segunda-feira, 18 de abril de 2016

NA ESCOLA - Carlos Drummond de Andrade - Atividades para o 6º ano

Na Escola – Carlos Drummond de Andrade

Democrata é Dona Amarílis, professora na escola pública de uma rua que não vou contar, e mesmo o nome de Dona Amarílis é inventado, mas o caso aconteceu.

Ela se virou para os alunos, no começo da aula, e falou assim:

- Hoje eu preciso que vocês resolvam uma coisa muito importante. Pode ser?

- Pode – a garotada respondeu em coro.

- Muito bem. Será uma espécie de plebiscito. A palavra é complicada, mas a coisa é simples. Cada um dá sua opinião, a gente soma as opiniões e a maioria é que decide. Na hora de dar opinião, não falem todos de uma vez só, porque senão vai ser muito difícil eu saber o que é que cada um pensa. Está bem?

- Está – respondeu o coro, interessadíssimo.

- Ótimo. Então, vamos ao assunto. Surgiu um movimento para as professoras poderem usar calça comprida nas escolas. O governo disse que deixa, a diretora também, mas no meu caso eu não quero decidir por mim. O que se faz na sala de aula deve ser de acordo com os alunos. Para todos ficarem satisfeitos e um não dizer que não gostou.

Assim não tem problema. Bem, vou começar pelo Renato Carlos. Renato Carlos, você acha que sua professora deve ou não deve usar calça comprida na escola?

- Acho que não deve – respondeu, baixando os olhos.

- Por quê?

- Porque é melhor não usar.

- E por que é melhor não usar?

- Porque minissaia é muito mais bacana.

- Perfeito. Um voto contra. Marilena, me faz um favor, anote aí no seu caderno os votos contra. E você, Leonardo, por obséquio, anote os votos a favor, se houver. Agora quem vai responder é Inesita.

- Claro que deve, professora. Lá fora a senhora usa, por que vai deixar de usar aqui dentro?

- Mas aqui dentro é outro lugar.

- É a mesma coisa. A senhora tem uma roxo-cardeal que eu vi outro dia na rua, aquela é bárbara.

- Um a favor. E você, Aparecida?

- Posso ser sincera, professora?

- Pode, não. Deve.

- Eu, se fosse a senhora, não usava.

- Por quê?

- O quadril, sabe? Fica meio saliente…

- Obrigada, Aparecida. Você anotou, Marilena? Agora você, Edmundo.

- Eu acho que Aparecida não tem razão, professora. A senhora deve ficar muito bacana de calça comprida. O seu quadril é certinho.

- Meu quadril não está em votação, Edmundo. A calça sim. Você é contra ou a favor da calça?

- A favor 100%.

- Você, Peter?

- Pra mim tanto faz.

- Não tem preferência?

- Sei lá. Negócio de mulher eu não me meto, professora.

- Uma abstenção. Mônica, você fica encarregada de tomar nota dos votos iguais ao de Peter: nem contra nem a favor, antes pelo contrário. Assim iam todos, votando, como se escolhessem o Presidente da República, tarefa que talvez, quem sabe? No futuro sejam chamados a desempenhar. Com a maior circunspeção. A vez de Rinalda:

- Ah, cada um na sua.

- Na sua, como?

- Eu na minha, a senhora na sua, cada um na dele, entende?

- Explique melhor.

- Negócio seguinte. Se a senhora quer vir de pantalona, venha. Eu quero vir de midi, de máxi, de short, venho. Uniforme é papo furado.

- Você foi além da pergunta, Rinalda. Então é a favor?

- Evidente. Cada um curtindo à vontade.

- Legal! – exclamou Jorgito. – Uniforme está superado, professora. A senhora vem de calça comprida, e a gente aparecemos de qualquer jeito.

- Não pode – refutou Gilberto. – Vira bagunça. Lá em casa ninguém anda de pijama ou
de camisa aberta na sala. A gente tem de respeitar o uniforme.

Respeita, não respeita, a discussão esquentou, Dona Amarílis pedia ordem, ordem, assim não é possível, mas os grupos se haviam extremado, falavam todos ao mesmo tempo, ninguém se fazia ouvir, pelo que, com quatro votos a favor de calça comprida, dois contra, e um tanto-faz, e antes que fosse decretada por maioria absoluta a abolição do uniforme escolar, a professora achou prudente declarar encerrado o plebiscito, e passou à lição de História do Brasil.

