segunda-feira, 17 de outubro de 2016

ALUNOS BRASILEIROS NÃO SABEM ARGUMENTAR, DIZ ESTUDO (Thaís Paiva) - Atividades para o Ensino Médio

Alunos brasileiros não sabem argumentar, diz estudo (Thaís Paiva)
http://www.cartaeducacao.com.br/reportagens/argumentacao-%E2%80%A8ou-reproducao/

Exigidos em vestibulares, provas e concursos, os textos dissertativos-argumentativos costumam ser amplamente trabalhados entre os alunos do Ensino Médio. Afinal, saber expor ideias com clareza e sustentar argumentos são aptidões importantes não só nas salas de aula, mas para a formação de cidadãos atuantes na sociedade.

Os alunos brasileiros, entretanto, estão saindo da escola com dificuldades para argumentar, defender teses e construir pontos de vista. O alerta é da pesquisa “Argumentação, Livro Didático e Discurso Jornalístico, Vozes Que se Cruzam na Disputa pelo Dizer e Silenciar”, da pedagoga Noemi Lemes, tese de mestrado para a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP de Ribeirão Preto.

No trabalho, Noemi analisou livros didáticos e redações produzidas por alunos do terceiro ano do Ensino Médio de escolas públicas e constatou que a dificuldade está, em grande parte, ligada ao modo como os materiais de apoio abordam a argumentação, usando quase exclusivamente como exemplos produções da imprensa. “Quase sempre é apresentado um único texto jornalístico sobre determinado assunto, expressando um ponto de vista que os alunos tendem a reproduzir”, explica.

Além disso, os livros didáticos raramente apresentam textos acordes e desacordes que ampliem as visões sobre os temas. Esse discurso em uníssono prejudica o desenvolvimento da autoria e do pensamento crítico, diz a pedagoga. Ela acrescenta: “As redações são curtas e pontuais e, na maioria das vezes, nenhum novo sentido é instaurado. Porém, uma argumentação bem- sucedida é aquela que trabalha com o novo, quando o aluno expressa de forma clara e lógica sua própria perspectiva”.

O ensino da argumentação no Ensino Médio é também tema de estudo da professora Helia Coelho Mello Cunha, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Fluminense. Para ela, muitos professores recorrem a técnicas artificiais de organização de texto que não levam o aluno a refletir e a desenvolver posicionamento crítico sobre os assuntos atuais. “Como os alunos poderiam escrever e defender bem suas ideias se a eles não é oferecida a oportunidade de desenvolver habilidades argumentativas na escola? Percebo que os estudantes têm muita dificuldade e, por isso, acabam escrevendo textos puramente informativos”, diz a autora de A Construção da Argumentação no Ensino Médio: um Trabalho Técnico e Retórico.

Já Antonio Suarez Abreu, professor titular da Unesp e docente associado da USP, acredita que os estudantes que têm acesso unicamente ao discurso jornalístico como exemplo de argumentação não ficam prejudicados em sua capacidade, mas limitados, uma vez que esse gênero costuma tratar só de fatos e problemas conjunturais. “Na maioria das vezes, não se trata de os alunos reproduzirem a opinião alheia, mas, sim, o senso comum, disseminado por mídia, escola e família.”

Para o autor de, entre outros livros, A Arte de Argumentar Gerenciando Razão e Emoção, contrapor-se ao senso comum deixa as pessoas inseguras e com medo, inclusive da reprovação no vestibular. “Imagine uma aluna indiana diante de um tema que envolva a juventude e a moda. Se na Índia as mulheres são proibidas de usar calças jeans, você acha que ela ousaria argumentar contra esse costume em uma redação que fosse decidir sua futura vida acadêmica?”, indaga.

