quinta-feira, 21 de agosto de 2014

O TIGRE, O MENINO E O TRÂNSITO
Geraldo Simões

Como um acidente pode explicar o comportamento humano

O Brasil ficou chocado nos últimos dias de julho quando um garoto de 11 anos teve o braço direito dilacerado por um tigre. O "acidente" ocorreu em um zoológico de Cascavel, PR, quando o garoto, acompanhado do pai, pulou uma cerca de proteção, ignorou os avisos de manter-se afastado e provocou primeiro um leão e depois o tigre. O desfecho todo mundo viu: teve o braço amputado na altura do ombro e terá a vida inteira para refletir sobre esse ato "corajoso". Esse acidente é exemplar, em todos os sentidos.
Quem acompanha minhas colunas sabe que há décadas eu insisto no declínio na qualidade do ser humano em sociedade. Especialmente no Brasil, país que parece caminhar ladeira abaixo no campo das relações humanas.
Felizmente alguém filmou e mostrou uma imagem que retrata o que vem acontecendo em uma sociedade desacostumada a respeitar uma autoridade. O garoto ficou por cerca de seis minutos atiçando dois felinos de grande porte, conhecidos por qualquer ser vivente como predadores. Até as pedras sabem que esses animais se alimentam de outros animais desde que o mundo é mundo.
Imediatamente após a divulgação das imagens começaram os julgamentos, principalmente os do "contra" e "a favor", seja do tigre, do garoto, do pai, do zoológico, de Deus etc. No atual modus operandi social de palpitar sobre tudo houve a esperada distribuição de culpa para todos os envolvidos, alguns até tentando amenizar o lado do garoto sob a alegação de que era "incapaz" de avaliar os riscos. Será? Com 11 anos você não sabe a diferença de um gato para um tigre?
Deixando um pouco o tigre de lado, vamos lembrar um pouco das histórias da Bíblia. Sem a menor conotação católico-cristã, mas apenas como exemplo. Muita gente atribui o pecado original ao sexo, fazendo uma analogia direta da mordida na maçã com rala e rola entre Adão e Eva. Mas Deus não poderia castigar pelo sexo, senão inviabilizaria a reprodução humana e jogaria por terra o famoso "crescei e multiplicai". 
O pecado original que condenou Eva e seu amasio ao mundo terreno foi a DESOBEDIÊNCIA. Deus deixou bem claro: não coma a fruta dessa árvore! E quando virou as costas lá foi ela e nhoc! Não tinha uma placa na macieira do tipo "fique longe, não coma". Por trás da desobediência está o conceito que quero chegar: o desrespeito!
Voltando ao zoológico, qual o padrão de comportamento dos visitantes: enfiar o braço na jaula ou manter-se afastado? Se uma criança violou o padrão é preciso olhar para esse caso isolado e tentar entender melhor de onde vem o comportamento tão prepotente.
Hoje em dia existe uma enorme confusão aqui em terras brasileiras com relação à educação. Também já escrevi sobre isso. E é um tal de pais entregarem seus filhos às escolas na crença cega de que o pimpolho sairá de lá um lorde inglês e com conhecimento de filósofo alemão. Mas em casa o filho faz o que quer, passa o dia no videogame, desobedece aos pais e eventualmente despreza a autoridade dos empregados.
Educação é aquele conjunto de regras transmitidos de pais para filhos como uma carga genética. O que a escola transmite é conhecimento. Portanto, escola não educa, quem educa é o convívio familiar. Já defendi mais de um milhão de vezes a mudança do nome de ministério da Educação para ministério do Ensino.
Pergunto, que tipo de pai pode gerar um filho tão incapaz de entender a regra mais elementar, bíblica e basilar da educação que é a obediência? Que tipo de exemplo esse garoto tem em casa para ignorar tão descaradamente os perigos que envolvem o enfrentamento de um animal feroz? Uma criança que atiça descaradamente um animal selvagem como o tigre respeita seus professores? Obedece a seus pais?
É o reflexo da falta de cuidado na educação, não da escola, mas aquela da formação do caráter. Quem enfrenta um tigre não é corajoso - como escreveram alguns - ou simplesmente desobediente?
Chamou-me a atenção o comentário de vários jornalistas que reforçaram o fato de no momento do acidente não ter nenhum vigia, embora o zoológico tenha se defendido alegando que a área é monitorada por quatro fiscais.
Ora, jornalistas são pessoas esclarecidas, viajam e normalmente voltam do exterior sempre com uma história de civilidade na ponta da língua. Ficam impressionados que nos museus americanos o visitante deposita o valor em uma caixa que fica ali, ao alcance de qualquer um, mas ninguém pega. Contam - impressionados - que na Áustria as padarias deixam o leite fora e as pessoas pegam e depositam as moedas em um pote, sem ninguém vigiando.
Mas cobram o fato de naquele local do zoo não haver um vigilante. É ISTO que quero chamar a atenção: educação não é um comportamento expresso diante de fiscalização, o nome disso é obediência. Educação é o comportamento do indivíduo quando não tem NINGUÉM olhando!
Por isso a Prefeitura de SP instalou mais uma centena de radares e câmeras de vigilância, porque o motorista só consegue se manter educado sob constante fiscalização. Porque não foi educado. Os motoristas/motociclistas mal e porcamente foram instruídos, quando foram... E os ciclistas nem isso!
Pela ótica do jornalismo sensacionalista podemos perder a esperança em trânsito solidário sem que haja uma fiscalização opressiva e constante, como no zoológico. Não basta uma placa de proibido estacionar, precisa ter um fiscal. Não basta investir em passarela ou ciclovia, tem de fiscalizar. Não basta avisar que o leão é bravo, precisa colocar o braço lá dentro!

