quinta-feira, 20 de novembro de 2014

O Grito - Martha Medeiros

O GRITO  
Martha Medeiros


Não sei o que está acontecendo comigo, diz a paciente para o psiquiatra.
 
Ela sabe.
 
Não sei se gosto mesmo da minha namorada, diz um amigo para outro.
 
Ele sabe.
 
Não sei se quero continuar com a vida que tenho, pensamos em silêncio.
 
Sabemos, sim.
 
Sabemos tudo o que sentimos porque algo dentro de nós grita. Tentamos abafar este grito com conversas tolas, elocubrações, esoterismo, leituras dinâmicas, namoros virtuais, mas não importa o método que iremos utilizar para procurar uma verdade que se encaixe nos nossos planos: será infrutífero. A verdade já está dentro, a verdade se impõe, fala mais alto que nós, ela grita.
 
Sabemos se amamos ou não alguém, mesmo que esteja escrito que é um amor que não serve, que nos rejeita, um amor que não vai resultar em nada. Costumamos desviar este amor para outro amor, um amor aceitável, fácil, sereno. Podemos dar todas as provas ao mundo de que não amamos uma pessoa e amamos outra, mas sabemos, lá dentro, quem é que está no controle.
 
A verdade grita. Provoca febres, salta aos olhos, desenvolve úlceras. Nosso corpo é a casa da verdade, lá de dentro vêm todas as informações que passarão por uma triagem particular: algumas verdades a gente deixa sair, outras a gente aprisiona. Mas a verdade é só uma: ninguém tem dúvida sobre si mesmo.
 
Podemos passar anos nos dedicando a um emprego sabendo que ele não nos trará recompensa emocional. Podemos conviver com uma pessoa mesmo sabendo que ela não merece confiança. Fazemos essas escolhas por serem as mais sensatas ou práticas, mas nem sempre elas estão de acordo com os gritos de dentro, aquelas vozes que dizem: vá por este caminho, se preferir, mas você nasceu para o caminho oposto. Até mesmo a felicidade, tão propagada, pode ser uma opção contrária ao que intimamente desejamos. Você cumpre o ritual todinho, faz tudo como o esperado, e é feliz, puxa, como é feliz. E o grito lá dentro: mas você não queria ser feliz, queria viver!
 
Eu não sei se teria coragem de jogar tudo para o alto.
 
Sabe.
 
Eu não sei por que sou assim.
 
Sabe.

  MEDEIROS, M. Montanha Russa. Porto Alegre: L&PM Editores, 2003.
VOCABULÁRIO

1) EM RELAÇÃO À SUBSTITUIÇÃO VOCABULAR, ANALISE AS AFIRMAÇÕES ABAIXO E E ASSINALE A ALTERNATIVA CORRETA:
I -  "Tentamos abafar este grito com conversas tolas, elocubrações, esoterismo, leituras dinâmicas, [...]" - Podemos substituir o termo destacado por "reflexões", sem alterar o sentido da frase.
II - " Costumamos desviar este amor para outro amor, um amor aceitável, fácil, sereno." - o termo destacado pode ser substituído sem prejuízo de sentido por "tranquilo".
III -  "Fazemos essas escolhas por serem as mais sensatas ou práticas, mas nem sempre elas estão de acordo com os gritos de dentro, [...]" - o termo destacado pode ser substituído por "precipitadas", sem alterar o sentido da frase.
a) Todas estão corretas.
b) Nenhuma está correta.
c) Apenas a I está incorreta.
d) Apenas a III estão incorreta.
e) I e II estão incorretas.

2)  "Até mesmo a felicidade, tão propagada, pode ser uma opção contrária ao que intimamente desejamos." - ASSINALE A OPÇÃO QUE MELHOR CORRESPONDE A UMA POSSÍVEL REESCRITA DA FRASE, SE SUBSTITUIRMOS OS TERMOS DESTACADOS POR SINÔNIMOS.
a) Até mesmo a felicidade, tão silenciada, pode ser uma opção contrária ao que intimamente desejamos. 
b) Até mesmo a felicidade, tão difundida, pode ser uma opção contrária ao que intimamente desejamos. 
c) Até mesmo a felicidade, tão procurada, pode ser uma opção contrária ao que intimamente desejamos.  