1) Observe a seguinte passagem do texto: "Democrata é Dona Amarílis, professora na escola pública de uma rua que não vou contar, [...]" (1º parágrafo). Procure o significado do termo destacado e responda: que tipo de pessoa é Dona Amarílis?

2) O nome da professora citada no texto, é o nome real da professora na qual foi inspirada essa história? Comprove sua resposta com uma passagem do texto.

3) É correto afirmar que a história contada no texto, de fato, aconteceu? Justifique sua resposta com um trecho do texto.

4) Observe a seguinte frase do texto: "- Pode – a garotada respondeu em coro." (4º parágrafo). De que forma a turma respondeu para a professora?

5) De que forma a palavra "plebiscito" é explicada no texto?

6) Sobre qual questão a professora resolveu fazer um plebiscito com a turma? E por que ela solicitou a participação dos alunos?

7) Qual foi a opinião de Renato Carlos sobre o assunto? De que forma ele justificou essa opinião?

8) Observe a frase: "- Acho que não deve – respondeu, baixando os olhos." (9º parágrafo). O que o trecho destacado demostra sobre o sentimento de Renato, ao dar sua opinião?

9) Para quem a professora pediu que anotasse os votos contra o uso da calça comprida? E para quem pediu que anotasse os a favor do uso?

10) Observe o trecho: "E você, Leonardo, por obséquio, anote os votos a favor, se houver." (14º parágrafo). Reescreva a frase, substituindo a expressão destacada por um sinônimo. 

11) Na seguinte frase: "A senhora tem uma roxo-cardeal que eu vi outro dia na rua, aquela é bárbara." (17º parágrafo). Com que sentido foi empregada a palavra destacada, neste contexto?

12) No 23º parágrafo, a aluna justifica o voto contra usando a seguinte frase: "- O quadril, sabe? Fica meio saliente…". De quem é essa opinião, e o que a menina quis dizer?

13) Qual dos alunos preferiu não dar sua opinião? Que palavra, no texto, foi usada para registrar isso?

14) Observe o seguinte trecho: "Assim iam todos, votando, como se escolhessem o Presidente da República, tarefa que talvez, quem sabe? No futuro sejam chamados a desempenhar. Com a maior circunspeção." (32º parágrafo). Reescreva a frase, substituindo o termo destacado por um sinônimo. Faça as alterações necessárias.

15) Qual  foi a opinião de Jorgito? E a de Rinalda?

16) Na frase abaixo, há um erro. Reescreva-a, empregando a norma padrão.
"A senhora vem de calça comprida, e a gente aparecemos de qualquer jeito." (40º parágrafo)

17) Que palavra foi empregada, no texto, para demonstrar que Gilberto discordou de Jorgito? Que argumentos ele usou para basear sua opinião?

18) De que forma e por que a professora resolveu encerrar a discussão?

19) Observe o seguinte trecho do último parágrafo: "[...] e antes que fosse decretada por maioria absoluta a abolição do uniforme escolar,[...]". O que significam os termos destacados? Como poderíamos reescrever essa frase, sem alterar o sentido?

20) Qual foi o placar final do plebiscito proposto por Dona Amarílis?





quarta-feira, 6 de abril de 2016

LUXO, LIXO; GURI, GARI. E DAÍ? - Atividades para o 6º ano

Luxo, lixo; guri, gari. E daí?
Luiz de Aquino



Meu __________? Onde ______________? Se tenho mãe ou pai? Ora, o importante é que eu ______________. Ou vocês querem que, para existir, a _______________ tenha que recitar nome, ______________, nome de pai e mãe? Isso é coisa de ______________, não de pessoa. Olhem para mim: existo, sou ______________, estou crescendo e os _____________ costumam dizer que sou o futuro do Brasil.

Existo, e pronto! Ocupo ____________ no _________ e quem disse isso foi um ____________, um sábio que viveu há muitos anos; acho até que antes de Jesus. E incomodo. Ando descalço, _______________ velhas. Eu gosto de andar lá no centro, na Avenida Goiás, na Rua 7, na Rua 4. Gosto de ver aquelas _____________ bacanas se encolhendo pra não esbarrar em mim, ____________ de sujar a ___________ fina. Gosto de correr pelos _______________ da Goiás, eu e meus colegas — os _________________, os apanhadores de papel, os pivetes. 

