quinta-feira, 26 de março de 2015

Selfie-se quem puder!

Selfie-se quem puder!(Márcio Castro)


Sorria! Você está sendo fotografado. Por você.

É bacaninha. É até divertido. Solitário ou em grupo. É moderno. E quem ainda não fez, que dispare o primeiro flash.

O selfie está aí, bem na nossa cara! Uma ação que poderia ter nome em português. Mas se você a concebe usando um smartphone, para em seguida fazer um upload e promovê-la na web, que tolice a minha querer chamá-la de autorretrato. É selfie e pronto. Pronto? Peraí... Deixa eu ajeitar minha franja e olhar pro lado, fora da lente, tipo um Stevie Wonder displicente. Atenção... click! Click??? Não necessariamente. Você escolhe o som. Pode ser tek, plin, ploft... depende do seu smart. Click era na época das máquinas com rolinho de filme – que jamais fizeram click, é bom que se diga.

Por falar em máquinas fotográficas da vovó, questões de ordem puramente anatômica sepultaram definitivamente o uso da Polaroid para fins de selfie, concorda? Sim, porque afinal somente alguém com braços de macaco pra evitar o choque da foto com a própria cara. No fundo, bem no fundo, eu até gostaria. Não de ver você engolindo o registro que acabou de fazer, mas acho que tem selfie demais por aí.

Acordando? Selfie com remela no olho. Tomando café da manhã? Selfie com requeijão no canto da boca. Indo pro trabalho? Selfie no elevador, para logo em seguida, selfie no retrovisor do carro. Ainda não tive notícias, mas a consequência deste último muito em breve há se chamar selfie com supercílio aberto. E o dia só está começando... haja bateria! Afinal, registro sem divulgação não faz o menor sentido. Divulgação sem comentário alheio é preocupante e te faz ficar revendo a foto em busca de algum defeito. E se nem umazinha curtida tiver, é a prova cabal que ninguém além de você gosta de você. Isso consome energias.

Falei do macaco linhas acima, mas penso que no mundo animal - em se tratando de auto-promoção pura e simples - nosso desejo mesmo era ser um polvo. Imagina! Oito câmeras na mão, registros simultâneos em ângulos distintos. Perto, longe, muito longe. A glória de sermos nossos próprios paparazzi. Pobre do T-Rex que, tentando entrar na brincadeira, só conseguiria registrar o próprio queixo. Mas voltando ao ambiente onde #nemtodossomosmacacos (exceção feita aos de auditório), uma das coisas que mais me incomoda no selfie, além do culto à própria imagem, não é o resultado da foto, muito menos o fato. É o ato. Ver a pessoa clicando-se é deprimente. Aquele braço esticaaaaaado, acompanhado de um sorriso também esticaaaaado, somados à reativação daquela velha brincadeira de criança me dá uma angúúúústia... Estátua!!!!!

Ok, eu já fiz e devo continuar fazendo meus selfies, mas com um mínimo de coerência, porque pensa comigo: Se o selfie é um registro fotográfico de você, feito por você, é normal imaginar que este ocorra num espaço onde só esteja... você. Daí, fazer selfie em público não faz sentido algum. É muito mais fácil chegar pra alguém e pedir: "- Tira uma foto minha?" Sou desse tempo. Gostava desse tempo. Ajudava na socialização, na geração de relacionamentos, ainda que estes tivessem a duração de um click.

Selfie é legal. Curtir selife é positivo. Mas tenho saudades do negativo.


1) O texto começa com frases que fazem referências a expressões populares (jargões). Que frases são essas e a que expressões elas se relacionam?

2) Qual é a crítica que o autor faz em relação às selfies?

3) O que é deprimente, na opinião do autor?

4) O que não faz sentido, em relação às selfies? E o que é preocupante?

5) Por que, para o autor, não faz sentido fazer selfie em público?

6) Explique ao que se refere o autor do texto no trecho: "Ainda não tive notícias, mas a consequência deste último muito em breve há se chamar selfie com supercílio aberto." (5º parágrafo).