VOCABULÁRIO
1) ENCONTRE, NO TEXTO, SINÔNIMOS PARA AS PALAVRAS ABAIXO:
a) Cortado, rasgado: _______________________
b) Opinar: _______________________________
c) Suavizar: ______________________________
d) Desconsiderou: _______________________________
e) Desobedeceu:________________________

2) ASSINALE A ALTERNATIVA ONDE A PALAVRA “CHOCAR” APRESENTA O MESMO SENTIDO COM QUE FOI EMPREGADO NA FRASE: “O Brasil ficou chocado nos últimos dias de julho quando um garoto de 11 anos teve o braço direito dilacerado por um tigre.”
(      ) "Não devemos ter medo dos confrontos. Até os planetas se chocam e do caos nascem as estrelas." (Charles Chaplin)
(    ) “Se não era amor, era da mesma família. Pois sobrou o que sobra dos corações abandonados. A carência. A saudade. A mágoa. Um quase desespero, uma espécie de avião em queda que a gente sabe que vai se estabilizar, só não se sabe se vai ser antes ou depois de se chocar contra o solo.” (Martha Medeiros)
(     )As pessoas estão tão acostumadas a ouvir mentiras, que sinceridade demais choca e faz com que você pareça arrogante.” (Jô Soares)

3) SABENDO QUE OS PREFIXOS –DES E –IN ATRIBUEM À PALAVRA UM SENTIDO DE NEGAÇÃO, RETIRE, DO TEXTO, 1 PALAVRA COM O PREFIXO –IN E 3 COM O PREFIXO –DES, QUE EXEMPLIFIQUEM ISSO:

INTERPRETAÇÃO TEXTUAL

1)       ANALISE AS AFIRMAÇÕES ABAIXO E ASSINALE A ALTERNATIVA CORRETA:
I – Segundo o texto, um menino teve o braço esquerdo dilacerado por um tigre, num zoológico do Paraná.
II – O texto deixa claro que um garoto de 11 anos ainda não é capaz de avaliar os riscos que uma situação como a de atiçar um animal feroz traz.
III – Pode-se depreender, a partir da leitura do texto, que os brasileiros têm o péssimo hábito de respeitar normas ou leis, somente quando são vigiados ou fiscalizados.
IV – O autor usa como exemplo a história bíblica de Adão e Eva para explicar que o grande problema do ser humano, inclusive do garoto que teve o braço amputado, é a falta de fé.
V – Segundo o autor, a educação é um comportamento que não exige fiscalização, já a obediência, sim.
 a) Todas as alternativas estão corretas.                             
b) Nenhuma alternativa está correta.                                 
c) As alternativas I, II e III estão corretas.
d) As alternativas III e V estão corretas.
e) As alternativas IV e V estão corretas.

2) Por que o autor emprega as palavras acidente e corajoso entre aspas?


3) qual é, segundo o autor,  o conceito de educação?


ATIVIDADES GRAMATICAIS
1) REESCREVA AS FRASES A SEGUIR, SUBSTITUINDO AS EXPRESSÕES DESTACADAS PELOS PRONOMES ADEQUADOS:
a) “O garoto ficou por cerca de seis minutos atiçando dois felinos de grande porte [...]”
b) “[...] gerar um filho [...]”
c) “[...] o visitante deposita o valor em uma caixa [...]”
d) “[...] uma sociedade desacostumada a respeitar uma autoridade.” 
e) “[...] incapaz de entender a regra [...]”
f) “[...] podemos perder a esperança [...]”
g) “[...] era "incapaz" de avaliar os riscos.[...]”

2) INDIQUE OS TERMOS AOS QUAIS SE REFEREM OS PRONOMES RELATIVOS DESTACADOS NAS FRASES ABAIXO:
a) “[...] país que parece caminhar ladeira abaixo no campo das relações humanas.[...]
b) “Por trás da desobediência está o conceito que quero chegar: o desrespeito!”
c) “Uma criança que atiça descaradamente um animal selvagem como o tigre respeita seus professores?”

3) NA FRASE: “Quem acompanha minhas colunas sabe que há décadas eu insisto no declínio na qualidade do ser humano em sociedade.” (2º parágrafo), O PRONOME POSSESSIVO DESTACADO INDICA QUE AS COLUNAS SÃO DE QUEM?

4) “O garoto ficou por cerca de seis minutos atiçando dois felinos de grande porte [...]” (3º parágrafo). O TERMO DESTACADO PODE SER SUBSTITUÍDO PELO PRONOME PESSOA RETO – 3ª PESSOA DO SINGULAR – ELE – FAZENDO COM QUE A REDAÇÃO DA FRASE FIQUE: “Ele ficou por cerca de seis minutos atiçando dois felinos de grande porte [...]” REESCREVA A FRASE, FAZENDO AS ALTERAÇÕES NECESSÁRIAS AO EMPREGAR:

a) O pronome pessoal reto relativo a 1ª pessoa do plural: 
b) O pronome pessoal reto relativo a 1ª pessoa do singular: 
c) O pronome pessoal reto relativo a 3ª pessoa do plural: 

5) OBSERVE OS PRONOMES DESTACADOS NAS FRASES ABAIXO E RESPONDA A QUE TERMOS OU EXPRESSÕES ELES FAZEM REFERÊNCIA NO TEXTO:
a) “Também já escrevi sobre isso.” (8º parágrafo): 
b) o nome disso é obediência.” (14º parágrafo): 

quinta-feira, 26 de junho de 2014

A REDE DA INVEJA e O FIM DA PRIVACIDADE - ATIVIDADES DIVERSAS COM PRONOMES

TEXTO 1
A REDE DA INVEJA 

Uma surpresa revelada por pesquisas científicas: para muita gente, o Facebook é uma fonte permanente de frustração e angústia. No clássico , A Conquista da Felicidade, de 1930. o filósofo britânico Bertrand Russell definiu um sentimento devastador: "De todas as características da natureza humana, a inveja é a mais desafortunada. O invejoso não só deseja a desgraça, como é rendido à infelicidade". Russell entendia a inveja como uma emoção universal, que hora ou outra desperta em qualquer um. Morto em 1970, ele não se surpreenderia — pelo contrário, provavelmente acharia natural — com o fato de a internet, o meio de comunicação global que define nosso tempo, ser agora uma ferramenta a instigar esse sentimento angustiante.

