terça-feira, 15 de abril de 2014

O CAÇADOR DE PALAVRAS

O caçador de palavras
Walcir Carrasco


1) Os parágrafos do texto estão desorganizados. Organize-os, enumerando a coluna à esquerda.

É incrível como um cinema vazio, à noite, pode ser tétrico. Olhava para as paredes, via sombras. Ouvia ruídos. Ao mesmo tempo, tentei raciocinar. Arrombar a porta, ou qualquer coisa do tipo, poderia terminar em confusão. Chamar a polícia também: como explicar minha presença, se todos pensariam, no primeiro instante, que eu era um ladrão? O ideal, sem dúvida, era aguardar algumas horas, e esperar, pacificamente, que alguém viesse abrir o cinema. Poderia, então, sair calmamente. Como passar aquelas horas difíceis? Foi quando vi, no canto do balcão da doceria, ajudando a apoiar uma lata, um livro grosso. Fui até ele. Peguei. Era bem pesado.


Puro engano. Só para me distrair, comecei a folheá-lo. Pouco a pouco, fui sendo envolvido pelo universo fascinante das palavras. Elas começaram a brilhar para mim como estrelas no céu. Da mesma forma que todas as pessoas, sempre vivi cercado por verbos, substantivos, adjetivos. Com eles, dei forma a sentimentos, expressei vontades, descobri risos, comuniquei emoções. Mas, assim como não se pensa conscientemente nos dedos cada vez que se pega um garfo, também não me detinha nas palavras. Elas faziam parte de mim como os olhos, os cabelos e as unhas. Eram tão enredadas no cotidiano como o elevador do prédio, o ônibus, o cartão de ponto. Apesar de fluírem através da vida com tanta facilidade quanto o ar que respirava, as palavras eram um instrumento que eu usava mecanicamente.


Saí do saguão, onde só entrava a luz do luar, e fui ao banheiro. Acendi a luz. No hall de entrada que levava aos dois toaletes, havia um sofazinho velho. Sentei, e abri o livro. Era um dicionário com a origem e o significado das palavras. No primeiro instante, pensei:
– Bem que eu preferia um livro policial!


Deixei de ouvir os ruídos, de olhar as sombras daquele cinema vazio. Era como se eu tivesse lendo um romance que falava de todas as pessoas, de toda a humanidade. Quis seguir a trilha das palavras. [...]


De repente, tudo mudou.
Naquela noite, descobri que as palavras guardam histórias. Percorrem os tempos, registrando emoções, atravessam vidas. Entendi, pela primeira vez, o fascínio dos poetas ao brincar com elas, criando versos e rimas que trazem os sons das marés, a cadência dos sentimentos, o colorido das primaveras. A paixão de quem faz letras de músicas, sonoras por si sós, onde as palavras remetem umas às outras, dançam entre si. Senti o encanto dos escritores, que as usam para criar mundos e vidas, como se fossem bilhetes para viagens fulgurantes. E, então, eu também me apaixonei, porque descobri, mais que tudo, o quanto as palavras são vivas.


[...] Foi por causa de minha mania de ir ao cinema que tudo aconteceu. Naquela noite, eu estava cansado. E o filme era bem aborrecido, para dizer a verdade. Só fiquei para a segunda sessão porque estava chovendo, e não queria molhar os sapatos. Nos primeiros dez minutos de filme, adormeci. Meu corpo escorregou da cadeira, e dormi tão confortavelmente como em minha cama.


Acordei em plena escuridão e silêncio. No início, nem sabia onde estava. Aos poucos, meus olhos foram se acostumando com a falta de luz. Vi a tela branca, o letreiro de saída apagado. Não entendi, imediatamente, o que estava acontecendo. Levantei atordoado. Com dificuldade, empurrei a porta de entrada. Pesada. Saí do saguão. Só então percebi o que havia acontecido: haviam esquecido de mim no cinema. Completamente. Talvez não tivessem me visto. Olhei o relógio, estava no meio da noite.
Quis telefonar. Fui até o escritório, estava trancado. Pensei em quebrar o vidro. Nunca senti tamanho desespero.


VOCABULÁRIO:
1) ENCONTRE, NO TEXTO, SINÔNIMOS PARA AS PALAVRAS ABAIXO:

a) Vestígio, caminho: ________________________________________________________
b) Confuso: _______________________________________________________________
c) Apavorante, assustador: __________________________________________________
d) Ritmo, compasso: ________________________________________________________
e) Brilhantes, reluzentes: ____________________________________________________

INTERPRETAÇÃO TEXTUAL *
1) Logo no início do texto, o narrador diz que sua mania de ir ao cinema foi a causa de um acontecimento inesperado. O que aconteceu de especial com ele naquela noite?

2) Sem saber o que fazer, o narrador imagina várias formas de sair dali.

a) Por que ele abandona quase todas as ideias que teve?
b) O que ele encontrou para fazer enquanto aguardava?
3) O narrador abre o livro que encontrou sobre o balcão da doceira.
a) Qual era a expectativa que ele tinha, ao abrir o livro?
b) O que ele provavelmente pensava a respeito de dicionários, antes dessa noite?
c) Pouco a pouco o narrador passou a ter outra opinião sobre os dicionários. Que comparação feita por ele exprime o novo tipo de relação que ele passou a ter com as palavras?

4) A descoberta das palavras e de seus significados faz com que o narrador reveja a relação que ele então tinha com as palavras.
a) Até aquela noite, qual era, para ele, a utilidade dos verbos, substantivos e adjetivos?

5) “De repente, tudo mudou”, o narrador afirma em um dos parágrafos do texto:
a) O que de novo o narrador descobriu sobre as palavras?
b) Ao entender o fascínio dos poetas, dos compositores e dos escritores pelas palavras, o que o narrador passa a ter em comum com esses artistas?

6) O título do texto é “O caçador de palavras”.
a) Que frase do último parágrafo traduz um desejo do narrador e, ao mesmo tempo, esclarece o título do texto?

ATIVIDADES GRAMATICAIS
1) Quantas orações tem o primeiro período do texto?

2) O último período do texto é simples ou composto? Justifique:

3) Sublinhe o sujeito e circule o predicado nas frases orações abaixo:

a) “E o filme era bem aborrecido, [...]”
b) “Aos poucos, meus olhos foram se acostumando com a falta de luz.”
c) “Ouvia ruídos.”
d) “Fui até o escritório, estava trancado.”
e) “Naquela noite, descobri que as palavras guardavam segredos.”