7) Se fôssemos animais, por qual animal teríamos preferência, segundo o autor, e por quê?

8) Onomatopeia é a figura de linguagem que imita, por meio de palavras, o som natural das coisas. Transcreva, do texto, exemplos dessa figura de linguagem e explique que som elas representam.

9) Observe o trecho: " Aquele braço esticaaaaaado, acompanhado de um sorriso também esticaaaaado, somados à reativação daquela velha brincadeira de criança me dá uma angúúúústia... Estátua!!!!!"(6º parágrafo). Com que intenção, na sua opinião, a autora repetiu vogais nas palavras destacadas?

10) A que se refere o autor na frase "Selfie é legal. Curtir selife é positivo. Mas tenho saudades do negativo."(8º parágrafo).

11) Em relação à substituição vocabular, analise as afirmações abaixo e assinale a alternatica correta.
I - "Deixa eu ajeitar minha franja e olhar pro lado, fora da lente, tipo um Stevie Wonder displicente." (3º parágrafo) - podemos substituir o termo destacado por "relaxado", sem alterar o sentido da frase.
II - "E se nem umazinha curtida tiver, é a prova cabal que ninguém além de você gosta de você." (5º parágrafo). - Podemos reescrever a frase, mantendo o mesmo sentido, da seguinte forma: "E se nem umazinha curtida tiver, é a prova definitiva que ninguém além de você gosta de você."
III - "Oito câmeras na mão, registros simultâneos em ângulos distintos." (6º parágrafo) - os termos destacados são sinônimos de "concomitantes" e "ilustres", respectivamente.
IV - "[...] uma das coisas que mais me incomoda no selfie, além do culto à própria imagem,[...]" (6º parágrafo) - O termo destacado significa, neste contexto, "devoção".
V - "Ok, eu já fiz e devo continuar fazendo meus selfies, mas com um mínimo de coerência, [...]" (7º parágrafo) - podemos substituir o termo destacado por "sensatez", sem alterar o sentido da frase.

a) Apenas a III está incorreta.
b) As alternativas I e II estão incorretas.
c) Todas estão corretas.
d) Nenhuma está correta.
e) I, II, IV e V estão incorretas.

12) Quantos períodos tem:
a) o 1º parágrafo do texto?
b) o 2º parágrafo do texto?

13) Transcreva, do texto, 3 frases nominais.

14) Identifique e classifique o sujeito e o predicado nas orações abaixo:
a) "Divulgação sem comentário alheio é preocupante [...]"
b) "Ainda não tive notícias,[...]"
c) "Selfie é legal."

15) Transcreva, do texto, os adjetivos referentes aos substantivos abaixo:
a) Stevie Wonder (3º parágrafo):
b) máquinas (4º parágrafo):
c) ordem (4º parágrafo):
d) supercílio (5º parágrafo):
e) comentário (5º parágrafo):
f) prova (6º parágrafo):
g) registros (6º parágrafo):
h) ângulos (6º parágrafo):
i) imagem (6º parágrafo):
j) braço (6º parágrafo):
k) sorriso (6º parágrafo):

16) Substitua a locução adjetiva abaixo, pelo adjetivo correspondente:
a) "[...] somados à reativação daquela velha brincadeira de criança [...]" 

Análise dos textos "Diferente, mas igual" (Roberta Simoni) e "Debaixo da Ponte" (Carlos Drummond de Andrade)

TEXTO 1
Diferente, mas igual

Roberta Simoni

Fui abordada por uma moradora de rua que já vi algumas vezes ali pela Glória. Uma mulher negra, alta, que deve beirar seus trinta e poucos anos e que tá sempre falando alto e mexendo com todo mundo que passa por ela na rua. Hoje foi a minha vez:

“Olha, você me parece uma moça bem informada e inteligente, por isso, vou direto ao ponto: sou moradora de rua, mendiga mesmo, e tô com fome, não tenho nada para te oferecer, mas se você tiver algum trocado aí pra me dar...”

