sexta-feira, 26 de agosto de 2011

ARTIGO DE OPINIÃO

TEXTO 1
A EPIDEMIA DA BELEZA - Gilberto Dimenstein
Movidos pela vaidade, pelo menos 130 mil crianças e adolescentes submeteram-se, no ano passado, a operação plásticas.
Essa é a estimativa da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, que, em pesquisa realizada entre seus 4000 associados, detecta o aumento a cada ano de crianças e adolescentes dispostos a entrar na faca para ficar mais bonitos.
Qual a extensão desse servilismo à estética? A situação é mais grave do que se imagina. Pesquisa quantitativa e qualitativa (conversas em grupo) feita pela MTV sobre o perfil dos jovens brasileiros de 15 a 30 anos de idade, divulgada na quinta-feira, revela uma epidemia de preocupação com a beleza física.
Em parceria com a Datafolha, a MTV perguntou aos entrevistados, por exemplo, se trocariam 25% de inteligência pela mesma proporção de beleza. Resultado: 15% foram francos o suficiente para admitir a troca. Nem se preocuparam com o fato óbvio de que a beleza física passa rapidamente, mas a inteligência fica.
Fiquei me perguntando se os jovens dispostos à troca já não teriam um QI não muito elevado. A julgar pela pesquisa, o problema não está no QI. Trata-se de um mal que afeta parta expressiva de uma geração das classes A, B e C, ou seja, da fatia da sociedade em que se inclui a elite.
O principal resultado desse perfil é ter detectado até que ponto vai a reverência exacerbada à beleza física. Convidados a definir os traços que melhor definem a atual geração, os entrevistados colocaram em primeiro lugar – e bem na frente – a vaidade. Depois, aparecem o consumismo, o individualismo e o comodismo.
Por que está ocorrendo essa “epidemia da beleza”? A resposta é óbvia – e nós, da mídia, somos, em parte, responsáveis por isso.
Há uma supervalorização da aparência. Seres anoréxicos e fúteis, quase inumanos, como Gisele Bündchen, são apresentados como padrão de beleza e de sucesso. A mídia, por sua vez, não se limita e fotografá-los, mas frequentemente busca suas opiniões sobre os mais diversos temas, de politica a transgênicos.
Dissemina-se um culto à celebridade, que há lugar ao surgimento de uma espécie de casta da sociedade, a casta dos “famosos”. E, para ser famoso, não é preciso necessariamente fazer algo de relevante – basta aparecer.
É o domínio da fugacidade. A Internet, na sua extraordinária velocidade em tempo real, e a síntese tecnológica da voracidade do presente, do agora.
A pesquisa mostra, de um lado, o narcisismo entre jovens e, de outro, um ceticismo. São as duas faces de uma mesma moeda. Políticos são sempre ruins, independentemente dos partidos. Logo, os governos são iguais. Na opinião de 64% dos entrevistados, o governo Lula está igual ou pior do que o de seu antecessor. O jeito, portanto, é o salve-se-quem-puder. Se não existem utopias – e toda utopia é um pacto com o futuro – nem se acredita na política, sobra apenas a saída individual.
Até porque a mensagem predominante é a do consumismo como fonte de prazer e de realização. Vale perguntar se esse imediatismo não é um estímulo ao consumo de drogas.
As próprias relações pessoais acabam refletindo esse imediatismo individualista. “Ficar” significa namorar sem estabelecer nenhum laço emocional – laços emocionais implicam compromisso. Vale a pena reproduzir uma consideração dos pesquisadores da empresa Wilma Rocca & Associados, responsável pela análise dos dados do levantamento, sobre o tópico “fica”: “O próprio ficar já está derivando seu sentido para algo mais superficial, onde sentimentos, ainda que momentâneos, já chegam a estar totalmente ausentes”. Servis ao ideal da beleza física, pais abrem mão da condição de adultos, como se quisessem prolongar a adolescência. Não querem ser pais de seus filhos, mas amigos. Não cobram, não dão limites, não exigem – assim como, quando eram adolescentes, não queriam cobranças paternas. O pai muito amigo é, porém, um candidato a futuro inimigo do filho. “Os filhos já evidenciaram certo desconforto com a ausência da porção pai e o excesso do lado amigo”, observam os pesquisadores.
O culot à futilidade é não é só um transtorno individual – em que a pessoa passa a viver apenas em função do superficial e do fugaz – mas também um transtorno coletivo.
Em comparação com o levantamento realizado em 1999, houve uma redução do número de jovens dispostos a realizar trabalhos comunitários. Explicável: na lógica do narcisismo, o outro só serve de espelho. Será que essa onda vai diminuir? Talvez.
Registram-se, nas conversas da fase qualitativa da pesquisa, sinais de esgotamento decorrentes dessa multiplicidade de estímulos fugazes, sem laços. Começa-se a perceber que tudo, intenso e imediato, resulta em nada.
PS – Em meio a essa cultura da futilidade, tendo visto um movimento de resistência de jovens que, atentos ao que ocorre ao seu redor, estão querendo fazer a diferença. Tenho visto também escolas e educadores colocarem na prática escolar o estímulo à colaboração. Esse deveria ser o padrão de comportamento, não a exceção, numa comunidade civilizada. Podem me chamar de nostálgico, mas, se ser jovem é ficar obcecado pela beleza e vivem em regime alimentar ou achar que se comunicar é ficar na frente de um computador, preciso ser velho. Sou dos que acham que um dos bons prazeres da vida é ouvir, pessoalmente, sem tela nem terminais, conversa de gente falando das dores, delícias e encantamentos das experiências.
Folha de S.Paulo, 8/5/2005.
1)      OS SEIS PRIMEIROS PARÁGRAFOS APRESENTAM AS INFORMAÇÕES QUE MOTIVARAM A COMPOSIÇÃO DO ARTIGO.
a)      O 1º parágrafo apresenta as pessoas de quem se fala no texto: crianças e adolescentes. Observe que o artigo tratará desse grupo e, para confirmar essa informação, basta buscar nos  5 parágrafos seguintes as outras expressões usadas para referir-se a ele. Indique-as:
b)      Para sintetizar o conteúdo dos seis primeiros parágrafos, vamos buscar informações relevantes que se referem a esse grupo. Complete o esquema a seguir, com dados do texto.
Jovens: crianças e adolescentes
130 mil submeteram-se a operações plásticas.
Dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica
Pesquisa MTV
O que define essa geração



