quinta-feira, 14 de julho de 2016

RIO OLÍMPICO. SEJA BEM-VINDO. SE CONSEGUIR SOBREVIVER - Mônica Rauof El Bayed - Atividades para o Ensino Médio

Rio Olímpico. Seja bem-vindo. Se conseguir sobreviver

Um grupo de meninos se aproxima com pressa. Soltos e sós na noite fria. Traçam planos, nota-se bem. Um frio de dar pneumonia em pinguim. Eu com dois casacos. Eles de bermuda, camisa e chinelo. 

O olhar de quem encara um pobre como se fosse fera, magoa a alma de quem é olhado. Os alunos me ensinaram. Não olho. Não encaro. Não me encolho. Nem respiro. Apenas aguardo o desfecho. 

Passaram direto por mim. Apenas meninos. Crianças desesperadas de frio. Invadiram a loja aberta. Agarraram edredons. Rápidos. Experientes. Inocentes. Correram crentes que daria certo. Não deu. 

Edredom não é cordão de ouro que cabe na boca, na bermuda, na cueca. Onde esconder um edredom? Como escapar discreto com um pacote enorme embaixo do braço? 

Perseguidos pelos seguranças, largaram tudo pelo caminho. Aquela noite, na rua ou na comunidade, não ia ser melhor que as outras. Tremeriam de frio mais uma vez. 

Já se imaginou com frio sem cobertor? Com fome sem alimento? Com dor sem direito à saúde? Esse é o Rio Olímpico. A verdadeira Terra dos meninos perdidos. 

Nossos meninos, nossa promessa de futuro, morrem sem presente e matam em cada esquina. Roubam, sim. E são roubados em sua dignidade. Em seu direito à saúde, à segurança, ao conforto, a uma vida melhor. 

Na Terra dos meninos perdidos não temos fada, nem Peter Pan. Pó mágico de pirlimpimpim, esse temos. Muitos vendem. Outros são usuários. Voam na triste ilusão de poder. 

Mas o poder real não sai nunca das mesmas mãos. A mão dos Capitães Ganchos. Cruéis. Desumanos. Sentados em seus tronos. Desprovidos de alma e de culpa. Nunca sentiram frio. Nunca sentiram nada. Mandam como mandam os que só viveram em poder. Nunca em falta. 

Já se imaginou sem direito a nada? Largado como traste, sem segurança, sem estudo, pronto a ser morto na próxima esquina ou viela? Meninos pobres, policiais a serviço ou não são caçados por bandidos, pedestres ou motoristas. 

Morremos como moscas. Sem tempo nem de virar notícia. Nunca se viu tantas mortes assim. Por falta absoluta de uma política de segurança séria. Largados à sorte e ao Deus dará. Triste. Esse é o Rio Olímpico. Coloque seu colete à prova de balas. Seja bem-vindo, se conseguir sobreviver. 

Estamos todos à deriva. A calamidade pública já vigora por aqui há bastante tempo. Estado dá isenção fiscal para ricos. E os trabalhadores ficam sem seus salários. Humilhados em seus direitos mais básicos. Lutar por seus direitos, veja só, aqui virou abuso. Achei que abuso fosse não pagar quem trabalha. 

Escolas são assaltadas. A escola João Kopke, dia treze de junho, foi invadida por ladrões. Professores e alunos na mira de revólver. Levaram pertences de alunos e professores. Este mês, uma professora foi baleada no estacionamento da FAETEC. Não há porteiros, não há segurança. Só descaso. 

As turmas são enormes. As escolas caem de podre sem cuidados básicos e manutenção. O salário de muitos funcionários públicos da educação, da saúde e da segurança só desvaloriza. Não é reajustado há anos. 

A saúde não tem leitos, nem remédios. Pessoas agonizam pelo chão. Mas nem ouse pensar em morrer. O IML também não tem condições de te receber por lá. No Rio Olímpico você não tem onde cair morto, literalmente. 

Rio Olímpico é só para fortes. Você tem que ser atleta para sobreviver. Saltar as crateras das ruas e estradas. Correr dos tiroteios a qualquer hora do dia, como se fosse uma oferta relâmpago. Pular de UPA em UPA até conseguir atendimento. Lutar, em estilo livre, para conseguir entrar em trens e metrôs. Driblar credores com um salário que não tem dia para cair no banco. 

Só para encerrar, me diga: qual a semelhança entre a escola pública e a ciclovia Tim Maia (aquela que caiu)? Sabe? Eu te digo. 

As duas deveriam ser fonte de prazer, saber e acesso. Mas viraram triste palco de tragédias. Uma feia escultura reflexo dos descasos e desmandos a que somos submetidos. 

As duas deveriam nos mostrar um lindo horizonte. Mas vêm desmontando por absoluta falta de cuidado com o dinheiro do povo, com a falta de seriedade dos governantes, com a certeza de impunidade que reina por aqui. Às duas faltou a base necessária para ficar em pé. 

Às duas a sustentação correta foi sonegada. Ignorada. Ambas foram e têm sido encaradas na base do “faz qualquer coisa aí que serve”. Para o povo qualquer coisa serve. Sem seriedade, sem capricho, sem preocupação. 

Deu errado? Na ciclovia, a culpa é do mar. Esse insensível que resolveu ter ressacas. Um absurdo. Nas escolas, a culpa é dos professores. Esses insensíveis que querem receber para trabalhar. Uns loucos que lutam por uma educação de qualidade. Um absurdo. 

O mar, como os professores, só causa transtorno! Os professores, esses insanos, ousam se interessar pelo outro. Alimentam sonhos de um mundo melhor. De direitos para todos. Eles sabem que só a educação abre caminho para a verdadeira democracia. Para o respeito, para novos desafios. 

O mar é perigoso. Os professores também. Esses perigosos sabem que é preciso reagir. Mesmo no meio do caos, da calamidade pública, os professores são como o mar. Sempre e sobretudo fonte de vida, de beleza, de saber. Fonte de ressacas e de grandes navegações. 

Não se calem mesmo, professores. Para esses meninos pobres vocês são a única grande esperança. Eles precisam de vocês para ocupar suas escolas, seus pensamentos. Povoar suas esperanças de alcançar uma vida melhor. 

