sábado, 6 de agosto de 2011

ATIVIDADES DIVERSAS SOBRE PRONOMES - ENSINO MÉDIO

TEXTO 1
O padeiro
Rubem Braga
Levanto cedo, faço minhas abluções, ponho a chaleira no fogo para fazer café e abro a porta do apartamento – mas não encontro o pão costumeiro. No mesmo instante me lembro de ter lido alguma coisa nos jornais da véspera sobre a “greve do pão dormido”. De resto não é bem uma greve, é um lock-out, greve dos patrões, que suspenderam o trabalho noturno; acham que obrigando o povo a tomar seu café da manhã com pão dormido conseguirão não sei bem o que do governo.

Está bem. Tomo o meu café com pão dormido, que não é tão ruim assim. E enquanto tomo café vou me lembrando de um homem modesto que conheci antigamente. Quando vinha deixar o pão à porta do apartamento, ele apertava a campainha, mas, para não incomodar os moradores, avisava gritando:

– Não é ninguém, é o padeiro!

Interroguei-o uma vez: como tivera a ideia de gritar aquilo?

“Então você não é ninguém?”

Ele abriu um sorriso largo. Explicou que aprendera aquilo de ouvido. Muitas vezes lhe acontecera bater a campainha de uma casa e ser atendido por uma empregada ou outra pessoa qualquer, e ouvir uma voz que vinha lá de dentro perguntando quem era; e ouvir a pessoa que o atendera dizer para dentro: “não é ninguém, não senhora, é o padeiro”. Assim ficara sabendo que não era ninguém...

Ele me contou isso sem mágoa nenhuma, e se despediu ainda sorrindo. Eu não quis ____________ para explicar que estava falando com um colega, ainda que menos importante. Naquele tempo eu também, como os padeiros, fazia o trabalho noturno. Era pela madrugada que deixava a redação de jornal, quase sempre depois de uma passagem pela oficina – e muitas vezes saía já levando na mão um dos primeiros exemplares rodados, o jornal ainda quentinho da máquina, como pão saído do forno.

Ah, eu era rapaz, eu era rapaz naquele tempo! E às vezes me julgava importante porque no jornal que levava para casa, além de reportagens ou notas que eu escrevera sem assinar, ia uma crônica ou artigo com o meu nome. O jornal e o pão estariam bem cedinho na porta de cada lar; e dentro do meu coração eu recebi a lição de humildade daquele homem entre todos útil e entre todos alegre; “não é ninguém, é o padeiro!”.

E assobiava pelas escadas.

In: Para gostar de ler, vol I - Crônicas . Carlos Drummond de Andrade, Fernando Sabino,Paulo Mendes Campos e Rubem Braga. 12 ed. São Paulo: Ática.1989. p.63-64. Disponível em: . Acesso em: 6 mar. 2009.

1)    Assinale a alternativa que completa de modo correto a lacuna presente no 7º parágrafo do texto:
a)       Deter ele                      c) detê-lo                              e) detê-la
b)       Deter a ele                   d) deter ela

2)       Na 1ª frase do texto, “Levanto cedo, faço minhas abluções, ponho a chaleira no fogo para fazer café e abro a porta do apartamento – mas não encontro o pão costumeiro” os verbos “levanto”, “faço”, “ponho”, “abro” e “encontro” omitem um pronome. Qual é esse pronome e como ele se classifica?

3)      Classifique os pronomes destacados na frase a seguir em PS (pronome substantivo) ou PA (pronome adjetivo), em seguida, classifique-os de acordo com os pronomes estudados até o momento. “No mesmo instante me lembro de ter lido alguma coisa nos jornais da véspera sobre a “greve do pão dormido”.
a)      O que o emprego do pronome “alguma” atribui ao sentido da frase?

4)       Indique os termos ou expressões às quais os pronomes relativos destacados nas frases abaixo, se referem:
a)       “Tomo o meu café com pão dormido, que não é tão ruim assim.”
b)       “E enquanto tomo café vou me lembrando de um homem modesto que conheci antigamente.”
c)       “e ouvir uma voz que vinha lá de dentro perguntando quem era”.
d)       “E às vezes me julgava importante porque no jornal que levava para casa, além de reportagens ou notas que eu escrevera sem assinar...”

5)     O pronome pessoal oblíquo destacado na frase “Interroguei-o uma vez [...]” (4º parágrafo) substitui qual termo mencionado anteriormente?

6)       Substitua as expressões sublinhadas na frase a seguir, por pronomes adequados. Reescreva a frase, fazendo as alterações necessárias:
“Quando vinha deixar o pão à porta do apartamento, ele apertava a campainha, mas para não incomodar os moradores, avisava gritando [...]”

