terça-feira, 21 de outubro de 2014

VÍTIMAS DA SOCIEDADE - Roberto Rachewsky


Como uma expressão tão curta pode conter uma falácia tão grande. 

Sociedade é o conjunto onde todos os indivíduos estão inseridos, desde os miseráveis comedores de ratos do Piauí até os corruptos moradores do presídio da Papuda. 

É uma impossibilidade lógica, uma parte que integra e confunde-se com o todo, ser vítima do conjunto inteiro do qual é parte. Estando o todo contra um, sendo este parte do todo, este um estaria contra ele mesmo. Cai por terra a hipótese que validaria o discurso da exclusão social. 

Em qualquer sociedade, há os que interagem cooperando livremente – persuasão. E há os que se impõem pelo uso da força, da fraude ou do rompimento de contratos - violência. Os que usam a persuasão, criam valores. Os que usam a violência, criam vítimas. 

Assim como não há crimes sem vítimas, não há vítimas sem o uso da violência. 

Apenas quando os direitos individuais de alguém tiverem sido violados, se estabelecerá um crime e uma vítima. 

Estas não são vítimas da sociedade, são vítimas daquela parte da sociedade que tem na violência, a sua maneira de interagir com os demais. 

Somente dois grupos se valem da violência, os bandidos das ruas e os que ocupam cargos públicos com o propósito de violar direitos, mesmo que seja para distribuir benesses. 

Aqueles, apontados como vítimas da sociedade são, na realidade, vítimas do governo ou vítimas de si mesmos. 

Os apologistas da justiça social e dos direitos humanos, não confundir com direitos individuais, com suas leis irracionais e tirânicas, tributam e regulam, asfixiam e desestimulam, desestruturam e penalizam a livre iniciativa e a ordem espontânea. Destroem infinitas oportunidades de criação de valor, seja para jovens de todas as classes, iletrados de todas as idades ou pessoas com baixa produtividade, depauperando a todos. 

Sustentam multidões com esmolas, na infeliz tentativa de mitigar os efeitos indesejados, causados por suas próprias intervenções. 

Os artífices dos programas de engenharia social tratam seres humanos como pobres coitados, como se lhes restasse, receber esmolas, cometer pequenos delitos, furtos ou roubos, para sobreviverem. 

Não permitem que empreendedores, com mais liberdade e segurança para investir, criar, produzir e contratar, gerem empregos para todos, principalmente para os menos preparados.  

Impedidos de viver do fruto de seu próprio trabalho, com outra perspectiva, baseada no mérito e na dignidade, os miseráveis, supostos pobres coitados, vítimas do governo, também não conseguem se libertar. 

Governantes que culpam a sociedade, de maneira falaciosa, pelas vítimas que eles próprios criam, querem apenas despistar. 

Postado há 29th March por Roberto Rachewsky

VOCABULÁRIO
1) PREENCHA A CRUZADINHA COM SINÔNIMOS DAS PALAVRAS ABAIXO, OS QUAIS VOCÊ ENCONTRARÁ NO TEXTO.
a) convicção, certeza: 
b) ignorantes, analfabetos:
c) abusivos, opressores:
d) amenizar, abrandar:
e) castigam, punem:
f) arruinando, empobrecendo:
g) defensores:
h) crimes, erros:
i) auxílios, favores:

2) PESQUISE O SIGNIFICADO DA PALAVRA "FALÁCIA" E EXPLIQUE A QUE O AUTOR ESTÁ SE REFERINDO, NO PRIMEIRO PARÁGRAFO DO TEXTO.

3) ASSINALE A ALTERNATIVA ONDE O SENTIDO DO TERMO "FRUTO" NÃO CORRESPONDE AO MESMO COM QUE FOI EMPREGADO NA FRASE "Impedidos de viver do fruto de seu próprio trabalho," (14º parágrafo).

a) "A educação tem raízes amargas, mas os seus frutos são doces."(Aristóteles)
b) "Os homens semeiam na terra o que colherão na vida espiritual: os frutos da sua coragem ou da sua fraqueza." (Allan Kardec)
c) "No ano passado a esta época a chuva já tinha chegado e alguns frutos já estavam maduros." (Neide Rigo)

INTERPRETAÇÃO
1) SEGUNDO O AUTOR, O QUE É UMA SOCIEDADE?