Lutar por um mundo mais justo, essa é a verdadeira olimpíada. Sobreviver ao triste Rio Olímpico, essa é a modalidade mais importante. O povo que faz o melhor possível, mesmo com o descaso com que são tratados, esse é o verdadeiro herói. Os verdadeiros atletas olímpicos são os que lutam, apesar de tudo e de todos, para botar comida na mesa. 

O ouro é de vocês.

1) No título, a autora sugere uma condição. Que condição é essa e, por que, na sua opinião, ela afirma isso?

2) Que frase a autora utiliza para reforçar que a noite estava realmente fria?

3) No segundo parágrafo do texto, a autora faz uma comparação. Que comparação é essa e o que, na sua opinião, ela sugere?

4) Observe a seguinte passagem do texto: "Rápidos. Experientes. Inocentes." (3º parágrafo). Experientes em quê?

5) A partir da leitura do texto, somos informados a respeito da profissão da autora. O que ela faz? Comprove com um trecho do texto.

6) A autora faz alusão a um famoso conto infantil para ilustrar o seu texto. 
a) Que conto é esse?
b) Explique a seguinte passagem do texto: "Esse é o Rio Olímpico. A verdadeira Terra dos meninos perdidos." (6º parágrafo).
c) Ao que a autora se refere, no seguinte trecho: "Pó mágico de pirlimpimpim, esse temos." (8º parágrafo)
d) Na frase: "Mas o poder nunca sai das mesmas mãos. A mão dos Capitães Ganchos." (9º parágrafo). Quem são os "Capitães Ganchos" citados pela autora?

7) O prefixo -DES acrescenta às palavras um sentido de negação. Transcreva, do texto, 3 palavras que exemplifiquem isso

8) Explique o que a autora quis dizer com a frase: "Estamos todos à deriva" (12º parágrafo).

9) Resumidamente, aponte os problemas levantados pela autora, quanto à educação, à saúde e à segurança pública.

10) A autora, em diversos trechos do texto, emprega a ironia. Transcreva frases do texto que exemplifiquem isso.

11) Segundo a autora, quais as semelhanças entre a educação e a ciclovia Tim Maia, que desabou, recentemente, no Rio de Janeiro?

12) O prefixo -IN acrescenta às palavras um sentido de negação. Transcreva, do texto, 3 termos que exemplifiquem isso:

13) Qual é, segundo a autora, o item fundamental para que a democracia funcione?

14) No texto, a autora cita algumas modalidades olímpicas. Que modalidades são essas e ao que a autora as relaciona?

15) De acordo com a autora, quem são os verdadeiros heróis olímpicos e por quê ela afirma isso?

16) "No Rio Olímpico você não tem onde cair morto, literalmente."(15º parágrafo). Por que o termo destacado na frase é importante para a compreensão da afirmação feita pela autora, anteriormente? 

17) Observe a frase: "Um grupo de meninos se aproxima com pressa." (1º parágrafo). Reescreva a frase, substituindo a expressão destacada pelo pronome pessoal adequado, empregado na 3º pessoal do plural. Faça as alterações necessárias.

18) No seguinte trecho, foi omitido um pronome: "Não encaro. Não me encolho. Nem respiro." (2º parágrafo). 
a) Que pronome é esse e como ele se classifica?
b) A que pessoa do discurso ele se refere?

19) "Muitos vendem. Outros são usuários." (8º parágrafo). Como se classificam os pronomes destacados?

20) Em que pessoa do discurso estão conjugados os verbos destacados, nas frases abaixo? Em seguida, indique qual é o pronome pessoal relativo a cada um.
a) "Passaram direto por mim." (3º parágrafo).
b) "Apenas aguardo o desfecho." (2º parágrafo).
c) "Morremos como moscas." (11º parágrafo).
d) "Estamos todos à deriva." (12º parágrafo).
e) "Sabe?" (17º parágrafo).

21) Reescreva a frase abaixo, empregando os pronomes solicitados. Faça as alterações necessárias.
"Eles sabem que só a educação abre caminho para a verdadeira democracia."(22º parágrafo)
a) Pronome pessoal reto - 1ª pessoa do singular:
b) Pronome pessoal reto - 2ª pessoa do singular.
c) Pronome pessoal reto - 3ª pessoa do singular:
d) Pronome pessoal reto - 1ª pessoa do plural:

22) Assinale a alternativa que corresponde à relação estabelecida pelos termos destacados, nas frases abaixo:
a) "Tremeriam de frio mais uma vez."
(    ) Explicação          (    ) Conclusão       (      ) Causa

b) "Mandam como mandam os que só viveram em poder".
(    ) Finalidade           (    ) Causa              (      ) Comparação

c) "O povo que faz o melhor possível, mesmo com o descaso com que são tratados, esse é o verdadeiro herói." 
(    ) Concessão         (     ) Conclusão       (       ) Consequência

d) "Eles precisam de vocês para ocupar suas escolas, seus pensamentos."
(    ) Explicação         (     ) Causa               (       ) Finalidade

e) "Os verdadeiros atletas olímpicos são os que lutam, apesar de tudo e de todos, para botar comida na mesa."
(     ) Concessão e Explicação
(     ) Finalidade e Concessão
(     ) Concessão e Finalidade

Outras atividades com o mesmo texto poderão ser encontradas no blog "Arte & Manhas da Língua", da Andreia Dequinha! Confira:



quarta-feira, 29 de junho de 2016

DE VOLTA À CASA DA VOVÓ SINISTRA - Luciane Raupp - Atividades para o 6º ano

De volta à casa da Vovó Sinistra (*adaptado)
Luciane Raupp

Os primos João Pedro e Gabriela estavam eufóricos: passariam a noite na casa da avó. Isso, por si só, já seria bom, mas tinha mais: aquela Vovó era a mais radical e sinistra que uma criança poderia ter.

As mães de ambas as crianças chegaram ao mesmo tempo à casa da Vovó. Só as largaram lá e saíram apressadas. João Pedro e Gabriela adentraram juntos aquele lindo e original sobrado roxo com bolinhas amarelas. Logo chamaram:

- Vovó, seus netinhos chegaram! – anunciou Gabriela.

- Vovó, estou com fome de pizza! – avisou João Pedro.