É bom, sabe? É bom a gente ter uns amigos assim. Eu tenho muitos e gosto deles. Eles também gostam de mim. Do nosso jeito: a gente gosta de se enrolar. Se o _________________ pega um, os outros se mandam. É que se a gente quiser bancar o valente vai também. Nossa ____________ é assim, ninguém exige nada de ninguém; cada um se vira como pode. Acaba sendo melhor, porque a gente é mais livre. Não tem desses negócios de fazer _______________, marcar _______________. Hoje eu fico com os engraxates, amanhã com os entregadores de feira, depois com os ______________ de papel. Outras vezes a gente faz uma cara de triste e vai batalhar freguês de ____________. No Café Central, onde o povo come em pé e com pressa, é batata: é só fazer uma cara de ______________ e faturar os caras. Outro dia um freguês lá mandou eu escolher e eu pedi um ______________ daqueles bacanas, com carne, ovo e ___________. Vai ser bom, siô! Tem uns caras legais, ainda. Uns caras que cooperam, né?

Mas o bom mesmo é lavar ____________. Eu ainda sou meio pequeno, os caras não confiam muito. Aí eu encostei num negão que faz ponto na viela do Popular. Fiquei na de ajudante dele. Faturamos bem. Os caras deixam o carro aberto pra gente lavar por dentro, aí a gente liga o __________, senta no carrão e fica pensando até que é o Fittipaldi.

Futuro do ___________, eu! Ouvi no rádio, a __________ lá do grupo também falou assim uma vez. Sabe que eu tenho ___________ do grupo? Fiz só até o segundo ano, mas tive de sair porque a diretora falou que num tinha carteira pra todo mundo. Também, precisava trabalhar, eu já tava crescendo, tinha oito anos. Precisava ajudar, né? Aí eu comecei a pegar carona no ____________ das seis e meia. Porque no das sete horas o cobrador era mau. Um dia eu fui passar debaixo da ____________ e ele meteu o pé na minha cara. Machuquei o ____________, mas menti pros amigos que foi ______________. Foi até bom, porque eu inventei uma história de valentia e fiquei respeitado.

Quando dava fome, no começo era duro. Até que aprendi uns macetes. Fiz amizade com a _____________ do restaurante do Armando, ela passava comida pra mim pela ______________________, escondido. Aí um menino que tinha brigado comigo contou pros caras lá e eu perdi a boca. A gente fica na rua até tarde, mas de noite tem que esconder do ____________. Tem dia que a gente tá tão cansado de bater perna que nem vai pra casa. Fica por aí, dorme nas vielas, debaixo das marquises. Tem uma ______________ ali na Paranaíba que o guarda-noite me topa. De vez em quando eu durmo lá. Ele deixa eu dormir dentro de algum carro. Eu fico com dó de sujar os carros e durmo no ___________. Me cabe bem, porque eu já tenho onze anos mas sou meio pequeno. E é tão quentinho.

Eu devia ter ficado lá no Centro hoje. Tá um _________ danado, não sei o que vim fazer no Bairro Feliz.

Feliz é o bairro, com essa gente toda em casa, quentinho. ___________ colorida. Quando eu crescer quero ser _____________. Que nem o Doutor Vítor. Ficar rico. Ter carro, casa bacana. Mas pra ser doutor eu preciso estudar e pra estudar tenho que mudar de _____________. Precisava deixar de ser pobre.

Oba, uma caixona de __________!.. Vou deitar aí dentro. Vai ficar quentinho. É só o pessoal da __________ não me catar pensando que sou lixo".

1) Complete adequadamente o texto, usando as palavras disponíveis no Banco de Palavras.

Banco de Palavras

vida           endereço             frio                cientista               lugar                  papelão

doutor                 nome                        professora                 Televisão                 canteiros 

Brasil          sanduíche            limpeza                medo              roupas              carro 

cozinheira                 amizade               garagem               briga               nariz
ônibus            juizado          alface               fome           compromissos             engraxates
janela       adultos             lanchonete         existo          espaço           chão       juizado 

saudade      mulato         gente         catadores      rádio        roleta          moro
madamas        documento          roupa           visitinhas

2) Como o menino se descreve, no 1º parágrafo do texto?

3) Observe a frase: "Ou vocês querem que, para existir, a gente tenha que recitar nome, endereço, nome de pai e mãe?" (1º parágrafo). Reescreva a frase, substituindo o termo destacado por um sinônimo.

4) O que é coisa de documento, segundo o menino?

5) Por que o menino diz que "as madamas se encolhem"?