4) Retire, do texto, 3 frases nominais.

5) Destaque e classifique o sujeito das orações abaixo, indicando o núcleo, quando houver.

a) “Acordei em plena escuridão e silêncio.”
b) “[...] haviam esquecido de mim, no cinema.”
c) “O ideal, era aguardar algumas horas [...]”
d) “Meu corpo escorregou da cadeira [...]”
e) “Percorrem os tempos, registrando emoções, atravessam vidas.”

6) Circule, no texto, 5 períodos simples.

7) Sublinhe, no texto, 3 períodos compostos que tenham que tenham 3 orações.

* Fonte das Atividades de Interpretação
CEREJA, William Roberto. MAGALHÃES, Thereza Cochar. PORTUGUÊS LINGUAGENS. 7.ed. reform. - São Paulo: Saraiva, 2012.

sexta-feira, 28 de março de 2014

Cadê os plural?

Cadê os plural?
Ricardo Freire 
In: Revista Época, 21 de Fevereiro de 2005.



É só impressão minha, ou está cada vez mais difícil ouvir plurais ortodoxos? Aqueles de antigamente, arrematados com um ''s'' - plurais tradicionais, quatrocentões? Os plurais agora estão cada vez mais enrustidos, dissimulados, problemáticos. Cada vez menos plurais são assumidos. Os plurais agora precisam ser subentendidos.



Verdade seja dita: não somos os únicos no mundo a ter problemas com a maldita letra ''s'' no final das palavras. Os franceses, debaixo de toda aquela empáfia, há séculos desistiram de pronunciar o ''s'' dos plurais. No francês oral, o plural é indicado pelo artigo, e pronto. Ou seja: eles falam ''as mina'' e ''os mano'' desde que foram promovidos de gauleses a guardiães da cultura e da civilização.



Os italianos também não podem com a letra ''s'' no fim das palavras. Fazem seus plurais em ''i'' e em ''e'', dependendo do sexo, ops, do gênero das palavras. Quando a palavra é estrangeira, entretanto, eles simplesmente desistem de falar no plural: decretaram que termos forasteiros são invariáveis, e tudo bem. Una foto, due foto; una caipirinha, quattro caipirinha. Quattro caipirinha? Hic! Zuzo bem!


Os alemães, metódicos que só, reservam o ''s'' justamente a esses vocábulos estrangeiros que os italianos permitem que andem por aí sem plural. Com as palavras do seu próprio idioma, no entanto, os alemães são implacáveis. As palavras mais sortudas ganham apenas um ''e'' no final, mas as outras são flexionadas com requintes de tortura - com ''n'' (!) ou com ''r'' (!!), às vezes em conjunto com um trema (!!!) numa vogal da penúltima sílaba (!!!!), só para infernizar a vida dos alunos do Instituto Goethe ao redor do planeta.

Práticos são os indonésios, que formam o plural simplesmente duplicando o singular: gado-gado, padang-padang, ylang-ylang. Pelo menos foi isso que eu li uma vez. (Claro que não chequei a informação. Eu detestaria descobrir que isso não é verdade.) Já pensou se a moda pega aqui, feito aquele pavoroso cigarro de cravo? Os mano-mano. As mina-mina. Um chopps e dois pastel-pastel.

Nem mesmo nossos primos de fala espanhola escapam da síndrome dos comedores de plural. Os andaluzes e praticamente todos os latino-americanos também não são muito chegados a um ''s'' final. Em vez do ''s'' ríspido e perigosamente carregado de saliva dos madrilenhos (que chiam quase tanto quanto os portugueses), eles transformaram o plural num acontecimento sutil, perceptível apenas por ouvidos treinados. Em Sevilha, Buenos Aires ou em Santo Domingo, o ''s'' vira um ''h'' aspirado - lah cosah, lah personah, loh pluraleh.

Entre nós, contudo, a mutilação do plural não tem nada a ver com sotaques ou incapacidade de pronunciar fonemas. Aqui em São Paulo, a falta de ''s'' é um fenômeno sociocultural. Os pobres não falam no plural por falta de cultura. Da classe média para cima, deixamos o plural de lado quando há excesso de intimidade. É como se o plural fosse algo opcional, como escolher entre ''você'' e ''o senhor''. Se a situação exige, você vai lá e aperta a tecla PLURAL. Se a conversa for entre amigos, basta desligar, e os esses desaparecem em algum ponto entre o cérebro e a boca.

Na minha terra, não. Imagina. Lá não se permite isso. No Rio Grande NINGUÉM fala os plurais. NUNCA. Considera-se PEDANTE quem fala plural. Trata-se de um dos pontos mais importantes do nosso dialeto. Assim como no francês oral, no gauchês oral o plural é indicado pelo artigo: os guri, as guria. Mas isso só vale no gauchês falado. Você jamais verá escritas em Porto Alegre essas coisas que se leem em placas e faixas de São Paulo, tipo COMIDAS TÍPICA ou 12 PRATOS QUENTE.

Escrito, não. Para nós, a falta de plural escrito dói nos... ouvidos. [...]

O avanço da despluralização, no entanto, ameaça transformar São Paulo numa nova Porto Alegre, onde concordar substantivo com artigo é coisa de maricas.

O que se deve fazer? Uma grande campanha educativa, com celebridades declarando que é chique falar os plurais? Lançar pagodes e canções sertanejas falando da dor-de-cotovelo causada por não usar ''s'' no final das palavras? Ou contratar um grupo de artistas alternativos para sair pichando nos muros por aí uma mensagem subversiva? Tipo assim: OS MANOS E AS MINAS.

VOCABULÁRIO
1) Analise as afirmações e assinale a alternativa correta:
I - "É só impressão minha, ou está cada vez mais difícil ouvir plurais ortodoxos?" -  o termo destacado refere-se ao uso do "s" para pluralizar as palavras.
II - " [...] decretaram que termos forasteiros são invariáveis,[...]" - a expressão destacada refere-se às palavras que não pertencem ao idioma nato.
III - "[...] a mutilação do plural não tem nada a ver com sotaques ou incapacidade de pronunciar fonemas [...]" - o termo destacado refere-se ao "corte" da letra "s" na formação de plural.
IV - "Trata-se de um dos pontos mais importantes do nosso dialeto." - O termo destacado pode ser substituído por "idioma", sem alterar o sentido da frase.
V - "Considera-se PEDANTE quem fala plural." - O termo destacado é sinônimo de "esnobe".

a) Todas as alternativas estão corretas.
b) Nenhuma alternativa está correta.
c) Apenas a alternativa I está correta.
d) Apenas a alternativa V está incorreta.
e) Apenas as alternativas II e III estão corretas.