2) A QUEM O AUTOR SE REFERE, NO SEGUNDO PARÁGRAFO, QUANDO DIZ "[...]ATÉ OS CORRUPTOS MORADORES DO PRESÍDIO DA PAPUDA?"

3) POR QUE, SEGUNDO O AUTOR, "CAI POR TERRA A HIPÓTESE QUE VALIDA O DISCURSO DA EXCLUSÃO SOCIAL" (3º PARÁGRAFO)?

4) COMO O AUTOR DEFINE A PERSUASÃO? E A VIOLÊNCIA?

5) QUANDO HÁ UM CRIME E UMA VÍTIMA, DE FATO, SEGUNDO O TEXTO?

6) AS VÍTIMAS DA SOCIEDADE SÃO VÍTIMAS DE QUEM? POR QUÊ?

7) QUAL A IMPOSSIBILIDADE LÓGICA A QUE O AUTOR SE REFERE, NO SEGUNDO PARÁGRAFO DO TEXTO? EXPLIQUE COM SUAS PALAVRAS.

8) "Assim como não há crimes sem vítimas, não há vítimas sem o uso da violência." (5º PARÁGRAFO). VOCÊ CONCORDA COM ESSA AFIRMAÇÃO? JUSTIFIQUE:

ATIVIDADES GRAMATICAIS
1) REESCREVA A FRASE ABAIXO, SUBSTITUINDO A LOCUÇÃO VERBAL POR UM FORMA VERBAL SIMPLES, EQUIVALENTE.
a) "Como uma expressão tão curta pode conter uma falácia tão grande."

2) SABENDO QUE VERBOS ANÔMALOS SÃO AQUELES QUE APRESENTAM MAIS DE UM RADICAL AO SEREM CONJUGADOS, TRANSCREVA, DO TEXTO, DUAS FRASES ONDE APAREÇA UM VERBO ANÔMALO, APRESENTANDO RADICAIS DIFERENTES EM VIRTUDE DO TEMPO/MODO EM QUE ESTÃO CONJUGADOS.

3) INDIQUE A QUEM (OU AO QUE) SE REFEREM OS VERBOS E AS LOCUÇÕES ABAIXO, NO TEXTO:
a) validaria (3º parágrafo):
b) tiverem sido violados (6º parágrafo):
c) são (9º parágrafo):
d) tributam e regulam (10º parágrafo):
e) destroem (10º parágrafo):
f) sustentam (11º parágrafo):
g) tratam (12º parágrafo):
h) permitem (13º parágrafo):
i) conseguem (14º parágrafo):
j) culpam (15º parágrafo):

4) SE CONJUGÁSSEMOS O VERBO "CULPAM" NA 3ª PESSOA DO SINGULAR, O NÚMERO DE TERMOS A SER ALTERADOS NA FRASE "Governantes que culpam a sociedade, de maneira falaciosa, pelas vítimas que eles próprios criam, querem apenas despistar." É DE:
a) 4                   b) 5                    c) 3                      d) 6                        7) 8

5) ANALISE AS AFIRMAÇÕES ABAIXO E, EM SEGUIDA, ASSINALE A ALTERNATIVA CORRETA:
a) "Estando o todo contra um, sendo este parte do todo, este um estaria contra ele mesmo." (3º parágrafo) - os verbos destacados estão, respectivamente, no gerúndio (os dois primeiros) e no particípio.
b) "Os artífices dos programas de engenharia social tratam seres humanos como pobres coitados, como se lhes restasse, receber esmolas, cometer pequenos delitos, furtos ou roubos, para sobreviverem." - os verbos destacados estão, respectivamente, no particípio e no infinitivo.
c) "Não permitem que empreendedores, com mais liberdade e segurança para investir, criar, produzir e contratar, gerem empregos para todos, principalmente para os menos preparados." - os verbos destacados estão no particípio e pertencem a 3ª conjugação - investir e produzir - e 1ª conjugação - criar e contratar.