6) Quem são os colegas do menino?

7) Quem, na opinião do menino, são "os caras legais" e por que ele acha isso?

8) O que o menino faz para sobreviver?

9) Que idade tem o garoto atualmente? E que idade ele tinha quando parou de estudar? Até que série ele estudou e por que ele parou de estudar?

10) De que forma, aparece no texto, no 3º parágrafo, a palavra "senhor"? E de que forma aparece a palavra "não", no 5º parágrafo?

11) Observe a frase: "Tem uns caras legais, ainda. Uns caras que cooperam, né?" (3º parágrafo). O que significa a palavra destacada? Cite um antônimo para a palavra destacada.

12) De que forma o menino ganha dinheiro?

13) Por que, na sua opinião, o nome do menino não é citado no texto?

14) Por que o menino começou a pegar o ônibus as 6h30min?

15) Observe a frase: "Quando dava fome, no começo era duro. Até que aprendi uns macetes." (6º parágrafo).
a) Explique, com as suas palavras, o que quer dizer a expressão "era duro".
b) Procure o significado da palavra "macete" e reescreva a frase, substituindo-a por um sinônimo.
c) Que macetes o menino aprendeu?

16) Observe a frase: "Fica por aí, dorme nas vielas, debaixo das marquises." (6º parágrafo). Procure no dicionário o que significam as palavras destacadas e responda: onde o menino dorme?

17) O que o menino quer ser quando crescer? E o que, segundo ele mesmo, é preciso fazer para que isso aconteça?

18) Transcreva, do texto, as palavras que, obrigatoriamente, precisam ser escritas com letra maiúscula. Explique por que elas devem ser escritas assim.

19) Separe as sílabas das palavras abaixo, classificando-as em oxítonas, paroxítonas ou proparoxítonas.
a) importante:
b) mãe:
c) Goiás:
d) carro:
e) ônibus:
f) cooperar:
g) chão:
h) televisão:
i) cozinheira:
j) sanduíche:

20) No último parágrafo, há dois substantivos no aumentativo. Que substantivos são esses?

segunda-feira, 21 de março de 2016

"PONTO DE VISTA: O 'HOMEM CORDIAL" BRASILEIRO EM TEMPOS DE INTOLERÂNCIA NAS REDES SOCIAIS

Ponto de vista: O ‘homem cordial’ brasileiro em tempos de intolerância nas redes sociais
Ricardo Calazans*

1 Há pouco mais de uma semana, antes de o país rachar em dois, ouvi um raciocínio instigante de um executivo que lida com gente de todas as nacionalidades: "O brasileiro é o povo com a autoimagem mais distorcida do mundo. O problema é que a imagem que o estrangeiro tem do Brasil também não corresponde à realidade".

2 No Brasil, neste exato momento, há muitas "verdades" - e quanto mais "verdades" há, mais difícil é entender o que corresponde (de fato) à realidade.

3 Desde que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi "conduzido coercitivamente" à sala da Polícia Federal no aeroporto paulistano de Congonhas, na última sexta-feira, eu só leio "verdades" nas redes sociais. De um lado, temos um golpe em pleno curso; de outro, nossas instituições democráticas nunca foram tão sólidas.

4 Entre uma e outra "verdade", há 500 tons de informações que poderiam nos dar pistas mais claras sobre para onde nossa sociedade está caminhando. Esses, porém, não alcançam as frequências de quem apostou na radicalização e escolheu não ouvir o(s) outro(s) lado(s). Na era do "block", do "unfriend" e do "unfollow", estamos pregando apenas para convertidos.

5 Quanto mais virulento o ativismo, mais pobre é o debate (Fernanda Torres que o diga). As pessoas estão passando por cima de suas amizades - ainda que virtuais - para não abrir mão de seus pontos de vista. Desenvolveram intolerância à opinião alheia. Não é por acaso que a inépcia de Gloria Pires ao comentar o Oscar ("não sou capaz de opinar") tenha sido tão celebrada e tomada como "mantra" e meme para evitar confusões na rede.

6 Cada vez mais gente pensa uma (duas, dez) vezes antes de dizer o que pensa nos ambientes digitais, e geralmente sucumbe ao silêncio para não "se meter em tretas". Mais seguro, certamente. Porém, um contrassenso mortal para a natureza aberta da world wide web que Tim Berners-Lee imaginou para a Humanidade.