INTERPRETAÇÃO
1) Analise as afirmações acerca do texto e assinale a alternativa correta.
I - Segundo o autor, a despluralização é um fenômeno exclusivamente brasileiro.
II - De acordo com o texto, não fazemos o plural em razão dos sotaques ou da incapacidade de pronunciar fonemas.
III - Segundo o autor, campanhas educativas com canções sertanejas e celebridades ensinariam as pessoas a usar corretamente o plural.
IV - Os alemães atribuem o "s" do plural aos vocábulos estrangeiros.
V - Em São Paulo, os pobres não falam o plural por falta de cultura e as pessoas de classe média  quando há muita intimidade.

a) Todas estão corretas.
b) Nenhuma está correta.
c) As alternativas I, II e III estão corretas.
d) As alternativas I, II e III estão incorretas.
e) As alternativas IV e V estão incorretas.

2) Em que consiste a subversão da frase "Os manos e as minas" sugerida pelo autor, no último parágrafo?

ATIVIDADES GRAMATICAIS

1) Indique quais adjetivos foram usados, no texto, para caracterizar os substantivos abaixo:
a) plurais (1º parágrafo):
b) letra "s" (2º parágrafo):
c) termos (3º parágrafo):
d) alemães (4º parágrafo):
e) vocábulos (4º parágrafo):
f) palavras (4º parágrafo):
g) indonésios (5º parágrafo):
h) ouvidos (6º parágrafo):

2) Nas expressões abaixo, substitua as locuções adjetivas, pelo adjetivo correspondente:
a) guardiães da cultura: (2º parágrafo):
b) vida dos alunos (4º parágrafo):

3) Retire do texto os adjetivos pátrios, indicando os países, estados ou cidades a que se referem.

4) Há, no texto, um adjetivo pátrio composto. Encontre-o e indique a que países se refere.

5) Reescreva a expressão abaixo, substituindo o adjetivo pela locução adjetiva correspondente.
a) Fenômeno sociocultural (7º  parágrafo):

6) Analise as afirmativas abaixo em relação ao poema, e assinale a alternativa correta.


I – “Na tarde fria de julho / voa o cheiro,  o barulho”
a)       Há , nesta frase, 4 substantivos abstratos – tarde, julho, cheiro e barulho ; 1 adjetivo – fria; e 2 artigos definidos.
b)       Há, nesta frase, 3 substantivos abstratos – tarde, julho e cheiro;  2 adjetivos – fria e barulho; e 2 artigos definidos.
c)       Há, nesta frase, 2 substantivos abstratos – tarde, fria ; 2 adjetivos – cheiro e barulho ; e 2 artigos definidos.

II – “[...] do café descendo quente / pelo bule reluzente...”
a)                  Há, nesta frase, 2 substantivos concretos – café e bule ; 1 substantivo abstrato – quente; 1 adjetivo referente ao substantivo “bule” – reluzente; e 1 artigo definido.
b)                  Há, nesta frase, 4 substantivos – café, quente, bule e reluzente; e 1 artigo definido.

c)                  Há, nesta frase, 2 substantivos concretos – café e bule ; 2 adjetivos – quente e reluzente ; e 1 artigo definido.

UNANIMIDADE É ILUSÓRIA - Fabrício Carpinejar

UNANIMIDADE É ILUSÓRIA
Fabrício Carpinejar

Não existe consenso. 

Libertação é perceber que sempre haverá alguém que não gostará de você, não foi com sua cara, com seu jeito. E nenhuma atitude será preventiva, nenhum gesto pacificador. 

Não tem como agradar a todos. 

No trabalho, haverá um chato, um implicante, um invejoso.

Na família, haverá quem puxe briga ou queira ficar de mal. 

Nossa imagem tem vida própria. 

Se você é educado será visto como afetado. 

Se você é confiante será visto como prepotente.

Se você é humilde será visto como submisso. 

Se você é generoso será visto como oportunista.

As pessoas enxergam aquilo que elas desejam ver. Na verdade, distorcem aquilo que desejam ver. 

Não tem como controlar. Não tem como mandar na imaginação dos outros. 

Não há saída. Você nunca será unanimidade. 

Nem perca tempo tentando. Relaxe e goze. 

Já ao nascer, seja colorado, seja gremista, metade do estado automaticamente vai odiá-lo.

ATIVIDADES

1) Encontre, no texto, sinônimos para as palavras abaixo:
a) dependente:
b) arrogante:
c) alteram:
d) senso comum:

2) O que é, de acordo com o autor, “Libertação”?

3) Observe a conjunção “SE” no 6º, 7º, 8º, 9º, 10º parágrafos. Ela estabelece entre as orações uma relação de:
( ) dúvida             ( ) condição           ( ) causa           ( ) explicação         ( ) tempo

4) Encontre, no texto, 4 orações sem sujeito.

5) Classifique o sujeito das orações abaixo, indicando-lhe o núcleo, quando possível.
a) “Você nunca será unanimidade”
b) “Não existe consenso”.
c) “Não há saída.”
d) “Nem perca tempo tentando.”

6) Analise as afirmações abaixo e assinale a alternativa correta.
I – “No trabalho haverá um chato, um implicante, um invejoso.” – O sujeito da oração é composto e tem como núcleos “chato”, “implicante” e “invejoso”.
II – “Nossa imagem tem vida própria.” – O sujeito é simples e tem como núcleo “imagem”.
III – “E nenhuma atitude será preventiva.” - O sujeito é simples e o núcleo é "nenhuma".
IV -  No texto, o sujeito dos verbos "distorcem" e "desejam" (11º parágrafo) é um sujeito simples "As pessoas".
V - O último período do texto tem 4 orações.

a) Todas estão corretas.                                    d) II, IV e V estão corretas.
b) Nenhuma está correta.                                   e) III, IV e V estão corretas.
c) A I, II e V estão corretas.