Não costumo dar dinheiro a pedintes, quando posso – e quando eles aceitam – pago um lanche na lanchonete mais próxima, mas estava com pressa e tinha uns trocados no bolso. Enquanto contava as moedas para dividir com ela e com a passagem que usaria para pegar o metrô, observei que ela usava uns pedaços de pano que fez de mini-saia e top para se cobrir e brinquei: “gostei do visual”. Ela foi logo se desculpando pela forma como estava vestida. “Não, não… você não tá entendendo, eu realmente gostei da sua roupa, especialmente com o calor que tá fazendo hoje, é de se invejar!” Ela riu e ficou me olhando contar as moedas misturadas com algumas notas de R$ 2,00 amassadas. Expliquei: “sou jornalista”.

Quanto terminei a contagem daquela pequena fortuna que (supostamente) pagaria o almoço dela e a minha passagem de volta para casa, perguntei seu nome. Ela ficou me olhando por um longo tempo e, por fim, disse: “você é diferente”.

“Eu sei, me sinto assim o tempo todo.”

“É, eu também.”

Ficamos nos encarando por segundos quase longos, como dois E.T.s que se reconhecem na multidão, até ela se virar, ir embora e, dois passos a seguir, parar novamente, olhar para trás e, com as moedas numa mão e a outra apoiada na cintura, me encarar mais uma vez, com uma expressão irônica, e dizer: “Afff… sabia que você me fez ficar pensativa?”

“É, você também.”

Sempre penso no que pode ter acontecido na vida de uma pessoa que acabou indo morar nas ruas. E sempre, sempre penso que a vida, no fim das contas, é uma tacada de sorte ou azar. Dependendo de onde se nasce e sendo filho de quem se é, qualquer um pode parar no mesmo lugar que ela. Qualquer um mesmo, com talentos, aptidões, personalidades e sonhos semelhantes, mas chances diferentes. É o que alguns chamam de destino.

E ela ainda começou a conversa dizendo que não tinha nada a me oferecer…

1) Em relação ao texto, analise as afirmações abaixo e assinale a alternativa correta.
I - A moradora de rua que abordou a jornalista chama-se Glória.
II - A jornalista pagou um lanche à pedinte, como geralmente faz com quem lhe pede dinheiro.
III - Conforme o texto, qualquer um de nós pode ter o mesmo destino da moradora de rua, pois tudo na vida é uma questão de sorte ou azar.

a) Todas estão corretas.
b) Nenhuma está correta.
c) I e II estão corretas.
d) II e III estão corretas.
e) Apenas a III está correta.

2) Qual foi o critério usado pela jornalista para dar dinheiro à moradora de rua?

3) Por que a autora emprega a expressão "pequena fortuna" na frase "Quando terminei a contagem daquela pequena fortuna [...]? (4º parágrafo).

4) Por que será que a moradora disse à jornalista "Você é diferente"? (4º parágrafo).

5) Observe a frase: "E ela ainda começou a conversa dizendo que não tinha nada a me oferecer..." (10º parágrafo). O que será que a moradora de rua ofereceu à jornalista?

6) Qual a função das aspas empregadas no texto?

7) Que outros substantivos foram utilizados no texto, como sinônimos de "moradora de rua"?

8) Que outros substantivos foram utilizados no texto, como sinônimos de "dinheiro"?

9) Assinale a frase onde o termo "mexer" tem o mesmo sentido com que foi usado na seguinte passagem do texto: "Uma mulher negra, alta, que deve beirar seus trinta e poucos anos e que tá sempre falando alto e mexendo com todo mundo [...]." (1º parágrafo).
(     ) Quando acordou, percebeu que não conseguia mexer as pernas.
(     ) Levou uma surra, pois estava mexendo com mulheres casadas.
(     ) O técnico mexeu no time no segundo tempo do jogo.