7 "A invenção da www envolveu minha crescente compreensão de que havia um grande poder em se organizar ideias de maneira livre, como uma teia", costuma dizer Berners-Lee sobre sua invenção revolucionária. Sobre invenções, aliás, o jornalista Steven Johnson nos lembra que "estímulo não conduz necessariamente à criatividade. Colisões, sim - as colisões que ocorrem quando diferentes campos de conhecimento convergem num espaço físico ou intelectual compartilhado. É aí que verdadeiras centelhas voam". *

8 Isso vale tanto para invenções científicas como pra reflexões cotidianas - seja sobre política, inclusão social ou cinema hollywoodiano. Ambientes caóticos, como uma timeline livre de "limpezas ideológicas", sempre serão mais ricos do que os perfis higienizados em épocas de crises e nervos à flor da pele. Quanto menos espaço damos ao contraditório, menos informação temos. E quanto menos informação, maior a ignorância.

9 Daí para as ofensas, bloqueios e "linchamentos" no Facebook ou, fisicamente pior, troca de socos e pontapés nas ruas, é um pulo, como temos verificado nos últimos tempos. Estamos indo da civilidade à selvageria num átimo quando o nosso "lado" é contestado. E essa tem sido uma constante assustadora. O que é o brasileiro, afinal?

10 Era disso que Sérgio Buarque de Holanda tratava quando lançou, há exatos 80 anos, o conceito de "homem cordial", seu esforço para traçar um perfil psicológico do nosso povo em seu livro Raízes do Brasil, publicado em 1936. Por cordial, o historiador não se referia à hospitalidade, expansividade ou simpatia como nossas vocações "naturais", e sim ao hábito de agir - e reagir - mais com o coração (do latim cordis) do que com a razão.

11 Aqui, observou o pai de Chico Buarque em sua obra clássica, "cada indivíduo afirma-se ante os seus semelhantes indiferentes à lei geral, onde esta lei contrarie suas afinidades emotivas, e atento apenas ao que o distingue dos demais, do resto do mundo".

12 Nossas convicções se adequam a nossos interesses privados, mesmo quando tratamos de temas de interesse público (o popular "farinha pouca, meu pirão primeiro"). É um exercício permanente de adaptação da realidade. Não é assim hoje mesmo?

13 Experimente escolher um lado em política. Para ficar no caso que mais nos causa comoção: contra ou a favor do Partido dos Trabalhadores - que, aliás, teve em Sérgio Buarque de Holanda um de seus fundadores.

14 Muita gente tem deixado de expressar o que pensa sobre a operação Lava Jato, as acusações que pesam sobre Lula, a presidente Dilma e seu governo, por medo de ter colado na testa epítetos como "coxinha", "petralha", "fascista", "pelego"... Ou de ser alvo de alguma perseguição virtual mais grave.

1) Ao que o autor se refere na expressão "rachar em dois" na seguinte passagem do texto: "Há pouco mais de uma semana, antes de o país rachar em dois, [...]". (1º parágrafo).

2) Reescreva o trecho a seguir, substituindo o termo destacado por um sinônimo: "[...] ouvi um raciocínio instigante de um executivo que lida com gente de todas as nacionalidades:[...]" (1º parágrafo).  

3) Por que, na sua opinião, o autor emprega o termo "verdades" entre aspas, no segundo parágrafo do texto?

4) No 3º parágrafo o autor afirma: "Desde que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi "conduzido coercitivamente" à sala da Polícia Federal no aeroporto paulistano de Congonhas" [...]. Procure o sentido da palavra destacada e explique de que forma o ex-presidente foi conduzido à Polícia Federal.

5) Explique com suas palavras a frase: "Quanto mais virulento o ativismo, mais pobre é o debate [...]" (5º parágrafo).

6) Há, no 5º parágrafo, um sinônimo da palavra "incapacidade". Transcreva-o:

7) Reescreva a frase "Cada vez mais gente pensa uma (duas, dez) vezes antes de dizer o que pensa nos ambientes digitais, e geralmente sucumbe ao silêncio para não "se meter em tretas". (6º parágrafo), empregando a linguagem padrão da Língua Portuguesa. Faça as alterações necessárias.

8) O que, segundo Steven Johnson, conduz à criatividade? Por quê?

9) Há, no 8º parágrafo, um sinônimo da palavra "desordenados". Transcreva-o:

10) Por qual palavra podemos substituir o termo destacado na frase: "Estamos indo da civilidade à selvageria num átimo quando o nosso "lado" é contestado." (9º parágrafo), sem alterar o sentido da frase?