3) "[...] lá de dentro vêm todas as informações que passarão por uma triagem particular: algumas verdades a gente deixa sair, outras a gente aprisiona." (9º parágrafo). A PALAVRA DESTACADA PODE SER SUBSTITUÍDA SEM PREJUÍZO DE SENTIDO POR:
a) omissão
b) repúdio
c) rejeição
d) escolha
e) tentativa

4) EXPLIQUE O QUE A AUTORA QUIS DIZER COM A EXPRESSÃO DESTACADA NA FRASE "Eu não sei se teria coragem de jogar tudo para o alto." (11º Parágrafo)

INTERPRETAÇÃO TEXTUAL

1) POR QUE FAZEMOS DETERMINADAS ESCOLHAS, SEGUNDO A AUTORA?

2) QUAL É A ÚNICA VERDADE, A QUAL A AUTORA SE REFERE?

3) ANALISE AS AFIRMAÇÕES COMO SENDO VERDADEIRAS OU FALSAS E ASSINALE A ALTERNATIVA CORRETA.
(      ) De acordo com o texto, sabemos de tudo sobre nós mesmos.
(      ) A verdade, segundo a autora, pode nos deixar doentes.
(      ) São as dúvidas que temos que nos deixam doentes.
(      ) A autora defende a ideia de que, nem sempre, ser feliz significa viver.

a) v - v - v - v 
b) v - v - f - v
c) f - v - f -  v
d) f - f - f - f
e) v - v - f - f

ATIVIDADES GRAMATICAIS
1) REESCREVA OS PERÍODOS ABAIXO, SUBSTITUINDO AS LOCUÇÕES VERBAIS POR UMA FORMA VERBAL SIMPLES EQUIVALENTE.
a) "Não sei o que está acontecendo comigo, diz a paciente para o psiquiatra."
b) "Não sei se quero continuar com a vida que tenho, pensamos em silêncio."
c) "Tentamos abafar este grito com conversas tolas [...]"
d) "[...] mas não importa o método que iremos utilizar [...]"
  
2) "algumas verdades a gente deixa sair, outras a gente aprisiona." (9º parágrafo). SE SUBSTITUÍRMOS AS EXPRESSÕES DESTACADAS PELOS PRONOMES ADEQUADOS À NORMA CULTA, UMA OPÇÃO DE REESCRITA DA FRASE SERIA:
a) "algumas verdades deixamos sair, outras aprisionam a gente."
b) "algumas verdades  deixamos sair, outras aprisionamos."
c) "algumas verdades deixamos sair, outras nos aprisionam.

3) TRANSCREVA, DO TEXTO, A FRASE EM QUE APARECE UM VERBO NO IMPERATIVO.

4) TRANSCREVA, DO TEXTO, UMA FRASE EM QUE APAREÇA UM VERBO NO GERÚNDIO E OUTRO NO INFINITIVO.


5) "Sabemos tudo o que sentimos, porque algo dentro de nós grita." O VOCÁBULO DESTACADO ESTABELECE, COM A ORAÇÃO ANTERIOR, UMA RELAÇÃO DE:

a) Conclusão

b) oposição

c) explicação

d) alternância

e) modo

6) "Tentamos abafar este grito com conversas tolas, elocubrações, esoterismo, leituras dinâmicas, namoros virtuais, mas não importa o método que iremos utilizar para procurar uma verdade que se encaixe nos nossos planos: será infrutífero. AS ORAÇÕES DESTACADAS NO PERÍODO COMPOSTO ACIMA SÃO, RESPECTIVAMENTE:
a) coordenada sindética adversativa e subordinada adverbial final
b) coordenada sindética adversativa e subordinada adverbial causal
c) coordenada sindética alternativa e subordinada adverbial final
d) coordenada assindética alternativa e subordinada substantiva final
e) coordenada sindética aditiva e subordinada adverbial consecutiva