As crianças continuaram chamando pela Vovó, mas nada de ela aparecer. Por onde andaria? Foram andando pela casa. Na chão da cozinha, encontraram o seguinte aviso escrito com sal:

VH   TXLVHUHP   YHU   D   YRYR    GH    QRYR,   
WHUDR   TXH    GHVFREULU   TXHP  HOD  H.
D   SULPHLUD  SLVWD   HVWD   QD   
ERFD   GDTXHLE   TXH   QDR   ODYD   R   SH.

Gabriela resmungou um “era só o que faltava”. João Pedro animou-se: era uma caçada. Mas logo depois pensou alto:

- E se a vovó estiver correndo perigo, prima?

- Tá bom, mas depois eu quero uma fatia a mais da pizza de quatro queijos – disse a menina, disfarçando a preocupação. – Por onde começamos?

- Quem é que não lava o pé? O sapo, naquela música boba. Mas onde tem sapo aqui?

Gabriela apontou para cima: em uma prateleira alta, havia uma coleção de sapos. Sapos de barro, de porcelana, de ferro, de vidro, de cristal...

Com ajuda de uma escada, João Pedro examinou a coleção. Na boca de um sapo, havia um papelzinho enrolado. Dentro dele, estava escrito o seguinte:

TXHP  H  D  DYR  YRFHV   SUHFLVDP  VDEHU
H   GH    VHXV   JRVWRV   GHYHP HQWHQGHU
RXFDP   D   PXVLFD   OLKGD   GH   GRHU
XPD   EUDVD, PRUD, GH  EQORXTXHFHU.


- Vamos fuçar naqueles discos da vovó – sugeriu João Pedro.

- Aqueles que ela chama de Vinícius? – perguntou Gabriela.

João Pedro teve um acesso de riso: não era Vinícius. Era vinil. A vó também chamava de bolachões. O que a dupla não entendeu era onde entrava a brasa e onde ela morava.

Junto aos discos – do Roberto Carlos, da Vanderleia, do Renato e seus Blue Caps, entre outros –, havia uma caixa de madeira, fechada com um cadeado de combinação de números. Nele, havia uma etiqueta colada, na qual se lia: 
D  VHQKD   H   R   DQR   GH   QDVFLPHQWR  GD   YRYR.

E agora? Como descobrir? João Pedro teve uma ideia:

- Prima, com que idade as meninas casam e têm bebês?

- Na idade que quiserem, ué. Que pergunta mais boba.

- Tá, mas mais ou menos...

Discutiram, discutiram. Chegaram à conclusão de que, se as mães os tiveram com cerca de 30 anos, e agora a mais velha delas tinha 40... 30 mais 40 é igual a 70. Se a avó tinha 70, a conta era 2016 menos 70, o que dava... 1946. Colocaram o número. Não deu certo. Tentaram 1945. O cadeado abriu.

Dentro da caixa, havia uma coisa muito esquisita, de plástico, retangular, com dois furos pelos quais passava uma espécie de fita marrom. Era mais ou menos assim:
Ilustração de fita K7 com a escrita: “ouça-me se for capaz”.

Como ouvir aquilo? Gabriela balançou o objeto, colocou perto do ouvido. Deveria haver um aparelho para encaixar aqueles dois buracos. Mas onde?

- Que tal aquele? —perguntou João Pedro, apontando para um aparelho retangular com uma tampa móvel. — Tem uma tecla escrito “play”.

Abriram a tampa, fizeram os devidos encaixes e apertaram o play. Do aparelho saiu a voz 
nada melodiosa da avó, que cantava:

QHWLQKRV   TXHULGRV, GR  PHX   FOUDGDR,
D  SURALPD   SLVWD   HVWD   QR  SRUDR
H  GH   LOXPLQDU
FXLGDGR  SDUD  QDR   LQFHQGLDU
QDR   H   ODPDGD,  QDR  H  GD   FLGDGH,
H   GH   TXHURVHQH,  QDR   GH   HOHWULFLGDGH.

E o medo de ir àquele porão? O que se faria com ele? De conta que não existia, ué! As crianças desceram ao porão, mas, claro, ligaram as luzes. Eram tantas coisas diferentes lá: até identificaram uma máquina de escrever, igual à que viram no museu naquela visita com a escola. Mas o que seria aquele objeto de iluminar? Gabriela não tinha certeza, mas só poderia ser aquele de vidro, já que tinha um papel roxo dentro dele. Bingo: acharam mais uma pista, que, em letras prateadas, dizia:

VODFNV,  EULP   FRULQJDV,   MDSRQDV:
VR   RV    QRPHV   H   TXH    VDR   FDIRQDV.
EDWD, UHGLQJRWH, FDUSLP:
WOGR   PXQGR   FKDPDYD    DVVLP.
H   OD   TXH    GHYHP    SURFXUDU   SRU    PLP.


Procurar onde? O que queriam dizer aquelas palavras? Os primos pensaram, pensaram. Lembraram que “cafona” quer dizer brega: já viram isso em uma aula. O que a vovó tinha de mais brega eram roupas. E bem na frente deles havia um enorme baú. Só poderia ser de roupas velhas. Tentaram arrastá-lo para perto da claridade das lâmpadas, contudo pesava demais. Abriram ali mesmo: será que havia outra pista? Tiraram blusas, vestidos – tudo muito colorido e floreado. A cara da vovó! Mas algo se mexeu e gemeu:

- Uhuuuuuuuuuu!

Os primos sentiram um clarão no rosto, que os cegou por um instante. Recobrada a visão, viram a Vovó saindo do baú, rindo e conferindo no seu celular, de última geração, a foto da cara assustada dos netos, anunciando:

- Essa vai para o álbum de família!

1) A criptografia consiste em um conjunto de técnicas - algumas matemáticas - que codificam nossas mensagens de modo que somente quem conhece a chave de decodificação poderá decifrá-las. Um dos métodos mais antigos de criptografia é conhecido como Código de César, nome dado em homenagem ao imperador romano Júlio César (100aC - 44aC), que o utilizava para se comunicar com seus generais.
O Código de César consistia num método de substituição de letras em que cada letra era substituída por outra que estivesse três posições à frente dessa, na sequência do alfabeto.*
Utilizando o código de César, decifre as pistas deixadas pela Vovó Sinistra.

2) Observe a frase: "Os primos João Pedro e Gabriela estavam eufóricos: [...]" (1º parágrafo). Pesquise o significado da palavra destacada e responda:
a) Qual era o sentimento dos primos?
b) Por que eles estavam eufóricos? 