7)  Indique o substantivos abstratos dos quais derivam os adjetivos abaixo:
a) afetado:
b) prepotente:
c) submisso:
d) oportunista:
e) chato:
f) invejoso:
g) educado:
h) confiante:
i) humilde:
j) generoso:
k) ilusória:

8) Encontre, no texto, 4 substantivos abstratos.





quinta-feira, 27 de março de 2014

INSÔNIA

Insônia
Adriana Falcão
http://veja.abril.com.br/vejarj/161002/cronica.html

Considerando que oito horas de sono são o ideal para uma pessoa, quase oito horas de sono devem ser quase o ideal. É lógico. Então, se eu conseguir dormir até a meia-noite e acordar amanhã às sete e vinte, está ótimo. Ou quase ótimo. Vou acordar feliz, bem-disposta, capaz, praticamente recuperada. Se eu dormir até a meia-noite. Ainda tenho cinco minutos. Cinco minutos é tempo de sobra pra uma pessoa pegar no sono, quer ver? Vou pegar no sono em cinco minutos. Boa noite. Estou quase dormindo. Quase. Dormi. Não dormi? Acho que não. Mas vou dormir agora. Senão os pensamentos começam a entrar na minha cabeça e aí, minha filha, nunca mais. Um pensamento puxa outro, que puxa outro, parece até que pensamento tem corda. O negócio é não deixar entrar o primeiro, tá vendo? Foi só começar _____ pensar em não pensar e quando eu vi já estava pensando em pensamento com corda. E de corda pra acorda é um pulo. E é melhor eu não pensar em acordar senão eu não consigo dormir. E eu preciso estar inteira amanhã. Ou vai ser uma tragédia. Calma, também não é assim. Ainda tenho cinco minutos pra pegar no sono. Se bem que agora já não faltam mais cinco, quantos minutos se passaram até agora? Esquece e dorme. Boa noite. Dormi. Não dormi? Se eu tivesse dormido não estaria pensando se dormi ou não dormi. Estaria dormindo. Isso prova que não dormi ainda. Amanhã vou acordar um lixo. E tenho um dia dificílimo pela frente, com uma lista enorme de coisas pra resolver: vinte minutos de meditação ao acordar, ginástica _____ oito, reunião às dez em ponto, consertar o carburador do carro, desmarcar o dentista, comprar tinta pra impressora, ligar pro Geraldo, esquece o Geraldo e dorme. Você já trancou a porta, já fechou o gás, já tomou seu banho, já foi _____ cozinha, já bebeu seu leitinho quente, já pensou em quantas calorias tem um copo de leite, você já se preocupou demais por hoje. Você precisa dormir. Isso. Eu preciso dormir. Então, boa noite. Tem certeza de que eu tranquei a porta? Tranquei, sim. Fechou o gás? Claro. Não lembra? Logo depois do banho. Fechei o gás, fui à cozinha, bebi meu leitinho quente, quantas calorias tem um copo de leite? Eu não devia ter botado açúcar pra depois não ficar culpada. Depois eu fico culpada. Agora eu vou dormir. Já me preocupei demais por hoje, e amanhã, não, eu não vou pensar no que tenho de fazer amanhã. Tenho um dia dificílimo pela frente, com uma lista de coisas pra resolver, e se eu não dormir até meia-noite e meia, uma hora, vou terminar pulando a meditação. É uma opção. Faço ginástica às oito e de lá vou direto pra reunião às dez em ponto no Centro, vou de carro ou vou de táxi? Amanhã você resolve isso. Certo. Eu resolvo isso amanhã. Boa noite. Mas eu já tenho coisas demais pra resolver amanhã, assim não vai dar tempo. Será que não é melhor ir pro Centro de táxi pra poder ir resolvendo outras coisas no caminho? Está resolvido. Amanhã eu resolvo o resto. Boa noite. Se eu conseguir dormir até uma e meia e acordar às nove, já está bom. Pulo ____ meditação, falto _____ ginástica, pego um táxi pro Centro e aí só falta resolver o resto da vida. Mas eu tenho o dia inteiro pra resolver tudo. Ligar pro Geraldo, terminar o relatório, passar no supermercado, chamar o homem da televisão, esquece o homem da televisão e dorme. Já deve ser bem mais de uma. Olho o relógio ou não olho? Se eu olhar e for muito tarde, vou ficar nervosa. Mas se eu não olhar vou ficar imaginando que é mais tarde do que é na verdade e fico mais nervosa ainda. Esquece o relógio e dorme. Boa noite. Não vou pensar em amanhã, não vou pensar em hoje, não vou pensar nas horas, não vou pensar em nada. Nadinha. Um nada absoluto. Pensar em nada é pensar em alguma coisa? Olha aí eu pensando de novo. É por isso que não durmo. Durmo, sim. Quer ver? Vou contar carneirinhos. Um carneiro, dois carneiros, três carneiros, quatro carneiros, pronto, agora o quinto carneiro enganchou e não quer entrar no meu pensamento. Vem, carneiro. Por favor. Tá fazendo o que aí fora? Arranjou uma namorada, foi? Então já são mais dois carneiros, ele e a namorada, fora os filhotinhos que eles podem ter, olha só que maravilha, vão ser não sei quantos carneirinhos pra contar. Vou dormir na hora. Venham, carneiros. Um de cada vez. Podem entrar. Esses carneiros estão de implicância comigo. Estou começando a me irritar. Daqui a pouco cometo um carneiricídio. Assim que eles entrarem. O problema é que eles não entram. Esquece os carneiros e dorme. Será que, se eu pensar em capim, os carneiros entram pra comer o capim? Capim. Capim. Carneiro come capim? Esquece o capim e dorme. Já devem ser quase duas e você aí acordada. Amanhã vai estar um lixo. Eu não vou estar um lixo amanhã pela simples razão de que vou dormir agora, quer ver? Boa noite, dormi, não dormi?, ainda não. Mas vou dormir imediatamente. É só não pensar em amanhã porque amanhã eu tenho um dia dificílimo pela frente com uma lista de coisas pra resolver: chamar o homem da televisão, comprar queijo ralado, dar uma passadinha no laboratório pra buscar os exames, descobrir se carneiro come capim, não acredito que já é de madrugada e eu estou aqui pensando em capim, esquece os pensamentos e dorme, vou dormir, você não pode pensar em amanhã, eu não vou pensar em amanhã, não vou mesmo, de jeito nenhum, amanhã eu tenho um dia dificílimo com uma lista de coisas pra resolver: descobrir se carneiro come capim...

1) Qual é a situação retratada no texto?

