segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

E VEM O SOL - João Anzanello Carrascoza

E VEM O SOL João Anzanello Carrascoza(novaescola@fvc.org.br)


Tinham acabado de se mudar para aquela cidade. Passaram o primeiro dia ajeitando tudo._________, no segundo dia, o homem foi trabalhar, a mulher quis conhecer a vizinha. O menino, para não ficar só num espaço que ainda não sentia seu, a acompanhou.


Entrou na casa atrás da mãe, sem esperança de ser feliz. Estava cheio de sombras, sem os companheiros. ________ logo o verde de seus olhos se refrescou com as coisas novas: a mulher suave, os quadros coloridos, o relógio cuco na parede. E, de repente, o susto de algo a se enovelar em sua perna: o gato. Reagiu, afastando-se. O bichano, contudo, se aproximou de novo, a maciez do pêlo agradando. E a mão desceu numa carícia.

O menino experimentou de fininho uma alegria, como sopro de vento no rosto. Já se sentia menos solitário. Não vigorava ________ nele, unicamente, a satisfação do passado. A nova companhia o avivava. E era apenas o começo. Porque seu olhar apanhou, como fruta na árvore, uma bola no canto da sala. Havia ________ surpresas ali. Ouviu um som familiar: os pirilins do videogame. E, em seguida, uma voz que gargalhava. Reconhecia o momento da jogada emocionante. Vinha lá do fundo da casa o convite. O gato continuava afofando-se nas suas pernas. _______ elas queriam o corredor. E, na leveza de um pássaro, o menino se desprendeu da mãe. Ela não percebeu, nem a dona da casa. Só ele sabia que avançava, tanta a sua lentidão: assim é o imperceptível dos milagres.

Enfiou-se pelo corredor silencioso, farejando a descoberta. Deteve-se um instante. O ruído lúdico novamente atraiu o menino. A voz o chamava sem saber seu nome.

Então chegou à porta do quarto - e lá estava o outro menino, que logo se virou ao dar pela sua presença. Miraram-se, os olhos secos da diferença. ________ já se molhando por dentro, se amolecendo. O outro não lhe perguntou quem era nem de onde vinha. Disse apenas: quer brincar? Queria. O Sol renasceu nele. Há tanto tempo precisava desse novo amigo.


1) Complete adequadamente o texto usando MAS ou MAIS:

2) Com o que a alegria do menino foi comparada, no 3º parágrafo do texto?

3) O que significou, para o menino, a bola que ele viu no canto da sala?

4) Observe a frase: “Ouviu um som familiar: os pirilins do videogame.” (3º parágrafo). A palavra destacada refere-se a quê?

5) Observe a frase: “Enfiou-se pelo corredor silencioso, farejando a descoberta.” (4º parágrafo). Neste contexto, o termo destacado é sinônimo de:
(     ) cheirar.                     (   ) procurar.            (     ) esconder.

6) Há, no texto, um sinônimo da palavra barulho. Transcreva-a:

7) Complete as frases com POR QUE, PORQUE, POR QUÊ ou PORQUÊ:
a) O menino se sentia solitário ________________ se mudou há pouco tempo.
b) ___________________ você não vem brincar comigo?
c) Queria saber o _________________ da gargalhada.
d) Não jogou vídeo game ___________________?
e) Ficou feliz _______________ o gato se aproximou dele.

8) Complete as frases comou A:
a) O menino e sua família mudaram-se _____ poucos dias atrás.
b) A casa fica _______ 200 metros de uma pracinha.
c) ____ um gato na casa do vizinho.
d) Marcaram pra jogar vídeo game daqui _____ 2 horas.
e) _____ muito tempo esperava por um novo amigo.

9) Complete com MAL ou MAU:
a) Ter se mudado foi um _________ negócio.
b) Os moradores _______ terminaram a arrumação da mudança e já receberam visitas.
c) O menino é um _______ jogador de vídeo game.
d) O garoto estava de _____-humor.
e) Os novos moradores foram _______ recepcionados pela vizinha.

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

BOMBAS VERSUS LAMA e A INVEJA É UMA MÉRDE - por Fábio Marchi

Texto 1
Bombas versus Lama
por Fábio Marchi
http://msdiario.com/ver-coluna-blog/bombas-versus-lama

Uma das coisas mais tristes que o ser humano acaba fazendo diante de grandes tragédias é a relativização de tragédias.

Eu me lembro que quando eu era criança, eu via notícias de crianças passando fome na África e um ou outro adulto dizia: “Ahhh, mas aqui no Brasil tem um monte de criança passando fome e ninguém faz nada” - uma das coisas mais imbecis que já escutei, por uma série de razões: 

Primeiro, porque lá na África, onde aquelas crianças passavam fome, elas eram encurraladas por países em GUERRA, elas eram vítimas de uma violência desmedida, em países paupérrimos (e acreditem, não é um superlativo exagerado, não), onde a classe média de lá, é o miserável daqui. 

Segundo, porque se existem crianças aqui, em um país riquíssimo e farto em recursos naturais - é sinal que somos muuuuitoooo egoístas ou existe alguma coisa muuuuitoooooo errada na forma de se administrar o país, não é mesmo? Passar fome, no Brasil é como dizer “tem gente passando sede, na beira do Rio Amazonas”. Jamais, isso deveria acontecer. 

Dizer que não devemos nos preocupar com crianças africanas passando fome na África porque aqui também existem crianças passando fome, é carimbar o nosso atestado de incompetência e a nossa carteirinha de insensibilidade humana. 

Gente assim também pensa: “pra que me importar com crianças passando fome no Nordeste, se aqui no meu Estado também têm.” e depois: “pra que me importar com crianças passando fome no meu Estado, se aqui no meu bairro, também têm”…até chegar ao ponto de dizer “pra que ajudar alguém, se ninguém me ajuda?”. 