3) Quais características foram citadas em relação à Vovó, no primeiro parágrafo do texto?

4) Na frase: "As mães de ambos chegaram ao mesmo tempo na casa da Vovó." O termo destacado refere-se a quem?

5) De que forma as mães de João Pedro e Gabriela saíram da casa da Vovó?

6) De que forma é caracterizado o sobrado da Vovó Sinistra?

7) Já que você decodificou as mensagens criptografadas no texto, para onde levava a primeira pista deixada na casa? Ao que as crianças associaram a pista deixada?

8) Observe a frase: "Vamos fuçar naqueles discos da Vovó - sugeriu João Pedro." Reescreva a frase, substituindo os termos destacados por sinônimos.

9) Ao procurarem os discos da Vovó, com o que Gabriela confundiu o nome dos mesmos? Por que ela fez essa confusão?

10) Qual foi a próxima senha que eles tiveram que descobrir e como chegaram àquela conclusão?

11) Ao desvendar essa pista, o que eles encontraram? Desenhe esse objetivo conforme a descrição do texto.

12) Observe a frase: "Do aparelho saiu a voz nada melodiosa da Avó, que cantava: [...]". O que o termo destacado sugere a respeito da cantoria da Vovó?

13) Quais itens antigos são citados no texto, que, atualmente, não têm mais utilidade? Pelo que eles foram substituídos?

14) Por que, na sua opinião, as crianças tinham medo de ir ao porão?

15) Observe a seguinte descrição: "Não é lâmpada, não é da cidade / É de querosene, não de eletricidade". Ao que a Vovó se referia? 
a) a uma lanterna.
b) a um lampião.
c) a um abajur.

16) O que, de acordo com os primos, quer dizer "cafona"?

17) Observe o seguinte trecho: "Os primos sentiram um clarão no rosto, que os cegou por um instante." O que foi esse clarão e onde ele veio?

18) Pinte, nas pistas deixadas pela Vovó, as palavras que rimam e crie mais uma rima para cada uma delas.

19) Agora que você já conhece a história da Vovó Sinistra, explique, com as suas palavras, por que ela era chamada assim.

20) Crie um novo final para a história. Imagine que as crianças ainda não encontraram a Vovó e que a última pista os levou a mais uma. Invente, com criatividade, uma nova pista que os direcione para a localização exata da Vovó Sinistra. 

*Fonte: Texto e atividade sobre criptografia adaptados do Fascículo Ler

segunda-feira, 20 de junho de 2016

As três penas - Irmãos Grimm - Atividades para o 6º ano

AS TRÊS PENAS



Era uma vez um rei que tinha três filhos. Dois deles eram NNTLTGIEIESE               ____________________ e sensatos, mas o terceiro não falava muito, era simplório e só chamado de Bobalhão.

Quando o rei ficou velho e fraco e começou a pensar no seu fim, não sabia qual dos seus filhos deveria RRHDAE_____________ o seu OIERN _______________. Então ele lhes disse:

- Ide-vos em GMEVAI_____________, e aquele que me trouxer o mais belo TTEEPA___________, este será o meu herdeiro, após a minha TMOER_____________.

E para que não houvesse SSSSCÇEÕDIU________________ entre eles, o rei levou-os em frente do OAECSTL________________ soprou três penas para o ar e falou:

- Para onde elas voarem, pra lá ireis.

A primeira voou para EEOST__________, a segunda, para TSLEE__________ e a terceira voou reto para a EENFRT_____________, mas não foi longe, logo caiu ao chão. Então um irmão partiu para a direita, outro para a esquerda, e eles zombaram do Bobalhão, que teria de ficar lá mesmo, no lugar onde ela caiu.

O Bobalhão sentou-se no chão, HNOOTIRST____________. Aí ele reparou de repente que ao lado da pena havia uma porta de alçapão. Ele levantou-a, viu uma AAECSD_________ e desceu por ela. Então chegou à outra porta, bateu e ouviu lá dentro uma voz, chamando:

"ZEOLADN____________ menina, / Verde e pequenina,
Pula de cá pra lá, / Ligeiro, vai olhar / Quem lá na porta está".

A porta se abriu, e viu uma grande e gorda sapa sentada, rodeada por uma porção de SSNHPIAO___________ pequenos. A sapa gorda perguntou o que ele queria. Ele respondeu:

- Eu gostaria de ter o mais lindo e fino tapete.

Aí ela chamou uma sapinha jovem e disse:

"Donzela menina, / Verde e pequenina,
Pula de cá pra lá, / Ligeiro, vai buscar / A IAAXC___________ que lá está".

A sapa jovem trouxe uma grande caixa, e a sapa gorda abriu-a e tirou de dentro dela um tapete tão lindo e tão fino como não havia igual na PSFCRUEÍIE_______________ da terra, e o entregou ao Bobalhão. Ele agradeceu e subiu de volta.

Os outros dois, porém, julgavam o irmão LÇCAUA _________________tão tolo, que achavam que ele não encontraria nem traria nada.

- Para que vamos nos dar ao BTLHRAOA______________ de procurar - disseram eles.

Então, pegaram a primeira STAORPA__________ de SVLHOEA___________que encontraram, tiraram-lhe do corpo as suas STAAMN_____________ grosseiras e levaram-nas ao rei.

Mas na mesma hora voltou o Bobalhão, trazendo o seu belo tapete. Quando o rei viu, admirou-se e disse:

- Por direito e ÇJTIUAS__________________, o reino deve pertencer ao caçula.

Mas os outros dois não davam OOESSSG_______________ ao pai, dizendo que não era possível que o Bobalhão, a quem faltava principalmente juízo, se tornasse rei e pediram-lhe que exigisse mais uma ÇCÃOONDI_________________. Então o pai falou:

- Herdará o meu reino aquele que me trouxer o LANE____________ mais belo.

E ele levou os três irmãos para fora e soprou para o ar as três penas que eles deveriam seguir.

Os dois mais velhos partiram de novo para Oeste e Leste, e para o Bobalhão a pena tornou a voar em frente e cair junto do alçapão. Então ele desceu de novo, e disse à sapa gorda que precisava do mais lindo anel. Ela mandou logo buscar a caixa, e tirou de dentro um anel que coruscava de pedras SSPRCIOEA____________ e era tão lindo como nenhum ourives da terra seria capaz de fazer.