2) O Conto é uma narrativa curta que apresenta os mesmos elementos do romance: narrador, personagens, enredo, espaço e tempo. Nos textos narrativos em prosa, quem conta a história é o narrador. Se o narrador está em 1ª pessoa (eu / nós) e é o personagem principal, porque a história contada gira em torno dele, dizemos tratar-se de um narrador-protagonista ou narrador-personagem. Se o narrador apenas relata a história, em 3ª pessoa (ele / eles) sem participar dela, é classificado como um narrador-observador ou narrador-onisciente.

a) No caso do conto lido, qual é o tipo de narrador? Comprove com elementos do texto.

b) Em algumas partes do conto, a narradora tem uma conversa consigo mesma. Transcreva 3 trechos que exemplifiquem isso.

3) É possível determinar, a partir da leitura do conto, se o personagem é homem ou mulher? Comprove com um trecho do texto.

4) Explique a expressão: "Daqui a pouco cometo um carneiricídio."

5) A partir da leitura do conto, podemos determinar a hora em que a personagem começa a narrativa. Que hora é essa?

6) Identifique e classifique os sujeitos das orações abaixo:
a) "[...] oito horas de sono são o ideal para uma pessoa, [...]"
b) "Dormi".
c) "Esquece e dorme".
d) "Venham, carneiros."
e) "Mas vou dormir imediatamente."

7)   Quantas orações tem o primeiro período do texto?

8) Retire, do texto, 5 frases nominais.

9) Transcreva, do texto, 3 períodos simples.

10) Classifique os períodos abaixo como Simples ou Compostos.
a) "Amanhã vou acordar um lixo."
b) "Não dormi?"
c) "Eu vou acordar feliz, bem-disposta, extremamente capaz, praticamente recuperada."
d) "Esquece o capim e dorme."
e) Se eu tivesse dormido não estaria pensando se dormi ou não dormi.

11) Em relação ao emprego da crase, a alternativa que preenche corretamente as lacunas do texto é:
a) a - as - a - a - a                                                      d) à - às - à - a - à
b) a - às - à - a - à                                                      e) à - às - à - à - à 
c) à - às - à - a - a 

12) Reescreva as frases, substituindo as locuções verbais por um verbo adequado. 
a) "Ou vai ser uma tragédia."
b) "Se eu olhar e for muito tarde, vou ficar nervosa."
c) "Agora vou dormir."

13) Reescreva as frases, empregando os verbos no tempo/modo, número/ pessoa indicados entre parênteses. Faças as alterações necessárias.
a) "Estaria dormindo." (Pretérito Imperfeito do Indicativo - 1ª pessoa do plural).
b) "Você já trancou a porta, já fechou o gás, já tomou seu banho, já foi à cozinha, já bebeu seu leitinho quente, já pensou em quantas calorias tem um copo de leite, você já se preocupou demais por hoje." ( Pretérito Perfeito do Indicativo - 3ª pessoa do plural).
c) "Podem entrar." (Presente do Indicativo - 1ª pessoa do singular).
d) "Esquece o capim e dorme." (Futuro do Pretérito - 2ª pessoa do singular).
e) "Arranjou uma namorada [...]?" - (Futuro do Presente - 3ª pessoa do singular).

14) Quanto à forma nominal dos verbos, retire do texto:
a) 2 frases em que apareçam verbos no gerúndio.
b) 1 frase em que apareça  um verbo no particípio:
c) 2 frases em que apareçam verbos no infinitivo:









sexta-feira, 14 de março de 2014

Coletânea de atividades sobre Tipos de Linguagem - 6º ano

1) Leia a tirinha e responda ao que se pede:

a) O que o Snoopy queria no primeiro quadrinho?

b) O que ele fez para conseguir o que queria?

c) Ele alcançou seu objetivo? Explique:

d) Que tipo de linguagem é empregado na tirinha?

2) Leia a tira e responda ao que se pede.

a) O que são os dois pontinhos que caem na direção da personagem no primeiro quadrinho?


b) Explique que fato inesperado aconteceu, observando o 2º, o 3º e o 4º quadrinho da tira.

c) Considere as imagens da tirinha e escreva o que a personagem poderia ter dito ou pensado nos quatro primeiros quadrinhos.

d) Você conseguiria entender a tira sem ler o texto do último quadrinho?

e) E se a tira não tivesse os desenhos dos quatro primeiros quadrinhos, você entenderia?

f) Que tipo de linguagem é empregada na tirinha? Explique:

3) Leia esta tira e responda às questões:



a) O que Níquel Náusea está fazendo no primeiro quadrinho?

b) Qual é a intenção dele ao fazer isso?

c) O menino consegue entender a mensagem deixada no bilhete? Por quê?

d) Explique por que o plano de Níquel não deu certo.

e) Que tipo de linguagem é usada no segundo quadrinho do texto? Por quê?

f) Que tipo de linguagem predomina na tirinha? Justifique:

4) Observe como o texto a seguir registra a fala de uma personagem, convidada de uma festa popular religiosa.

- Quem quisé pode pegá o santo e dançá com ele encostado no lugá doente. (Alcântara Machado)

a) Que tipo de linguagem é empregada na frase? Por quê?

b) A Língua oral é diferente da Língua escrita. A frase acima registrou ortograficamente a fala de alguém. Em que palavras percebemos isso?

c) Como ficaria a frase se o autor a tivesse escrito de acordo com as regras da ortografia?


5) Observe estas imagens: 

a) Qual o tipo de linguagem de cada imagem? Justifique:

b) Traduza em linguagem verbal a mensagem que cada imagem transmite.


6) Leia o fragmento de texto a seguir:
]

a) A que tipo de leitor esse texto se dirige? Assinale a alternativa correta:
( ) às crianças            ( ) aos adultos           ( ) aos adolescentes

b) “O papo não é com você.” A quem o narrador diz isso?

c) De todos os poderes ou superpoderes que são citados no texto, qual você considera o mais importante? Por quê?

d) Que linguagens se misturam no texto que você leu? Explique:

7) Leia:

a) O gato e Duncan conseguiram se entender?

b) Qual é o problema de comunicação entre eles?

c) Que tipo de linguagem é empregada?