10) Transcreva, do texto, os adjetivos que caracterizam os substantivos abaixo:
a) mulher (1º parágrafo):
b) moça (2º parágrafo):
c) fortuna (4º parágrafo):
d) expressão (7º parágrafo):

11) Reescreva a frase abaixo, eliminando a locução adjetiva:
a) "[...] mas estava com pressa [...]":

12) Transcreva, do texto, dois substantivos comuns de dois gêneros:

13) Transcreva, do texto, um substantivo sobrecomum:

14) Se passarmos o substantivo "mulher" para o masculino, na frase "Uma mulher negra, alta, que deve beirar seus trinta e poucos anos e que tá sempre falando alto e mexendo com todo mundo que passa por ela na rua." (1º parágrafo), o número de termos a ser alterado é de:
a) 5.                  b) 6.             c) 4.           d) 7.          e) 3.

15) Identifique e classifique os sujeitos das orações abaixo:
a) "Fui abordada por uma moradora de rua que já vi algumas vezes ali pela Glória."
b) "Hoje foi a minha vez."
c) "Ela foi logo se desculpando pela forma como estava vestida."
d) "[...] acabou indo morar nas ruas."
e) Pediram dinheiro à jornalista.

16) Transcreva, do texto, uma frase nominal:

17) Quantos períodos tem o penúltimo parágrafo do texto?

18) O quinto parágrafo do texto é simples ou composto? Justifique:

19) Quantas orações tem o sexto parágrafo do texto?

TEXTO 2

Debaixo da ponte
(Drummond de Andrade)

Moravam debaixo da ponte. Oficialmente, não é lugar onde se more, porém eles moravam. Ninguém lhes cobrava aluguel, imposto predial, taxa de condomínio: a ponte é de todos, na parte de cima; de ninguém, na parte de baixo. Não pagavam conta de luz e gás, porque luz e gás não consumiam. Não reclamavam contra falta d`água, raramente observada por baixo de pontes. Problema de lixo não tinham; podia ser atirado em qualquer parte, embora não conviesse atirá-lo em parte alguma, se dele vinham muitas vezes o vestuário, o alimento, objetos de casa. Viviam debaixo da ponte, podiam dar esse endereço a amigos, recebê-los, fazê-los desfrutar comodidades internas da ponte. 

À tarde surgiu precisamente um amigo que morava nem ele mesmo sabia onde, mas certamente morava: nem só a ponte é lugar de moradia para quem não dispõe de outro rancho. Há bancos confortáveis nos jardins, muito disputados; a calçada, um pouco menos propícia; a cavidade na pedra, o mato. Até o ar é uma casa, se soubermos habitá-lo, principalmente o ar da rua. O que morava não se sabe onde vinha visitar os de debaixo da ponte e trazer-lhes uma grande posta de carne. 

Nem todos os dias se pega uma posta de carne. Não basta procurá-la; é preciso que ela exista, o que costuma acontecer dentro de certas limitações de espaço e de lei. Aquela vinha até eles, debaixo da ponte, e não estavam sonhando, sentiam a presença física da ponte, o amigo rindo diante deles, a posta bem pegável, comível. Fora encontrada no vazadouro, supermercado para quem sabe frequentá-lo, e aqueles três o sabiam, de longa e olfativa ciência. 

Comê-la crua ou sem tempero não teria o mesmo gosto. Um de debaixo da ponte saiu à caça de sal. E havia sal jogado a um canto de rua, dentro da lata. Também o sal existe sob determinadas regras, mas pode tornar-se acessível conforme as circunstâncias. E a lata foi trazida para debaixo da ponte. Debaixo da ponte os três prepararam comida. 

Debaixo da ponte a comeram. Não sendo operação diária, cada um saboreava duas vezes: a carne e a sensação de raridade da carne. E iriam aproveitar o resto do dia dormindo (pois não há coisa melhor, depois de um prazer, do que o prazer complementar do esquecimento), quando começaram a sentir dores. 

Dores que foram aumentando, mas podiam ser atribuídas ao espanto de alguma parte do organismo de cada um, vendo-se alimentado sem que lhe houvesse chegado notícia prévia de alimento. Dois morreram logo, o terceiro agoniza no hospital. Dizem uns que morreram da carne, dizem outros que do sal, pois era soda cáustica. Há duas vagas debaixo da ponte.