Os dois mais velhos zombaram do Bobalhão, que queria encontrar um anel de ouro, e nem se esforçaram. Arrancaram de um velho aro de roda e levaram-no ao rei. Mas quando o Bobalhão mostrou o seu anel de ouro, o pai disse novamente:

- O reino pertence a ele.

Mas os dois mais velhos não paravam de atormentar o rei, até que ele impôs uma terceira condição, e declarou que herdaria o reino aquele que trouxesse a VOEMJ______________ mais bonita. Ele soprou de novo para o ar as três penas, que voaram como das vezes anteriores.

Então o Bobalhão desceu de novo até a sapa gorda e disse:

-  Eu devo levar para casa a mulher mais OIANBT_____________ de todas.

- Ah, - disse a sapa- a mulher mais bonita? Esta não está à mão assim de repente, mas tu vais recebê-la.

E ela lhe deu um nabo oco, com seis camundongos atrelados nele. Aí o Bobalhão falou bastante tristonho:

- O que é que eu vou fazer com isso?

A sapa respondeu:
- Ponha uma das minhas sapinhas aí dentro.

Então ele agarrou a esmo uma sapinha do grupo e colocou-a dentro do nabo OEAARLM_____________; mas nem bem ela se sentou dentro, transformou-se numa lindíssima senhorita, o nabo virou carruagem e os seis MDGOOAUNSCN__________ cavalos. Aí ele beijou a senhorita, atiçou os OAAVLCS_______________ e partiu com ela, para levá-la ao rei.

Os seus irmãos vieram em seguida, e não tinham feito OOEFRÇS___________ algum para encontrarem mulheres bonitas, mas levaram as primeiras camponesas que encontraram. Quando o rei as viu, disse logo;

- Depois da minha morte, o reino ficará para o caçula.

Mas os mais velhos atordoaram de novo os ouvidos do rei com a sua AAIITGRR________________: 

- Não podemos permitir que o Bobalhão seja o rei!

E exigiram que o preferido fosse aquele que cuja mulher conseguisse saltar através de um aro que pendia no salão. Eles pensavam: "As camponesas vão consegui-lo com certeza, elas são EOSRTF____________ e robustas mas a delicada senhorita vai se matar, pulando.

O velho rei cedeu ainda essa vez. Então as duas camponesas saltaram através do aro, mas eram tão desajeitadas que caíram e quebraram seus grosseiros AOSRBÇ_____________ e AEPRNS_______________. 

Então saltou a linda senhorita que o Bobalhão trouxera, e atravessou o aro leve como uma corça, e então todos os processos tiveram de cessar.

Assim, o Bobalhão herdou a RCOAO___________ e reinou por muito tempo com IAOEBSDRA________________.

(Os contos de Grimm, Trad. Tatiana Belinky. São Paulo, Paulus 1997.)

1) Desembaralhe as letras do texto e descubra quais são as palavras que o completam.

2) Como são descritos, no começo do texto, os filhos do rei?

3) Por que o rei propôs um desafio aos filhos? Qual era a sua preocupação?

4) Qua era a função da pena que o rei soprava ao ar?

5) Por que o Bobalhão ficou triste quando viu a direção que deveria seguir?

6) A partir da leitura do texto, ficamos sabendo o nome da profissão que trabalha com ouro. Que palavra é usada, no texto, para referir-se a essa profissão?

7) Observe a frase: "Ela mandou logo buscar a caixa, e tirou de dentro um anel que coruscava de pedras preciosas e era tão lindo como nenhum ourives da terra seria capaz de fazer.". Reescreva a frase, substituindo o termo destacado por um sinônimo. Faça as alterações necessárias.

8) Há, no texto, um sinônimo da palavra "incomodar". Transcreva a frase onde ela aparece.

9) Quantas e quais foram as condições impostas pelo rei para que um dos filhos herdasse o trono?

10) Os irmãos mais velhos entregaram ao rei aquilo que ele pediu, em todas as provas? Comprove sua resposta com passagens do texto:

11) Observe a frase: "E ela deu-lhe um nabo oco, com seis camundongos atrelados nele." 
a) Procure no dicionário o significado do termo destacado e responda: de que forma estavam os camundongos?

12) Por que os irmãos mais velhos acreditaram que a jovem senhorita não conseguiria cumprir a última prova proposta pelo rei? E por que acreditaram que as camponesas conseguiriam?

13) Com o que a jovem senhorita foi comparada no final do texto?

14) Há, no texto, um termo derivado de "carro". Transcreva a frase onde ele aparece.

15) Como eram as camponesas, segundo o narrador?

16) O narrador do texto é observador ou personagem? Comprove com uma passagem do texto.

Atividades para o Ensino Médio - Textos relativos ao estupro coletivo cometido no Rio de Janeiro


Texto 1
Um soco no útero - Ruth de Aquino 

O estupro coletivo da jovem de 16 anos, “uma mina amassada” por mais de 30 homens, numa favela do Rio de Janeiro, me deixou com as mãos trêmulas, um misto de raiva e impotência. A garota se queixa de fortes dores internas, “como se fosse no útero”. Não vi o vídeo de 40 segundos que exibiu a moça inconsciente, com sua nudez violada e ensanguentada. Foi por seu corpo – o mesmo corpo que deu à luz um filho quando ela só tinha 13 anos – que “o trem-bala passou”.

“É nós, trem-bala Marreta”, gabou-se um dos estupradores no vídeo. Referia-se ao grupo de traficantes do Comando Vermelho chefiado por Luiz Cláudio Machado, o Marreta, preso em 2014 no Paraguai. Os homens estavam armados de fuzis e pistolas. A jovem tinha ido encontrar um rapaz de 19 anos, o “Petão”, em sua casa, na Zona Oeste do Rio. Saía com ele havia uns anos após se conhecerem no colégio. Disse que acordou no dia seguinte, observada pelos homens armados.

Não é o primeiro nem será o último estupro coletivo – ou gang rape, como se diz lá fora. Neste momento, o Piauí investiga uma denúncia de estupro coletivo de uma jovem de 17 anos. A cada 11 minutos, uma mulher é violentada no Brasil. No Rio de Janeiro, 12 são estupradas por dia. Os casos mais chocantes envolvem o próprio pai, parentes, namorados, vizinhos, ou gangues.