7)   Com base na crônica lida, responda as questões a seguir: quais as personagens envolvidas? Qual o acontecimento narrado? Em que  lugar ocorre? Quanto tempo passa? Que reflexão sobre o comportamento humano nos apresenta o narrador?

8)        As expressões “abluções”, “suspenderam” e “dormido” poderiam ser substituídas, sem significativa perda de sentido, respectivamente por:
a) rituais – elevaram – com sono                    d) rituais – ergueram – sossegado
b) lavagens – proibiram – descansado           e) lavagens – interromperam – de véspera
c) lavagens – levantaram – adormecido

9) A crônica de Rubem Braga está organizada em 4 elementos estruturais:
  I – Analogia (relação, identificação) com um personagem                     III – Incidente motivador
 II – Lembrança de um personagem                                                             IV – Reflexão
                A ordem em que estes elementos aparecem no texto é:
a)       I – II – III – IV                                                d) III – II – I - IV
b)       II – IV – III – I                                                e) II – I – IV – III
c)       III – IV – II – I
 
10)    No texto, Rubem Braga compara-se, quando jovem jornalista, ao padeiro de que se recorda. Menciona, para isso, elementos que o aproximavam do padeiro, bem como elementos que os afastavam. Assinale os elementos abaixo com 1, caso aproximem Rubem Braga do padeiro, ou com 2, caso o afaste dele.
(       ) “o trabalho noturno” (7º parag.)                             (       ) “artigo com meu nome” (8º parag.)
(       ) “o jornal ainda quentinho” (7º parag.)                   (       ) “humildade” (8º parag.)

11) Com maior ou menor intensidade, todo narrador é um intérprete da sociedade em que vive e na qual produz a sua obra. Em sua opinião, que interpretação (visão) da sociedade aparece na crônica de Rubem Braga?

12)   No texto, há alguns pronomes destacados. Classifique-os:
                                                                           
TEXTO 2
Futebol, quantas alegrias já me trouxe
Costumo dizer que as mais puras e intensas alegrias da minha vida vieram do futebol. Tive inúmeras outras alegrias, é claro, mas nenhuma tão gratuita e intensa como as que o futebol me proporciona desde 1958, quando tinha seis anos de idade.

Em 1958 fomos campeões do mundo pela primeira vez, e podem me perguntar que sei ainda todinho o Hino da Seleção daquele ano. A Copa de 58 foi o momento de revelação do futebol, para __________, e as imagens mais fortes daqueles dias de Copa são do meu pai, de ouvido encostado no rádio, e explodindo em gritos de gol quando chegávamos a ele. Eu só tinha seis anos e ainda nada sabia de futebol, mas gritava junto com meu pai, e sentia nascer em ________ a primeira emoção violenta da vida. Naquela época, ouvia-se o jogo pelo rádio, via-se as fotos dos gols uma semana depois, na revista O Cruzeiro, e, se se tivesse sorte, uns dois meses depois podia-se ver os gols no cinema, no jornal que era apresentado antes dos filmes. Outra das imagens que ficou da Copa de 58 foi uma foto na revista, onde Pelé, menino de 16 anos, aparecia abraçado com duas suecas loiríssimas. Para a tacanha mentalidade que predominava em Santa Catarina, na época (e que  continua por aí, por baixo dos panos), aquilo era quase um atentado ao pudor. Duas loiras terem a coragem de abraçar um negro? 

O comentário mais sóbrio dizia que elas não tinham vergonha na cara. Estava fora de cogitação os adultos da época pensarem na probabilidade de, algum dia, seus filhos e netos se miscigenarem com a gloriosa e alegre etnia negra, que tanto adoçou o Brasil.

O fato é que, hoje, as miscigenações estão acontecendo vigorosamente, e deverão aumentar de intensidade no futuro, neste país mestiço. E o menino Pelé, na época mais ou menos perdoado por seus gols pela indecência de abraçar duas loiras, hoje é rei e tem incontestável majestade e um dos orgulhos da minha família, por exemplo, é ter as fotos da minha irmã 

Mariana, que é jornalista na África do Sul, entrevistando Pelé em Joanesburgo. 

Mas falávamos em futebol, e atravessamos, ébrios de patriotismo, aqueles anos de 58 a 62. 

Em 1962 eu já tinha dez anos e o futebol tinha me fisgado de vez. De novo ouvi os jogos pelo rádio – a televisão não tinha chegado ainda.