11) Como é conceituado o "homem cordial" no texto?

12) Se substituirmos o termo "convicções" por "princípio" no trecho: "Nossas convicções se adequam a nossos interesses privados, [...]" quantos termos deverão ser alterados?
a) 3           b) 5          c) 6             d) 2           e) 4

13) Analise as afirmações abaixo e assinale a alternativa correta.
I - "[...] ouvi um raciocínio instigante de um executivo que lida com gente de todas as nacionalidades:[...]" (1º parágrafo)
a) Há, nesta frase, 4 substantivos - raciocínio, executivo, gente, nacionalidades; 1 adjetivo - instigante; e dois artigos indefinidos e 1 artigo definido.
b) Há, nesta frase, 4 adjetivos - raciocínio, executivo, gente, nacionalidades; 1 substantivo - instigante; e dois artigos indefinidos e 1 artigo definido.
c) Há, nesta frase, 4 substantivos - raciocínio, instigante, gente, nacionalidades; 1 adjetivo - executivo; e dois artigos definidos e 1 artigo indefinido.

II - "Quanto mais virulento o ativismo, mais pobre é o debate (Fernanda Torres que o diga)." (5º parágrafo)
a) Há, nesta frase, 2 substantivos - virulento e debate; 2 adjetivos - ativismo e pobre; e 2 artigos definidos.
b) Há, nesta frase, 2 substantivos - ativismo e pobre; 2 adjetivos - virulento e debate; e 2 artigos definidos.
c) Há, nesta frase, 2 substantivos - ativismo e debate; 2 adjetivos - virulento e pobre; e 2 artigos definidos.

14) Observe o seguinte trecho: "[...] por medo de ter colado na testa epítetos como "coxinha", "petralha", "fascista", "pelego"... "(14º parágrafo). Por qual palavra poderíamos substituir o termo destacado, sem alterar o sentido da frase?

15) Transcreva, do 6º parágrafo do texto:
a) um substantivo sobrecomum:
b) os adjetivos que caracterizam os substantivos abaixo:

  • ambientes:
  • contrassenso:
  • natureza:

c) um substantivo abstrato:



quarta-feira, 9 de março de 2016

RUMO AO SOL - Tich Nhât Hanh - Atividades para o 7º ano

Rumo ao sol
Tich Nhât Hanh


T’ô para __________________. Ela sabe que começou ______________. Uma lágrima corre ao longo da face, contorna os lábios e penetra na boca: ______________________________________. A menina coloca _________________, levanta o canto de sua camisa bá-ba e enxuga as lágrimas. Ela sorri __________________________________.

Os bosques são ______________________. T’ô escuta ________________________. Sabe que se __________________________, teria apenas de erguer os olhos a fim de ver as folhas que tremulam e que acenam para ela. É primavera: ________________________________________________________________________, passando através delas, chega aos olhos de T’ô. Sabe também que, embora cega, o raio de sol suave e benfazejo de certo modo consegue atingir seus olhos. Entretanto, parece que ela realmente esqueceu como as folhas podem ser verdes desde que ficou cega, _____________________________. Ela pode também ter esquecido ___________________________________________ do rosto do pai, pois fazem agora dois anos que ele morreu.

T’ô só se lembra claramente dos _______________________, porque cada noite, antes de dormir, levanta ___________________________________. Ela passa a mão neste rosto como se quisesse descobrir e redescobrir seus traços, como se quisesse aprender ainda e sempre a mesma lição para nunca esquecer uma só linha do rosto daquela que lhe é a pessoa mais querida do mundo. Ela descobriu também que os traços do rosto da mãe se enrugavam à medida que passavam os dias.

T’ô mal tem _________________, mas toca flauta muito bem. Foi o Pai que lhe ensinou como tocar. Ele era _____________________________ da floresta. T’ô era uma menininha feliz. Ia à escola na Aldeia de Cima. Cada manhã, saía com o pai e se despediam no ponto onde a estrada da montanha se bifurcava no pé da colina. O pai de T’ô, com a machadinha no ombro, continuava a subir rumo à floresta mais densa, enquanto T’ô seguia uma senda familiar e atravessava duas outras colinas, antes de chegar finalmente à escola da Aldeia. Debaixo do braço, carregava uma pasta de madeira que continha _________________________________________________________________________ que ela mesma tinha feito, ajudada pelo pai. Ela segurava sua pasta com a mão direita; com a esquerda, um tinteiro fechado muito cuidadosamente com uma rolha balançava-se na extremidade de um barbante enrolado _________________________. A pasta de T’ô era muito leve, ____________________________________________ para fazê-la. Ele não utilizava pregos, mas cortava meticulosamente juntas e unia uma tábua com outra. Após algum tempo, a pasta de T’ô tornou-se ________________________. Havia algumas manchas de tinta preta feitas por T’ô. Sua flauta também tinha ficado muito brilhante. O pai tinha trazido um pedaço de bambu da floresta para fazer sua flauta. Ele tinha ensinado como esfregá-la com um pedaço de folha de bananeira para lhe dar um belo acabamento.