Muitos ataques terminam em morte. Os números não refletem a realidade. É um crime difícil de denunciar – pela vergonha e pelo desânimo. Pesquisas internacionais indicam que apenas 35% dos casos são notificados. A barbárie também está no inconsciente coletivo de sociedades machistas que culpam as vítimas. Quem usa saia curta ou namora traficante se sujeita a ser estuprada. Essa é a lógica das favelas e do asfalto.

Se isso explicasse o abuso, não haveria estupros em campus de universidades, em festinhas da elite ou dentro de casa. No ano passado, surgiu um blog com um manual Como Estuprar Mulher na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP. O blog, do “Tio Astolfo”, “em prol da Filosofia do Estupro”, chamava as estudantes de “vadias”. Não soube de nenhuma prisão por isso.

Essa moça no Rio de Janeiro foi estuprada por ser mulher. Os bandidos divulgaram sua façanha em vídeo entre risos e sem disfarce. Foi um soco na consciência nacional. Pela lei, quando a vítima do estupro tem entre 14 e 18 anos, a sentença para os criminosos é de oito a 12 anos de prisão. Quantos realmente são punidos?

Um crime hediondo desses deveria ser punido com a prisão perpétua – sem levar em conta a idade dos criminosos. Sabemos que só a Educação, nas escolas e em casa, pode reduzir o abuso a longo prazo. Mas o investimento na Educação deve ser acompanhado do rigor na lei. A impunidade gritante encoraja outros a se sentir mais machos com os estupros.

“Esta aqui é a famosa ‘come rato’ da Barão”, diz um homem enquanto aponta para a moça desacordada e nua. “Mais de 30 engravidou (sic)”, diz outro. “Amassaram a mina, intendeu ou não intendeu (sic)?” “Olha como é que ela tá! Sangrando...”, disse, abrindo as pernas da jovem. Barbárie, covardia e o que mais? Não tem nome para isso.

A jovem soube do vídeo, foi à favela e pediu ao chefe do tráfico seu celular roubado. À polícia, ela disse que usa ecstasy e lança-perfume mas não usava entorpecente havia um mês. Da noite do crime, diz não se lembrar de nada. A mãe da moça é professora e pedagoga. A família chorou ao ver o vídeo. O pai disse: “Bagunçaram minha filha”.

Bagunçam o Brasil todos os que não se indignam. Mas especialmente figuras abjetas como o ator Alexandre Frota, recebido pelo ministro da Educação Mendonça Filho com “propostas para um ensino sem doutrinação”. O ministro disse em sua defesa: “Não discrimino ninguém”. Dê uma olhadinha na participação de Alexandre Frota em um programa de TV em maio de 2014, Agora é tarde. E perceba como o senhor deve desculpas tardias a si mesmo e a sua família pela agenda descabida.
[...]

1) Observe a seguinte passagem do texto: "É nós, trem-bala Marreta [...]". Segundo o texto, ao que essa expressão faz referência?

2) Que expressão foi empregada, no 3º parágrafo, para referir-se ao "estupro coletivo"? E o que a autora quis dizer com "como se diz lá fora"?

3) Observe o seguinte trecho do texto: "A cada 11 minutos, uma mulher é violentada no Brasil. No Rio de Janeiro, 12 são estupradas por dia.". Quantas mulheres são violentadas por hora no Brasil? E por dia?

4) Por que, de acordo com  a autora, "os números não refletem a realidade"?

5) Qual é, segundo a autora, a lógica das favelas e do asfalto para justificar o estupro?

6) Que argumentos ela contrapõem a essa lógica, citada anteriormente?

7) Qual seria, na opinião da autora, a punição justa para crimes deste tipo?

8) O que, segunda a autora, pode reduzir o abuso, a longo prazo? Acompanhado de quê?

9) Explique o que você compreende com a frase: "Bagunçam o Brasil todos os que não se indignam." (10º parágrafo).

10) Releia a seguinte frase do texto: "Mas especialmente figuras abjetas como o ator Alexandre Frota, recebido pelo ministro da Educação Mendonça Filho com “propostas para um ensino sem doutrinação”. (10º parágrafo). Explique o significado do adjetivo usado para referir-se a Alexandre Frota, contextualizando-o:

Texto 2
Vozes adolescentes reagem à bárbárie do estupro coletivo
Cristiane Segatto

Diante da barbárie do estupro coletivo de uma garota de 16 anos no Rio de Janeiro, minha voz é nada. Pura irrelevância diante de tudo o que as adolescentes de 2016 têm sido capazes de expressar nas redes sociais, nos grupos de discussão e nas ruas. 

Por mais que tenha feito, minha geração fracassou na denúncia e nocombate ao mais infame dos crimes. Não demos uma resposta coletiva, organizada e veemente como a da nova geração. 

Um estupro é coletivo não apenas por ter sido cometido por 33 homens, sem que nenhum deles tentasse impedi-lo. É coletivo porque pretende subjugar todas as mulheres. É um crime que grita por punição exemplar, tanto quanto os casos abomináveis do Piauí. Assim como cada uma das quase 50 mil ocorrências que destroem histórias e abalam famílias ano após ano, sem que o Brasil sequer se envergonhe sinceramente delas. 

A barbárie do estupro e o machismo de todos os dias são fruto da mesma cultura. Uma cultura que só pode ser quebrada se a indignação crescer a ponto de produzir transformações sociais profundas. Esse não é um assunto de mulher. É um tema da humanidade. Da total ausência de empatia, a capacidade de se colocar no lugar do outro.

A empatia é um dos pontos levantados pelas adolescentes paulistanas de 15 a 17 anos que fizeram o áudio desta coluna. São meninas que se reúnem periodicamente para discutir o papel das mulheres e as agressões machistas (veladas ou explícitas) de todos os dias. “Um estupro não pode ser algo banal”, diz uma delas. “Não pode ser uma conversa de café da manhã.” “Empatia é o que falta para o mundo mudar.”

Essa geração de meninas pode mudar o mundo. Boto fé nisso e quero estar com elas.