Não é difícil entender por que é assim. Só é possível invejar aquilo que se vê ou conhece, e a web multiplicou o que se pode saber sobre a vida alheia. Um estudo realizado pela Universidade Humboldt em conjunto com a Universidade Técnica de Darmstadt. ambas na Alemanha, publicado na semana passada, é a primeira tentativa de medir cientificamente a intensidade dessa emoção na internet.

A conclusão é espantosa: uma em cada cinco pessoas ouvidas na pesquisa aponta o Facebook como a origem de sua experiência de inveja. Um bilhão de pessoas, um sétimo da população mundial, participam dessa rede social. O que fazem nela. basicamente, é colocar fotos, contar detalhes pessoais ou simplesmente fofocar. Sabe-se, pelas pesquisas, que parte considerável desses usuários mantém uma atitude passiva no Facebook. Apesar de passarem muito tempo on-line, limitam-se a seguir o que é postado por amigos que parecem ser mais felizes e sabem aproveitar melhor a vida. Nesse cenário, eles se sentem solitários, excluídos do ciclo de atividade. felicidade e camaradagem on-line das outras pessoas. É nesse caldo de cultura que nasce a gama de emoções angustiantes dissecadas pelos pesquisadores alemães.

O levantamento, feito com 584 usuários assíduos do Facebook, constatou que um em cada três deles se declara frustrado e triste imediatamente após se desconectar da rede. Para três em cada dez. o principal motivo do desgosto é a sensação de que os amigos on-line levam uma vida melhor que a sua. No ranking elaborado pelo estudo, a inveja é o sentimento mais frequentemente associado à frustração no Facebook. Em segundo lugar, atingindo 9% dos entrevistados, vem a sensação de que suas publicações não recebem atenção. Em seguida, com 10%, está a solidão. Os cientistas alemães descreveram a emoção mais frequente, a inveja, como "uma desagradável mistura de sentimentos por vezes doloridos, causados pela comparação com uma pessoa ou um grupo que possui algo que queremos". Explica a VEJA Hanna Krasnova, autora da pesquisa: "No Facebook, compartilham-se 30 bilhões de mensagens todos os meses, e esse ambiente serve como vitrine para o narcisismo e a supervalorização de conquistas pessoais. É natural que. ao percorrerem esse amontoado de informações, as pessoas se comparem aos outros". O foco de Hanna é o estudo de sistemas de informação, um campo relativamente novo da ciência da computação.

Ações no Facebook
Recentemente, ela teve uma desagradável surpresa na rede social. "Senti uma raiva imensa quando deparei com fotos de meu ex-namorado beijando uma menina que se dizia minha melhor amiga. Para piorar, os retratos eram de uma viagem a Miami, cidade que sonhava em visitar com ele quando estávamos juntos."

A infelicidade virtual nasce, muitas vezes, de uma percepção exagerada da felicidade alheia e da própria infelicidade. "Os usuários do Facebook tendem a selecionar e exibir na rede apenas o melhor de sua vida", diz Hanna Krasnova. "Quem se sente inferiorizado não percebe que o que vê não é a vida real do outro e. sim, apenas uma versão editada de seus melhores momentos." No ano passado, período em que estudou moda em Milão, a pernambucana Lafse Nogueira, de 24 anos, postava fotos nas quais aparecia sorridente ao lado de colegas. "Só que o sorriso não refietia minha real situação", conta Lafse. "Estava triste e me sentia solitária vendo as fotos de meus amigos se divertindo no Brasil." Os amigos brasileiros, que não sabiam disso, invejavam sua vida na Itália. É o caso típico de o gramado do vizinho ser mais verde. 

Apesar de ser estigmatizada como um dos sete pecados mortais, a inveja não é um sentimento absolutamente perverso. Ao contrário, desejar o que já foi alcançado por outra pessoa pode servir de incentivo para melhorar a própria vida. Mas também pode ser o inferno em vida, pois fomenta o rancor e a angústia. Um estudo do Instituto Nacional de Ciência Radiológica, no Japão, revelou que a área do cérebro ativada pela inveja é também responsável por processar sensações como a dor física. O alemão Christian Maier, da Universidade de Bamberg. que estuda a irritação sentida por usuários em redes sociais, disse a VEJA que "a tensão causada pela necessidade de se adaptar às regras de um novo mundo transformou o Facebook numa fonte de stress". No caso da inveja, forma-se um ciclo vicioso. Muitos solitários recorrera ao Facebook. permanecem muito tempo on-line. mas interagem pouco com os amigos virtuais. O que veem na rede social são pessoas em festas e viagens, isso faz com que se sintam ainda mais excluídos. A frustração os deixa desmotivados a sair de casa e os prende ainda mais ao Facebook. É o ciclo da rede de inveja.