Quando relativizamos tudo, o resultado final é esse. Sempre esse: o egoísmo puro e absoluto, do individualismo humano.

O meu é melhor que o seu. O meu é pior que o seu. Sempre.

E no mais, senhores - fome é FOME. Não interessa onde seja, com quem seja. Fome, é uma das dores mais absurdas que o ser humano pode sentir, e só quem já sentiu isso alguma vez na vida - como eu - entende, como isso é.

Hoje, a coisa não mudou muito não. Vejo uma tragédia imensa como essa acontecendo em Paris, um ódio infinito disseminando mortes violentas a esmo, por conta de um radicalismo extremo religioso e acreditem, existem pessoas censurando o nosso direito de nos sensibilizarmos com a tragédia francesa, apenas porque uma outra grande tragédia aconteceu aqui - no Brasil - na pequena cidade de Mariana, em Minas Gerais, há poucos dias.

“Ficam aí falando de Paris, mas Mariana que é bom…”

Não entendi. Existe um campeonato de tragédias pelo Mundo, é isso? Qual é a escala de sofrimento? Morrer sufocado pela lama é pior que ser peneirado por explosivos de homens-bomba ou levar balas de AK-47 nos miolos?

Digam aí qual é o nome de campeonato de tragédias e o ranking atual, para que a gente possa sofrer e prestar nossas condolências, sem ser censurado por alguém - afinal de contas, existe sempre “uma tragédia maior que a outra”, né? Mostrem o placar aí, para não cometermos a gafe, de chorar pela tragédia errada.

(suspiro)

Entendam: tragédias, sejam elas do 11 de Setembro, Mariana, Paris ou qualquer outra que envolvam vidas, jamais serão esquecidas - pois cada vida é preciosíssima e importante para alguém. E ainda que VOCÊ um dia esqueça, haverá sempre alguém para nos lembrar que aquilo aconteceu um dia. Sempre.

E nenhuma dessas tragédias, é maior ou menor do que a outra. Pois a palavra tragédia, meus amigos - é sinônimo de DESGRAÇA.

Sendo assim, não podemos relativizar as tragédias no quesito dor, mas podemos sim, classificar as tragédias entre inevitáveis e evitáveis.

Existem tragédias que não podemos evitar, como é o caso das catástrofes naturais, como terremotos, vulcões,furacões e tsunamis por exemplo. São as forças da Natureza em ação e nós, reles humanos, não temos nenhum controle sobre elas. Para dizer a verdade, só estamos vivos na face da Terra porque o planeta deu uma estabilizada nas suas atividades sísmicas e climáticas - então podemos dizer que vivemos muito bem, no momento, até agora - e temos muita sorte, por isso.

Mas tragédias como a de Mariana e de Paris poderiam ter sido evitadas. Isso sim, é o que dói mais, nos dois casos.

Mariana, pela negligência continuada, ano após ano. Paris, pela insanidade religiosa, estudada, planejada e programada.

Ambas, tragédias provocadas pela ação do ser humano. Ambas, evitáveis. Ambas, provocando dor, comoção e sofrimento, para muitos. 

Muitos.

E aí? Qual tragédia você vai colocar no seu ranking, hoje?

1) Segundo o autor, a fome na África é decorrente de quê? E no Brasil? Por que, então, nesse caso, a relativização dos dois casos  não é válida?

2) Qual é, segundo o autor, o resultado da relativização?

3) De que forma, segundo o autor, podemos classificar as tragédias?

4) Analise as afirmações abaixo e assinale a alternativa correta:
I -  No texto, o autor afirma que já passou fome.
II - Conforme o autor, morrer sufocado pela lama é pior que ser assassinado num ataque terrorista.
III - De acordo com o texto, existe sempre uma tragédia maior que outra.
IV - A tragédia de Mariana é do tipo inevitável, conforme classificação apresentada pelo autor, pois o rompimento de barragens são catástrofes naturais.
V - Conforme o texto, a única equivalência entre as tragédias de Mariana e Paris, é que ambas foram provocadas pela ação do ser humano.

a) Apenas a I está correta.
b) As alternativas I e V são corretas.
c) Nenhuma está correta.
d) Todas estão corretas.
e) As alternativas II, III e IV estão corretas.

5) Observe o trecho: " [...] elas eram vítimas de uma violência desmedida, em países paupérrimos (e acreditem, não é um superlativo exagerado, não) [...] (3º parágrafo)". O termo destacado está se referindo a que palavra empregada anteriormente?

6) Observe a seguinte passagem do texto: "[...] é sinal que somos muuuuitoooo egoístas ou existe alguma coisa muuuuitoooooo errada na forma de se administrar o país, não é mesmo?" (4º parágrafo). Com qual objetivo o autor grafou a palavra "muito" dessa forma?

7) Transcreva do texto, o parágrafo onde o autor apresenta as razões pelas tragédias ocorridos em Mariana e em Paris.

8) Ao que o autor compara a situação de "passar fome" aqui no Brasil?

9) Por que a palavra "suspiro" aparece entre parênteses no texto?

10) A ironia é a figura de linguagem que consiste no emprego de uma palavra ou expressão de forma que ela tenha um sentido diferente do habitual e produza um humor sutil. Para que a ironia funcione, esse jogo com as palavras deve ser feito com elegância, de uma maneira que não deixe transparecer imediatamente a intenção. A ironia deve estimular o raciocínio, deve fazer o leitor (ou ouvinte) considerar os diversos sentidos possíveis que uma determinada palavra ou expressão pode ter, até encontrar aquele que se encaixa na mensagem produzindo um significado inusitado. Transcreva, do texto, um trecho onde o autor empregou esse recurso.