1) Com qual objetivo a autora empregou, no primeiro parágrafo do texto, o termo "barbárie" para referir-se ao caso de estupro coletivo cometido no Rio de Janeiro?

2) No segundo parágrafo a autora afirma: "por mais que tenha feito, minha geração fracassou na denúncia e no combate ao mais infame dos crimes." Por que, na sua opinião, ela faz essa afirmação?

3) "Não demos uma resposta coletiva, organizada e veemente como a da nova geração." (2º parágrafo). O que significa, o termo destacado, neste contexto?

4) Qual é, de acordo com o texto, o mais infame dos crimes?

5) Explique a seguinte frase do texto: "É coletivo porque pretende subjugar todas as mulheres." (3º parágrafo).

6) O que, de acordo com o texto, "empatia"?

7) Observe o seguinte trecho: "São meninas que se reúnem periodicamente para discutir o papel das mulheres e as agressões machistas (veladas ou explícitas) de todos os dias." (5º parágrafo). O que significa o termo destacado? A que atitudes machistas ele pode ser relacionado?

8) O que, de acordo com o texto, falta para o mundo mudar? Você concorda com isso? Posicione-se.

Texto 3
Pelo fim da cultura do estupro 
Gleisi Hoffmann

Não é fácil ser mulher nesta sociedade. Os poucos anos de avanços e conquistas que tivemos não conseguem apagar a cultura machista, patriarcal e violenta que sempre envolveu a história das mulheres na humanidade.

Cidadãs de segunda classe, extensão da propriedade do homem, incapacitadas para decidir, as mulheres sempre foram maltratadas e desrespeitadas. Apesar de mudanças significativas na legislação, garantindo direitos, penalizando abusos, os ditos “costumes” ainda falam mais alto.

Só isso pode explicar os casos bárbaros de estupro que estamos assistindo no Brasil, sendo o mais emblemático o do Rio de Janeiro em que mais de 30 homens abusaram de uma jovem de 16 anos, desacordada. Postaram fotos nas redes, fizeram comentários. A primeira ação do delegado do caso foi tentar minimizar, dizendo que precisava de mais evidências para saber se tinha sido caso de estupro!!! Ao ouvir a vítima novamente, o delegado fez-se acompanhar por mais três homens e quis saber se ela praticava sexo grupal!

É a velha tentativa de querer responsabilizar a vítima pelo crime. Afinal, se ela já tinha feito sexo em grupo, frequentava os bailes funks e não se vestia “decentemente”, o estupro estaria praticamente justificado. É bom lembrar que há muito pouco tempo livramos os nossos tribunais do argumento da “legítima defesa da honra” que permitiu o assassinato de muitas mulheres. Sempre surge, no final, a pergunta: “mas o que ela fez para merecer isso”?

A cultura prevalente é de que o homem pratique violência, com a finalidade de punir e corrigir comportamentos femininos que transgridem o papel esperado de mãe, esposa e dona de casa. “Culpa-se a vítima pela agressão, seja por não cumprir o papel doméstico que lhe foi atribuído, seja por ‘provocar’ a agressão dos homens nas ruas ou nos meios de transporte, por exibir seu corpo”, diz relatório do Mapa da Violência – homicídios de mulheres.

É injustificável, intolerável, que essa postura continue imperando entre nós. Ninguém ataca um homem porque ele anda sem camisa, mesmo que em praça pública.

Durante todo o final de semana as mulheres se mobilizaram, nas redes e nas ruas, mostrando indignação e cobrando atitude das autoridades. Os criminosos devem pagar, no Rio, no Piauí, em qualquer lugar. Pelo menos um avanço tivemos, o delegado machista não coordenará mais o caso, que agora fica a cargo da Delegacia da Criança e do Adolescente, comandada por uma mulher.

Penso que teremos tempos difíceis no Brasil daqui pra frente. O governo interino que comanda a Nação, não tem sensibilidade em relação à causa das mulheres, tampouco conhece e entende sua história. Retrocedeu e não deixou nenhuma mulher para sua equipe do primeiro escalão. É um recado claro: aqui vocês não terão vez!

Vamos resistir, como sempre fizemos! O respeito e o empoderamento às mulheres é condição essencial à democracia! Sem eles, esta será sempre estuprada!

1) De que forma, a autora se refere às mulheres, no segundo parágrafo do texto? Por que ela faz esse tipo de referência?

2) Segundo a autora, já houve mudanças significativas na legislação, garantindo direitos às mulheres. Cite algumas dessas mudanças.

3) De que forma, segundo a autora, o delegado responsável tentou culpabilizar a vítima? 

4) Qual o argumento era utilizado, segundo a autora, para inocentar os assassinos de mulheres a até pouco tempo atrás?

5) Por que, segundo o texto, as mulheres acabam sendo agredidas?

6) O prefixo -IN acrescenta às palavras, um sentido de negação. Transcreva, do texto 3 palavras que eximplifiquem isso:

7) De que forma, a autora envolve o atual governo na questão da cultura do machismo?

8) A partir dos textos lidos, escreva um texto dissertativo, posicionando-se acerca do tema "cultura do estupro" ou "cultura do machismo" que prevalece ainda na sociedade.



segunda-feira, 18 de abril de 2016

NA ESCOLA - Carlos Drummond de Andrade - Atividades para o 6º ano

Na Escola – Carlos Drummond de Andrade

Democrata é Dona Amarílis, professora na escola pública de uma rua que não vou contar, e mesmo o nome de Dona Amarílis é inventado, mas o caso aconteceu.

Ela se virou para os alunos, no começo da aula, e falou assim:

- Hoje eu preciso que vocês resolvam uma coisa muito importante. Pode ser?

- Pode – a garotada respondeu em coro.

- Muito bem. Será uma espécie de plebiscito. A palavra é complicada, mas a coisa é simples. Cada um dá sua opinião, a gente soma as opiniões e a maioria é que decide. Na hora de dar opinião, não falem todos de uma vez só, porque senão vai ser muito difícil eu saber o que é que cada um pensa. Está bem?

- Está – respondeu o coro, interessadíssimo.

- Ótimo. Então, vamos ao assunto. Surgiu um movimento para as professoras poderem usar calça comprida nas escolas. O governo disse que deixa, a diretora também, mas no meu caso eu não quero decidir por mim. O que se faz na sala de aula deve ser de acordo com os alunos. Para todos ficarem satisfeitos e um não dizer que não gostou.