Fonte: Felipe Vilicic - Veja - 26/01/2013

http://paulgettynascimento.blogspot.com.br/search?q=a+rede+da+inveja

VOCABULÁRIO
1) ENCONTRE, NO TEXTO, SINÔNIMOS DAS PALAVRAS ABAIXO:
a) incentivar:
b) admiraria:
c) decepção:
d) destruidor:
e) defrontar:
f) compreensão:
g) frequentes:
h) analisadas:
i) marcadas:
j) motivar:
k) série:

2) SABENDO QUE OS PREFIXOS -IN E -DES ATRIBUEM UM SENTIDO DE NEGAÇÃO À PALAVRA, RETIRE, DO TEXTO, UMA PALAVRA COM O PREFIXO -IN E QUATRO PALAVRAS COM O PREFIXO -DES QUE EXEMPLIFIQUEM ISSO.

INTERPRETAÇÃO TEXTUAL
1) POR QUE O FACEBOOK É APONTADO, PELO TEXTO, COMO MOTIVADOR DE FRUSTRAÇÕES E TRISTEZAS ENTRE OS USUÁRIOS DA REDE?

2) COMO OS ALEMÃES DESCREVERAM A INVEJA?

3) COMO NASCE A INFELICIDADE VIRTUAL, SEGUNDO A PESQUISADORA HANNA KRASNOVA?

4) QUAL É O LADO POSITIVO DA INVEJA, SEGUNDO O TEXTO? E O NEGATIVO?

5) COMO A INVEJA TORNA-SE UM CICLO VICIOSO?

6) PARA UMA EM CADA CINCO PESSOAS OUVIDAS NA PESQUISA, QUAL É A ORIGEM DA INVEJA?

ATIVIDADES GRAMATICAIS

1) "O invejoso não só deseja a desgraça, como é rendido à infelicidade". SE PASSARMOS O SUBSTANTIVO "INVEJOSO" PARA O PLURAL, O NÚMERO DE TERMOS A SER ALTERADO, NA FRASE, É DE:
a) 3                b) 4              c) 5                  d) 6                   e) 7

2) "Nesse cenário, eles se sentem solitários, excluídos do ciclo de atividade, felicidade e camaradagem on-line das outras pessoas.!" SE PASSARMOS O PRONOME "ELES" PARA O SINGULAR, O NÚMERO DE TERMOS A SER ALTERADO É DE:
a) 3                b) 4              c) 5                  d) 6                   e) 7

3) Retire, do 1º parágrafo do texto, uma frase em que apareçam dois pronomes indefinidos.

4) Indique o termo anterior ao qual se refere o pronome relativo, destacado nas frases abaixo:
a) "com o fato de a internet, o meio de comunicação global que define nosso tempo, ser agora uma ferramenta a instigar esse sentimento angustiante." (1º parágrafo).

b) "[...] limitam-se a seguir o que é postado por amigos que parecem ser mais felizes [...]"3º parágrafo).

c) "[...] causados pela comparação com uma pessoa ou um grupo que possui algo que queremos." (4º parágrafo).
d) "[...] fotos de meu ex-namorado beijando uma menina que se dizia minha melhor amiga." (5º parágrafo).


5) Em relação aos pronomes destacados nas frases abaixo, classifique-os e, em seguida, procure, no texto, o termo ao qual eles se referem.
a) "Morto em 1970, ele não se surpreenderia - [...]" (1º parágrafo).
b) "[...] ser agora uma ferramenta a instigar esse sentimento angustiante." (1º parágrafo).
c) "[...] é a primeira tentativa de medir cientificamente a intensidade dessa emoção na internet." (2º parágrafo).
d) "Um bilhão de pessoas, um sétimo da população mundial, participam dessa rede social." (3º parágrafo). 
e) "O que fazem nela, basicamente, é colocar fotos, contar detalhes pessoais ou simplesmente fofocar." (3º parágrafo).
f) "O levantamento, feito com 584 usuários assíduos do Facebook, constatou que um em cada três deles se declara frustrado [...]" (4º parágrafo).
g) "No Facebook, compartilham-se 30 bilhões de mensagens todos os meses, e esse ambiente serve como vitrine para o narcisismo [...]" ( 4º parágrafo).
h) "Recentemente, ela teve uma desagradável surpresa na rede social."(5º parágrafo).
i) "Os usuários do Facebook tendem a selecionar e exibir na rede apenas o melhor de sua vida." (6º parágrafo).
j) "O que veem na rede social são pessoas em festas e viagens, isso faz com que se sintam ainda mais excluídos." (7º parágrafo).

6) Classifique em que grau foram empregados os adjetivos, nas frases abaixo:
a) "De todas as características da natureza humana, a inveja é a mais desafortunada." (1º parágrafo).
b) "Para três em cada dez, o principal motivo do desgosto é a sensação de que os amigos on-line levam uma vida melhor que a sua." (4º parágrafo).

7) Retire, do texto, uma frase onde tenham sido empregados um numeral cardinal e um numeral fracionário.

8) Classifique os termos destacados em OD, OI, CN ou AA:
a) "[...] o filósofo britânico Bertrand Russell definiu um sentimento devastador: [...]"
b) "[...] e a web multiplicou o que se pode saber sobre a vida alheia."
c) "[...] aponta o Facebook como a origem de sua experiência de inveja."
d) "[...]  imediatamente após se desconectar da rede."
e) "[...] vendo as fotos de meus amigos [...]"
f)  "[...] se adaptar às regras de um novo mundo[...]"
g) "Os usuários do Facebook tendem a selecionar e exibir na rede apenas o melhor de sua vida".


TEXTO 2
O FIM DA PRIVACIDADE


Uma em cada 4 pessoas __________ usam a internet no mundo tem uma conta no Facebook. Esse meio bilhão de pessoas publicam 14 milhões de fotos diariamente. Os 100 milhões de usuários do Twitter postam 2 bilhões de mensagens por mês. Dê um google no nome de alguém e os tweets dele vão estar lá. Pesquisadores cunham termos bonitos como a “era da hipertransparência” para tentar falar que há xeretas e exibicionistas demais hoje. 