Fonte: Português 5ª Série - Projeto Araribá

quarta-feira, 12 de março de 2014

DO ROLEZINHO AO ROLEZAÇO


Do rolezinho ao rolezaço
Se os inventores do rolezinho se associarem aos ideólogos do blackbloquismo, melhor nem pensar
EUGÊNIO BUCCI - 17/01/2014 20h34 - Atualizado em 17/01/2014 20h46

A palavra rolezinho logo entrará nos dicionários. Substantivo masculino. Modalidade de manifestação pública instantânea – inventada por adolescentes de bairros pobres de São Paulo e normalmente convocada por meio das redes sociais –, que reúne dezenas ou centenas de participantes em shopping centers para confraternizar, chamar a atenção e se divertir; um rolezinho, como um elefante, incomoda muita gente; dois rolezinhos, como dois elefantes, incomodam muito mais, podendo mesmo tirar o sossego de dirigentes de associações comerciais e de Estado, apavorados(as) diante da possibilidade de que meia dúzia de rolezinhos, ou mesmo, sejamos paranoicos, milhares de rolezinhos, atrapalhem eventos esportivos de caráter internacional, como a Copa do Mundo, por exemplo. Etimologia: do francês roulê, particípio passado de rouler (sXII roueller ‘enrolar’) (mas aqui com o sentido de “dar um rolê”, significando “dar um passeio”, i.e., “dar uma banda por aí”, se é que você me entende, mas uma banda em grupo, com a molecada pisando forte e cantando rap), de rouelle, “rodela”, do latim rotella.

O rolezinho chega como a mais forte tendência do verão, rivalizando com os protestos de junho e com os black blocs, que escaldaram a temporada de inverno. O medo das autoridades está justamente nessa aproximação. Elas temem que os insufladores de rolezinhos se aliem às figuras cavernosas do blackbloquismo, gerando um híbrido dedicado a depredar vitrine e saquear geral. Aí, aconteceria nas ruas e nos shoppings do Brasil de hoje um casamento semelhante ao que se deu dentro das cadeias nos anos 1970. Naquela época, ao menos de acordo com alguns relatos, os presos políticos ensinaram rudimentos da disciplina bolchevique aos presos comuns e deram origem a crime organizado que hoje domina os presídios, o tráfico e as milícias. Se os inventores dos rolezinhos se associarem aos ideólogos do blackbloquismo, bem, melhor nem pensar (mas as autoridades não pensam em outra coisa).

Eis aí a contradição: a folia juvenil que anima os finais de semana da juventude das periferias é um filme de terror na imaginação daqueles que são encarregados de assegurar a ordem. As duas expectativas não têm como se conciliar. Possivelmente, o pau vai comer.

Aliás, já come. Imagens de policiais fustigando garotos com seus cassetetes (que já saem de fábrica dotados de preconceito de classe) estampam fartamente o noticiário. Não vem boa coisa por aí. Os shopping centers, templos do consumo sem janela alguma, iluminados o tempo todo por luzes ubíquas, lugares em que os corpos humanos não projetam sombra, posto que a luz brota de todas as paredes, vivem dias de apreensão. Império da mercadoria em que o sol (artificial) nunca se põe, espaços de confinamento voluntário em que os internos, como os prisioneiros de solitárias, não sabem se é dia ou se é noite lá fora, correm o risco de virar ringues dessa coisa disgusting e fora de moda que é a luta de classes. De um lado, a garotada que mal completou 18 anos; de outro, os brucutus da PM ou aqueles sujeitos de terno preto, treinados a dizer amém aos endinheirados e dirigir insultos (inclusive físicos) aos descapitalizados.

Diante de um simples rolezinho, a monumental empáfia das caixas-fortes do fetichismo se desfaz como fumaça. As torres inexpugnáveis, os caixotões de concreto armado, vigas de aço e vidro blindado, as fortalezas ultravigiadas que acomodam as grifes mais caras – e as mais bregas também – prometem segurança total aos clientes, mas não têm defesa contra meninos e meninas que, mesmo sem nadar em dinheiro, trafegam de cabeça erguida pelas galerias que existiriam para sentenciar sua exclusão.

Nesse ponto, a contradição vira fratura exposta. A menos que passem a cobrar ingresso na porta – R$ 50 por cabeça, que tal? –, os shoppings não têm como impedir legalmente a entrada de ninguém. Se, de uma hora para outra, as multidões que não compram naquelas lojas (supostamente chiques) resolvessem desfilar entre as vitrines, o ritual do consumo ficaria inviável. A clientela fugiria. As vendedoras baixariam as portas dos estabelecimentos. Os ricos teriam vergonha de comprar e os lojistas não teriam coragem de vender.

Por aí a gente entende: os shopping centers são como são, tão fechados, fortificados, ilhados, para segregar e, principalmente, para se esconder. Se os rolezinhos virarem um imenso rolezaço, muitos biombos virão abaixo. O temor das autoridades não é de todo infundado.

VOCABULÁRIO
1) Complete a cruzadinha abaixo, procurando, no texto, sinônimos para as palavras abaixo:

a) Separar:
b) Isolamento:
c) Unam:
d) Modismo:
e) Disputando:
f) Onipresentes:
g) Ofensas:
h) Isolados:
i) Visível:
j) Preocupação:
k) Protegido:
l) Incentivadores:
m) Arrogância:
n) Comemorar:
o) Invencíveis:
p) Protesto:
q) Agredindo:



2) Como o autor define a palavra “rolezinho”? 


3) Que outras palavras o autor usa para referir-se aos shopping centers? 

4) Observe a seguinte frase:“Imagens de policiais fustigando garotos com seus cassetetes (que já saem de fábrica dotados de preconceitos de classe)[...]” (4º parágrafo). Em relação ao trecho entre parênteses, na sua opinião, o que o autor quis dizer? 

5) Sabendo que os prefixos –IN atribui um sentido de negação à palavra, retire, do texto, 2 palavras que exemplifiquem isso. 


INTERPRETAÇÃO TEXTUAL 

1) Qual é, de acordo com o texto, o verdadeiro temor das autoridades, em relação aos rolezinhos? 

2) Quais são as duas expectativas inconciliáveis, segundo o autor? 

3) A que contradição o autor se refere no 6º parágrafo? 

4) Em relação ao texto, analise as afirmações e assinale a alternativa correta. 
I – Segundo o autor, a moda do verão são os rolezinhos, onde dezenas de jovens se reúnem para confraternizar, chamar a atenção e se divertir. 
II – Elefantes estão tirando o sossego dos dirigentes de associações comerciais e do Estado. 
III – Para evitar os rolezinhos, os shoppings passarão a cobrar um ingresso de R$ 50,00. 

a) As alternativas I e II estão corretas. 
b) Todas as alternativas estão corretas. 
c) Apenas a alternativa I está correta. 
d) Nenhuma alternativa está correta. 
e) As alternativas II e III estão corretas. 

ATIVIDADES GRAMATICAIS 

1) O adjetivo “apavorados(as)” (1º parágrafo) deriva de qual substantivo abstrato? 