11) Observe o seguinte trecho: "Para dizer a verdade, só estamos vivos na face da Terra porque o planeta deu uma estabilizada nas suas atividades sísmicas e climáticas - então podemos dizer que vivemos muito bem, no momento, até agora - e temos muita sorte, por isso." (18º parágrafo). As conjunções destacadas, estabelecem, respectivamente, entre as orações uma relação de:
a) causa - conclusão.
b) causa - causa.
c) conclusão - conclusão.
d) consequência - conclusão.
e) consequência - causa.

12) No trecho: "Paris ou qualquer outra que envolvam vidas, jamais serão esquecidas - pois cada vida é preciosíssima e importante para alguém. E ainda que VOCÊ um dia esqueça, haverá sempre alguém para nos lembrar que aquilo aconteceu um dia. Sempre." (15º parágrafo). As conjunções destacadas, estabelecem, respectivamente, entre as orações uma relação de:
a) Explicação - Causa.
b) Causa - Finalidade.
c) Finalidade - Consequência.
d) Explicação - Finalidade.
e) Explicação - Explicação.

13) Nas frases abaixo, empregue a crase quando necessário:
a) O mundo inteiro prestou homenagens as vítimas dos atentados.
b) A França declarou guerra a Síria.
c) A Presidente retornou a Mariana, depois da tragédia.
d) Os terroristas ligados a rede de apoiadores Estado Islâmico reivindicaram os ataques a França.
e) A lama destruiu a pequena cidade de Mariana, desalojando a população local.

14) Reescreva as frases abaixo, substituindo a locução verbal, por um verbo simples equivalente. Faça as alterações necessárias.
a) "Uma das coisas mais tristes que o ser humano acaba fazendo diante de grandes tragédias é a relativização de tragédias." (1º parágrafo).
b) "Digam aí qual é o nome de campeonato de tragédias e o ranking atual, para que a gente possa sofrer e prestar nossas condolências, [...]". (13º parágrafo).
c) Entendam: tragédias, sejam elas do 11 de Setembro, Mariana, Paris ou qualquer outra que envolvam vidas, jamais serão esquecidas - [...]" (15º parágrafo).
d) "Qual tragédia você vai colocar no seu ranking, hoje?" (23º parágrafo)

15) No 13º parágrafo, há duas frases que empregam verbos no Imperativo. Transcreva essas frases e indique qual a conjugação dos verbos e em que pessoa estão conjugados.

16) Analise as afirmações abaixo e, em seguida, assinale a alternativa correta:
I - "“Ahhh, mas aqui no Brasil tem um monte de criança passando fome e ninguém faz nada” (2º parágrafo) - o verbo destacado é um verbo de 1ª conjugação e está no gerúndio.
II - " Segundo, porque se existem crianças aqui, em um país riquíssimo e farto em recursos naturais - [...]" (4º parágrafo) - os verbos destacados estão, respectivamente, no gerúndio e no particípio.
III - "[,...] “pra que me importar com crianças passando fome no meu Estado, se aqui no meu bairro, também têm”[...]" - (6º parágrafo) - os verbos destacados estão, respectivamente, no infinitivo e no gerúndio.

a) Todas estão corretas.
b) Nenhuma está correta.
c) Apenas a I está correta.
d) Apenas a II está incorreta.
e) Apenas a III está correta.

17) Reescreva as frases abaixo, empregando os verbos no Tempo / Modo e Pessoa / Número indicados entre parênteses. Faça as alterações necessárias para que a frase continue coesa.
a) "Hoje, a coisa não mudou muito não." (10º parágrafo) - (Futuro do Presente do Indicativo / 3ª pessoa do plural).
b) "Quando relativizamos tudo, o resultado final é esse. (7º  parágrafo) - (Pretérito Imperfeito do Subjuntivo / 1ª pessoa do singular - Futuro do Presente de Indicativo / 3ª pessoa do plural.)
c) "Não entendi." (12º parágrafo) - (Presente do Indicativo / 2ª pessoa do singular).

18) Dos verbos destacados no texto, indique:
a) Conjugação:
b) Tempo de modo:

c) Pessoa e número:

Texto 2
A inveja é uma mérde
Fábio Marchi

Admitam: nós, brasileiros, falhamos na vida. Calma, não se exaspere, sem ler todo o meu texto. Eu vou explicar:

Apesar de sermos um país “abençoado”, somos um povo invejoso. 

Não é a inveja pelo que não temos, mas pelo que não somos. E acreditem, somos tão invejosos, ao ponto de invejarmos a atenção dispensada, pela tragédia alheia - o que causa muita preocupação: pois quando o povo de um país, passa a sentir INVEJA de todo o rebuliço causado no resto do Mundo, por conta de uma tragédia acontecida em OUTRO país - é porque chegamos ao fim do poço, no quesito “vencer na vida” (na verdade, já passamos desse fim, cavando um belo buraco). 

[...]

Lá, quando tragédias como essa acontecem, o povo se mobiliza de verdade, pra valer - incluso aí Governo e Mídia, ambos infinitamente mais sérios e comprometidos, do que nestas bandas. E não estou falando de programas de celebridades com chamadas do tipo “O que vestir e onde ir, em tempos de ataques terroristas” ou pior, posts nas redes sociais “ironizando azhinimigas porque não morreu em Paris. [...] Aqui, coisas banais e esdrúxulas geram mais fama e admiração, né Joelma e Chimbinha?.

E ouso dizer que o comportamento da França é semelhante, em todo país sério - coisa que o Brasil, não é. [...]

Duvidam? Então por acaso você não achou surpreendente que os japoneses, ainda que estivessem passando por privações de comida e água, por conta do tsunami que assolou várias cidades em sua costa marítima - estavam repartindo igualmente porções de água e comida, sem estresse, sem empurra-empurra, sem caos, e sem egoísmo? Não ficou boquiaberto, ao ver que os supermercados japoneses estavam DOANDO seus estoques, e que as pessoas podiam entrar e pegar o que quisessem - e contrariando todas as nossas expectativas brasileiras, elas entravam e pegavam APENAS o que era necessário para elas, naquele momento? 