Segundo o articulista, qual o problema que esses dados revelam?

c)       Os parágrafos 8, 9 e 10 apresentam as possíveis causas desse problema. Complete o quadro de acordo com as informações do texto.
Causas do problema


Valoriza-se apenas o presente.
2)      A fim de  continuar o desenvolvimento de seu texto, no parágrafo 11 o articulista volta ao resultado da pesquisa feita pela MTV e destaca, além do narcisismo, o ceticismo do jovem, afirmando serem esses dois elementos faces de uma mesma moeda. Assinale a alternativa correta:
a)      Segundo o texto, a atitude cética dos jovens está relacionada:
(     ) ao narcisismo                  (      ) à descrença em todos os políticos                                (      )ao consumo de drogas
(      ) à busca por relações sem compromisso
b)      Uma das consequências desse ceticismo é que:
(      ) o jovem consome cada vez mais drogas.
(      ) o jovem busca ficar cada vez mas bonito, atendendo a um padrão irreal de beleza.
(      ) o jovem busca se tornar famoso a qualquer preço.
(      ) o jovem torna-se individualista.
c)       Os parágrafos 11 e 12 permitem perceber uma crítica do articulista a qual comportamento do jovem?
(      ) Desccrença na transformação da sociedade por meio da participação política.
(      ) Crença na transformação social por meio de atitudes individualistas e consumistas.
(      ) Busca de realização no consumo de drogas.
(      ) imediatismo, revelado na falta de paciência com os políticos e com os governos.
3)      Complete o esquema a seguir, preenchendo com as informações relacionadas ao emprego do termo imediatismo e das expressões ligadas a ele:
             A ausência de laços emocionais revela a preocupação apenas com o prazer pessoal e imediato:





