T’ô voltava da escola _______________________________. A mãe lhe servia o almoço. As quatro, o pai aparecia com _______________________________________. Após o jantar, ia com ela à margem do riacho ou à orla da floresta. Toda semana havia uma feira na Aldeia de Baixo. Seus pais e ela saíam _______________________________________ carregada de lenha e sempre que chegavam à Aldeia do Alto, T’ô estava exausta. O pai parava e fazia com que subisse e sentasse ________________________________________. Quando toda a lenha tinha sido vendida, a mãe de T’ô comprava arroz, outras compras e, é claro, um docinho especial para T’ô. A uma hora voltavam para casa. A mãe de T’ô cozinhava então __________________________, mas T’ô nunca estava com muita fome, pois tinha comido uns docinhos no caminho de volta. Por isso, pedia licença ____________________________. Muitas vezes ela ia até a orla da floresta.

A casa deles, pequena e de madeira, era construída no flanco da colina, abaixo da floresta. A cerca de trezentos metros corria um riacho _____________________________________. T’ô gostava muito de brincar à beira deste riacho. Algumas vezes colhia ____________________________________ das quais ignorava os nomes.

Foi então que o pai de T’ô morreu. Ele tinha sido obrigado _______________________. Esteve soldado durante menos de um ano antes de ser morto. Quando chegou a notícia, a _________________________________________________________ como nunca havia feito antes. T’ô só tinha sete anos e não sabia todo o significado da morte. Mas quando a viu rolar na cama soltando gritos desesperados, ela também sentiu a mesma dor, ajoelhou-se e abraçou a mãe. Mãe e filha amparavam-se mutuamente. Foi então, só então, que T’ô se deu conta de que o pai nunca mais voltaria. Ele estava morto. Tinha morrido como aquele passarinho que um dia ela tinha visto na margem do riacho. Ele não mexia mais: jazia inerte, não ouvindo e nem vendo mais nada. O passarinho tinha voltado a ser terra. Lembrando-se do passarinho, T’ô pensou que agora sabia o que tinha acontecido ao pai e ficou muito triste. E esta tristeza ___________________________________________________. Seu pai tinha morrido: tinha se decomposto para virar solo, terra. Nunca mais voltaria de tarde com a carga de lenha. Não iria mais brincar com ela na orla da floresta ou na margem do riacho. Nunca mais falaria com ela, não a levantaria mais nos braços, não a olharia mais nos olhos. T’ô estava muito triste. E quanto mais passavam os dias, mais profunda ficava sua tristeza.

Após a morte do pai, T’ô precisou ficar em casa, ao voltar da escola, para ajudar a mãe. Ela só sabia cozinhar arroz, __________________________________, cozinhar pratos dos mais simples. Mas no lugar do pai, a mãe tinha agora que ir no alto da montanha para trazer lenha. Como a mãe era menos ____________________________, os carregamentos de lenha que trazia eram menores e mais leves. Enquanto T’ô esperava pela mãe, preparava o jantar. Após o jantar, T’ô pedia licença para ir passear na orla da floresta que tanto amava. Sempre levava a flauta. Ela ia ao mesmo lugar: aquele onde ia quando o pai ainda era vivo. Sentava-se num grosso tronco e tocava _______________________________ que o pai lhe tinha ensinado.

E era enquanto tocava flauta que T’ô sentia ______________________________. Essa tristeza era como um caranguejo, com fortes pinças que se agarravam nela e a feriam. Após um momento, parava de tocar as músicas que o pai lhe tinha ensinado e inventava outras. Com o correr do tempo, inventava _______________________________________. Era reconfortante tocar novas melodias. Seu coração se libertava das garras do caranguejo. De fato, às vezes ela chorava quando estava só, mas as lágrimas a tornavam mais leve e a aliviavam. Ela imaginava que suas lágrimas descarregavam seu coração, pois quanto mais chorava, ________________________________ e menos dor ela sentia.