Em uma reportagem, o jornalista perguntou a uma delas, porque ela não enchia seu carrinho com compras - afinal de contas, isso seria completamente compreensível, em uma situação como aquela - e eis que recebeu, como resposta: 

- Porque outras pessoas também precisam, como eu.

Tal como aqui. Só que não.

[...]

De igual forma, não sei de um caso em que os franceses doassem roupas e alimentos - e que esses alimentos não chegassem para as pessoas que precisassem deles. Aqui, temos casos em que as doações são vendidas para o comércio, pelas próprias pessoas que as arrecadavam. Sim, roupas e alimentos DOADOS, não sendo entregues para quem precisava. Sendo VENDIDOS. VENDIDOS.

A França também não possui uma rivalidade imensa entre suas emissoras de TV, a ponto de ignorar a campanha adversária - e se possível, fazer de tudo para que na campanha dela, ela arrecade menos que a sua. De igual forma, nessas campanhas, as emissoras ou os organizadores não colocam artistas de índole duvidosa, tal como um palhaço-ator que trata mal os seus funcionários ou um jogador de futebol aposentado que nunca quis reconhecer sua própria filha (que morreu sem o carinho do pai) e nem quer saber dos netos - porque ser um EXEMPLO conta muito, quando você quer criar um símbolo crível, para essas campanhas. [...]

Só para se ter uma noção do quanto somos diferentes, algumas horas depois dos atentados na França, o presidente pessoalmente estava lá, andando sobre escombros e conversando com as vítimas. Aqui, nossa Presidenta fez um sobrevôo de helicóptero, em Mariana. Não andou de barquinho, não colocou o pé na lama.

Lá, o Governo Francês combate com veemência as ações terroristas. Aqui, o Governo Brasileiro apóia a imigração de jihadistas - ou seja, os extremistas islâmicos que defendem matar qualquer um que seja “infiel”, pela sua “guerra santa” (onde em sua cultura, mulher não manda porcaria alguma, e jamais será Presidente de algo). Podem vir bombardear aqui, que somos o povo mais legal e acolhedor do Mundo, viu?

[...]

É claro, não vou dizer que o brasileiro não tenha bom coração. É claro que temos - e garanto que a maioria da nossa população, em sua imensa maioria (na verdade, a esperança é essa), tenha boa índole e se preocupe, de verdade, com as tragédias alheias, tanto aqui, como acolá.

Mas é que aqui, nós sabemos que as coisas são diferentes. Principalmente, porque alguém vai passar a perna, na sua boa fé e na sua vontade, em ajudar. 

Aqui - em tragédias similares a essa - os blocos políticos Esquerda e Direita se atacam continuamente, um querendo matar ao outro, aproveitando o caos da situação que só se agrava - enquanto lá, eles se unem para resolver o problema, que na verdade, é de todos.

Nós não acreditamos em nós mesmos. E não fazemos o menor esforço, para que isso mude. Admiramos e temos condolência com a tragédia alheia, porque no fundo, sabemos que lá, as coisas funcionam de verdade.

[...]

Entendam: não é descaso. É admissão, do nosso fracasso social.

Ainda tem dúvidas? Então vou dar dois exemplos clássicos, duas tragédias que, há décadas - atormentam a população de tal jeito - que já nos tornamos relativamente insensíveis a elas, em algum nível:

Seca no Nordeste e deslizamentos de terra, no litoral Sudeste/Sul.

Sim, elas existem, e são tragédias humanas - mas o resto do povo se importa cada vez menos, a cada ano que passa (quem recebe doações, sabe exatamente do que estou falando). 

A primeira é uma tragédia lenta, gradativa e não sensibiliza a mídia - são pessoas pobres, não são consumidores dos produtos dos anunciantes (boa parte desses locais, nem TV têm) e portanto, não merecem muito interesse pelos órgãos de comunicação locais - quiçá, os nacionais. A segunda, por ser uma tragédia sazonal - de época marcada - gera mídia, mas causa estresse no resto da população: afinal, se sabem que isso vai acontecer DE NOVO, porquê não fazem nada? [...]

E por quê não resolvem? Resposta simples: ambas são motes eleitorais e ajudam muito os políticos a se elegerem ou reelegerem-se. A promessa de uma vida melhor e diferente ainda é o melhor cabo eleitoral. Ademais, no Brasil, tragédias infinitas, sem solução, continuadas e persistentes - são uma excelente fábrica de dinheiro. Nosso dinheiro.

Sendo assim, antes de você reclamar que alguém mudou a foto do perfil nas redes sociais pelas cores da bandeira francesa (porque as redes sociais conseguiram se mobilizar para isso, mais rapidamente do que uma votação de reality show ), dê o exemplo! Mostre que você é o brasileiro ou a brasileira, que fez a diferença!

Mostre o que você já fez pela cidade de Mariana, por exemplo. Mostre a doação que você já fez, seja em dinheiro, comida ou água. Foi lá trabalhar como voluntário(a)? Mostre o quanto você tem moral para cobrar algo, além de reclamar muito, nas redes sociais. Mostre pelo menos a petição virtual que você assinou, pedindo justiça- antes de vociferar que “a gente não liga para as nossas tragédias”.

Todos ligamos, amigos. Só não acreditamos mais na resolução delas. 

Como mostrar para o Mundo que merecemos atenção e solidariedade para as nossas tragédias, se nós mesmos não levamos a sério, as NOSSAS tragédias? [...]

E você ainda vai ficar de mimimi, por causa de amigos que mudaram seu avatar nas cores da França, no FEICE, através de um sistema que o próprio Facebook criou e disponibilizou, através de UM CLIQUE ??? Então convença Mark Zuckerberg para que, na nossa próxima grande tragédia brasileira, ele se comova e assim, disponibilize uma ferramenta semelhante para nós, ok? Aí sim, vai ficar tudo legal, tudo em casa! 

