com esses argumentos? 

3) O que diz Ruth Aquino em relação ao argumento de que só com boa educação e menos desigualdade social poderemos reduzir a criminalidade juvenil? 

4) Analise as afirmações e assinale a alternativa correta. 
I – De acordo com o texto, o assassino de Vítor Hugo Deppman, que completou 18 anos três dias depois do crime, não tinha nenhum tipo de antecedente criminal. O bruto e covarde assassinato fora sua primeira infração penal. 
II – A autora utiliza como exemplo um crime cometido na Inglaterra, por dois garotos de 10 anos, que assassinaram um menino de 2, e foram julgados e condenados à prisão perpétua. Embora tenham sido libertados depois de 8 anos, a punição, conforme Ruth, serviu de alerta para a sociedade que, crimes monstruosos, mesmo cometidos por crianças, devem ser severamente punidos. 
III – No Brasil, segundo a autora, uma situação semelhante a da Inglaterra ocorreu com o menor que fazia parte do bando que matou o menino João Hélio, que fora arrastado pelas ruas, pendurado no carro que fora roubado pelos delinquentes. O menor, de acordo com Ruth, ficou recluso por três anos numa instituição para menores, sendo, após completar 18 anos, encaminhado para um presídio de segurança máxima, onde permanece até hoje. 
IV – Vítor Hugo Deppman foi assassinado porque, mesmo a mãe orientando-o a nunca reagir a um assalto, ele reagiu, negando-se a entregar o celular. 
V – Da forma como a autora se posiciona e argumenta no texto, fica claro que, aqui no Brasil, em função da legislação em vigor, para os menores de 18 anos, o crime compensa. 

A) Nenhuma alternativa está correta.                          D) Todas as alternativas estão corretas. 
B) As alternativas III e V estão corretas.                     E) As alternativas I, III e IV estão incorretas. 
C) As alternativas II e V estão incorretas. 

ATIVIDADES GRAMATICAIS 
1) Identifique e classifique os substantivos presentes nas frases abaixo: 
a) “Como não sentir vergonha diante dos pais do universitário Victor Hugo Deppman, assaltado e morto na calçada de casa em São Paulo?” 

b) “Para quem argumenta que de nada adiantará reduzir a maioridade penal para 16 anos, respondo com uma pergunta: longas penas para assassinos adultos acabam com o crime bárbaro?” 

c) “O recado para a sociedade era claro: não se passa a mão na cabeça de quem comete um crime monstruoso.” 

d) "Como convencê-los a se conformar com o Estatuto da Criança e do Adolescente, que protege o homicida de 17 anos que deu um tiro na cabeça de seu filho após roubar seu celular?"

e) "Na sexta-feira passada, o assassino de Vitão, infrator conhecido na Febem, completou 18 anos."

f) “Outro argumento comum no Brasil contra a redução da maioridade penal afirma que só com boa educação e menos desigualdade social poderemos reduzir a criminalidade juvenil.” 
g) “Ele pertencia ao bando que arrastou João Hélio pelas ruas, pendurado na porta de um carro que havia sido roubado de sua mãe.” 
h) “Uma família de classe média que livrou o filho da asma com plano de saúde privado e investiu com esforço em seus estudos.”
i) “A câmera do prédio mostra o momento em que sua vida acabou.” 
j) “Essa é uma verdade parcial. Há muitos países pobres em que jovens assaltam, mas não matam por um celular ou uma bicicleta.” 
k) “A Justiça o incluiu temporariamente num programa de proteção a adolescentes ameaçados de morte, [...].”
2) Há, no texto, que tipo de numerais? Retire um exemplo de cada um para comprovar sua resposta. 