E a maior rede social do planeta deu um passo grande ruma à tal hipertransparência: em maio, o Facebook mudou as regras sobre o quanto que estranhos podem saber de sua vida. “Estamos construindo uma internet __________ padrão é ser sociável”, decretou Mark Zuckerberg, criador e presidente do site, ao anunciar as mudanças. Utopia sociológica à parte, interessa para ele que usuários de seu serviço possam ser encontrados com mais facilidade. Se você não está no Facebook e encontra aquele amor antigo da escola ali, tende a entrar para a rede social. E, quanto mais gente lá, mais Zuckerberg pode faturar com publicidade. 

As mudanças, de cara, parecem bem sutis. Antes, não dava para ver a foto de perfil ou a idade de uma pessoa pesquisada, por exemplo. Agora, a não ser que o usuário mude as configurações no braço, um resumo de sua ficha ficará exposto na internet. Não é pouca coisa. Pense em quem teve um término de relacionamento conturbado e quer manter distância de namorados maníacos; ou em um adolescente que mudou de escola por causa de bullying e corre o risco ______________ tudo comece de novo se os novos colegas descobrirem isso; em quem sofre de assédio moral no trabalho ou foi testemunha de um crime; em quem não quer que os pais descubram detalhes da sua vida sexual. Para todos eles, qualquer detalhe que o Facebook divulgue, pode fazer uma grande diferença. 

Não fica nisso. Um dos maiores problemas é que a internet não “esquece” nada. E agora que ela faz parte da vida de praticamente todo mundo há uma década, qualquer vacilo do passado pode causar um problema no presente. Fotos ousadas num fotolog de anos atrás vão complicar você na disputa por um emprego. Uma troca infeliz de scraps no Orkut, como uma discussão com um ex, pode estar ao alcance de qualquer um. As redes sociais baseadas em GPS, como a Fousquare, colocam mais pimenta nesse molho, já que elas mostram num mapa onde os usuários estão a cada momento. Em suma, nunca existiram tantas possibilidades de exposição pública. E sim: sempre vai ter alguém que você não esperava bisbilhotando você. 

É natural. O desejo de cavucar a vida alheia existe desde sempre. “Na maior parte da história humana, as pessoas viveram em pequenas tribos ___________ todas as pessoas sabiam tudo o que todo mundo fazia. E de alguma forma estamos nos tornando uma vila global. Pode ser que descobriremos que a privacidade, no fim das contas, sempre foi uma anomalia”, afirma o professor Thomas W. Malone, do Centro de Estudos de Inteligência Coletiva do MIT. 

Seja como for, trata-se de uma anomalia de que todo mundo gosta. E por isso mesmo um movimento ganha cada vez mais força: há uma preocupação maior com a bisbilhotice. Na prática, está acontecendo o contrário do que Zuckerberg imagina. Estamos menos “sociais”. 

Hoje, a quantidade de dados que as pessoas deixam aberta na rede para todo mundo ver é, por cabeça, bem menor do que há 5, 6 anos. É raro encontrar quem deixe suas fotos escancaradas numa rede social. Scraps públicos no Orkut já são parte de um passado remoto... Um estudo da Universidade da Califórnia mostra essa mudança: os entrevistados disseram tomar mais cuidado com o que postam online hoje do que há 5 anos. Na mesma pesquisa, 88% dos jovens de 18 a 24 anos manifestaram-se a favor de uma lei que forçasse os sites a apagarem informações pessoais depois de algum tempo. 

Enquanto não chegam leis concretas, as pessoas reagem por conta própria. Trinta mil usuários cancelaram suas contas no Facebook no dia 31 de maio, para protestar contra aquela mudança na configuração de privacidade. Compare isso com a reação que as pessoas tiveram em 2006, quando o Orkut passou a identificar quem visitava o seu perfil. Não faltaram reações de indignação. “Qual é a graça se não dá mais para espionar a vida dos outros escondido?”, perguntavam os usuários. 


É difícil imaginar algo assim hoje. Aprendemos a nos comportar na rede como nos comportamos em público. Porque, cada vez mais, estamos mesmo. 

Adaptado de: BURGOS, Pedro. O fim do fim da privacidade. Revista Super Interessante. – Ed. 280, junho de 2010. Disponível em http://super.abril.com.br/tecnologia/fim-fim-privacidade-580993.shtm

VOCABULÁRIO
1) PREENCHA A CRUZADINHA COM SINÔNIMOS DAS PALAVRAS ABAIXO, OS QUAIS VOCÊ ENCONTRARÁ NO TEXTO. 
a) Revolta 
b) Anormalidade 
c) Ilusão 
d) Intimidade, sigilo 
e) Abertas 
f) Criam 
g) Bisbilhoteiros 
h) Discretas

INTERPRETAÇÃO TEXTUAL 
1) EM RELAÇÃO AO TEXTO, É CORRETO AFIRMAR: 
(      ) O Facebook é a rede social que tem o maior número de usuários no mundo. 
(      ) A Internet, através das redes sociais, se tornou uma forma acessível de bisbilhotar a vida dos outros. 
(     ) Nos últimos anos, as pessoas estão deixando mais informações acessíveis ao público nas redes sociais. 
(     ) De certa forma, a Internet está se tornando uma extensão da nossa vida pública, por isso, estamos aprendendo a nos comportar nas redes sociais como nos comportamos em público. 

a) V – F – F – V                                  d) V – F – V – V 
b) V – V – F – F                                  e) V – V – V – V 
c) V – V – F – V

ATIVIDADES GRAMATICAIS 
1) ASSINALE A ALTERNATIVA QUE PREENCHE CORRETA E RESPECTIVAMENTE AS LACUNAS DO TEXTO:
a) as quais – cujo o – que – onde                 d) as quais – onde o – a que – nas quais
b) que – cujo – de que – onde                       e) que – cujo o – de que – em que
c) que – onde o – que – as quais

2) REESCREVA AS FRASES A SEGUIR, SUBSTITUINDO AS EXPRESSÕES DESTACADAS, PELOS PRONOMES ADEQUADOS
a) “[...]Fotos ousadas num fotolog de anos atrás vão complicar você [...]”
b) “[...] ao anunciar as mudanças.”
c) “[...]interessa para ele.”