Afinal de contas, só assim - e só isso, um avatar - demonstraria o nosso respeito pelas nossas tragédias, né?

PS: Esse texto, é mais para quem não entendeu meu OUTRO texto, aqui. Se você entendeu, parabéns - vai ganhar um croissant! Virtual, é claro.

1) Em linhas gerais, é correto afirmar que o texto trata da
a) Injustiça da mídia em veicular veementemente os atentados contra a França e deixar de lado a tragédia ocorrida em Mariana, Minas Gerais.
b) Falta de generosidade da maioria do povo brasileiro, frente às tragédias de sua nação.
c) Petição virtual que pede justiça para punir os culpados pelas tragédias que ocorrem no Brasil.
d) Falta de seriedade do Brasil em diversos aspectos, tais como no governo, na mídia, inclusive, no modo como lidamos com as nossas tragédias, nos condoendo porque Paris recebeu mais atenção do que a pequena cidade de Mariana, em Minas Gerais.
e) Falta de respeito dos brasileiros em trocar seu avatar na mídia social, em favor da França e não de Minas Gerais.

2) De acordo com a opinião do autor
a) Não acreditamos mais na resolução das nossas tragédias porque na nossa cultura é comum que alguém esteja sempre disposto a nos passar a perna.
b) Jogadores de futebol são sempre bons exemplos para o país.
c) Somos um exemplo de democracia, tal como a França, pois diante das tragédias dos últimos dias, nos mobilizamos para prestar auxílio.
d) A mídia é uma elemento fundamental aqui no Brasil, pois cede espaço para campanhas de mobilização em prol de causas sociais.
e) Muito dinheiro é investido na resolução das inúmeras tragédias brasileiras.

3) Observe o trecho: "Lá, quando tragédias como essa acontecem, o povo se mobiliza de verdade, pra valer - incluso aí Governo e Mídia, ambos infinitamente mais sérios e comprometidos, do que nestas bandas." O que significa o termo destacado neste contexto?

4) Observe a seguinte passagem do texto: "Não ficou boquiaberto, ao ver que os supermercados japoneses estavam DOANDO seus estoques, e que as pessoas podiam entrar e pegar o que quisessem - e contrariando todas as nossas expectativas brasileiras, elas entravam e pegavam APENAS o que era necessário para elas, naquele momento?" Por que o autor afirmou que o comportamento dos japoneses contraria todas as nossas expectativas brasileiras? Você concorda com o autor? Justifique:

5) Por que, segundo o autor, a seca no Nordeste não sensibiliza a mídia?

6) Por que a seca, no Nordeste, e os deslizamentos no Sul/Sudeste não são resolvidos?

7) No final do texto, ficamos sabendo o porquê do autor escrever esse segundo texto. Nesse sentido, é correto afirmar que o objetivo foi:
a) criticar as manifestações a favor da França.
b) explicar o porquê das afirmações feitas no primeiro texto.
c) complementar o primeiro texto.
d) contraria o que foi afirmado no primeiro texto.
e) corrigir informações constantes no primeiro texto.

8) Que exemplos o autor pede aos brasileiros, para comprovar que eles "fazem a diferença"?

9) Por que, segundo o autor, sabemos que "aqui as coisas são diferentes"?

10) Apresente duas passagens do texto onde o autor compara os governos da França e do Brasil.










quarta-feira, 11 de novembro de 2015

TEXTOS: CELULAR EM SALA DE AULA (Fernanda Bérgamo) e A "CULPA" É DO CELULAR? (Alex Sandro Gomes) - Atividades para o Ensino Médio

TEXTO 1
Celular em sala de aula
Fernanda Bérgamo

https://www.linkedin.com/phttps://www.linkedin.com/pulse/celular-em-sala-de-aula-fernanda-b%C3%A9rgamo?trk=pulse-det-nav_artulse/celular-em-sala-de-aula-fernanda-b%C3%A9rgamo?trk=pulse-det-nav_art

Os celulares roubam nosso tempo e economizam nosso tempo; eles atrapalham os relacionamentos e, ___ vezes, os salvam; podem até causar acidentes de trânsito, mas também salvam vidas. Nestes novos tempos, devemos aprender qual ___ hora de desligar ou devemos mantê-los ligados o tempo todo? É fato: somos dependentes, estamos viciados. Dormimos e acordamos ao lado dele, passamos o dia inteiro com ele ao lado, ao alcance de nossa mão. Poucos lembram como era a vida antes do celular. Mas e ___ aulas? Como nossos filhos estão lidando com os seus aparelhos nos colégios? O celular tem sido um aliado ou um inimigo do aprendizado? Os pais estão preocupados principalmente com duas situações. A primeira é: os alunos estão ficando mais dispersos e deixando de acompanhar ____ aulas distraídos no uso do celular? E a segunda: o uso dessa tecnologia tem feito de nossos filhos leitores preguiçosos e maus redatores?

Em primeiro lugar, eu discordo da proibição do uso do celular nos colégios. Os pais ficam mais tranquilos quando os filhos têm, ao alcance de suas mãos, um meio de comunicação fácil e eficiente para o caso de uma emergência, mas sabemos que os alunos não o utilizam apenas para isso. O colégio, melhor dizendo, a aula tem grandes concorrentes: o Facebook, a maior rede social do mundo; programas de troca de fotos como o Instagram e os aplicativos de trocas de mensagem, como o WhatsApp. Para o professor é uma luta desigual, então considerar o celular um inimigo é tolice. Precisamos tratá-lo como aliado. E, se pensarmos bem, hoje o celular é o meio de troca de mensagens nas aulas, mas antes os alunos passavam bilhetes. A aula tem que ser atraente, a aula tem que ser interessante, o professor deve abrir a discussão, levantar a questão e debatê-la. Professores e alunos, pais e colégio devem combinar o uso, disciplinar, orientar, organizar, impor limites. Isso é educar. Nas minhas aulas, o celular é aliado. Ele promove pesquisas rápidas, ele exercita a concisão, ele enriquece o debate, ele ilustra os conteúdos. Não dá pra ignorar a existência de algo tão forte, mas o bom senso precisa prevalecer.