6) REESCREVA A FRASE ABAIXO PASSANDO OS VERBOS PARA O PRETÉRITO PERFEITO DO INDICATIVO.
a) "Cai por terra a hipótese que validaria o discurso da exclusão social."

7) REESCREVA A FRASE ABAIXO PASSANDO O VERBO PARA O PRETÉRITO IMPERFEITO DO INDICATIVO, USANDO A 1ª PESSOA DO PLURAL:
a) "Sustentam multidões com esmolas, na infeliz tentativa de mitigar os efeitos indesejados, causados por suas próprias intervenções." 




terça-feira, 7 de outubro de 2014

INFERNO NACIONAL - Stanislaw Ponte Preta

INFERNO NACIONAL

Diz que era uma vez um camarada que abotoou o paletó. [...] Ao morrer nem conversou: foi direto para o Inferno. Em lá chegando, pediu audiência a Satanás e perguntou:

— Qual é o lance aqui?

Satanás explicou que o Inferno estava dividido em diversos departamentos, cada um administrado por um país, mas o falecido não precisava ficar no departamento administrado pelo seu país de origem. Podia ficar no departamento do país que escolhesse. Ele agradeceu muito e disse a Satanás que ia dar uma voltinha para escolher o seu departamento.

Está claro que saiu do gabinete do Diabo e foi logo para o Departamento dos Estados Unidos, achando que lá devia ser mais organizado o inferninho que lhe caberia para toda a eternidade. Entrou no Departamento dos Estados Unidos e perguntou como era o regime.

— Quinhentas chibatadas pela manhã, depois passar duas horas num forno de 200 graus. Na parte da tarde: ficar numa geladeira de 100 graus abaixo de zero até às três horas, e voltar ao forno de 200 graus.

O falecido ficou besta e tratou de cair fora, em busca de um departamento menos rigoroso. Esteve no da Rússia, no do Japão, no da França, mas era tudo a mesma coisa. Foi aí que lhe informaram que era tudo igual: a divisão em departamento era apenas para facilitar o serviço no Inferno, mas em todo o lugar o regime era o mesmo; quinhentas chibatadas pela manhã, forno de 200 graus durante o dia e geladeira de 100 graus abaixo de zero, pela tarde. 

O falecido já caminhava desconsolado por uma rua infernal, quando viu um departamento escrito na porta: Brasil. E notou que a fila à entrada era maior do que a dos outros departamentos. Pensou com suas chaminhas “Aqui tem peixe por debaixo do angu”. Entrou na fila e começou a chatear o camarada da frente, perguntando por que a fila era maior e os enfileirados menos tristes. O camarada da frente fingia que não ouvia, mas ele tanto insistiu que o outro, com medo de chamarem a atenção, disse baixinho: 

— Fica na moita, e não espalha não. O forno daqui está quebrado e a geladeira anda meio enguiçada. Não dá mais de 35 graus por dia. 

— E as quinhentas chibatadas? — perguntou o falecido. 

— Ah... o sujeito encarregado desse serviço vem aqui de manhã, assina o ponto e cai fora. 

PONTE PRETA, Stanislaw. Tia Zulmira e eu. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1975.


Atividades de pré-leitura

1. Hoje vamos trabalhar com um texto que tem por título “Inferno Nacional”, cujo autor é Stanislaw Ponte Preta. 
a) Sobre o que vocês imaginam que o texto vai nos falar? Por quê? 

b) Vocês já leram outro texto desse autor? Qual? 

c) A que gênero vocês imaginam que o texto pertence? 

d) Qual o tom que o autor adota no texto? Por quê? 

e) Com que finalidade, objetivo, o escritor produziu esse texto? 