3) “[...]interessa para ele que usuários de seu serviço possam ser encontrados com mais facilidade..” (2º parágrafo). O PRONOME POSSESSIVO "SEU" INDICA QUE O "SERVIÇO" É DE_________________________________________.

4) “[...]um resumo de sua ficha ficará exposto na internet.” (3º parágrafo). O PRONOME POSSESSIVO DESTACADO INDICA QUE A FICHA É DE QUEM?

5) "[...]Trinta mil usuários cancelaram suas contas no Facebook no dia 31 de maio,” (8º parágrafo). O PRONOME POSSESSIVO SUAS INDICA QUE AS CONTAS SÃO DOS __________________________.

6) OBSERVE OS PRONOMES DESTACADOS NAS FRASES ABAIXO E RESPONDA A QUE TERMOS ELES FAZEM REFERÊNCIA NO TEXTO:
a) “[...] e corre o risco de que tudo comece de novo se os novos colegas descobrirem isso.” (3º parágrafo)
b) “E não fica nisso”. (4º parágrafo).
c) “Compare isso com a reação que as pessoas tiveram em 2006 [...]” (8º parágrafo)

7) INDIQUE OS TERMOS AOS QUAIS SE REFEREM OS PRONOMES RELATIVOS DESTACADOS NAS FRASES ABAIXO:
a) “[...] ou em um adolescente que mudou de escola por causa de bullying [...]”
b) “[...] as pessoas viveram em pequenas tribos onde todas as pessoas sabia tudo o que todo mundo fazia.”
c) “[...] manifestaram-se a favor de uma lei que forçasse os sites a apagarem informações pessoais [...]”
d) “ Estamos construindo uma internet cujo padrão é ser sociável. ”
e) “[...] a quantidade de dados que as pessoas deixam aberta na rede para todo mundo ver [...]”

8) CONSIDERE AS SEGUINTES PROPOSTAS DE SUBSTITUIÇÃO DE SEGMENTOS DO TEXTO ENVOLVENDO EMPREGO DE PRONOMES.
I – interessa para ele (2º parágrafo) – interessa-o
II – vão complicar você (4º parágrafo) – vão lhe complicar
III – bisbilhotando você ( 4º parágrafo) – bisbilhotando-o
Quais são contextualmente adequadas e estão corretas do ponto de vista da norma gramatical?
(a) Apenas I.      
(b) Apenas II. 
(c) Apenas III. 
(d) Apenas II e III. 
(e) I, II e III. 

9) “[...]a não ser que o usuário mude as configurações no braço, um resumo de sua ficha ficará exposto na internet.” O TERMO DESTACADO PODE SER SUBSTITUÍDO PELO PRONOME PESSOAL RETO - 3ª pessoa do singular – ele – FAZENDO COM QUE A REDAÇÃO DA FRASE FIQUE: “a não ser que ele mude as configurações no braço, um resumo de sua ficha ficará exposto na internet..” REESCREVA A FRASE, FAZENDO AS ALTERAÇÕES NECESSÁRIAS AO EMPREGAR:
a) O pronome pessoal reto relativo a 1ª pessoa do singular:
b) O pronome pessoal reto relativo a 2ª pessoa do singular:
c) O pronome pessoal reto relativo a 1ª pessoa do plural:
d) O pronome pessoal reto relativo a 2ª pessoa do plural:
e) O pronome pessoal reto relativo a 3ª pessoa do singular:





terça-feira, 24 de junho de 2014

FUTEBOL DE BICHOS - Pedro Bandeira

FUTEBOL DE BICHOS
Pedro Bandeira

Jogo de futebol entre bichos?

E por que não?

Pois era o que ia acontecer na floresta!

Estava tudo mais ou menos organizado para o início do jogo, quando veio de lá a ________________, bem devagarzinho, reclamando:

- Eu também tenho o direito de entrar nesse jogo. Sou um bicho como outro qualquer. Se o futebol é de bichos, é para mim também!

Tanto a tartaruga reclamou que acabaram tendo de colocá-la em um dos times. E que times! Um dos goleiros era o ___________________ e não sobrava quase nenhum espaço para marcar o gol. O outro goleiro era o _____________________... E faltava coragem para chutar contra ele.

Além disso, toda hora o jogo parava, pois, sempre que o _________ agarrava uma bola, tinham de arranjar outra, porque o couro ficava em tiras.

Tinha até acontecido um treino em que ele comeu uma bola inteirinha!

E o jeito tinha sido arranjar outra bola...

De um lado, o zagueiro central era a _______________ e não passava bola alta por ali.

Ela cabeceava todas!

Já o zagueiro do time do leão era o ________________. Tinham espetado uma melancia no chifre dele para que a bola não fosse furada quando ele cabeceasse, vejam só!

O ________________ era o centroavante do time do elefante e, em poucos pulos, entrava pela área adentro!

Do outro lado tinha a __________ e não havia quem conseguisse  alcançá-la na corrida!

O problema era a ponta-esquerda: no time do leão, tinha o macaco, rápido e driblador como ele só.

Mas, infelizmente, no time do elefante o ponta-esquerda era a tartaruga...