Então chegamos a segunda questão: o uso dessa tecnologia tem feito de nossos filhos leitores preguiçosos e maus redatores?

Nem uma coisa nem outra. Sobre a leitura, não acredito que quem já tinha o hábito de ler tenha passado a ler menos. Pelo contrário. Acho até que os textos em geral, as pesquisas, as notícias estejam bem mais acessíveis agora. E os que pouco liam começam a ler mais porque está tudo tão a mão. Sobre redigir mal, entendo a preocupação dos pais porque sei que eles se assustam quando se deparam com mensagens dos filhos recheadas de vc, tb, pq. A boa notícia é que seus filhos não escrevem assim na hora em que a prova exige a norma culta da linguagem. Eles sabem quando usar o internetês e quando não usar. E se essa é a boa notícia, a ótima notícia é que a tecnologia tem feito os jovens exercitarem a concisão, a objetividade. Eles têm pouco espaço no Twitter, por exemplo, e precisam dizer tudo usando um número limitado de caracteres e esse é um exercício excelente. 

Se essa é uma discussão necessária entre escolas e sociedade, dentro de casa, essa conversa também tem que acontecer. Olhar no olho, ouvir e ser ouvido presencialmente são ações que devem continuar à ser cultivadas. É preciso combinar o momento da família silenciar o bendito celular. É muito ruim descobrir que, nas férias com a família, em algumas poucas horas à beira da praia ou da piscina, você trocou o tempo de convivência com os seus para trocar mensagens com colegas de trabalho e para responder um ou dois e-mails profissionais. E fica difícil exigir que seus filhos se desconectem quando você mesmo não faz isso. Solução: bom senso. É isso ou você vai escolher ver sua vida passar numa telinha de 4 polegadas.

1) Em relação ao emprego da crase, a alternativa que preenche adequadamente as lacunas do primeiro parágrafo do texto é:
a) às - a - as - as
b) às - a - as - às
c) as - a - as - as 
d) às - à - às - às
e) as - à - às - às

2) A Antítese é uma figura de pensamento que consiste na utilização de dois termos que se contrastam entre si. Ocorre quando há uma aproximação de palavras ou expressões de sentidos opostos. A partir deste conceito, transcreva, do primeiro parágrafo do texto, 2 frases que exemplifiquem isso, destacando as antíteses.

3) Quais as duas situações que preocupam os pais, segundo a autora?

4) Qual é a posição da autora em relação ao uso do celular nos colégios? Por que ela assume essa posição?

5) Quais os concorrentes das aulas, na opinião da autora?

6) O que é, segundo a autora, "educar"?

7) De que forma o celular pode ser considerado um aliado, nas aulas?

8) No segundo parágrafo a autora afirma: "[...] ele exercita a concisão [...]". Isso quer dizer que o uso do celular:
a) exercita o a síntese, o resumo.
b) exercita a ortografia.
c) exercita a leitura rápida.

9) Há, no 4º parágrafo, uma situação em que a crase deveria ter sido empregada e não foi. Transcreva a frase onde isso acontece, corrigindo-a e explicando o porquê da necessidade do acento indicativo da crase.

10) No último parágrafo do texto, o acento da crase foi empregado, propositalmente, de forma incorreta. Localize a frase onde isso acontece e explique o porquê da inadequação.

11) Observe a seguinte passagem do texto: "Os celulares roubam nosso tempo e economizam nosso tempo; eles atrapalham os relacionamentos e, às vezes, os salvam; podem até causar acidentes de trânsito, mas também salvam vidas." (1º parágrafo). Em relação às conjunções destacadas, é correto afirmar que elas estabelecem entre as orações, respectivamente, uma relação de:
a) adição - oposição - oposição.
b) adição - explicação - adição.
c) oposição - conclusão - adição.
d) oposição - oposição - oposição.
e) adição - adição - adição.

12) Transcreva, do texto, uma frase nominal.

13) Reescreva as frases abaixo, empregando os verbos de acordo com o solicitado entre parênteses. Faça as alterações necessárias.
a) "Neste novos tempos, devemos aprender qual a hora de desligar ou devemos mantê-los ligados o tempo todo?" (1º parágrafo). (Futuro do Pretérito do Indicativo).
b) "É fato: somos dependentes, estamos viciados." (1º parágrafo). (Pretérito Imperfeito do Indicativo).
c) "Em primeiro lugar, eu discordei da proibição do uso do celular nos colégios." (2º parágrafo). (3ª pessoa do plural, Futuro do Presente do Indicativo).
d) "Ele promove pesquisas rápidas, ele exercita a concisão, ele enriquece o debate, ele ilustra os conteúdos." (2º parágrafo) (1ª pessoa do singular, Pretérito Perfeito do Indicativo).
e) "Nas minhas aulas, o celular é aliado." (2º parágrafo). (Pretérito Imperfeito do Indicativo).

14) Reescreva as frases abaixo, substituindo as locuções verbais por uma forma verbal simples equivalente. Faça as alterações necessárias.
a) "Como nossos filhos estão lidando com os seus aparelhos nos colégios?" (1º parágrafo).
b) "Os pais estão preocupados principalmente com duas situações: [...]" (1º parágrafo).
c) "[...] o uso dessa tecnologia tem feito de nossos filhos leitores preguiçosos e maus redatores?" (3º parágrafo).
d) "[...] e precisam dizer tudo usando um número limitado de caracteres [...]" (4º parágrafo).
e) "É isso ou você vai escolher ver sua ida passar numa telinha de 4 polegadas."