7) "Sabemos se amamos ou não alguém, mesmo que esteja escrito que é um amor que não serve,[...]. AS ORAÇÕES DESTACADAS NO PERÍODO COMPOSTO ACIMA SÃO, RESPECTIVAMENTE:
a) subordinada substantiva subjetiva - coordenada sindética aditiva - subordinada adverbial concessiva
b) subordinada substantiva objetiva direta - coordenada sindética alternativa - subordinada adverbial concessiva
c) subordinada substantiva objetiva direta - coordenada sindética adversativa - subordinada adverbial concessiva

8) CLASSIFIQUE AS ORAÇÕES SUBORDINADAS SUBSTANTIVAS ABAIXO:
a) "Podemos dar todas as provas ao mundo de que não amamos uma pessoa e amamos outra, [...]"
b)  "Até mesmo a felicidade, tão propagada, pode ser uma opção contrária ao que intimamente desejamos."
c) "Podemos passar anos nos dedicando a um emprego sabendo que ele não nos trará recompensa emocional." 

9) TRANSCREVA, DO TEXTO, DUAS ORAÇÕES SUBORDINADAS SUBSTANTIVAS APOSITIVAS.

 

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

A FADIGA DA INFORMAÇÃO - Augusto Marzagão


      A FADIGA DA INFORMAÇÃO
Augusto Marzagão

Há uma nova doença no mundo: a fadiga da informação. Antes mesmo da Internet, o problema já era sério, tantos e tão velozes eram os meios de informação existentes, trafegando nas asas da eletrônica, da informática, dos satélites. A Internet levou o processo ao apogeu, criando a nova espécie dos internautas e estourando os limites da capacidade humana de assimilar os conhecimentos e os acontecimentos deste mundo. Pois os instrumentos de comunicação se multiplicam, mas o potencial de captação do homem - do ponto de vista físico, mental e psicológico - continua restrito. Então, diante do bombardeio crescente de informações, a reação de muitos tende a tornar-se doentia: ficam estressados, perturbam-se e perdem em eficiência no trabalho.

Já não se trata de imaginar que esse fenômeno possa ocorrer. Na verdade, a síndrome da fadiga da informação está em plena evidência, conforme pesquisa que acaba de ser feita nos Estados Unidos, na Inglaterra e em outros países, junto à 1.300 executivos. Entre os sintomas da doença apontam-se a paralisia da capacidade analítica, o aumento das ansiedades e das dúvidas, a inclinação para decisões equivocadas e até levianas.

Nada avançou tanto no mundo como as comunicações. Pouco durou, historicamente, para que saíssemos do isolamento para a informação globalizada e instantânea. Essa revolução teria inevitavelmente de gerar, ao lado dos efeitos mágicos e benfazejos, aqueles que provocam respostas de perplexidade no ânimo público e das pessoas em particular. Choques comportamentais e culturais surgem como subprodutos menos estimáveis desse impacto modernizador, talvez por excessiva celeridade no desenrolar de sua evolução.

Curiosamente, a sobrecarga de informações pode redundar em desinformação. Recebíamos antes a notícia do dia e poderíamos ruminá-la durante horas. Hoje temos a notícia renovada e modificada a cada segundo, acompanhando em tempo real o desdobramento dos fatos e das decisões, o que rapidamente envelhece a informação transmitida e nos deixa sem saber, afinal, qual a versão mais próxima da realidade do momento. As agências noticiosas não dispõem de tempo para maturar o seu material, há que lançá-lo logo ao consumo - mesmo sob o risco de uma divulgação incompleta ou deformada, avizinhada do boato.