1) Por que o narrador diz que não convinha atirar o lixo em parte alguma?

2) Observe a frase: "[...] nem só a ponte é lugar de moradias para os que não dispõem de outro rancho." (2º parágrafo). Que outros lugares servem de moradia, segundo o narrador?

3) Explique a frase: "cada um saboreava duas vezes: a carne e a sensação da raridade da carne." (5º parágrafo).

4) Com o que os moradores temperaram a carne?

5) Encontre, no texto, sinônimos para as palavras abaixo:
a) pedaço:
b) favorável:
c) aproveitar:

6) Qual é a relação entre os dois textos lidos? Eles pertencem ao mesmo gênero?

7) Substitua o adjetivo destacado na expressão abaixo, pela locução adjetiva correspondente:
a) imposto predial:

8) Substitua o as locuções adjetivas destacadas na frase abaixo, pelos adjetivos correspondentes:
a) "[...] a ponte é de todos, na parte de cima; de ninguém, na parte de baixo."

9) Quantas orações tem o último período do primeiro parágrafo do texto?

10) Identifique e classifique os sujeitos das orações abaixo:
a) "Não reclamavam contra falta d`água, raramente observada por baixo de pontes."
b) "À tarde surgiu precisamente um amigo [...]"
c) "Há duas vagas debaixo da ponte."

sexta-feira, 20 de março de 2015

SE EU FOSSE ESQUELETO - Ricardo Azevedo

Se eu fosse esqueleto (Ricardo Azevedo)



Se eu fosse esqueleto não ia poder tomar água nem suco __________________________________________________________________________________________________________________________. 




Tirando isso, ia acordar e pular da cama __________________________________________________. 




É que ser uma caveira de verdade __________________________________________________________ 




Por exemplo. Faz de conta ____________________________________________. Aqueles bandidões ____________________________________________________(   ) 


- Na moral! ________________________________(  ) 




Se eu fosse esqueleto, _________________________________________________ (   )


Bastaria um simples bu e aquela bandidagem ______________________________________________________________________________________________. 




O gerente e os clientes do banco ________________________________________________________________________________________________________. 




Se eu fosse caveira, de repente vai ver que eu ___________________________________________________________. 




Fora isso, um esqueleto perambulando na rua em plena luz do dia _____________________________________. O povo correndo sem saber para onde, sirenes gemendo, gente que nunca ___________________________, o Exército ____________________________, aquele mundaréu __________________________________________, assobiando na calçada.


Um repórter de TV, segurando o microfone, _____________________________________________________(   )


- Quem é você (   )




E eu (   ) 




Sou um esqueleto. 




E o repórter (  )


- ____________________________________________ (   ) 




Aí eu fingia que era surdo (   )


Ser mistério (   )


E o repórter, de novo, mais alto (   )




O senhor fugiu do cemitério (   )


Assumiu no magistério (  )



- ________________________! 




Fala sério? Quem (   ) 




Aí o repórter perdia a paciência: 




- _____________________________? 




E eu: 




Claro que sou (   )
- ____________________________________________________________________ (   ) 




Se eu fosse esqueleto _______________________________________________________________( ) Já imagino eu lá parado e o professor tentando me explicar __________________________________, dizendo que os esqueletos _________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________. 

         Fico pensando nas perguntas e nos comentários dos alunos (   )
_______________________________? 




- É macho ou fêmea? 




- _________________________________________? 




- Tem ou tinha (   ) 




Magrinho, não? 




- ______________________________________________? 




- E a família dele? 




- _____________________________________________? 




- O coitado está rindo de quê? 




E ainda (   )




Professor, ele era careca? 




Enquanto isso ( ) eu lá, no meio da aula, ______________________________________________________________________________________. 




Uma coisa é certa (   ) ____________________________________________________. Aí a gente nem precisa se fantasiar. Pode sair de casa numa boa, cair no samba, virar folião e seguir pela rua dançando, brincando e sacudindo os ossos. Parece mentira, mas, no Carnaval,___________________________________________________. 