Atividades de leitura: 
1. Após ler o texto, podemos perceber qual o tom que nele predomina. Marque o tom que o 
caracteriza: 
a) ( ) irônico            b) ( ) humorístico                  c) ( ) moralista              d) ( ) sério 

2. Que elementos do texto o evidenciam? 

3. A que esfera da comunicação (jornalística, publicitária, religiosa, jurídica) você imagina que o texto pertence? 

4. Com que objetivo (informar, divertir, ensinar, polemizar) o autor o produz?  

5. Tendo uma estrutura narrativa, podemos dividir o texto em partes. Identifique cada uma delas, numerando-as de acordo com a sequência em que aparecem no texto: 
(   ) Fato novo: algo inesperado ______________________________________________
(   ) Desfecho: situação final da narrativa _______________________________________
(   ) Ações decorrentes do fato novo ___________________________________________
(   ) Situação inicial da narrativa ______________________________________________
(   ) Ponto culminante da história _____________________________________________

6. Qual o perfil que podemos traçar do personagem? Que elementos do texto comprovam essas características? 

7. No final da narrativa, a solução encontrada pelo personagem é compatível com as suas características? Por quê? 

8. No texto, o autor cita vários países: Estados Unidos, Rússia, Japão, França e Brasil. O que os distingue, segundo ele? 

9. Você concorda com a imagem que Stanislaw Ponte Preta nos passa do nosso país? Justifique sua resposta. 

10. O título “Inferno Nacional” permite-nos uma dupla interpretação. Identifique-as. 

11. Você já observou que a variedade linguística privilegiada no texto é a mais informal, inclusive com o emprego de gírias. Qual o significado das seguintes expressões do texto? 
a) Abotoar o paletó:
b) Qual é o lance? 
c) Ter peixe por debaixo do angu:
d) Ficar na moita:

12. É dada voz aos personagens do texto? Como? 

13. Ao dizer : “Está claro que saiu do gabinete do Diabo e foi logo para o Departamento dos Estados Unidos ...” o narrador deixa implícito um consenso. Qual é ele? 

14. Ao sair do gabinete do Diabo, o personagem foi direto para o Departamento dos Estados Unidos, pois pensou que encontraria por lá um inferno organizado. Por que motivo ele pensou assim?

15. O que fez com que o personagem desistisse de freqüentar o departamento daquele país?

16. O colega de fila do departamento brasileiro não queria explicar os motivos de haver mais gente na fila. Por que ele agiu assim? O que ele temia?

17. Ao explicar os motivos de haver uma fila tão grande no departamento brasileiro, a personagem revela duas críticas comuns feitas em relação ao Brasil. Que críticas são essas? 

18. Observe as duas piadas transcritas abaixo. Há alguma intertextualidade entre elas e o texto acima? No que eles se interrelacionam? 

