terça-feira, 20 de novembro de 2012

O contrário do amor


O contrário do Amor
Martha Medeiros

O contrário de bonito é feio, de rico é pobre, de preto é branco, isso se aprende antes de entrar na escola. Se você fizer uma enquete entre as crianças, ouvirá também que o contrário do amor é o ódio. Elas estão erradas. Faça uma enquete entre adultos e descubra a resposta certa: o contrário do amor não é o ódio, é a indiferença.
O que seria preferível, que a pessoa que você ama passasse a lhe odiar, ou que lhe fosse totalmente indiferente? Que perdesse o sono imaginando maneiras de fazer você se dar mal ou que dormisse feito um anjo a noite inteira, esquecido por completo da sua existência? O ódio é também uma maneira de se estar com alguém. Já a indiferença não aceita declarações ou reclamações: seu nome não consta mais do cadastro.
Para odiar alguém, precisamos reconhecer que esse alguém existe e que nos provoca sensações, por piores que sejam. Para odiar alguém, precisamos de um coração, ainda que frio, e raciocínio, ainda que doente. Para odiar alguém gastamos energia, neurônios e tempo. Odiar nos dá fios brancos no cabelo, rugas pela face e angústia no peito. Para odiar, necessitamos do objeto do ódio, necessitamos dele nem que seja para dedicar-lhe nosso rancor, nossa ira, nossa pouca sabedoria para entendê-lo e pouco humor para aturá-lo. O ódio, se tivesse uma cor, seria vermelho, tal qual a cor do amor.
Já para sermos indiferentes a alguém, precisamos do quê? De coisa alguma. A pessoa em questão pode saltar de bung-jump, assistir aula de fraque, ganhar um Oscar ou uma prisão perpétua, estamos nem aí. Não julgamos seus atos, não observamos seus modos, não testemunhamos sua existência. Ela não nos exige olhos, boca, coração, cérebro: nosso corpo ignora sua presença, e muito menos se dá conta de sua ausência. Não temos o número do telefone das pessoas para quem não ligamos. A indiferença, se tivesse uma cor, seria cor da água, cor do ar, cor de nada.
Uma criança nunca experimentou essa sensação: ou ela é muito amada, ou criticada pelo que apronta. Uma criança está sempre em uma das pontas da gangorra, adoração ou queixas, mas nunca é ignorada. Só bem mais tarde, quando necessitar de uma atenção que não seja materna ou paterna, é que descobrirá que o amor e o ódio habitam o mesmo universo, enquanto que a indiferença é um exílio no deserto.

VOCABULÁRIO
1 – Analise as afirmações abaixo e assinale a alternativa correta:
I – “Se você fizer uma enquete entre as crianças,...” – o termo destacado por ser substituído por “pesquisa” sem alterar o sentido da frase.
II – “...enquanto que a indiferença é um exílio no deserto.” – o termo destacado é sinônimo de “retiro”.
III – “...nosso corpo ignora sua presença...” – o termo destacado pode ser substituído por “conhece” sem alterar o sentido da frase.
IV – “...dedicar-lhe nosso rancor, nossa ira, nossa pouca sabedoria para entendê-lo...” – os termos destacados são sentimentos positivos, ambos sinônimos de “raiva” ou “ódio”.
V – “...ganhar um Oscar ou uma prisão perpétua,...” – alguém que porventura seja condenado à prisão perpétua, fica preso até o dia de sua morte.

A – Todas as alternativas estão corretas.                D – As alternativas I, II e V estão corretas.
B – Nenhuma alternativa está correta.                      E – Somente a alternativa V está correta.
C – As alternativas III e IV estão corretas.

INTERPRETAÇÃO
1 – Classifique como Verdadeiras ou Falsas as afirmações em relação ao texto. Em seguida, marque a alternativa que corresponde à sequência correta.
(        ) Segundo o texto, as crianças concordam que a indiferença é o contrário do amor, pois responderam isso em enquete realizada pela autora do texto.
(        ) De acordo com a autora, ódio e indiferença são equivalentes, pois ambos vão contra o amor.
(      ) Para amarmos ou odiarmos alguém, segundo o texto, precisamos carregar a pessoa, objeto de um destes sentimentos, sempre conosco no coração e no raciocínio. Quando nos tornamos indiferentes a alguém, este alguém simplesmente desaparece de nossa vida, de nossas lembranças, de nossas preocupações. 
(          ) A cor do ódio e o amor é a mesma: vermelho. A indiferença não tem cor alguma.

A)     V – V – F – F                                                               D) F – F – F - F
B)      F – F – V – V                                                              E) F – V – F - F
C)      V – F – V – V     

2 – O que, segundo a autora, é necessário para odiar alguém?


3 – E para sermos indiferentes, do que necessitamos?


ATIVIDADES GRAMATICAIS

1 – Em relação às afirmações abaixo, assinale a Incorreta:
A – “O que seria preferível,...” – o verbo destacado é um verbo de 2ª conjugação e está conjugado no Presente do Subjuntivo, na 3ª pessoa do singular.
B – Para odiar alguém, precisamos de um coração, ainda que frio, e raciocínio, ainda que doente. – O verbo destacado é um verbo de 1ª conjugação e está conjugado no Presente do Indicativo, na 1ª pessoa do plural.
C – “...o amor e o ódio habitam o mesmo universo...” – o verbo está conjugado na 3ª pessoa do plural, pois refere-se ao sujeito “amor e ódio”.
D – A maioria dos verbos presentes no 1º parágrafo do texto está conjugada no Presente do Indicativo.
E – “...nos provoca sensações, por piores que sejam.” – o verbo destacado é um verbo de 2ª conjugação e está conjugado no Presente do Subjuntivo,  a 3ª pessoa do plural.

2 – Retire do texto:
a)      5 verbos de 1ª conjugação:_______________________________________
b)      5  verbos de 2ª conjugação:______________________________________
c)       3 verbos de 3ª conjugação: ______________________________________
3 – Considere como Verdadeiras ou Falsas as afirmações a seguir, e assinale a alternativa correspondente à sequência correta.

(        ) “...descubra a resposta certa...” – o verbo destacado está no imperativo afirmativo.
(       )” A indiferença, se tivesse uma cor, seria cor da água, cor do ar, cor de nada.” – os verbos destacados são todos de 2ª conjugação, pois os verbos terminados em –or também fazem parte desta conjugação.
(      ) “Que perdesse o sono imaginando maneiras de fazer você se dar mal ou que dormisse feito um anjo a noite inteira, esquecido por completo da sua existência?” – os verbos destacados estão, respectivamente, no gerúndio, no infinitivo e no particípio.
(       ) “O ódio é também uma maneira de se estar com alguém. Já a indiferença não aceita declarações ou reclamações: seu nome não consta mais do cadastro.” – dos substantivos destacados, derivam verbos de 1ª conjugação.
A)     V – F –V – V                                                      D) V –F – V – F
B)      F – F – V – V                                                     E) F – F – V – V
C) F – F – V – V 

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