Se eu fosse esqueleto, quando chegasse o Carnaval (    ), ia sair cantando: 




Quando eu morrer

Não quero choro nem vela

Quero uma fita amarela

Gravada com o nome dela 




Todo mundo sabe _______________________________________________________. 




O que a maioria infelizmente desconhece e a ciência moderna esqueceu de pesquisar é ___________________________________________________________________________________________________________. 




E se eu fosse esqueleto e por acaso um vira-lata me visse na rua, ________________________________________________________________________?


1) Complete o texto, utilizando corretamente os trechos abaixo:
que o pior inimigo do esqueleto late, morde, abana o rabo, carrega pulgas e aprecia fazer xixi no poste

Como ele se chamava

osso por osso, dente por dente

batendo em retirada

ia cair dura no chão, com as calças molhadas de úmido pavor

nojentões, mauzões, armados até os dentões, berrando

rezou, rezando

que o maior amigo do homem é o cachorro

porque ia vazar tudo e molhar a casa inteira

O cara sabia ler ou era analfabeto

Deve ser muito bom ser esqueleto quando chega o Carnaval

desesperado e eu lá, todo contente

iam agradecer e até me abraçar, só um pouco, mas tenho certeza de que iam

causaria uma baita confusão

até podia chegar para me entrevistar

feliz como um passarinho

Cemitério

porque é tudo brincadeira, a gente sempre acaba sendo do jeito que a gente é de verdade

com aquela cara de caveira, sem falar nada para não assustar os alunos e matar o professor do coração

ia ser considerado um grande herói

deve ser muito divertido

Era rico ou pobre

O senhor é surdo

entrava no banco e gritava: bu

O senhor fugiu do cemitério

que um banco está sendo assaltado

Não está vendo que não tenho nem orelha

talvez me levassem para a aula de Biologia de alguma escola

são uma espécie de estrutura que segura nossas carnes, órgãos, nervos e músculos

Cadê a grana

Quantos anos ele tem 

2) Complete os parênteses, usando os sinais de pontuação: . , ? ! 

3) Enumere os parágrafos do texto.

4) Qual o sinal utilizado para indicar a fala dos personagens? Em alguns parágrafos este sinal foi omitido. Localize esses parágrafos onde os personagens estão dialogando  e emprego-o corretamente.

5) Segundo o texto, o que um esqueleto não pode fazer? Por quê?

6) Por que o narrador acha que ser uma caveira pode ser divertido?

7) Pelo que o narrador seria considerado um herói, se fosse um esqueleto?

8) Como ele daria um jeito nos bandidos?

9) Na frase: “Assumiu no magistério?”, o narrador está se referindo a que profissão?

10) O que são os esqueletos, segundo o narrador? 

11) Quais as possíveis dúvidas que os alunos teriam a respeito do esqueleto, se ele fosse usado numa aula de Biologia? O que você perguntaria?

12) Qual é, segundo o narrador, o pior inimigo de um esqueleto? Por quê?

13) Transcreva, do texto, as palavras que indicam as ações típicas de um cachorro, segundo o narrador.

14) O autor do texto usou a linguagem coloquial para escrevê-lo. Explique qual o sentido que as expressões destacadas nas frases abaixo, assumem no contexto.
a) Aqueles bandidões nojentões, mauzões, armados até os dentões, berrando:” (4º parágrafo).
b) “Cadê a grana?” (5º parágrafo).
c) “Bastaria um simples bu e aquela bandidagem ia cair dura no chão, com as calças molhadas de úmido pavor.” (7º parágrafo).
d) “[...] um esqueleto perambulando na rua em plena luz do dia causaria uma baita confusão.” (10º parágrafo).
e) “[...] sirenes gemendo [...]”. (10º parágrafo).
f) “[...] o Exército batendo em retirada, [...]”. (10º parágrafo).
g) “[...] aquele mundaréu desesperado [...]”.(10º parágrafo).