Piada 1: O senador e o inferno 
Um senador está andando tranquilamente quando é atropelado e morre. A alma dele chega ao Paraíso e dá de cara com São Pedro na entrada. 
-Bem-vindo ao Paraíso!, diz São Pedro 
-Antes que você entre, há um probleminha. Raramente vemos parlamentares por aqui, sabe, então não sabemos bem o que fazer com você. 
-Não vejo problema, é só me deixar entrar, diz o antigo senador. 
-Eu bem que gostaria, mas tenho ordens superiores. Vamos fazer o seguinte: 
Você passa um dia no Inferno e um dia no Paraíso. Aí, pode escolher onde quer passar a eternidade. 
-Não precisa, já resolvi. Quero ficar no Paraíso diz o senador. 
-Desculpe, mas temos as nossas regras. 
Assim, São Pedro o acompanha até o elevador e ele desce, desce, desce até o Inferno. A porta se abre  e ele se vê no meio de um lindo campo de golfe. 
Ao fundo o clube onde estão todos os seus amigos e outros políticos com os quais havia trabalhado. 
Todos muito felizes em traje social. Ele é cumprimentado, abraçado e eles começam a falar sobre os bons tempos em que ficaram ricos às custas do povo.
Jogam uma partida descontraída e depois comem lagosta e caviar. 
Quem também está presente é o diabo, um cara muito amigável que passa o tempo todo dançando e contando piadas. 
Eles se divertem tanto que, antes que ele perceba, já é hora de ir embora. 
Todos se despedem dele com abraços e acenam enquanto o elevador sobe. Ele sobe, sobe, sobe e a porta se abre outra vez. São Pedro está esperando por ele. 
Agora é a vez de visitar o Paraíso. 
Ele passa 24 horas junto a um grupo de almas contentes que andam de nuvem em nuvem, tocando harpas e cantando. Tudo vai muito bem e, antes que ele perceba, o dia se acaba e São Pedro retorna. 
-E aí ? Você passou um dia no Inferno e um dia no Paraíso. 
Agora escolha a sua casa eterna. Ele pensa um minuto e responde: 
-Olha, eu nunca pensei … O Paraíso é muito bom, mas eu acho que vou ficar melhor no Inferno. 
Então São Pedro o leva de volta ao elevador e ele desce, desce, desce até o Inferno. A porta abre e ele se vê no meio de um enorme terreno baldio cheio de lixo. Ele vê todos os amigos com as roupas rasgadas e sujas catando o entulho e colocando em sacos pretos. O diabo vai ao seu encontro e passa o braço pelo ombro do senador. 
-Não estou entendendo”, – gagueja o senador – “Ontem mesmo eu estive aqui e havia um campo de golfe, um clube, lagosta, caviar, e nós dançamos e nos divertimos o tempo todo. Agora só vejo esse fim de mundo cheio de lixo e meus amigos arrasados!!! 
O diabo olha pra ele, sorri ironicamente e diz: 
-Ontem estávamos em campanha. Agora, já conseguimos o seu voto… 

Disponível em http://www.semsaco.com/2010/05/piada-o-senador-e-o-inferno. Acesso em 05/08/2010) 

Piada 2: Céu X Inferno 

Ao atender o telefone, São Pedro ouve a inconfundível voz do Diabo: 
- Estou lhe desafiando para uma partida de futebol no próximo final de semana. O Céu 
contra o Inferno, aceita? 
- Aceito, sim - respondeu São Pedro, humildemente. - Mas, a honestidade me obriga a lhe 
dizer que vocês vão perder. Tenho os melhores jogadores de todos os tempos no meu time. 
- Pode ser! Mas não se esqueça de que eu tenho os piores juízes! 

Disponível em http://www.pegadinha.net/piada/S2BC2yfh.php. Acesso em 05/08/2010) 

(Professor: A piada é um excelente material linguístico para se reconhecer manifestações culturais e ideológicas, já que versam sobre temas polêmicos, como valores, instituições em geral (Igreja, Estado, Família), operando com esteriótipos e abordando discursos que, num outro gênero, não seriam permitidos ou bem aceitos.) 

Produção Textual 

1. Inspirando-se no texto de Stanislaw Ponte Preta, crie uma história em que o personagem, um  estrangeiro, vem ao Brasil e se depara com fatos que fazem de nosso país “um inferno nacional”. Imagine o seu espanto, as conclusões a que chega sobre o Brasil e seu povo e as situações embaraçosas que vive por causa disso. Lembre-se de que o seu texto será lido pelos colegas de turma e, se selecionado para o mural da escola, pelos das outras turmas também. 

2. Observe as charges abaixo. Cada uma explora um pouco de nossos problemas morais. 
Escolha um deles (ou todos apontados nas charges, que poderão ser outras, a critério do 
professor) e redija uma carta a um candidato das próximas eleições, falando sobre esses 
problemas, do mal que nos fazem e como poderiam ser erradicados da nossa sociedade.