Há 30 anos, o então estreante Caetano Veloso perguntava numa das estrofes de sua famosa canção "Sem Lenço sem Documento": "Quem lê tanta notícia?". Presentemente a oferta de informações, só nas bancas de jornais, deixaria ainda muito mais instigado o poeta do tropicalismo. Além da televisão aberta, a TV a cabo e por assinatura põe o telespectador diante da opção de centenas de canais. Há emissoras nacionais e estrangeiras, de rádio e de TV, dedicadas exclusivamente a transmitir notícias. O CD-ROM ampliou consideravelmente a dimensão multimídia do computador. O fax e o correio eletrônico deixaram para trás o telefone, o telegrama e todos os meios de comunicação postal. Agora instalamos uma miniparabólica na nossa janela e trazemos para dentro de casa um universo de transmissões televisivas.

A massa de informações gerais ou especializadas contida na imprensa diária exigiria um super-homem para absorvê-la. E, a cada dia, jornais e revistas se enriquecem de suplementos e de encartes pedagógicos e culturais.

É claro que esse processo não vai estancar e muito menos regredir. A informação não poderia estar ____ margem do mercado competitivo. Não há dúvida, porém, de que precisamos aprender ____ filtrá-la, ____ ajustá-la ao nosso metabolismo de público-alvo. A eletrônica e a informática estão a nosso serviço, mas não substituem as limitações orgânicas, cerebrais e emocionais do homem. A informação nos faz também sentir as dores do mundo, onde quer que ocorram, sob a forma de calamidades, tragédias, adversidades coletivas ou individuais. Ou buscamos um equilibrado "modus vivendi" com as pressões da prodigiosa tecnologia da comunicação, ou o feitiço virará contra o feiticeiro. O oxigênio da informação, sem o qual no passado recente não conseguiríamos respirar, terá de ser bem inalado para não nos ameaçar com a asfixia, o estresse, as neuroses e, quem sabe, o infarto.

VOCABULÁRIO
1) EM RELAÇÃO À SUBSTITUIÇÃO VOCABULAR, ANALISE AS AFIRMAÇÕES E ASSINALE A ALTERNATIVA CORRETA.

I – “A Internet levou o processo ao apogeu, criando a nova espécie dos internautas e estourando os limites da capacidade humana de assimilar os conhecimentos e os acontecimentos deste mundo.” (1º parágrafo) – os termos destacados podem ser substituídos, respectivamente, por “auge” e “compreender”.
II – “Pois os instrumentos de comunicação se multiplicam, mas o potencial de captação do homem - do ponto de vista físico, mental e psicológico - continua restrito.” (1º parágrafo) – os termos destacados são sinônimos de “compreensão” e “limitado”.
III – “É claro que esse processo não vai estancar e muito menos regredir.” (7º parágrafo) – os dois termos destacados são sinônimos e poderiam ser substituídos, sem alterar o sentido da frase, por “parar, cessar”.
a) Todas as alternativas estão corretas.
b) Nenhuma alternativa está correta.
c) Apenas a alternativa I está correta.
d) Apenas a alternativa III está incorreta.
e) Apenas a alternativa II está incorreta.

2) “Choques comportamentais e culturais surgem como subprodutos menos estimáveis desse impacto modernizador, talvez por excessiva celeridade no desenrolar de sua evolução.” (3º parágrafo) – Uma possível reescrita da frase, substituindo os termos destacados por sinônimos, poderia ser:
a) “Choques comportamentais e culturais surgem como subprodutos desprezíveis desse impacto modernizador, talvez por excessiva rapidez no desenrolar de sua evolução.”
b) “Choques comportamentais e culturais surgem como subprodutos importantes desse impacto modernizador, talvez por excessiva rapidez no desenrolar de sua evolução.”
c) “Choques comportamentais e culturais surgem como subprodutos desprezíveis desse impacto modernizador, talvez por excessiva burocracia no desenrolar de sua evolução.”

3) “[...] o aumento das ansiedades e das dúvidas, a inclinação para decisões equivocadas e até levianas.” – Uma possível reescrita desse trecho, substituindo os termos destacados por sinônimos, poderia ser:
a) “[...] o aumento das ansiedades e das dúvidas, a relutância para decisões errôneas e até irresponsáveis.”
b) “[...] o aumento das ansiedades e das dúvidas, a tendência para decisões errôneas e até cautelosas.”
c) “[...]o aumento das ansiedades e das dúvidas, a tendência para decisões errôneas e até irresponsáveis.”