Logo que o jogo começou, a raposa chutou uma bola para a frente, dando um passe em profundidade para a tartaruga.

E ela tratou de correr...

Só que, quando já estava no final do segundo tempo e a partida estava empatada com dois gols para cada lado, marcados pela raposa e pelo canguru para o time do elefante, e pela lebre e pela zebra pelo time do leão, a tartaruga estava quase chegando...

Foi aí que a bola veio alta para a área do time do leão.

A zebra cabeceou e a bola caiu perto da tartaruga...

O rinoceronte, querendo mandar o logo o perigo para a frente, correu e chutou.

Só que ele não viu direito e foi dar um tremendo chute na pobre da tartaruga!

Coitada! Ela era igualzinha a uma bola de couro!

O juiz Armandinho Corujão apitou pênalti na hora!

- Priiiii! Pênalti! É Pênalti! Não pode chutar o adversário dentro da área!


E foi assim, com um pênalti arranjado pela tartaruga, que o time do elefante  foi campeão do grande torneio de futebol da floresta! 

ATIVIDADES
1) A partir da leitura do texto, e das características descritas, descubra quais são os animais que completam as lacunas do texto.

2) Por que, segundo o texto, o jogo parava toda hora?

3) Qual era a utilidade da melancia para o rinoceronte?

4) Qual era a habilidade da lebre?

5) Conforme a descrição da tartaruga, podemos dizer que ela era ____________ e ________________.

6) Qual o argumento usado pela tartaruga, para participar do jogo?

7) Explique a expressão "E que times!"

8) Em que time a tartaruga jogou? Em que posição?

9) Quem fez os gols da partida, antes do pênalti?

10) Quantos gols teve a partida, ao todo?

11) Quem cometeu o pênalti?

12) Qual é a regra do futebol, descrita no texto?

13) Com o que a tartaruga foi confundida?

14) O juiz era que animal?

15) Quem eram os jogadores do time do leão? E do time do elefante?

16) A fábula é uma narrativa cujos personagens são animais. Em relação aos elementos da narrativa, responda:
a) Que tipo de narrador tem a fábula lida? Justifique:
b) Qual é o enredo desta fábula?
c) Em que lugar ocorrem as ações narradas?

17) Onomatopeia é um recurso de linguagem usado para descrever o som e algo. No texto, há uma onomatopeia. Transcreva-a e indique o som de que ela está representando.


sexta-feira, 6 de junho de 2014

TURMA 53 - Luciane Maria Wagner Raupp

Turma 53

Nós tínhamos 11 anos, todos os sonhos do mundo e três gols atravessados na garganta. Todos eles de um certo Paolo Rossi, o carrasco italiano que baleou a mais genial seleção brasileira de todos os tempos.

Apesar dos tiros no peito, o outro dia era de aula. E de lamentar-se na troca dos períodos:

— Como que isso foi acontecer? — perguntava-se a Fabiane.

— A culpa foi daquela zaga podre, daquele Valdir Peres que só fez besteira! — berrou o João lá do fundo da sala.

— Claro que a culpa é do técnico, meu vô que disse — argumentou a Graceline.

E a Dona Vera, professora de Português, que adentrava a sala, entrou na discussão, pensando encerrá-la:

— A culpa é que a seleção é de homens. No Brasil, eles não fazem nada que preste. Só falta a nós, mulheres, termos que vestir a camiseta amarela também. E tenho dito. Agora, silêncio, turma 53, que futebol não dá futuro para ninguém.

Quando Dona Vera se virou para apagar o quadro, as meninas fizeram bananas e outros gestos menos cordiais para os meninos. A troca fuzilante de olhares disse que o caso não acabava ali.

E não ficou por isso mesmo. No recreio, o Paulo, o Pedro e o João foram até o grupinho das gurias, coisa que era terminantemente proibida. O João encarou a Tati, a líder das meninas, jogando sua franja argentina para o lado:

— Se as mulheres da 53 são tão, tão assim, nós desafiamos vocês para uma partidinha de futebol.

— E damos até um mês de lambuja para vocês treinarem — disse, irônico, o Pedro.

A Tati não baixou o queixo:

— Pois está marcado. Daqui a um mês. Preparem-se para morrer.

Quando o trio masculino virou as costas, as gurias soltaram a polvorosa: como que a Tati não desconversou? Que fiasco seria aquele, Santo Deus! Todo mundo sabia que os guris da 53 eram os melhores jogadores da escola. A Tati, numa calma fingida, já tinha um plano, que a seguissem.

Foram todas para à porta da sala dos professores. Pediu para falar com a Dona Vera e com a Dona Zuleika, a professora de Educação Física. Explicou toda a situação. Dona Vera, então, comprou a briga e convenceu Dona Zuleika a treinar, secretamente, depois das aulas as meninas.

Foi um mês de treinos intensos. Claro que os guris ficaram sabendo. Acharam tão engraçado que até resolveram suspender as peladas até o grande dia, que, enfim, chegou.

O duelo seria na aula de Educação Física. Trinta minutos, quinze para cada lado. As turmas 52 e 54 foram liberadas para assistir ao duelo. O avô da Roberta, a experiente goleira – de handebol, diga-se -, e o pai da Lu, a zagueira, juntaram-se à Dona Zuleika. Eram a comissão técnica. “Mais vale não levar do que fazer”, lembraram os integrantes da comissão às jogadoras.

E foi o que elas fizeram.

Ninguém passava pela Lu, que tomava cuidado para que ninguém cavasse um pênalti. A Tati e a Fabi mostravam toda a agilidade nas roubadas e nas retomadas. A genialidade do Paulo, no entanto, custava a aparecer, soterrada sob grossas camadas de salgadinhos, refri e bolachas que consumiu no tempo-de-não-treino. A câimbra nas pernas do João doía menos que sua consciência pesada por ter subestimado as gurias e por todas as porcarias que comeu naquele fatídico mês.