Outra questão observada pelos especialistas é a ausência, nas escolas, de embasamento teórico mais profundo. “Nos livros, não encontramos conceitos importantes sobre a Teoria da Argumentação. Não é que os alunos precisem estudar profundamente a Retórica de Aristóteles, mas, pelo menos, deveriam passar por conceitos básicos dela, como hipótese, argumento, auditório e persuasão”, defende Helia. Para ela, é essencial trabalhar o planejamento do texto dissertativo-argumentativo, trazendo a leitura e a análise de escritos do gênero e identificando seus elementos de construção, como a tese defendida, os recursos utilizados para persuadir e a estrutura da redação. Ela ressalva, porém, que “seguir a estrutura é importante, mas ser criativo é fundamental. Atualmente, as redações lembram bolos industrializados”.

Noemi defende ainda que materiais didáticos e professores apresentem outros gêneros além do jornalístico, como os científicos, para embasar os argumentos. “No caso de uma redação na qual o tema é pena de morte, é importante que o livro também contenha textos de leis para que o aluno possa se basear em dados. O professor pode produzir seus próprios escritos ou trazer outros, pois o importante é que ocorra o embate de ideias. Afinal, se só um texto circula no livro didático, o estudante é impelido a ter a mesma opinião”, diz.

Ele sugere mesclar ciência, filosofia e literatura. “O professor pode usar com os alunos, por exemplo, a Dama das Camélias, de Alexandre Dumas Filho, que narra a paixão do jovem Alfredo Germont pela cortesã Violetta Valery na Paris de 1848. Que tal o diálogo entre Giorgio Germont, pai de Alfredo, e Violetta, em que ele a convence a abandonar Alfredo, para discutir a construção dos argumentos e sua aceitação segundo os valores da sociedade rigidamente estratificada da época?”, propõe.

Essa preocupação com a reflexão sobre as estratégias de persuasão, as marcas linguísticas e as situações comunicativas vai além da preparação acadêmica dos estudantes. “A argumentação é um conteúdo importante para a vida do cidadão, para ajudá-lo a desempenhar um papel político na sociedade e enxergar as questões que o cercam. Como disse Aristóteles, a retórica é importante porque o justo e o verdadeiro têm mais valor quando diante dos seus opostos”, lembra Noemi.

1) Em relação às ideias expostas no texto, analise as afirmações abaixo e assinale a alternativa correta.
I - Conforme o texto, expor argumentos com clareza e sustentar um ponto de vista é fundamental apenas para concluir o Ensino Médio. 
II - Conseguir se expressar com clareza, defender uma tese a partir de uma argumentação bem fundamentada são habilidades fundamentais para a vida do cidadão, que pretende desempenhar o seu papel, de forma atuante, na sociedade.
III - Conforme a pedagoga Noemi Lemes, os alunos tendem a reproduzir pontos de vista abordados em materiais de imprensa, uma vez que, na maioria dos casos, os alunos são expostos a um único texto jornalístico sobre determinado fato e são compelidos a escrever a respeito, sem maiores pesquisas ou debates.
IV - Segundo a pedagoga, as produções textuais dos alunos do Ensino Médio, em sua maioria, abordam novas perspectivas e constroem novos sentidos para os temas propostos.
V - De acordo com as afirmações da professora Helia Coelho Mello, os alunos têm dificuldades em escrever textos dissertativos-argumentativos porque as técnicas de de organização textual usadas por muitos professores, impossibilitam a reflexão dos mesmos, levando-os a produzir textos meramente informativos.

a) Apenas a I está correta.
b) Todas estão corretas.
c) Todas estão incorretas.
d) I, III e V estão corretas.
e) II, III e V estão corretas.

2) Observe a seguinte frase: "Além disso, os livros didáticos raramente apresentam textos acordes e desacordes que ampliem as visões sobre os temas." (4º parágrafo). O que seriam textos acordes e desacordes?

3) Qual é a crítica feita pela pedagoga Noemi Lemes em relação à forma como a argumentação é abordada nos materiais didáticos?

4) Observe o seguinte trecho: "[...] mas limitados, uma vez que esse gênero costuma tratar só de fatos e problemas conjunturais." (7º parágrafo). Explique ao que se refere o termo destacado, nesse contexto.

5) Defina "senso comum".

6) Por que, segundo o professor Antonio Juarez Abreu, as pessoas têm medo de se contrapor ao senso comum?