INTERPRETAÇÃO TEXTUAL
1) Qual é, segundo o texto, a causa da nova doença, a qual o autor nomeou como “fadiga da informação”?
2) Quais os sintomas dessa doença?
3) Que afirmação é feita no início do 3º parágrafo do texto? Você concorda? Por quê?
4) Qual a hipótese levantada pelo autor para explicar os choques comportamentais e culturais que surgiram em razão da evolução do acesso à informação?
5) Explique com suas palavras a frase “Curiosamente, a sobrecarga de informações pode redundar em desinformação.”(4º parágrafo)
6) A que a informação é comparada no 4º parágrafo do texto? Por quê?
7) Explique com suas palavras a expressão “A informação nos faz também sentir as dores do mundo, [...]” (7º parágrafo)

8) Observe a HQ abaixo e responda às questões:

a) Qual a relação que se pode estabelecer entre a história em quadrinhos e o texto lido?
b) O termo “aqui” (5º quadrinho) está se referindo a quê?
c) A HQ traz implícita uma crítica a uma determinada situação bem atual. Que crítica é essa?


ATIVIDADES GRAMATICAIS
1) Em relação ao emprego da crase, assinale a alternativa que preenche adequadamente as lacunas presentes no texto.
a) à - a – à
b) à – a – a
c) à – à – à
d) a – a – à
e) a – a – a

2) No 2º parágrafo do texto, a crase foi empregada de forma errônea, propositalmente. Corrija a frase onde ela aparece e explique o porquê da inadequação.

4) Transcreva, do 1º parágrafo do texto, um período onde apareça uma oração coordenada sindética explicativa e outra adversativa.

4) Transcreva, do 1º parágrafo do texto, uma oração coordenada sindética aditiva.
 
5) Classifique as orações subordinadas substantivas abaixo:
a) “Já não se trata de imaginar que esse fenômeno possa ocorrer.”
b) Não há dúvida, porém, de que precisamos aprender a filtrá-la, a ajustá-la ao nosso metabolismo de público-alvo.
c) É claro que esse processo não vai estancar e muito menos regredir.

6) “Na verdade, a síndrome da fadiga da informação está em plena evidência, conforme pesquisa que acaba de ser feita nos Estados Unidos, na Inglaterra e em outros países, junto à 1.300 executivos.” A palavra destacada estabelece com a oração anterior uma relação de:
a) Comparação
b) Condição
c) Conformidade
d) Causa
e) Finalidade
 
7) “Pouco durou, historicamente, para que saíssemos do isolamento para a informação globalizada e instantânea.” A palavra destacada estabelece com a oração anterior uma relação de:
a) Comparação
b) Condição
c) Conformidade
d) Causa
e) Finalidade

8) Transcreva, do último parágrafo do texto, uma oração coordenada sindética alternativa.
 
9) “Não há dúvida, porém, de que precisamos aprender a filtrá-la, a ajustá-la ao nosso metabolismo de público-alvo.” A conjunção destacada estabelece com a oração anterior uma relação de:
a) Oposição
b) Adição
c) Alternância
d) Explicação
e) Conclusão

terça-feira, 21 de outubro de 2014

VÍTIMAS DA SOCIEDADE - Roberto Rachewsky


Como uma expressão tão curta pode conter uma falácia tão grande. 

Sociedade é o conjunto onde todos os indivíduos estão inseridos, desde os miseráveis comedores de ratos do Piauí até os corruptos moradores do presídio da Papuda. 

É uma impossibilidade lógica, uma parte que integra e confunde-se com o todo, ser vítima do conjunto inteiro do qual é parte. Estando o todo contra um, sendo este parte do todo, este um estaria contra ele mesmo. Cai por terra a hipótese que validaria o discurso da exclusão social. 

Em qualquer sociedade, há os que interagem cooperando livremente – persuasão. E há os que se impõem pelo uso da força, da fraude ou do rompimento de contratos - violência. Os que usam a persuasão, criam valores. Os que usam a violência, criam vítimas. 

