quarta-feira, 14 de dezembro de 2011


Um comércio de horrores


A Tanzânia condena pela primeira vez caçadores de albinos.
Devido a uma tenebrosa superstição, essas pessoas são mortas e têm o corpo retalhado para ser vendido a feiticeiros.

VIDA EM PERIGO
Uma mãe com seu bebê albino no Burundi: tradição macabra

Um tribunal da Tanzânia mandou para a forca, na terça-feira passada, três homens que mataram um menino albino de 14 anos e amputaram suas pernas. É a primeira condenação para um tipo de crime comum no país. Desde 2006, pelo menos 75 albinos foram mortos e esquartejados no país. O albinismo é uma deficiência na produção de melanina, o pigmento que dá cor a pele, olhos, cabelos e protege da radiação ultravioleta. Os portadores da deficiência têm a pele pálida e vulnerável ao câncer, cabelos finos e olhos sensíveis à luz. Devido a uma superstição macabra, que atribuiu poderes sobrenaturais aos "zero-zero" – como são pejorativamente chamados –, nenhum albino está a salvo na África Oriental, sobretudo na Tanzânia e no Burundi. Eles são caçados e têm o corpo retalhado para ser vendido aos fabricantes de mandingas. Samwel Mluge, albino de 50 anos que vive na Tanzânia, casou-se com uma albina e a alteração genética foi transmitida aos seus cinco filhos. "Sempre digo às crianças para serem cuidadosas e só andarem em grupo", disse Mluge a VEJA. "Eu me sinto caçado como um animal."
Na Tanzânia, país entre os últimos colocados no ranking de desenvolvimento humano da ONU e com renda per capita de 440 dólares, o comércio de órgãos para feitiçaria é um negócio que vale qualquer risco. As partes mais valorizadas do corpo de um albino (dedos, língua, braços, pernas e genitais) podem atingir 3 000 dólares a peça. Apesar de a incidência de albinismo no país estar cinco vezes acima da média mundial, a demanda é tão grande que a Tanzânia importa clandestinamente pedaços de corpos. Pescadores tecem fios de cabelo de albinos em suas redes para ter sucesso na pescaria. Mineiros penduram no pescoço amuletos feitos com seus ossos moídos. Quem consegue beber o sangue ainda quente de um albino tem sorte em dobro. Melhor ainda se for de uma criança, pois a pureza infantil intensifica o poder do feitiço.
Alimentado pela miséria e pela ignorância, um extenso rol de tradições brutais persiste na África. A mutilação genital das meninas é a norma entre a etnia majoritária do Quênia, por exemplo. A tortura e o assassinato pelos próprios familiares de crianças acusadas de possessão demoníaca são uma praga na África Austral. O caso dos albinos provoca maior indignação mundial devido aos esforços de um albino canadense, Peter Ash, que criou a ONG Under the Same Sun para pressionar o governo da Tanzânia a reprimir o tráfico de carne humana. Poucas providências foram tomadas. "Sabemos que pessoas poderosas se consultam com os feiticeiros e não querem ver seu nome em tribunais. Se as vítimas fossem normais, os culpados já estariam presos", disse Ash a VEJA. Na semana passada, ele desembarcou na Tanzânia para continuar sua campanha. Por razões óbvias, fez-se acompanhar de três guarda-costas. 
 NATHÁLIA BUTTI (Revista Veja, 30/09/2009)

01) Qual a finalidade desse texto? O que você pensa a respeito disso? Comente:
02) Por que no primeiro parágrafo a autora explica o que é albinismo? Você sabia do que se tratava?
03) Por que nenhum albino está a salvo na África? Por que o albinismo lá chama mais atenção do que nos outros continentes?
04) Por que os albinos são chamados de “zero-zero”? Opine quanto a isso:
05) Que sensação o texto não verbal lhe transmite? Por quê?
06) Você conhece outras práticas similares à abordada no texto? Quais? Comente por alto:
07) Você tem alguma superstição? Qual? Explique:
08) Elabore um texto publicitário fazendo uma campanha contra a prática da caça de albinos:
09) Qual seria a melhor atitude que as autoridades deveria tomar a respeito dessa prática macabra?
10) Os demais países têm o direito de interferir para proteger os albinos? Justifique sua resposta:
11) Como você analisa essa notícia com apenas uma palavra?
12) Encontre várias rimas para a palavra ALBINO (pelo menos 6) e elabore uma estrofe sobre o tema da notícia cujas rimas nos versos sejam a mesma, como no exemplo abaixo:
"Seja alguém consciente:

O planeta está doente
a cada dia mais quente
precisa de cuidados urgente
Vamos cuidar da semente
pois nosso meio ambiente
deixou de ser sorridente
e tornou-se um ser carente
no meio de tanta gente
que finge estar contente
mas na verdade mente
sofre e disfarça o que sente
isso não é nada inteligente!"

(Zizi Cassemiro)

13) Dê um outro título para essa notícia:
14) O que, segundo o texto, justifica a persistência de rituais tão macabros na África? Você acha que essa justificativa é válida? Por quê?
15) Redija um texto dissertativo argumentativo a respeito da notícia em questão:
16) A partir da leitura da reportagem reflita e disserte sobre a atrocidade cometida na Tanzânia contra os albinos, procurando relacionar ao contexto social que vivemos. Trace um panorama comparando as situações que vivenciamos aqui no Brasil - relacionadas à violência, pobreza, tráfico de drogas, desrespeito ao ser humano - com esse cenário de violência e preconceito cultuado no país africano.
17) Por que os albinos são caçados e mortos como animais na Tanzânia?

18) Quais as outras atrocidades que são cometidas nos países africanos, citadas pela reportagem?

19) O que Peter Ash quis dizer com a frase "Se as vítimas fossem normais, os culpados já estariam presos"? Você concorda? Por quê?

20) Classifique os termos sublinhados nas frases abaixo em Vocativo ou Aposto, justificando:

a) O caso dos albinos provoca maior indignação mundial devido aos esforços de um albino canadense, Peter Ash, que criou a ONG Under the Same Sun para pressionar o governo da Tanzânia a reprimir o tráfico de carne humana

b) Samwel Mluge, albino de 50 anos que vive na Tanzânia, casou-se com uma albina e a alteração genética foi transmitida aos seus cinco filhos.

21) Você acha que o texto parece ser mais uma notícia ou uma reportagem? Justifique sua resposta  com característica do gênero.

22) Transcreva o olho ou subtítulo do texto e explique sua função:

23) Elabore uma outra manchete para o texto:

24) Qual a função do texto não verbal?

25) O texto em estudo dialoga com outro gênero textual - superstição/feitiçaria. Retire do texto trechos que comprovem essa afirmação:

26) Na sua opinião, por que muitos países da África, praticam obras de feitiçarias? Você acredita em feitiços?

27) Observe a figura acima e, com base na leitura da notícia, escreva um manifesto tentando convencer as pessoas que praticam o sacrifício a não efetuar mais um ato criminoso:
28) "Eu me sinto caçado como um animal." Este é um depoimento de um albino. O fato dele se sentir como um animal faz lembrar um estilo literário que compara os homens com animais, quando querem denunciar o que tem de errado na sociedade. Que estilo é este?

29) Que mensagem o texto lhe transmitiu? Discorra sobre o assunto:


(Autores: Andreia Dequinha, Vânia Oliveira, Zizi Cassemiro, Cris Happy, Carmem Lúcia, Sinara Soares,  Fabi Behling, Maria Regina, Lourdes Galhardo)

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