Fonte: Projeto Ler é Saber / Faccat - 2010 - https://www2.faccat.br/portal/sites/default/files/ckeditorfiles/abordagem_fasc_2_2010.pdf


O CASO DO ESPELHO - Ricardo Azevedo

O caso do espelho
Ricardo Azevedo


Era um ____________que não sabia quase nada. Morava longe, numa ___________ de sapé esquecida nos ___________ da mata. 
Um dia, precisando ir à ______________, passou em frente a uma ________ e viu um ________ pendurado do lado de fora. O homem abriu a boca. Apertou os __________. Depois gritou, com o espelho nas ________: 
- Mas o que é que o __________ de meu __________ está fazendo aqui? 
- Isso é um espelho - explicou o _________ da loja. 
- Não sei se é espelho ou se não é, só sei que é o retrato do meu pai. 
Os olhos do homem ficaram molhados.
- O senhor... conheceu meu pai? - perguntou ele ao ______________________. 
O dono da loja sorriu. Explicou de novo. Aquilo era só um espelho comum, desses de ___________ e _______________ de _____________. 
- É não! - respondeu o outro. - Isso é o retrato do meu pai. É ele, sim! Olha o _________ dele. Olha a _________. E o _________? E o nariz? E aquele _________ meio sem jeito?
O homem quis saber o ________. O comerciante sacudiu os ___________ e vendeu o espelho, baratinho.
Naquele dia, o homem que não sabia quase nada entrou em casa todo contente. Guardou, cuidadoso, o espelho embrulhado na ______________ da penteadeira.
A ____________ ficou só olhando. 
No outro dia, esperou o marido sair para trabalhar e correu para o quarto. Abrindo a gaveta da _____________, desembrulhou o espelho, olhou e deu um passo atrás. Fez o sinal da _______tapando a __________ com as _________. Em seguida, guardou o espelho na gaveta e saiu chorando. 
- Ah, meu Deus! - gritava ela desnorteada. - É o retrato de outra mulher! Meu marido não gosta mais de mim! A outra é linda demais! Que olhos bonitos! Que _____________ solta! Que ________ macia! A diaba é mil vezes mais bonita e mais moça do que eu! 
- Quando o homem voltou, no fim do dia, achou a casa toda desarrumada. A mulher, chorando sentada no __________, não tinha feito nem a __________. 
- Que foi isso, mulher?
- Ah, seu traidor de uma figa! Quem é aquela ___________ lá no retrato? 
- Que retrato? - perguntou o marido, surpreso. 
- Aquele mesmo que você escondeu na gaveta da penteadeira! 
O homem não estava entendendo nada.
- Mas aquilo é o retrato do meu pai! Indignada, a mulher colocou as mãos no peito: 
- Cachorro sem-vergonha, miserável! Pensa que eu não sei a diferença entre um velho lazarento e uma jabiraca safada e horrorosa? 
A __________ fervia feito _________ na _______________. 
- Velho lazarento coisa nenhuma! - gritou o homem, ofendido. 
A mãe da moça morava perto, escutou a gritaria e veio ver o que estava acontecendo. Encontrou a filha chorando feito ______________  que se perdeu e não consegue mais voltar pra casa. 
- Que é isso, menina?
- Aquele ___________ arranjou outra! 
- Ela ficou maluca - berrou o homem, de cara amarrada. 
- Ontem eu vi ele escondendo um __________ na gaveta lá do quarto, mãe! Hoje, depois que ele saiu, fui ver o que era. Tá lá! É o retrato de outra mulher! 
A boa senhora resolveu, ela mesma, verificar o tal retrato. 
Entrando no quarto, abriu a gaveta, desembrulhou o pacote e espiou. Arregalou os olhos. Olhou de novo. Soltou uma sonora ____________________. 
- Só se for o retrato da ____________ dele! A tal fulana é a coisa mais enrugada, feia, velha, cacarenta, murcha, arruinada, desengonçada, capenga, careca, caduca, torta e desdentada que eu já vi até hoje! 
E completou, feliz, abraçando a filha: 
- Fica tranqüila. A bruaca do retrato já está com os dois ___________ na ____________!

ATIVIDADES 
1) Leia com atenção o texto e descubra quais são as palavras que o completam.