3) Assinale a alternativa correta em relação à quantidade de artigos, na frase abaixo, e a sua classificação: 


a) “Isso não exclui outra obrigação nossa: uma sociedade que valoriza a vida e a honestidade precisa acabar com a sensação de que o crime compensa.” 
(      ) 1 artigo indefinido e 3 artigos definidos. 
(      ) 1 artigo indefinido e 4 artigos definidos. 
(      ) 1 artigo definido e 4 artigos indefinidos.

b) “Um argumento popular contra a redução da maioridade penal para 16 anos é: e se um adolescente de 14 ou 15 anos matar alguém, mudaremos de novo a legislação?.”
(       ) 1 artigo indefinido e 3 artigos definidos. 
(       ) 1 artigo indefinido e 4 artigos definidos. 
(       ) 1 artigo definido e 4 artigos indefinidos.
c) “Eu sempre falava para ele não reagir, porque a vida não vale um celular ou um carro. 
(       ) 1 artigo indefinido e 3 artigos definidos.” 
(       ) 1 artigo indefinido e 4 artigos definidos. 
(       ) 1 artigo definido e 2 artigos indefinidos.
d) “Mais um assassino covarde tira proveito da lei paternalista no Brasil, que considera os menores de 18 anos incapazes de responder criminalmente por seus atos.” 
(       ) 1 artigo indefinido e 3 artigos definidos.” 
(       ) 1 artigo indefinido e 4 artigos definidos. 
(       ) 1 artigo definido e 2 artigos indefinidos.
4) Quantas orações tem:
a)  o segundo período do 2º parágrafo do texto? 
b) o primeiro período do 2º parágrafo do texto? 
c) o primeiro período do 3º parágrafo do texto?
d) o primeiro período do texto? 


5) Circule (quando possível) o sujeito das orações abaixo e classifique-o: 
a) “A Justiça o incluiu temporariamente num programa de proteção a adolescentes ameaçados de morte, o PPCAAM” 

b) “Mas não foram tratados com benevolência no julgamento.” 

c) “Tantos ricos são bandidos de primeira grandeza”

d) “...mudaremos de novo a legislação?” 

e) “Não consigo enxergar jovens de 16 anos como “adolescentes” ou “menores”.” 

f) [...] Marisa e José Valdir Deppman, [...] ouviram o tiro de seu apartamento, no 9º andar.” 

g) “Sonhava em virar locutor esportivo [...]”

h) “Ezequiel não tinha antecedentes criminais como adulto.” 

i) “Marisa e José Valdir Deppman, [..] ouviram o tiro de seu apartamento, no 9º andar” 

j) “Mostra a covardia do rapaz” 

k) “Longas penas servem para reduzir a impunidade.” 

6) Assinale a alternativa correta em relação à classificação dos predicados, nas orações abaixo: 

I – “Eu não sou mais criança”. 
II – “A Justiça o incluiu temporariamente num programa de proteção a adolescentes ameaçados de morte, o PPCAAM.” 
III - “Matou?” 

a) Predicado Nominal, Predicado Verbal, Predicado Verbal 
b) Predicado Verbal, Predicado Nominal, Predicado Verbal 
c) Predicado Verbal, Predicado Verbal, Predicado Nominal 

7) Encontre uma frase nominal.
a) no 5º parágrafo:
b) no 4º parágrafo:
c) no 3º parágrafo:
d) no último parágrafo:.




4 comentários:

Duke disse...

Muito bom o seu conteúdo. Só não achei o gabarito das questões.

Fabi Behling disse...

Obrigada! Não disponibilizo os gabaritos, pois uso o blog para trabalhar com meus alunos!

Toninha Borges disse...

Participei da entrevista Fala Multiplicador ficaria muito feliz se desse uma passadinha no meu blog Educar - O primeiro passo e deixasse um comentário.
Bju

marquecomx disse...

Bom dia Multiplicadora Fabi, desejamos muita paz pra você e a sua família!

Venho em nome dos EDUCADORES MULTIPLICADORES convidar você a:

@ Parabenizar os multiplicadores do mês;
@ Dar as boas vindas aos novos multiplicadores;
@ Retribuir comentários em sua postagem de publicação (na página índice).

Multiplicadora, precisamos de sua visita para que o Projeto Educadores Multiplicadores tenha vida e continue crescendo. Contamos com a sua presença! Os Multiplicadores agradecem a gentileza e compreensão. Ah, no mês de junho tem novidade no E.M.

Excelente sábado, obrigado pela parceria, fiquemos na Paz de Deus e até breve.

IRIVAN