2) Retire, do 2º parágrafo do texto, um substantivo derivado, indicando-lhe o primitivo. 

3) Retire, do texto, 5 substantivos sobrecomuns. 

4) Retire, do texto, 4 substantivos comuns-de-dois gêneros. 

5) Analise as afirmações abaixo e assinale a alternativa correta. 
I – “[...] a folia juvenil que anima os finais de semana da juventude das periferias é um filme de terror na imaginação daqueles que são encarregados de assegurar a ordem.” – o substantivo destacado é um substantivo derivado de “jovem”. 
II – “O rolezinho chega a ser a mais forte tendência do verão [...]” – o termo destacado é aumentativo de Vera. 
III – Os substantivos “noticiários”, “mercadoria”, “prisioneiros”e “garotada” são substantivos primitivos, tendo como derivados “notícia”, “mercado”, “prisão” e “garoto”. 
IV – “[...] a monumental empáfia das caixas-fortes do fetichismo [...]” – o termo destacado é um substantivo composto. 
V – Na última frase do texto, temos um substantivo abstrato: “temor”. 

a) As alternativas I, IV e V estão corretas. 
b) Nenhuma alternativa está correta. 
c) Todas as alternativas estão corretas. 
d) As alternativas I, II e III estão corretas. 
e) As alternativas III, IV e V estão corretas. 

6) Retire, do texto, uma frase nominal. 

7) Classifique o sujeito do primeiro período do texto. 

8) Classifique como SIMPLES ou COMPOSTOS os períodos abaixo: 
a) “Aliás, já come.” 
b) “A clientela fugiria”. 
c) “Os ricos teriam vergonha de comprar e os lojistas não teriam coragem de vender.” 
d) “Nesse ponto, a contradição vira fratura exposta.” 
e) “As duas expectativas não têm como se conciliar.” 

9) Analise as afirmações abaixo e assinale a alternativa correta. 
I – “Possivelmente, o pau vai comer.” (3º parágrafo) – o período é composto, pois tem duas orações: “vai” e “comer”. 
II - “Diante de um simples rolezinho, a monumental empáfia das caixas-fortes do fetichismo se desfaz como fumaça.” ( 5º parágrafo) – o período é simples, pois tem apenas uma oração “se desfaz como fumaça” e o sujeito dessa oração é “a monumental empáfia das caixas-fortes do fetichismo”. 
III – “O temor das autoridades não é de todo infundado.” (7º parágrafo) – o período é composto, tendo como orações “O temor das autoridades” e “é de todo infundado”. Além disso, o sujeito da oração é “O temor das autoridades”. 
IV – “O medo das autoridades está justamente nessa aproximação.” (2º parágrafo) – Esse período tem como sujeito: “o medo das autoridades” e predicado: “está justamente nessa aproximação.” 
V – “A clientela fugiria.” (6º parágrafo) – é uma frase nominal. 

a) Todas as alternativas estão corretas. 
b) As alternativas II e IV estão corretas. 
c) As alternativas II, III e V estão corretas. 
d) As alternativas II e IV estão incorretas. 
e) Nenhuma alternativa está correta. 



terça-feira, 11 de março de 2014

Rolezinho não é fenômeno político ou social, não é novidade. É um modismo da estação selvagem


Rolezinho não é fenômeno político ou social, não é novidade. É um modismo da estação selvagem
RUTH DE AQUINO - 17/01/2014 20h37 - Atualizado em 18/01/2014 17h07
http://epoca.globo.com/colunas-e-blogs/ruth-de-aquino/noticia/2014/01/bo-rolezaob-do-verao.html

Que me perdoem a ministra sem-noção, os policiais truculentos, os sem-teto oportunistas, os lojistas apavorados, os esquerdistas e os fascistas, que tal baixar a bola e parar com a histeria? Antes que realmente se dê motivo para vandalismo?

Um rolezão estava programado para este domingo no Shopping Leblon, no Rio de Janeiro, mas foi proibido por uma juíza. Oito mil jovens tinham confirmado pelas redes sociais que iriam a esse centro comercial de luxo, num dos metros quadrados mais caros do Brasil.

Eles curtem grifes, zoação, funk e beijaços. E detestam política (não há como culpá-los, não é, Roseana e Renan, a dupla caipira RR?). Pardos e mestiços, como a maioria dos brasileiros, e não brancos ou negros, eles parecem clones do Neymar sem brincos de brilhante.

Detesto shopping e multidão. Abomino a ânsia do consumo. Prefiro as ruas, mesmo com pedrinhas portuguesas. Entendo quem goste de shopping, e são consumidores de todas as classes sociais – especialmente em tempos de liquidação. Não dou rolezinho em shopping. Não como em shopping. Quando vou a um cinema ou teatro em shopping, subo de elevador para não rolar pelos corredores de vitrines, escadas rolantes e praças de alimentação. Minha praça é outra, tem árvore, vento, flores e banquinhos, seja no Rio, Londres ou Paris. Mais na Europa, admito, porque as praças brasileiras são maltratadas pelos prefeitos e pela população.

Evitar shoppings não me livra do rolezão do verão. As grandes cidades, especialmente as litorâneas, se tornam palco de um imenso rolezão – festivo ou agressivo – quando as temperaturas alcançam 40 graus e o Carnaval se aproxima. Quem viu as fotos do mar e da areia em Ipanema nos últimos fins de semana, quem testemunhou os arrastões... Quem caminha ou vai à praia no Rio na estação selvagem é personagem do rolezão. Está no calendário. Acontece antes de os blocos carnavalescos assaltarem (no bom sentido) as ruas e avenidas cariocas. Estamos todos misturados. Favelados, periféricos, suburbanos, playboys, peruas, gostosos, gostosas, atletas, atores, artistas, idosos, bebês.

Corre-corre dá medo? Dá, muito. Quando passo por um grupo grande e barulhento de pivetes, guardo meu iPhone. Preconceito ou realismo? Neste verão sem policiamento ostensivo (os policiais estão todos nas UPPs), o que tem de garoto roubando o celular direto do seu ouvido, no meio da conversa, seja você gringo ou local... Recordo um filme colombiano de 2000, La virgen de los sicarios (A virgem dos assassinos), baseado no romance homônimo de Fernando Vallejo. O filme, com roteiro do escritor, retrata sua cidade natal, Medellín, tomada por furtos e assaltos de adolescentes.