BANCO DE PALAVRAS


Bisavó         Rosto             Discussão             Cabeleira              Casinha               Mãos

Comerciante          Pacote               Cova                  Sorriso            Preço            Cafajeste

Chão       Penteadeira             Cidade           Homem              Dono            Vidro        Água 

Cabelo              Gaveta         Pés          Boca            Olhos           Cafundós          Pele

Mulher        Cruz          Espelho       Pai            Chaleira          Gargalhada          Retrato

Testa          Ombros            Comida       Mãos               Loja              Moldura           Criança

Jararaca                 Madeira


2) Qual o engano cometido pelo homem ao passar pela frente de uma loja?

3) Complete as lacunas abaixo com as expressões que caracterizam, no primeiro parágrafo:
O homem:_______________________________
A casa onde ele vivia:__________________________

4) O que essas informações revelam sobre a vida e as características do personagem?

5) Por que o homem, ao olhar-se no espelho, achou que estava vendo seu pai?

6) Em um conto popular, é comum que os personagens não tenham nome próprio. Como eram chamados os personagens do texto?

7) Como reagiu a mulher ao ver o espelho?

8) Quais são os três substantivos usados pela mulher para se referir “à outra”?

9) Qual a intenção da mulher ao chamar a “outra” por tais substantivos?

10) Como a mulher caracteriza o pai do marido no momento da briga?

11) O choro da mulher, ao discutir com o homem, é comparado, pelo narrador, a quê?

12) O que aconteceu quando a mãe da mulher tentou resolver a situação?

13) Que expressões são usadas pelo narrador para retomar “a mãe da moça”?

14) Qual a intenção da mãe da mulher ao dizer que a bruaca do retrato “estava com os dois pés na cova”?

15) A localização temporal do texto é precisa? Comprove com passagens do texto.

16) Substitua a expressão “esquecida” (l.2) por um termo que expresse significado semelhante.

17) Qual a expressão que indica como ficaram os olhos do homem ao ver “o retrato de seu pai”? O que isso significa? 

18) Qual a palavra que está caracterizando a palavra “espelho” na linha 18? Qual a intenção do vendedor ao caracterizar o espelho dessa forma?

19) Com que expressões a mulher caracteriza os olhos, a cabeleira e a pele da “outra mulher” vista no “retrato”?

20) Se, ao invés de utilizar o substantivo “cabeleira”, o autor tivesse utilizado “cabelo”, como ficaria a expressão que o caracteriza?

21) Caso a mulher achasse a “outra mulher” feia, como poderiam ficar as palavras que caracterizam olhos, cabeleira e pele?

22) Quais as palavras que a mãe da moça usa para caracterizar a figura vista por ela?

23) Se essas palavras fossem atribuídas a um homem, como ficariam ao completarem a seguinte frase: “Esse homem é _____________________________________________”.

24) Quais as duas únicas palavras que não mudaram sua forma na questão anterior?

Fonte: Fascísculo Ler é Saber / 2010. https://www2.faccat.br/portal/sites/default/files/ckeditorfiles/abordagem_fasc_2_2010.pdf