Tich Nhât Hanh. Flamboyant em chama. Petrópolis: Vozes, 1989.

1) Complete adequadamente as frases do texto, usando as expressões abaixo:
.
os traços e expressões exatas

escura e brilhante

o murmúrio das folhas

há seis anos

mãe de T’ô se desesperou e chorou

as musiquinhas

uma panela de arroz

espalhou-se no seu coração e no seu espírito

orte do que o pai

tão frescos de manhã

para ir brincar lá fora

lá pelas duas horas

para ela mesma

catar legumes e verduras

estranhas e belas flores do campo

de madrugada numa grande carroça

ela sente o gosto salgado desta lágrima

na pilha de lenha da carroça

lenhador e viviam na orla

não fosse cega

cada vez mais músicas

as folhas estão verdes e amarelas e o sol de abril

que saía da parte de baixo da colina

de tocar flauta

pois o pai tinha utilizado tábuas muito finas

traços da mãe

no dedo

a partir para a guerra

nove anos

um carregamento de lenha nas costas

uma profunda tristeza

a mão e toca seu rosto

a flauta no colo

a chorar

mais leve ele se tomava

seu caderno, sua caneta, lápis e borracha e uma flauta de bambu

2) No primeiro parágrafo do texto, que palavra foi utilizada para caracterizar o substantivo "gosto"?

3) Observe os seguintes trechos presentes no segundo parágrafo:
"T'ô escuta o murmúrio das folhas." 
"[...] teria apenas de erguer os olhos a fim de ver as folhas que tremulam e que acenam para ela."
a) Os termos destacados nas frases acima foram empregadas no sentido conotativo. Explique, com suas palavras, o que o narrador quis dizer com essas frases, e com o que ele associou esses termos, para empregá-los nesse contexto.

4) Na frase: "Sabe também que, embora cega, o raio de sol suave e benfazejo de certo modo consegue atingir seus olhos." (2º parágrafo), o termo destacado significa:
a) alegre.        b) benéfico.        c) forte.        d) prejudicial.          e) ultravioleta.

5) A locução adjetiva "de sol", na frase da questão anterior, pode ser substituída por qual adjetivo?

6) Com que idade T'ô ficou cega? E com que idade ela perdeu o pai?

7) Por que T'ô se lembra claramente dos traços da mãe? 

8) Há, no 4º parágrafo, 4 substantivos derivados. Transcreva-os indicando-lhes os primitivos.

9) Que outro substantivo foi usado, no 4º parágrafo, como sinônimo de "montanha"?

10) Observe o seguinte trecho: "[...] enquanto T’ô seguia uma senda familiar e atravessava duas outras colinas, [...]" (4º parágrafo). Procure no dicionário o sentido da palavra destacada e responda: por onde T'ô seguia?

11) Reescreva o trecho abaixo, substituindo o termo destacado por um sinônimo:
a) "[...] onde a estrada da montanha se bifurcava no pé da colina." (4º parágrafo)

12) Na 3ª frase do 5º parágrafo, foi omitida uma palavra mencionada anteriormente. Que palavra é essa?

13) O que a família de T'ô fazia na feira que era realizada na Aldeia de Baixo?

14) Releia o trecho: "A casa deles, pequena e de madeira, era construída no flanco da colina, abaixo da floresta." (6º parágrafo). Procure o significado da palavra destacada e responda: onde ficava a casa de T'ô?

15) Como o pai de T'ô morreu?

16) Ao que T'ô comparou a morte do pai, no sétimo parágrafo? 

17) Observe a frase: "Ele não mexia mais: jazia inerte, não ouvindo e nem vendo mais nada." (7º parágrafo). Reescreva a frase, substituindo os termos destacados por sinônimos. Faça as alterações necessárias.

18) Cite as mudanças que ocorreram na vida de T'ô, depois da morte do pai.

19) No último parágrafo, o narrador compara a tristeza de T'ô a quê?

20) Que palavra foi empregada, no último parágrafo, como sinônimo de "música"?

21) Transcreva, do último parágrafo do texto, as palavras empregadas para caracterizar os substantivos abaixo:
a) Tristeza:
b) Pinças:
c) Melodias:

22) O que T'ô fazia para amenizar a tristeza que sentia pela morte do pai?