Assim como não há crimes sem vítimas, não há vítimas sem o uso da violência. 

Apenas quando os direitos individuais de alguém tiverem sido violados, se estabelecerá um crime e uma vítima. 

Estas não são vítimas da sociedade, são vítimas daquela parte da sociedade que tem na violência, a sua maneira de interagir com os demais. 

Somente dois grupos se valem da violência, os bandidos das ruas e os que ocupam cargos públicos com o propósito de violar direitos, mesmo que seja para distribuir benesses. 

Aqueles, apontados como vítimas da sociedade são, na realidade, vítimas do governo ou vítimas de si mesmos. 

Os apologistas da justiça social e dos direitos humanos, não confundir com direitos individuais, com suas leis irracionais e tirânicas, tributam e regulam, asfixiam e desestimulam, desestruturam e penalizam a livre iniciativa e a ordem espontânea. Destroem infinitas oportunidades de criação de valor, seja para jovens de todas as classes, iletrados de todas as idades ou pessoas com baixa produtividade, depauperando a todos. 

Sustentam multidões com esmolas, na infeliz tentativa de mitigar os efeitos indesejados, causados por suas próprias intervenções. 

Os artífices dos programas de engenharia social tratam seres humanos como pobres coitados, como se lhes restasse, receber esmolas, cometer pequenos delitos, furtos ou roubos, para sobreviverem. 

Não permitem que empreendedores, com mais liberdade e segurança para investir, criar, produzir e contratar, gerem empregos para todos, principalmente para os menos preparados.  

Impedidos de viver do fruto de seu próprio trabalho, com outra perspectiva, baseada no mérito e na dignidade, os miseráveis, supostos pobres coitados, vítimas do governo, também não conseguem se libertar. 

Governantes que culpam a sociedade, de maneira falaciosa, pelas vítimas que eles próprios criam, querem apenas despistar. 

Postado há 29th March por Roberto Rachewsky

VOCABULÁRIO
1) PREENCHA A CRUZADINHA COM SINÔNIMOS DAS PALAVRAS ABAIXO, OS QUAIS VOCÊ ENCONTRARÁ NO TEXTO.
a) convicção, certeza: 
b) ignorantes, analfabetos:
c) abusivos, opressores:
d) amenizar, abrandar:
e) castigam, punem:
f) arruinando, empobrecendo:
g) defensores:
h) crimes, erros:
i) auxílios, favores:

2) PESQUISE O SIGNIFICADO DA PALAVRA "FALÁCIA" E EXPLIQUE A QUE O AUTOR ESTÁ SE REFERINDO, NO PRIMEIRO PARÁGRAFO DO TEXTO.

3) ASSINALE A ALTERNATIVA ONDE O SENTIDO DO TERMO "FRUTO" NÃO CORRESPONDE AO MESMO COM QUE FOI EMPREGADO NA FRASE "Impedidos de viver do fruto de seu próprio trabalho," (14º parágrafo).

a) "A educação tem raízes amargas, mas os seus frutos são doces."(Aristóteles)
b) "Os homens semeiam na terra o que colherão na vida espiritual: os frutos da sua coragem ou da sua fraqueza." (Allan Kardec)
c) "No ano passado a esta época a chuva já tinha chegado e alguns frutos já estavam maduros." (Neide Rigo)

INTERPRETAÇÃO
1) SEGUNDO O AUTOR, O QUE É UMA SOCIEDADE?

2) A QUEM O AUTOR SE REFERE, NO SEGUNDO PARÁGRAFO, QUANDO DIZ "[...]ATÉ OS CORRUPTOS MORADORES DO PRESÍDIO DA PAPUDA?"

3) POR QUE, SEGUNDO O AUTOR, "CAI POR TERRA A HIPÓTESE QUE VALIDA O DISCURSO DA EXCLUSÃO SOCIAL" (3º PARÁGRAFO)?