Naquela Copa, porém, minha alegria ficou um pouco acobertada pela surra que levei quando, num dos gols do Brasil, pulei tanto sobre o sofá novo pé-de-palito que a minha mãe acabara de ganhar, que quebrei o pé-de-palito do  mesmo. Mas foi lindo ganhar; ah! como foi! E aí chegamos em 1970, em plena época da televisão, e nunca mais vamos ter uma Seleção como aquela! Por mais que curta História, a minha grande admiração pelo  México não advém dos Maias e Astecas, mas do maravilhoso calor humano daquele povo que se colocou, decididamente, a torcer pelo Brasil, depois que o seu país foi eliminado da disputa. 

Maravilhosos mexicanos, vocês ficaram no meu coração!

Na ocasião, eu tinha 18 anos, mas formei um firme propósito: não morrer antes de ver o Brasil campeão de novo, tamanha foi a emoção que vivi. Tive que esperar 24 anos para que tal acontecesse, tive que amargar todas as derrotas do intervalo, mas tinha a certeza de que não iria morrer antes de reviver a intensidade da alegria. Esperei 94 do mesmo jeito que esperara todas as outras copas: de camisa da Seleção, bandeiras na varanda, um monte de simpatias para dar sorte, e coração pulsando na mão. Pode rir quem quiser, mas sou daquelas torcedoras que ouve o Hino Nacional de pé e em silêncio, na frente da televisão, e quase tem um enfarto a cada jogada. Em 94, gravei todos os jogos da nossa Seleção, e aquelas fitas são, hoje, a minha certeza de alegria e de bom humor. Quando alguma coisa não vai bem, quando surgem os problemas e fica difícil sair do baixo astral, eu revejo um dos jogos da World Cup. Não demora muitos minutos para  ________ estar rindo sozinha igual a uma boba, na frente da televisão, o coração aquecido pela mais pura e intensa alegria. Minha meta foi atingida: vi o Brasil campeão mais uma vez. Só que agora não quero morrer sem ver o Brasil campeão de novo.

Ah! Futebol, quantas alegrias já me trouxe!
                                                                       KLUEGER, Urda Alice. Escritora e historiadora.

1)   CLASSIFIQUE OS PRONOMES DESTACADOS EM PS (PRONOMES SUBSTANTIVOS) OU PA (PRONOMES ADJETIVOS):
“Costumo dizer que as mais puras e intensas alegrias da minha vida vieram do futebol. Tive inúmeras outras alegrias, é claro, mas nenhuma tão gratuita e intensa como as que o futebol me proporciona desde 1958, quando tinha seis anos de idade.”

2) QUAIS OS PRONOMES QUE CONJUGAM CORRETAMENTE OS VERBOS SUBLINHADOS NA FRASE A SEGUIR? COMO SE CLASSIFICAM?
“Em 1958 fomos campeões do mundo pela primeira vez, e podem me perguntar que sei ainda todinho o Hino da Seleção daquele ano.”

3)       A alternativa que preenche corretamente as lacunas do texto é:
a)       eu – mim – eu                                                            d) mim – mim – eu
b)       eu – eu – mim                                                            e) eu – eu – eu
c)       mim – mim – mim

4) INDIQUE OS TERMOS AOS QUAIS SE REFEREM OS PRONOMES RELATIVOS DESTACADOS NAS FRASES ABAIXO:
a)       “Tive inúmeras outras alegrias, é claro, mas nenhuma tão gratuita e intensa como as que o futebol me proporciona desde 1958...”
b)       “[...]no jornal que era apresentado antes dos filmes.”
c)       “Outra das imagens que ficou da Copa de 58 foi uma foto na revista, onde Pelé, menino de 16 anos, aparecia abraçado com duas suecas loiríssimas.”
d)       “[...]com a gloriosa e alegre etnia negra, que tanto adoçou o Brasil.”

5) “[...] aquilo era quase um atentado ao pudor.” (2º parágrafo). O pronome demonstrativo aquilo, refere-se a que ideia discutida no texto?

6) Como já vimos, todo narrador interpreta a sociedade em que vive e na qual produz a sua obra.Em sua opinião, qual imagem da sociedade aparece na crônica de Urda Klueger?       

TEXTO 3
Poucos nomes na história da ciência são tão celebrados quanto Darwin. O que Galileu, Newton e Einstein representam para a física, Dalton e Lavoisier para a química, Darwin representa para a biologia. Antes dele, não havia explicações plausíveis para a incrível diversidade da vida que vemos na natureza, de micróbios unicelulares, plantas e peixes aos insetos, aves e mamíferos. No mundo ocidental, a explicação aceita era bíblica: Deus criou a vegetação no terceiro dia, os peixes e as aves no quinto, e os animais terrestres e o homem no sexto. Mesmo que fósseis de animais estranhos (leia-se dinossauros e mamíferos terrestres agigantados) fossem conhecidos, o argumento para a sua ausência invocava o Dilúvio e a Arca de Noé. Pelo jeito, os monstros não foram bem recebidos no grande barco. 