Acabados os 15 minutos, nada de gol. A 52 e a 54 vaiaram a pelada braba.

Nos 14 minutos do segundo tempo, em uma distração fatal do João, a Fabi roubou a bola no contra-ataque, tabelou com o zagueiro e.... gooooooooool!

Abraços, risadas, cumprimentos gerais. Os guris cumprimentaram, orgulhosos, as suas colegas. Foi hora das gurias da 53 mostrarem seu valor.


ATIVIDADE DE MOTIVAÇÃO
- Solicitar aos alunos, na aula anterior, que façam a seguinte entrevista com pais, avós, tios.
a) Você acompanha os jogos da Copa do Mundo? Por quê?
b) De qual Copa do Mundo você se lembra como a mais emocionante? Por quê?
c) Há algum ex-jogador da Seleção Brasileira de que você se lembre? Por quê?
d) Para você, quem foi o pior e o melhor jogador da Seleção? Por quê?
- Compartilhar as entrevistas, com os alunos sentados em círculo.


ATIVIDADE DE PRÉ-LEITURA

- O professor exibe para os alunos algumas fotos da Seleção de 1982, pedindo que formulem hipóteses sobre o provável ano daquelas imagens.
- Da mesma forma, o professor exibe fotos da seleção feminina de futebol. Questiona os alunos sobre o porquê de não se torcer com a mesma empolgação também por esse time.


ATIVIDADES DE LEITURA-DESCOBERTA

1) Que tipo de narrador é o narrado deste texto? Explique:


2) O narrador parece ser masculino ou feminino? Por quê?

3) No primeiro parágrafo, o narrador afirma: “Nós tínhamos 11 anos, todos os sonhos do mundo e três gols atravessados na garganta”. Acerca dessa afirmação, pergunta-se:
a) Quem é esse “nós”?

b) O que significa ter “todos os sonhos do mundo”?

c) Já nesse primeiro período do primeiro parágrafo sabemos que se trata da narração de um fato do passado. Como percebemos isso?

d) O que significa ter algo “atravessado na garganta”? Por que os três gols teriam ficado assim?

4) Procure na Internet quem foi Paolo Rossi. A partir disso, responda:
a) Em que seleção ele jogava?

b) Por que o texto o qualifica como “o carrasco italiano”?

c) O texto afirma que a seleção brasileira da qual Paolo Rossi teria sido “o carrasco” foi a mais genial de todos os tempos. De que ano era essa seleção? Algum dos entrevistados pela turma citou essa seleção como genial?

5) Por que os gols sofridos por aquela seleção foram comparados a “tiros no peito”?

6) Se a seleção atual sofrer gols, você os considerará “tiros no peito”? Por quê?

7) Qual era a opinião da personagem Dona Vera sobre futebol? Você concorda?

8) Você conhece pessoas que têm a mesma opinião de Dona Vera sobre o futebol? Comente.

9) O desafio proposto pelos meninos às meninas poderia acontecer realmente? Argumente.

10) “Se as mulheres da turma 53 são tão, tão assim, nós desafiamos vocês a uma partidinha de futebol”. Acerca dessa afirmação do personagem João, responda:
a) Considerando o número da turma, será que era a “mulheres” feitas que João se dirigiu? Por quê?

b) Complete o espaço com possíveis características das meninas da turma 53:
“Se as mulheres da turma 53 são tão....................................... assim, nós desafiamos vocês a uma partidinha de futebol”. 

c) Por que João teria usado a palavra “partidinha” e não “partida”?

11) No texto, é citada uma característica física do personagem João. Qual é? Como você a imagina?

12) “A Tati não baixou o queixo”. O que poderia significar a expressão grifada?

13) “Depois que o trio masculino virou as costas, as gurias soltaram a polvorosa”. O que significa, nesse contexto, a expressão grifada? Como poderíamos substituí-la?

14) Por que as meninas acharam que fariam “fiasco”?

15) Por que Dona Vera teria “comprado a briga” das meninas?

16) “Mais vale não levar do que fazer”. Você concorda com essa tática? Por quê?

17) Por que os meninos perderam a partida?

18) Por que os meninos teriam ficado orgulhosos de suas colegas? Você acha que isso poderia realmente acontecer? 

19) Em que época a história é ambientada?

20) Em que parte do Brasil a história é ambientada? Por quê?

21) A ilustração de Sinovaldo retrata qual parte do texto? Por quê?

22) Relacione as meninas da ilustração de Sinovaldo às personagens do texto. Justifique essas relações.

ATIVIDADES DE PÓS-LEITURA
- Solicitar aos alunos que, a partir das entrevistas realizadas, imaginem como foram as comemorações da conquista do pentacampeonato brasileiro e, como o que foi feito no texto lido, imaginem uma situação escolar no dia seguinte a essa conquista.

- Imagine que a seleção brasileira venceu a Copa. Como será o dia seguinte na sua escola?

- Imagine que a seleção brasileira foi desclassificada na Copa. Como será o dia seguinte na sua escola?

- Elaborar um painel sobre Copas anteriores, pesquisando também sobre os países que a sediaram e seus mascotes.

- Por que muitas mulheres não jogam futebol? Imagine a história de uma garota que gostaria muito de jogar futebol profissionalmente. Como seria a sua trajetória? Seria fácil ou difícil? Os pais deixariam? Ela conseguiria fazer isso?

FONTE: Projeto Ler - Abordagem de Textos - Fascículo I/2014. Disponível em: 
https://www2.faccat.br/portal/sites/default/files/ckeditorfiles/ABORDAGEM%20FASC%201%202014%20vf.pdf