4) COMO O AUTOR DEFINE A PERSUASÃO? E A VIOLÊNCIA?

5) QUANDO HÁ UM CRIME E UMA VÍTIMA, DE FATO, SEGUNDO O TEXTO?

6) AS VÍTIMAS DA SOCIEDADE SÃO VÍTIMAS DE QUEM? POR QUÊ?

7) QUAL A IMPOSSIBILIDADE LÓGICA A QUE O AUTOR SE REFERE, NO SEGUNDO PARÁGRAFO DO TEXTO? EXPLIQUE COM SUAS PALAVRAS.

8) "Assim como não há crimes sem vítimas, não há vítimas sem o uso da violência." (5º PARÁGRAFO). VOCÊ CONCORDA COM ESSA AFIRMAÇÃO? JUSTIFIQUE:

ATIVIDADES GRAMATICAIS
1) REESCREVA A FRASE ABAIXO, SUBSTITUINDO A LOCUÇÃO VERBAL POR UM FORMA VERBAL SIMPLES, EQUIVALENTE.
a) "Como uma expressão tão curta pode conter uma falácia tão grande."

2) SABENDO QUE VERBOS ANÔMALOS SÃO AQUELES QUE APRESENTAM MAIS DE UM RADICAL AO SEREM CONJUGADOS, TRANSCREVA, DO TEXTO, DUAS FRASES ONDE APAREÇA UM VERBO ANÔMALO, APRESENTANDO RADICAIS DIFERENTES EM VIRTUDE DO TEMPO/MODO EM QUE ESTÃO CONJUGADOS.

3) INDIQUE A QUEM (OU AO QUE) SE REFEREM OS VERBOS E AS LOCUÇÕES ABAIXO, NO TEXTO:
a) validaria (3º parágrafo):
b) tiverem sido violados (6º parágrafo):
c) são (9º parágrafo):
d) tributam e regulam (10º parágrafo):
e) destroem (10º parágrafo):
f) sustentam (11º parágrafo):
g) tratam (12º parágrafo):
h) permitem (13º parágrafo):
i) conseguem (14º parágrafo):
j) culpam (15º parágrafo):

4) SE CONJUGÁSSEMOS O VERBO "CULPAM" NA 3ª PESSOA DO SINGULAR, O NÚMERO DE TERMOS A SER ALTERADOS NA FRASE "Governantes que culpam a sociedade, de maneira falaciosa, pelas vítimas que eles próprios criam, querem apenas despistar." É DE:
a) 4                   b) 5                    c) 3                      d) 6                        7) 8

5) ANALISE AS AFIRMAÇÕES ABAIXO E, EM SEGUIDA, ASSINALE A ALTERNATIVA CORRETA:
a) "Estando o todo contra um, sendo este parte do todo, este um estaria contra ele mesmo." (3º parágrafo) - os verbos destacados estão, respectivamente, no gerúndio (os dois primeiros) e no particípio.
b) "Os artífices dos programas de engenharia social tratam seres humanos como pobres coitados, como se lhes restasse, receber esmolas, cometer pequenos delitos, furtos ou roubos, para sobreviverem." - os verbos destacados estão, respectivamente, no particípio e no infinitivo.
c) "Não permitem que empreendedores, com mais liberdade e segurança para investir, criar, produzir e contratar, gerem empregos para todos, principalmente para os menos preparados." - os verbos destacados estão no particípio e pertencem a 3ª conjugação - investir e produzir - e 1ª conjugação - criar e contratar.

6) REESCREVA A FRASE ABAIXO PASSANDO OS VERBOS PARA O PRETÉRITO PERFEITO DO INDICATIVO.
a) "Cai por terra a hipótese que validaria o discurso da exclusão social."

7) REESCREVA A FRASE ABAIXO PASSANDO O VERBO PARA O PRETÉRITO IMPERFEITO DO INDICATIVO, USANDO A 1ª PESSOA DO PLURAL:
a) "Sustentam multidões com esmolas, na infeliz tentativa de mitigar os efeitos indesejados, causados por suas próprias intervenções."