15) Em relação às formas nominais dos verbos, analise a alternativa correta.
a) "[...] os alunos estão ficando mais dispersos e deixando de acompanhar as aulas distraídos [...]" (1º parágrafo). - os verbos destacados estão, respectivamente, no gerúndio (os dois primeiros) e no infinitivo.
b) "O celular tem sido um aliado ou um inimigo do aprendizado?" ((1º parágrafo). -  os verbos destacados estão, respectivamente, no infinitivo, e no particípio (os dois últimos).
c) "Professores e alunos, pais e colégio devem combinar o uso, disciplinar, orientar, organizar, impor limites." (2º parágrafo). -  todos os verbos destacados estão no particípio.

TEXTO 2 
A ‘culpa’ é do celular?

POR ALEX SANDRO GOMES.
http://www.abble.com.br/a-culpa-e-do-celular/

O uso que todos nós fazemos do celular é hoje em dia condição estratégica para uma série de atividades humanas. Isso pode ser percebido na ampla oferta de aplicativos para comunicação, localização, compras, serviços e outra infinidade de aplicações cotidianas.

Há mais de uma década o celular vem sendo utilizado como medida do volume de acessos a recursos de informação e comunicação. Ou seja, quanto maior a quantidade de celulares, maior também a quantidade de acessos a seus recursos. Em postagem recente, a educadora Fernanda Bergamo relaciona os hábitos de uso e lista as contribuições dos aparelhos celulares como plataformas para o aprendizado de linguagens [https://goo.gl/mNaCUU].

Na educação não é diferente, a modalidade de ensino móvel atinge a cada dia graus de maturidade teórica e metodológica e propõe soluções para problemas de forma efetiva. Não se trata mais de uma utopia técnica, e sim da real construção de práticas de ensino.

Como exemplo, podemos destacar o aplicativo Remind e sua proposta de integrar educadores e os responsáveis pelos estudantes. Esse e muitos outros aplicativos e funções podem ser inseridos tanto na formação de professores como na sugestão de práticas mais criativas do que o simples uso do giz e do quadro. A recente mudança do currículo de formação de professores, anunciada em meados de julho (http://goo.gl/agLMtR), pode ser o prenúncio de transformações há muito esperadas.

Levando em consideração nossa realidade educacional, um especialista não deveria defender um ‘ensino com celular’. Pensar o ‘ensino-com-uma-tecnologia-específica’ como sendo distinto, e por esse fato questionável, desloca o foco do essencial — a aprendizagem — para o objeto em si. Percebe-se isso claramente quando as manchetes destacam cada ‘nova moda’ tecnológica aplicada à educação.

Parafraseando Romero Tori (2010), que afirma que a educação é ‘sem distância’ mesmo quando na modalidade a distância, nenhuma tecnologia deveria qualificar as práticas de ensino. Assim, não faz sentido perguntar, por exemplo, se o ‘ensino com computador’ ou o ‘ensino com Internet’ ou mesmo o ‘ensino com celular’ são eficazes. O foco precisa estar no fenômeno didático ou simplesmente no ‘ensino’. Do ponto de vista do professor, lidar com novidades técnicas deveria representar apenas uma ampliação de sua prática didática, assim como um profissional de saúde muda de ferramenta a cada evolução da técnica.

A regulamentação do uso dos celulares nas escolas tem dividido opiniões em diferentes aspectos. Com o celular sempre ao nosso alcance na maior parte do dia, acabamos por utilizá-lo indiscriminadamente, e isso faz parecer que não temos controle sobre nossos hábitos. É nesse vácuo de bons costumes e limites claros que entram as leis. De fora para dentro da escola impõe-se o limite necessário [Pernambuco, em particular, com a Lei Nº 15.507, de 21 de maio de 2015, disponível em http://goo.gl/Lckaec]. Ou seja, devido à dificuldade de impor limites ao uso ou definir propostas de aplicações adequadas, perdemos a possibilidade de usufruir desta que está sendo a plataforma computacional escolhida pela maioria da população ao redor do mundo.

Por mais simples que seja, não cabe a um texto de opinião como este julgar ou mesmo tentar identificar culpados. As leis revelam tanto as fragilidades dos sistemas educacionais como as fragilidades das famílias em negociar limites no consumo, no respeito aos educadores e às instituições, e na relação com as autoridades que precisam ser respeitadas para que possam nos ajudar. Em outras palavras, as leis revelam uma falência social ampla de toda a rede associada ao fazer educativo. Se falta formação aos professores, falta também uma negociação explícita dos limites na educação para o acesso à comunicação.

Constatada a fragilidade das relações pessoais, familiares e institucionais para promover um uso adequado do celular, entra em cena o papel regulador das leis. No entanto, é preciso observar que as leis surgem numa situação de urgência por controle, que pode ser comparada com a espera da chegada do pai, que estava no trabalho, para resolver uma peleja. A questão é que essa figura resolve decidindo o que deve ser feito e assumindo uma aura de superpoder. Será ele sempre chamado para resolver novos e futuros conflitos? E a autonomia das pessoas e das instituições para resolver as pendências?

Cabe aqui questionar o quão de fato a lei contribui com a educação. É função dos poder legislativo, estadual ou municipal, estabelecer esse limite? O que dizer do uso do celular enquanto hábito de uma cultura e que precisa ser vivenciado ao ponto de se negociar com maturidade os limites? A lei resolve? Ajuda ou adia o desenvolvimento dessa maturidade?

Se a lei é interpretada comodamente como restrição, sua função representa um efeito paralisante. Paramos de pensar novas formas de ensino, pois ‘é proibido’… Reside aí o perigo maior dessa forma de uso da lei.

Por outro lado, a lei pode ser interpretada como um convite para que sejam efetivamente criadas novas formas ‘autorizadas’ de uso educativo. O que as leis parecem expressar de fato. Elas não proíbem de forma plena, mas restringem o que os hábitos não conseguem frear. O caminho da obsolescência dessa regulamentação passa por empoderar professores e recriar a malha de regras sociais entre famílias, professores, alunos e sociedade. Fácil dizer, mas quem tomará a iniciativa?