Nos rolezinhos dos shoppings, está cheio de gente mal-educada? Está. Acontece em todo lugar e com todas as classes sociais. Dos riquinhos e fortinhos aos pobrinhos e magrinhos, dos héteros aos gays, dos ambulantes aos quiosqueiros, dos flanelinhas aos motoristas de ônibus e de possantes. Como o brasileiro, em geral, é mal-educado! Socorro. Confunde extroversão com barulho. Espaço público de convívio social significa “espaço onde só se conversa aos gritos” e onde gente fura fila sempre que pode.

Não me venham classificar rolezinho como fenômeno político ou social... Ou, pior, como alguma “novidade”, positiva ou negativa. Enxergo como mais um factoide de verão abaixo do Equador, igual a tantos outros. Como o toplessaço que não colou por preconceito. Quanta hipocrisia numa sociedade hipersexualizada de bunda de fora.

A bagunça mudou de cenário porque está quente do lado de fora e, nos shoppings, o ar-condicionado funciona. Eles vão lá se divertir, “catar mulher”, provocar, conseguir seus 15 minutos de fama, fugir de policial, beijar como nos blocos. Não deram a sorte de entrar na casa do BBB. Recusam-se a ser eliminados. Torcem para o circo pegar fogo e, assim, aparecer na televisão, na primeira página dos jornais e na capa das revistas.

Anônimos e invisíveis, ganham aura de black bloc, experimentam o poder de arregimentar multidões nas redes sociais. Causam furor, torcidas pró e contra. Nunca sonharam tão alto. Só mesmo num país em que a ministra da Igualdade Racial, Luiza Bairros, incita ao racismo, dizendo que os problemas com os rolezinhos são “derivados da reação de pessoas brancas”. Santa ignorância. A escola é do Lula. Ele disse em 2009 que a crise era causada por “gente branca de olhos azuis”.

Os jovens dos rolezões são ajudados pela burrice dos policiais, prefeitos e governadores, que os transformam em mitos e inflam seus egos. Bombas de gás? Multa de R$ 10 mil? Se os policiais fardados são incapazes de evitar furtos de um bando de moleques sem apelar para a brutalidade ou a ignorância, estão eliminados do BBB – deu para entender, brothers?

VOCABULÁRIO
1) Complete a cruzadinha abaixo, procurando, no texto, sinônimos para as palavras abaixo:

a) Reunir:
b) Exagerado:
c) Agressivos, brutos:
d) Crianças:
e) Vontade:
f) Provoca:
g) Falsidade:
h) Cópia idêntica:
i) Loucura:



2) Na frase “Quem caminha ou vai à praia no Rio na estação selvagem é personagem do rolezão.” (5º parágrafo). A que a autora se refere com a expressão “estação selvagem”? 

3) Explique a expressão destacada no trecho a seguir: “[...] o que tem de garoto roubando celular direto do seu ouvido, no meio da conversa, seja você gringo ou local...” (6º parágrafo). 

4) A alternativa que explica a expressão “[...] torcem para o circo pegar fogo [...]” (9º parágrafo) é: 
a) Torcem para que algo seja incendiado. 
b) Torcem para que a confusão se espalhe. 
c) Torcem para que a situação se resolva. 

INTERPRETAÇÃO TEXTUAL 
1) Analise as afirmações abaixo: 
I - Os rolezões só acontecem em shoppings de grandes cidades. 
II - Segundo a autora, os blocos carnavalescos promovem os rolezões nas avenidas cariocas. 
III – De acordo com Ruth de Aquino, a atual realidade brasileira, sem policiamento e onde garotos roubam celulares enquanto as pessoas estão fazendo uma ligação, faz com que nos tornemos precavidos, guardando nossos objetos pessoais quando nos aproximamos de grupos de jovens barulhentos. 
IV – A autora afirma que o brasileiro é mal-educado, somente quando anda em grupos, como nos rolezinhos dos shoppings. 
V - Conforme o texto, o “fenômeno” que ficou conhecido como rolezinho foi inspirado num filme colombiano – “La virgen de los sicarios”. 
a) Qual está correta? 

2) Por que a autora, no 8º parágrafo, diz que o toplessaço não colou por preconceito e classificou esse fato como hipócrita? 

3) Por que, segundo a autora, os rolezinhos estão ocorrendo em shoppings? 

4) Com quem a autora compara os jovens que participam dos rolezinhos? Qual a diferença apontada por ela? 

ATIVIDADES GRAMATICAIS 
1) Como são caracterizados, no primeiro parágrafo do texto, os substantivos abaixo? 
a) Ministra: 
b) Policiais: 
c) Sem-teto: 
d) Lojistas: 


2) O adjetivo “oportunistas” (1º parágrafo), deriva de qual substantivo abstrato? 


3) Retire, do 1º parágrafo, 2 substantivos abstratos. 

4) Encontre, do texto, 10 substantivos comuns-de-dois gêneros. 

5) Há, no texto, 3 substantivos sobrecomuns. Quais são? 

6) Derive substantivos de: 
a) Vento: 
b) Flor: 
c) Gritos: 

7) Encontre, no texto, três substantivos compostos. 

8) Do 6º parágrafo, destaque um substantivo derivado, indicando-lhe o primitivo. 

9) O sufixo –AÇO atribui um valor aumentativo à palavra. Encontre, no texto, dois substantivos que exemplifiquem isso. 

10) No 10º parágrafo há um substantivo derivado. Qual é esse substantivo e de qual substantivo ele deriva? 

11) Retire, do último parágrafo do texto, 8 substantivos abstratos. 

12) Encontre, no texto, 2 substantivos coletivos. 

13) Qual é o sujeito do verbo “perdoem” no 1º parágrafo do texto? 

14) O segundo período do 1º parágrafo do texto é simples ou composto? Justifique: 

15) Nas orações abaixo, circule o sujeito e sublinhe o predicado: 
a) “Eles curtem grifes, zoação, funk e beijaços. 
b) “As grandes cidades, especialmente as litorâneas, se tornam palco de um imenso rolezão [...]” 
c) “Corre-corre dá medo?” 
d) “A mudança mudou de cenário [...]” 

16) Retire, do texto, 4 frases nominais. 

17) No último parágrafo do texto, há quantas orações? 

18) Considere os 3 primeiros períodos do 7º parágrafo do texto. Em relação a eles, é correto afirmar: 
a) Todos são simples, pois têm apenas uma oração. 
b) O primeiro e o terceiro são compostos e o segundo é simples. 
c) Todos são compostos, pois têm mais de uma oração.