15) Pinte, no texto, palavras que rimem.

16) O narrador de um texto, pode ser narrador-observador ou narrador-personagem. O narrador-observador apenas relatas os fatos vivenciados pelos personagens, sem participar da história. Já, o narrador-personagem relata os fatos e participa da história como um personagem. No caso do texto lido, que tipo de narrador temos? Comprove sua resposta com um trecho do texto.

17) Rescreva as frases abaixo, eliminando as locuções verbais. Observe o exemplo.
Exemplo: Se eu pudesse escolher, ia ser um esqueci. = Se eu pudesse escolher, seria um esqueleto.
a) “Se eu fosse esqueleto não ia poder tomar água nem suco porque ia vazar tudo [...]”. 


b) “Tirando isso, ia acordar e pular da cama feliz como um passarinho.”
c) “Bastaria um simples bu e aquela bandidagem ia cair dura no chão, [...]”.


d) “O gerente e os clientes do banco iam agradecer [...]”.
e) “Se eu fosse caveira, de repente vai ver que eu ia ser considerado um grande herói.”
f) “Um repórter de TV, segurando o microfone, até podia chegar para me entrevistar:[...]”

18) O termo destacado na frase “É que ser uma caveira de verdade, deve ser muito divertido.” (3º parágrafo), é derivado de qual substantivo abstrato?

19) No 7º parágrafo há um substantivo derivado. Transcreva-o, indicando-lhe o primitivo.

20) Transcreva, do texto, um substantivo composto.

21) Transcreva, do texto, dois substantivos abstratos.

22) Reescreva a frase abaixo, passando o termo destacado para o feminino. Faça as alterações necessárias.
“Se eu fosse uma caveira, de repente vai ver que eu ia ser considerado um grande herói.” (9º parágrafo). 

23) Destaque os verbos presentes nas frases abaixo e indique a que conjugação pertencem.
a) “- Sou um esqueleto.”
b) “- O senhor fugiu do cemitério?”
c) “- Aí eu fingia que era surdo:”
d) “- Assumiu no magistério?”
e) “- Fala sério? Quem?”
f) “- Era rico ou pobre?”

terça-feira, 17 de março de 2015

Eduardo e Mônica - Atividade de Intertextualidade



Eduardo e Mônica

Quem um dia irá dizer
Que existe razão
nas coisas feitas pelo coração?
E quem irá dizer
Que não existe razão?
 

Eduardo abriu os olhos mas não quis se levantar:
Ficou deitado e viu que horas eram
Enquanto Mônica tomava um conhaque,
Noutro canto da cidade,
Como eles disseram.

Eduardo e Mônica um dia se encontraram sem querer
E conversaram muito mesmo pra tentar se conhecer.
Foi um carinha do cursinho do Eduardo que disse:
- Tem uma festa legal e a gente quer se divertir.
Festa estranha, com gente esquisita:
- Eu não estou legal. Não aguento mais birita.
E a Mônica riu e quis saber um pouco mais
Sobre o boyzinho que tentava impressionar
E o Eduardo, meio tonto, só pensava em ir pra casa:

- É quase duas, eu vou me ferrar.

Eduardo e Mônica trocaram telefones
Depois telefonaram e decidiram se encontrar.
O Eduardo sugeriu um lanchonete
Mas a Mônica queria ver o filme do Godard.
Se encontraram então no parque da cidade:
A Mônica de moto e o Eduardo de camelo.
O Eduardo achou estranho e melhor não comentar
Mas a menina tinha tinta no cabelo.

Eduardo e Mônica eram nada parecidos –
Ela era de Leão e ele tinha dezesseis.
Ela fazia Medicina e falava alemão
E ele ainda nas aulinhas de inglês.
Ela gostava do Bandeira e do Bauhaus,
De Van Gogh e do Mutantes,
De Caetano e de Rimbaud
E o Eduardo gostava de novela
E jogava futebol-de-botão com seu avô.
Ela falava coisas sobre o Planalto Central,
Também magia e meditação.
E o Eduardo ainda estava
No esquema “escola – cinema – clube – televisão”.

