quinta-feira, 13 de outubro de 2011

O AMOR PERDOA TUDO


Fabrício Carpinejar








       Fotos de amor são ridículas, mas ainda mais ridículo é nunca tirar fotos de amor.

      Não há como esnobar certas aparições, manter pose de intelectual e prometer que dessa máquina não beberei.
  Existem fotografias obrigatórias na nossa existência, fiascos essenciais que continuaremos reproduzindo até o Juízo Final. Representam estreias, nascimento, inaugurações, onde é impossível rejeitar o clique. Guarde ____ reclamação e _____ timidez no estojo, ficará condicionado ____ tolerar o xis, olhar o passarinho, arrumar um lugar na barreira e aceitar _____ ordens de incentivo do fotógrafo.
      São imagens que partilham o mistério da música brega: ninguém conhece, todos sabem a letra.
     Referem-se ___ cenas fundamentais do ciclo da vida, espécie de cartões-postais familiares. Sem eles, ____ sensação é de que não nascemos, de que não tivemos família, de que não pertencemos ____ normalidade fotogênica do mundo.
        É o mesmo que visitar o Egito e não posar na frente das pirâmides, visitar Paris e não ostentar a Torre Eiffel ao fundo do plano, passar pela China e desdenhar as curvas da Muralha.
         De que flagrantes estou falando?
       Daqueles que não podemos fugir, senão demonstraremos indiferença, frieza, falta de emoção.
       Daqueles que debochamos ao encontrar na gaveta dos outros e que ocupam a maior parte de nossos porta-retratos.
       Um deles é a troca de cálices no casamento. Quando o noivo e a noiva embaralham os braços. Apesar do desconforto tentacular, o casal tem que sorrir. Qual o menos pior: este brinde de espumante ou o corte a dois do bolo do casamento? Trata-se de uma disputadíssima concorrência para abrir o álbum.
         Lembro também do clássico beijo do pai na barriga da gestante. A grávida sempre está nua, o que é involuntariamente engraçado. O homem surge agachado com roupa social diante de sua companheira pelada. Se não fosse a criança por vir, estaria na parede de uma borracharia.
          Não dá para esquecer a grande angular do baile de debutantes: as adolescentes como time de futebol, posicionadas em diferentes degraus. E a nossa foto tomando o primeiro banho, usada pela mãe para nos envergonhar na adolescência. E sem os dentes da frente, e lambuzado de chocolate, e sendo lambido pelo cachorro.
       Fotos ridículas e inesquecíveis, adequadas para chantagem e suborno, mas que se tornam – por vias tortas – recompensas do amor.
          São justamente as fotos que vamos procurar para sentir saudade. E, ao lado dos filhos, rir e chorar ao mesmo tempo.



QUESTÕES DE INTERPRETAÇÃO
1) Quais são e o que representam, segundo o autor, as fotografias obrigatórias na nossa existência?
2) Liste quais são os flagrantes aos quais o autor se refere no texto, e explique o porquê, se dele fugirmos, estaremos demonstrando indiferença, frieza e falta de emoção.
3) Explique qual a relação que o autor faz ao dizer "Se não fosse a criança por vir, estaria na parede de uma borracharia".
4) Quais fotos se tornam recompensas do amor?


ATIVIDADES GRAMATICAIS

1) Indique a conjugação, o tempo, o modo e a pessoa dos verbos destacados no texto.



2) Encontre, no texto, verbos que estejam:
a) no infinitivo:
b) no gerúndio:
c) no particípio:


3) Reescreva as frases abaixo, conjugando os verbos destacados na pessoa solicitada  entre parênteses.Faça as alterações necessárias.
a) Fotos de amor são ridículas, mas ainda mais ridículo é nunca tirar fotos de amor. (3ª pessoa do singular)


b) Não há como esnobar certas aparições, manter pose de intelectual e prometer que dessa máquina não beberei. (3ª pessoa do plural)


c) A grávida sempre está nua, o que é involuntariamente engraçado. O homem surge agachado com roupa social diante de sua companheira pelada. Se não fosse a criança por vir, estaria na parede de uma borracharia. (3ª pessoa do plural)


d) Lembro também do clássico beijo do pai na barriga da gestante. (2ª pessoa do singular e 2ª pessoa do plural)


4) Reescreva a frase abaixo, eliminando a locução verbal. 
a) São justamente as fotos que vamos procurar para sentir saudade. 
5)  A alternativa que completa corretamente as lacunas do 3º parágrafo do texto é:

a)      a – a – à – às                   c) à – à – à – às                                             e) a – à – a - às

b)      a – a – a – as                   d) à – a – à – as

6) A alternativa que completa corretamente as lacunas do 5º parágrafo do texto é:
            a)      às – a – à                         c) às – à – à                                       e) as – a – a  
            b)      às – à – à                         d) as – à – a


7)  Empregue o sinal indicativo da crase, quando necessário:
a)      Foi a Paris visitar a Torre Eiffel.
b)      Viajou a China para fotografar as curvas da muralha.
c)      Visitou as pirâmides do Egito.

8    8) Classifique as orações coordenadas abaixo:

a)      Fotos de amor são ridículas, mas ainda mais ridículo é nunca tirar fotos de amor.



b)      Não há como esnobar certas aparições, manter pose de intelectual e prometer que dessa máquina não beberei.


c)      São imagens que partilham o mistério da música brega: ninguém conhece, todos sabem a letra.


d)      É o mesmo que visitar o Egito e não posar na frente das pirâmides, visitar Paris e não ostentar a Torre Eiffel ao fundo do plano, passar pela China e desdenhar as curvas da Muralha.


2 comentários:

Andreia Dequinha disse...

O Fabrício é mesmo divino! Adoro! Fiquei feliz em encontrá-lo aqui, ainda mais tendo, de brinde, atividades já prontinhas para tal texto. Arrasou, menina! Beijos.

Fabi Behling disse...

Obrigada, Andreia!!! bjs