REFERÊNCIAS
TORI, ROMERO. EDUCAÇÃO SEM DISTÂNCIA. SÃO PAULO: SENAC, 2010.


1) Segundo o autor, o uso que fazemos do celular é uma condição estratégica para uma série de atividades humanas. Que atividades são essas?

2) Qual é o papel do celular em relação aos recursos de informação e comunicação, segundo o autor?

3) Por que o autor afirma que um especialista não deveria defender um 'ensino com celular'?

4) Por que, segundo o autor, perdemos a possibilidade de usufruir do celular como plataforma computacional?

5) Que fragilidades são reveladas pelas leis, segundo o texto? E qual é o papel das mesmas?

6) Qual é, na opinião do autor, o perigo do uso da lei, no contexto citado?

7) Em relação ao emprego da crase, analise as afirmações abaixo e assinale a alternativa correta.
a) "Ou seja, quanto maior a quantidade de celulares, maior também a quantidade de acessos a seus recursos." (2º parágrafo)  - Se substituirmos os termos destacados por "número", a crase se torna obrigatória.
b) "Percebe-se isso claramente quando as manchetes destacam cada ‘nova moda’ tecnológica aplicada à educação." (5º parágrafo) - se substituirmos o termo destacado por "jornais", a crase se torna obrigatória.
c) "Em outras palavras, as leis revelam uma falência social ampla de toda a rede associada ao fazer educativo." (8º parágrafo) - Se substituirmos o termo destacado por "prática", a crase se torna obrigatória.

8) Observe o seguinte trecho: "Há mais de uma década o celular vem sendo utilizado como medida do volume de acessos a recursos de informação e comunicação. Ou seja, quanto maior a quantidade de celulares, maior também a quantidade de acessos a seus recursos." A expressão destacada estabelece, entre os períodos, uma relação de:
a) Explicação.
b) Conclusão.
c) Concessão.
d) Modo.
e) Tempo.

9) Na frase: "No entanto, é preciso observar que as leis surgem numa situação de urgência por controle, que pode ser comparada com a espera da chegada do pai, que estava no trabalho, para resolver uma peleja. (9º parágrafo). Os termos destacados, respectivamente, estabelecem uma relação de:
a) oposição e finalidade.
b) finalidade e explicação.
c) conclusão e finalidade.
d) Tempo de finalidade.
e) Finalidade e Modo.

10) Analise as afirmações abaixo e assinale a alternativa correta:
I  - "Isso pode ser percebido na ampla oferta de aplicativos para comunicação, localização, compras, serviços e outra infinidade de aplicações cotidianas." (1º parágrafo) - dos termos destacados derivam verbos de 1ª conjugação.
II - "É nesse vácuo de bons costumes e limites claros que entram as leis." (7º parágrafo) - dos termos destacados, podemos derivar verbos de 1ª conjugação.
III - "Se a lei é interpretada comodamente como restrição, sua função representa um efeito paralisante." (11º parágrafo) - dos termos destacados podemos derivar, respectivamente, verbos de 3ª e 1ª conjugação.

a) Apenas a I é correta.
b) Apenas a II é correta.
c) Apenas a III é correta.
d) II e III estão corretas.
e) I e III estão incorretas.

11) Reescreva as frases abaixo, empregando os verbos destacados de acordo com o solicitado entre parênteses. Faça as alterações necessárias.
a) "[...] a modalidade de ensino móvel atinge a cada dia graus de maturidade teórica e metodológica e propõe soluções para problemas de forma efetiva." (3º parágrafo). (Pretérito Perfeito do Indicativo).
b) "Por mais simples que seja, não cabe a um texto de opinião como este julgar ou mesmo tentar identificar culpados." (8º parágrafo). (Futuro do Presente do Indicativo).
c) "A lei resolve?" (10º parágrafo). (Pretérito Imperfeito do Subjuntivo).

12) Reescreva as frases abaixo, substituindo as locuções verbais por uma forma verbal simples equivalente. Faça as alterações necessárias.
a) "Como exemplo, podemos destacar o aplicativo Remind e sua proposta de integrar educadores e os responsáveis pelos estudantes." (3º parágrafo).
b) "A regulamentação do uso dos celulares nas escolas tem dividido opiniões em diferentes aspectos." (7º parágrafo).
c) " perdemos a possibilidade de usufruir desta que está sendo a plataforma computacional escolhida pela maioria da população ao redor do mundo." (7º parágrafo).

13) Em relação às formas nominais dos verbos, analise a alternativa correta.
a) "Levando em consideração nossa realidade educacional, um especialista não deveria defender um ‘ensino com celular’." (5º parágrafo) - os verbos destacados estão, respectivamente, no gerúndio e no infinitivo.
b) "Parafraseando Romero Tori (2010), que afirma que a educação é ‘sem distância’ mesmo quando na modalidade a distância, nenhuma tecnologia deveria qualificar as práticas de ensino." (6º parágrafo). - os verbos destacados estão, respectivamente, no gerúndio (os dois primeiros), no particípio e no infinitivo.
c) "Constatada a fragilidade das relações pessoais, familiares e institucionais para promover um uso adequado do celular, entra em cena o papel regulador das leis." (9º parágrafo) - os verbos destacados estão, respectivamente, no particípio e no infinitivo.

14) Observe as charges e a tirinha abaixo e responda às questões:

a) Em relação a primeira charge, qual é a crítica implícita?
b) Que realidade da educação brasileira é retratada na tirinha?
c) O que a terceira charge revela sobre as relações humanas da atualidade?

15) A partir das informações fornecidas pelos textos e pelas charges, desenvolva um texto dissertativo-argumentativo refletindo sobre o papel e a influência do celular no mundo atual.