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

INDISPENSÁVEL SOFRIMENTO - Fabrício Carpinejar

INDISPENSÁVEL SOFRIMENTO



Vou sofrer por amor.
Antes de qualquer relação, já sei que vou sofrer por amor. 
É um adicional de consciência dos quarenta anos. 
Vou sofrer por amor, não morrer de amor.
Poderia morrer de amor na adolescência. Graças a Deus que não aconteceu. 
O romance adolescente é explosivo, extremista e insuportável, é tudo ou nada: alguns sucumbem ao efeito Werther. 
Não diria que é um relacionamento, mas um pacto. 
Nesta época, somos raivosos com o mundo, com os pais e impregnados de grandes demonstrações de desapego e valentia. 
Ao sobreviver ao primeiro e letal enlace juvenil, criei imunidade para não morrer de amor.
É como catapora, caxumba, agora não serei mais vítima da tragédia. 
Envelhecerei amando, compreendendo desde sempre que não existe como me isentar do sofrimento.
Haverá atrito, conflito, desentendimento, ciúme, ameaças, brigas. 
O pior sempre está com o melhor. Não tenho como fugir do pacote. 
Depois do enamoramento, da entrega absoluta, das noites emendadas de sexo, da concordância plena, experimentarei um ciclo do desespero. 
É quando nasce a rivalidade com o tempo: será que ela é para toda vida ou não? 
Assim como entregamos nossa porção mais nobre no início, vamos apresentando nossa porção maldita com a convivência. 
Para ver se nossa namorada suporta, aceita e, principalmente, nos perdoa pelos defeitos. 
No começo, amamos porque o outro é perfeito. No decorrer da convivência, temos que amar com a clara noção de que o outro não é perfeito. 
Não preciso ser profeta para antever o que vou passar, para descobrir que atravessarei mais uma ruptura provisória ou definitiva. 
Irei chorar, emagrecer, sumir, desaparecer, não atender aos amigos, enlouquecer, beber litros de Jack Daniels, voltar a fumar, ser insensível e me vestir mal.
Não tenho um repertório muito farto. É realmente o que ofereço. 
Não sou daqueles que o amor pode ser medido por aquilo que sofro. 
Qualquer mulher vai se danar ao quantificar o que sinto pela minha dor. 
A dor não é bafômetro do amor masculino. 
O que prova que o homem realmente amou é sua insistência, o quanto ele se modifica para retomar os laços, o quanto aceita quebrar os pré-requisitos para continuar a história. 
O que prova que o homem realmente amou não é a fossa, mas a esperança. É sua vontade sempre aguda de voltar e tentar novamente. 
O sofrimento só sinaliza o nosso egoísmo. O luto só revela nossa ingratidão. O desespero só anuncia nosso orgulho ferido.
O que prova que o homem realmente amou é sua força de vontade para reaver a conquista.

Publicado na IstoÉ Gente
Setembro de 2014 p. 44
Ano 15 Número 712


Colunista

ATIVIDADES
1) Qual a certeza que o autor afirmar ter em relação ao amor?

2) Que palavras o autor usa para caracterizar o amor, na adolescência?

3) Como o autor classifica o romance, na adolescência?

4) Quando o autor criou imunidade para não morrer de amor?

5) O que prova o amor do homem, segundo o autor?

6) Antítese é uma figura de linguagem (figuras de estilo) que consiste na exposição de ideias opostas. Transcreva, do texto, 3 frases que exemplifiquem isso.

7) Sabendo que os prefixos -In e -Des acrescentam às palavras um sentido de negação. Transcreva, do texto, palavras que exemplifiquem isso. (2 para cada prefixo).

8) Assinale a alternativa onde a palavra atrito não apresenta o mesmo sentido que foi utilizado na frase "Haverá atrito, conflito, desentendimento, ciúme, ameaças, brigas."
a) "Do atrito de duas pedras chispam faíscas; das faíscas vem o fogo; do fogo brota a luz." (Victor Hugo)
b) "O pontificado de Bento 16 tem sido marcado por pontos de atrito entre o Vaticano e grupos judaicos." (Folha de São Paulo, 08/07/2009)
c) "Antes do atrito pese na balança da consciência se valerá apena iniciar a discussão." (Jhove Souzameira)

9) Reescreva as frases abaixo, substituindo as locuções verbais por uma forma verbal simples, equivalente.
a) "Vou sofrer por amor."
b) "Irei chorar, emagrecer, sumir, desaparecer, não atender aos amigos, enlouquecer, beber litros de Jack Daniels, voltar a fumar, ser insensível e me vestir mal."
c) "[...] vamos apresentando nossa porção maldita com a convivência."

10) Transcreva do texto:
a) 2 frases que apresentem verbos de segunda conjugação, conjugados no Futuro do Pretérito do Indicativo:
b) 2 frases que apresentem verbos de segunda conjugação, conjugados no Futuro do Presente do Indicativo:
c) 2 frases que apresentem verbos de primeira conjugado, conjugado no Futuro do Presente do Indicativo:

11) Reescreva a fase abaixo, empregando os verbos na 1ª pessoa do singular. Faça as alterações necessárias:
a) "Assim como entregamos nossa porção mais nobre no início, vamos apresentando nossa porção maldita com a convivência."