1)       REESCREVA AS FRASES ABAIXO, SUBSTITUINDO OS TERMOS DESTACADOS  POR PRONOMES ADEQUADOS. FAÇA AS ALTERAÇÕES NECESSÁRIAS:
a)       “Em parceria com a Datafolha, a MTV perguntou aos entrevistados, por exemplo, se trocariam 25% de inteligência pela mesma proporção de beleza.”


b)       “Resultado: 15% foram francos o suficiente para admitir a troca.”


c)       “As próprias relações pessoais acabam refletindo esse imediatismo individualista.”


d)       “Vale a pena reproduzir uma consideração dos pesquisadores da empresa Wilma Rocca & Associados.”


e)       “[...] como se quisessem prolongar a adolescência.”


f)        “Em comparação com o levantamento realizado em 1999, houve uma redução do número de jovens dispostos a realizar trabalhos comunitários.”


2)       OS PRONOME S DESTACADOS  NAS FRASE S ABAIXO, REFEREM-SE  A QUE PALAVRAS OU EXPRESSÕES DO TEXTO?
a)       “A mídia, por sua vez, não se limita e fotografá-los,[...]” (8º parágrafo)
b)       “Esse deveria ser o padrão de comportamento [...]” (17º parágrafo)

3)       DESTAQUE OS PRONOMES RELATIVOS DAS FRASES ABAIXO, INDICANDO O TERMO AO QUAL SE REFEREM:
a)       “Trata-se de um mal que afeta parte excessiva de uma geração das classes A, B e C [...]”
b)       “Convidados a definir os traços que melhor definem a atual geração [...]”
c)       “O próprio ficar já está derivando seu sentido para algo mais superficial, onde sentimentos, ainda que momentâneos, já chegam a estar totalmente ausentes.”
4)       UNA OS PERÍODOS A SEGUIR EM UMA ÚNICA ORAÇÃO, UTILIZANDO O PRONOME RELATIVO ADEQUADO.
a)       Eu vi o rapaz. O rapaz era seu amigo.

b)       Nós assistimos ao filme. Vocês perderam o filme.

c)       O gerente precisa dos documentos. O assessor encontrou os documentos.

d)       Antipatizei com o rapaz. Você conhece a namorada do rapaz.

e)       A árvore foi derrubada. Os frutos da árvore são venenosos.