Assim não tem problema. Bem, vou começar pelo Renato Carlos. Renato Carlos, você acha que sua professora deve ou não deve usar calça comprida na escola?

- Acho que não deve – respondeu, baixando os olhos.

- Por quê?

- Porque é melhor não usar.

- E por que é melhor não usar?

- Porque minissaia é muito mais bacana.

- Perfeito. Um voto contra. Marilena, me faz um favor, anote aí no seu caderno os votos contra. E você, Leonardo, por obséquio, anote os votos a favor, se houver. Agora quem vai responder é Inesita.

- Claro que deve, professora. Lá fora a senhora usa, por que vai deixar de usar aqui dentro?

- Mas aqui dentro é outro lugar.

- É a mesma coisa. A senhora tem uma roxo-cardeal que eu vi outro dia na rua, aquela é bárbara.

- Um a favor. E você, Aparecida?

- Posso ser sincera, professora?

- Pode, não. Deve.

- Eu, se fosse a senhora, não usava.

- Por quê?

- O quadril, sabe? Fica meio saliente…

- Obrigada, Aparecida. Você anotou, Marilena? Agora você, Edmundo.

- Eu acho que Aparecida não tem razão, professora. A senhora deve ficar muito bacana de calça comprida. O seu quadril é certinho.

- Meu quadril não está em votação, Edmundo. A calça sim. Você é contra ou a favor da calça?

- A favor 100%.

- Você, Peter?

- Pra mim tanto faz.

- Não tem preferência?

- Sei lá. Negócio de mulher eu não me meto, professora.

- Uma abstenção. Mônica, você fica encarregada de tomar nota dos votos iguais ao de Peter: nem contra nem a favor, antes pelo contrário. Assim iam todos, votando, como se escolhessem o Presidente da República, tarefa que talvez, quem sabe? No futuro sejam chamados a desempenhar. Com a maior circunspeção. A vez de Rinalda:

- Ah, cada um na sua.

- Na sua, como?

- Eu na minha, a senhora na sua, cada um na dele, entende?

- Explique melhor.

- Negócio seguinte. Se a senhora quer vir de pantalona, venha. Eu quero vir de midi, de máxi, de short, venho. Uniforme é papo furado.

- Você foi além da pergunta, Rinalda. Então é a favor?

- Evidente. Cada um curtindo à vontade.

- Legal! – exclamou Jorgito. – Uniforme está superado, professora. A senhora vem de calça comprida, e a gente aparecemos de qualquer jeito.

- Não pode – refutou Gilberto. – Vira bagunça. Lá em casa ninguém anda de pijama ou
de camisa aberta na sala. A gente tem de respeitar o uniforme.

Respeita, não respeita, a discussão esquentou, Dona Amarílis pedia ordem, ordem, assim não é possível, mas os grupos se haviam extremado, falavam todos ao mesmo tempo, ninguém se fazia ouvir, pelo que, com quatro votos a favor de calça comprida, dois contra, e um tanto-faz, e antes que fosse decretada por maioria absoluta a abolição do uniforme escolar, a professora achou prudente declarar encerrado o plebiscito, e passou à lição de História do Brasil.

1) Observe a seguinte passagem do texto: "Democrata é Dona Amarílis, professora na escola pública de uma rua que não vou contar, [...]" (1º parágrafo). Procure o significado do termo destacado e responda: que tipo de pessoa é Dona Amarílis?

2) O nome da professora citada no texto, é o nome real da professora na qual foi inspirada essa história? Comprove sua resposta com uma passagem do texto.

3) É correto afirmar que a história contada no texto, de fato, aconteceu? Justifique sua resposta com um trecho do texto.

4) Observe a seguinte frase do texto: "- Pode – a garotada respondeu em coro." (4º parágrafo). De que forma a turma respondeu para a professora?

5) De que forma a palavra "plebiscito" é explicada no texto?

6) Sobre qual questão a professora resolveu fazer um plebiscito com a turma? E por que ela solicitou a participação dos alunos?

7) Qual foi a opinião de Renato Carlos sobre o assunto? De que forma ele justificou essa opinião?

8) Observe a frase: "- Acho que não deve – respondeu, baixando os olhos." (9º parágrafo). O que o trecho destacado demostra sobre o sentimento de Renato, ao dar sua opinião?

9) Para quem a professora pediu que anotasse os votos contra o uso da calça comprida? E para quem pediu que anotasse os a favor do uso?

10) Observe o trecho: "E você, Leonardo, por obséquio, anote os votos a favor, se houver." (14º parágrafo). Reescreva a frase, substituindo a expressão destacada por um sinônimo. 

11) Na seguinte frase: "A senhora tem uma roxo-cardeal que eu vi outro dia na rua, aquela é bárbara." (17º parágrafo). Com que sentido foi empregada a palavra destacada, neste contexto?

12) No 23º parágrafo, a aluna justifica o voto contra usando a seguinte frase: "- O quadril, sabe? Fica meio saliente…". De quem é essa opinião, e o que a menina quis dizer?

13) Qual dos alunos preferiu não dar sua opinião? Que palavra, no texto, foi usada para registrar isso?

14) Observe o seguinte trecho: "Assim iam todos, votando, como se escolhessem o Presidente da República, tarefa que talvez, quem sabe? No futuro sejam chamados a desempenhar. Com a maior circunspeção." (32º parágrafo). Reescreva a frase, substituindo o termo destacado por um sinônimo. Faça as alterações necessárias.

15) Qual  foi a opinião de Jorgito? E a de Rinalda?

16) Na frase abaixo, há um erro. Reescreva-a, empregando a norma padrão.
"A senhora vem de calça comprida, e a gente aparecemos de qualquer jeito." (40º parágrafo)

17) Que palavra foi empregada, no texto, para demonstrar que Gilberto discordou de Jorgito? Que argumentos ele usou para basear sua opinião?

18) De que forma e por que a professora resolveu encerrar a discussão?

19) Observe o seguinte trecho do último parágrafo: "[...] e antes que fosse decretada por maioria absoluta a abolição do uniforme escolar,[...]". O que significam os termos destacados? Como poderíamos reescrever essa frase, sem alterar o sentido?

20) Qual foi o placar final do plebiscito proposto por Dona Amarílis?