Talvez alguns teólogos oferecessem razões mais sofisticadas, mas essa era a opinião de muitos.
De todas as suas características, ........... que Darwin mais celebrava eram a meticulosidade e a capacidade de perceber detalhes quando outros não ......... viam. Quando jovem, atravessou o mundo no navio Beagle, colhendo espécies diversas da flora, observando o comportamento da fauna local, colecionando fatos e anotações. Ficou muito impressionado com a beleza do Brasil.

Sua curiosidade pela riqueza com que a vida se manifestava à sua volta e a paixão pelo conhecimento davam-.......... a infinita paciência ___________________ para observar as menores variações dentre espécies de acordo com o ambiente e o clima, a importância da geologia na determinação das espécies de uma região, a complexa relação entre a flora e a fauna.

Profundamente influenciado pelo geólogo Charles Lyell, que considerava seu mentor, Darwin aos poucos percebeu que tal riqueza nas espécies só poderia ser possível se pequenas variações ocorressem ao longo de enormes intervalos de tempo. A filosofia de Lyell pregava que as rochas terrestres representam a sua longa história, registrando nas suas propriedades  as várias transformações que sofreram ao longo dos milênios. Os mesmos processos que sofreram no passado continuam ativos no presente. A partir de suas meticulosas observações, Darwin concluiu que algo semelhante ocorria com os seres vivos; eles também sofriam pequenas modificações ao longo do tempo.

As que facilitavam a sua sobrevivência seriam passadas de prole em prole mais eficientemente, enquanto que aquelas que dificultavam a sobrevivência dos animais seriam aos poucos __________________. Com isso, após muitas gerações, a espécie como um todo se alteraria, tornando-se gradualmente ________________ de seus ancestrais. A funcionalidade dos bicos de certos pássaros, por exemplo, ilustra bem a adaptabilidade de acordo com o ambiente.

Esse processo de seleção natural forneceu, pela primeira vez na história, um mecanismo racional capaz de explicar a multiplicidade da vida e a sua ligação com o passado. O legado de Darwin é, antes de mais nada, uma celebração da liberdade que nos é acessível quando nos dispomos a refletir sobre o mundo em que vivemos.

Adaptado de: GLEISER, M. Celebrando (o estudo d)a vida. Folha de São Paulo. 17 de janeiro de 2009.
     
1) ASSINALE A ALTERNATIVA QUE PREENCHE CORRETA E RESPECTIVAMENTE AS LACUNAS INDICADAS POR LINHAS PONTILHADAS.
(a)     a – os – no                                   (c) as – as – lhe                    (e) as – os - lhe
(b)     a – o – lhe                                    (d) a – o – no

2)  ASSINALE A ALTERNATIVA QUE PREENCHE CORRETA E RESPECTIVAMENTE AS LACUNAS INDICADAS POR TRAÇOS CONTÍUNOS.
(a)     necessário – eliminados – distinta                         (d) necessária – eliminados - distinta
(b)     necessária – eliminadas – distinta                   (e) necessário – eliminados - distinto            
(c)     necessário – eliminadas – distinto

3)   OBSERVE A FRASE “Antes dele, não havia explicações plausíveis para a incrível diversidade da vida que vemos na natureza [...]” O PRONOME DESTACADO, REFERE-SE A QUE NOME CITADO, ANTERIORMENTE, NO TEXTO?

4) DESTAQUE E CLASSIFIQUE OS PRONOMES PRESENTES NAS FRASES ABAIXO:
a)       “Talvez alguns teólogos oferecessem razões mais sofisticadas, mas essa era a opinião de muitos.”
b)       “Com isso, após muitas gerações, a espécie como um todo se alteraria, tornando-se gradualmente distinta de seus ancestrais.”

5) REESCREVA AS FRASES ABAIXO, SUBSTITUINDO A EXPRESSÃO DESTACADA, PELO PRONOME ADEQUADO. FAÇA AS DEVIDAS ALTERAÇÕES.
“Um mecanismo racional capaz de explicar a multiplicidade da vida [...]”

6) NAS FRASES ABAIXO, ENCONTRE OS PRONOMES RELATIVOS E  INDIQUE OS TERMOS AOS QUAIS ELES SE REFEREM:
a)       [...] as várias transformações que sofreram ao longo dos milênios.” (4º parágrafo)
b)       “As que facilitavam a sua sobrevivência[...]” (5º parágrafo)
c)       “[...] enquanto que aquelas que dificultavam a sobrevivência dos animais seriam aos poucos eliminadas.”
d)       “[...] uma celebração da liberdade que nos é acessível quando nos dispomos a refletir sobre o mundo em que vivemos.”

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