TEXTO 2
O peso do estereótipo
Moacyr Scliar
                No que se refere aos distúrbios da alimentação podemos dividir a humanidade em dois grandes grupos, aquelas que comem de menos e aqueles que comem demais. Os primeiro compreendem aqueles para os quais falta comida – os habitantes do Terceiro Mundo – e aqueles que, mesmo dispondo de alimento, recusam-no por razões emocionais. A abundância de comida e a voracidade, por sua vez, geraram o problema da obesidade, que, mesmo em países como o Brasil, é hoje uma questão de saúde pública.
                A extrema obesidade está associada a diabetes, hipertensão arterial, doença cardiovascular, problemas articulares. E resulta numa imagem corporal que não é das mais agradáveis – ao contrário do que acontecia no passado, quando a maior ameaça era representada pela desnutrição. Mulheres gordinhas eram valorizadas, como se pode ver nos quadros de Rubens ou de Cézanne. Na época deste último, o grande espectro era a tuberculose, comumente associada à extrema magreza. Pela mesma razão, na cultura hotentote são valorizadas mulheres com nádegas grandes; a gordura ali depositada equivale a uma “poupança” mais importante que qualquer poupança bancária.
                As coisas mudaram: “You can never be too rich or to thin” é um dito corrente nos Estados Unidos. Ou seja: excesso de riqueza ou de magreza não prejudica. Riqueza  é símbolo de sucesso, magreza é a imagem da elegância. O corpo transformou-se num objeto a ser exibido. E isso resulta num conflito: de um lado está a indústria da alimentação, com toda a sua gigantesca propaganda; assim, ninguém mais vai ao cinema sem levar junto um contêiner com pipocas (como s e a pessoa não pudesse passar duas horas sem comer). De outro lado, temos o estigma representado pela obesidade. O resultado é um conflito psíquico que se manifesta de várias maneiras, mais notavelmente pela anorexia nervosa.
                Que não é coisa nova. Já na Idade Média, Santa Catarina de Siena tornou-se famosa por evitar o alimento. Comia pouquíssimo, apenas o suficiente para não morrer de fome. Mas a razão ali era religiosa; voracidade era pecado, contenção alimentar era virtude. O conflito emocional que leva à anorexia  é de outra natureza, e bem mais recente. Até os anos 50 a anorexia nervosa era pouco mais que uma curiosidade médica. Mas em meados dos anos 70 um estudo mostrava que cerca de 10% das adolescentes suecas eram anoréxicas. Em 1980 os transtornos psicológicos da alimentação já eram um dos problemas mais frequentes entre as jovens universitárias americanas. O  gênero, no caso, é fundamental porque  anorexia é muito mais frequente entre moças. Também é importante a classe social: a classe média é mais propensa a ela que os pobres.
                Estudar a anorexia e outros distúrbios alimentares tornou-se prioridade médica. Aqui é preciso destacar o papel pioneiro da psiquiatra americana Hilde  Bruch, nos anos 70. Baseada em vasta experiência, Bruch mostrou que a anorexia  resultava de um conflito entre o desejo de atender às expectativas sociais de uma silhueta esbelta e a vontade de comer, fomentada pela mídia. E por que isso é mais frequente no sexo feminino? Porque, diz Bruch, os rapazes têm outras formas de expressar seus conflitos, através da revolta juvenil, por exemplo. Entre as garotas, o perfil  familiar também é importante. A anoréxica vem de  uma família em que o pai ou a mãe, ou ambos, são pessoas bem-sucedidas, ambiciosas, preocupadas com aparência física e a pressionar a filha para ser esbelta e elegante. O resultado pode ser uma sobrecarga emocional insuportável, com consequências devastadoras, até porque a anorexia pode se acompanhar de distúrbios hormonais graves. E não raro a jovem necessitará de acompanhamento terapêutico especializado.
                Em termos de peso corporal, como em relação à carga emocional, o ideal não é nem a falta nem o excesso. O ideal é o equilíbrio, mas para isso a sociedade precisa se conscientizar dos problemas representados pelos estereótipos que cria.

Revista Viver – Mente & Cérebro, ano 13, n.152.
1)      Por meio de um esquema de identificação das informações parágrafo a parágrafo, vamos destacar as ideias principais do texto:
1º parágrafo: distúrbios da alimentação
Aqueles que comem menos.
2)




Aqueles para os quais falta comida.
1)
3)





2º parágrafo: consequências da obesidade
4)




5)


No passado, ao contrário...
6)




7)



3º parágrafo: conflito resultante da transformação do corpo em objeto a ser exibido
A gigantesca propaganda feita pela indústria da alimentação
8)




RESULTADO:
9)






4º parágrafo: a anorexia através do tempo
Até os anos 50 era uma curiosidade médica.
10)



11)






5º parágrafo: causas da anorexia, segundo Hilde Bruch
Conflito entre
12)
13)





14)
Por que ocorre mais entre meninas?
O perfil familiar da garota pode colaborar.

Resultado





15)




6º parágrafo: opinião final do autor diante do quadro apresentado no artigo.




FONTE: CAMPOS, Elizabeth. CARDOSO, Paula Marques. ANDRADE, Sílvia Letícia de. VIVA PORTUGUÊS 9º  ANO. 2.ed. São Paulo: Ática, 2010.

2 comentários:

habbbzo disse...

Muito boas as atividades! Parabéns!

Fabi Behling disse...

Muito Obrigada! Que sejam úteis! Abraços!