E, mesmo com tudo diferente,
Veio mesmo, de repente,
Uma vontade de se ver
E os dois se encontravam todo dia
E a vontade crescia,
Como tinha de ser.
Eduardo e Mônica fizeram natação, fotografia,
Teatro e artesanato e foram viajar.
A Mônica explicava pro Eduardo
Coisas sobre o céu, a terra, a água e o ar:
Ele aprendeu a beber, deixou o cabelo crescer
E decidiu trabalhar;
E ela se formou no mesmo mês
Em que ele passou no vestibular.

E os dois comemoram juntos
E também brigaram juntos, muitas vezes depois.
E todo mundo diz que ele completa ela e vice-versa,
Que nem feijão com arroz.

Construíram uma casa uns dois anos atrás,
Mais ou menos quando os gêmeos vieram –
Batalharam grana e seguraram legal
A barra mais pesada que tiveram.

Eduardo e Mônica voltaram pra Brasília
E a nossa amizade dá saudade no verão.
Só que nessas férias não vão viajar
Porque o filhinho do Eduardo
Tá de recuperação.

E quem um dia irá dizer
Que existe razão
Nas coisas feitas pelo coração?
E quem irá dizer
Que não existe razão?
                                           Renato Russo. In Legião Urbana, Dois EMI-OEON,1986.

 1) As diferenças de Eduardo e Mônica são apresentadas a partir da segunda estrofe. Complete o quadro, mostrando em que as personagens diferem uma da outra .

2) Que relação existe entre o narrador da história e o casal Eduardo e Mônica? Comprove sua resposta com um trecho do texto.*

3)  Quais são as dúvidas expressas no primeiro refrão da música?
4) Onde e como Eduardo e Mônica se encontraram?
5) Observe o verso: “- Eu não estou legal, não aguento mais birita”. De quem é essa fala? Do Eduardo ou da Mônica? Justifique sua resposta.

6) Como Eduardo tentava impressionar a Mônica?

7) É possível deduzir, a partir da letra da música, qual deles era o mais velhos da relação? Comprove sua resposta com um trecho da música.

8) Observe o verso: “Ela falava coisas sobre o Planalto Central”. Sobre o que Mônica falava?

9) Com o que o autor compara a relação de Eduardo e Mônica?

10) Observe o verso: “Batalharam grana e seguraram legal a barra mais pesada que tiveram”. Que barra foi essa?

11) A letra da música conta uma história de amor entre duas pessoas. Quanto tempo você acha que passou desde que as personagens se conheceram e o final da história? Justifique sua resposta.*

12) Leia os trechos abaixo e faça o que se pede.*

I – Justifique a presença de tantas expressões coloquiais (informais) no texto.

II – Dê o significado que elas assumem no contexto.


a) “Eu não estou legal. Não aguento mais birita.”

b) “É quase duas, eu vou me ferrar.”

c) “Se encontraram então no parque da cidade. A Mônica de moto e o Eduardo de camelo...”

13) Pesquise as seguintes personalidades mencionadas no texto:* a) Godard:                                               e) Mutantes:
b) Bandeira:                                             f) Caetano:
c) Bauhaus:                                             g) Rimbaud:
d) Van Gogh:

14) Compare a letra da música e a História em Quadrinhos a seguir e complete o quadro abaixo:

15) Observe a imagem abaixo e responda às questões.

 

           a) Em que ambiente se passa esse diálogo?
           b) Que elementos podem ser destacados para comprovar sua resposta.
     c) Cebolinha é conhecido por trocar as letras R e L.  Com excecao das palavras escritas pelo Cebolinha, há outras palavras que apresentam problema em relação à ortografia?   Que palavras são essas e como deveriam ser escritas?
     d) O que a imagem acima tem em comum com a História em Quadrinhos?

* Algumas atividades foram criadas pela professora Else Emrich. Disponível em https://www.facebook.com/groups/artemanhas/835693783175167/