7) No texto, fica claro que os especialistas concordam que os alunos deveriam conhecer alguns conceitos básicos como hipótese, argumento, auditório e persuasão. Pesquise o que significa cada um desses conceitos e explique a importância dos mesmos para a redação de um bom texto.

8) Explique o que vem a ser a tese em um texto dissertativo-argumentativo.

9) Ao que Helia Coelho Mello Cunha compara as redações dos alunos? Por que você acha que ela faz essa comparação?

10) Por que, segundo Helia, seria importante mesclar ciência, filosofia e literatura?

11) Em relação à substituição vocabular, analise as afirmações abaixo e assinale a alternativa correta.
I - "Sustentar pontos de vista próprios em redações e criar teses são tarefas árduas para os estudantes do Ensino Médio." - o termo destacado pode ser substituído por "complexas", sem alterar o sentido da frase.
II - "Afinal, saber expor ideias com clareza e sustentar argumentos são aptidões importantes não só nas salas de aula [...]" - o termo destacado pode ser substituído por "tarefas", sem alterar o sentido da frase.
III - "Porém, uma argumentação bem-sucedida é aquela que trabalha com o novo, quando o aluno expressa de forma clara e lógica sua própria perspectiva." - podemos substituir o termo destacado por "ponto de vista", sem alterar o sentido da frase.
IV - "[...] pois o importante é que ocorra o embate de ideias. Afinal, se só um texto circula no livro didático, o estudante é impelido a ter a mesma opinião [...]" - os termos destacados são, respectivamente, sinônimos de "conflito" e "obrigação"
V - "Como disse Aristóteles, a retórica é importante porque o justo e o verdadeiro têm mais valor quando diante dos seus opostos [...]" - "retórica" refere-se à oratória.

a) Todas estão corretas.
b) Apenas a II está incorreta.
c) Apenas a III está correta.
d) Nenhuma está correta.
e) I e II estão corretas.

12) Reescreva as frases, substituindo as locuções verbais pela forma verbal simples, equivalente.
a) "[...] os textos dissertativos-argumentativos costumam ser amplamente trabalhados entre os alunos do Ensino Médio."
b) "Os alunos brasileiros, entretanto, estão saindo da escola com dificuldades para argumentar, defender teses e construir pontos de vista."
c) "Como os alunos poderiam escrever e defender bem suas ideias se a eles não é oferecida a oportunidade [...]"
d) "[...] por isso acabam escrevendo textos puramente informativos [...]"
e) "[...] esse gênero costuma tratar só de fatos e problemas conjunturais."

13) Reescreva as orações, empregado o verbo no tempo/modo, pessoa/número indicados entre parênteses. Faça as alterações necessárias.
a) "[...] analisou livros didáticos e redações produzidas por alunos do terceiro ano do Ensino Médio [...]" (Presente do indicativo - 1ª pessoa do singular)
b) "[...] poderiam escrever e defender bem suas ideias [...]" (Futuro do Presente - 1ª pessoa do plural)
c) "[...] acredita que os estudantes que têm acesso unicamente ao discurso jornalístico  [...]" (Pretérito imperfeito do indicativo - 3ª pessoa do plural)
d) "[...] não encontramos conceitos importantes sore a Teoria da Argumentação." (Pretérito Perfeito do Indicativo - 2ª pessoa do singular)
e) "Ele sugere mesclar ciência, filosofia e literatura." (Presente do Indicativo - 1ª pessoa do singular)

terça-feira, 4 de outubro de 2016

A PEQUENA E A GRANDE CORRUPÇÃO - Ronaldo Pereira de Lima - ATIVIDADES PARA O ENSINO MÉDIO

A pequena e a grande corrupção 
Ronaldo Pereira de Lima 
http://obviousmag.org/ronperlim/2016/a-pequena-e-a-grande-corrupcao.html


Em um de seus livros, Plínio de Arruda Sampaio disse que há dois tipos de corrupção, a grande e a pequena; mas que as duas são igualmente perniciosas e imorais, mas que não podem ser combatidas da mesma maneira.

A grande corrupção, mencionada por Plínio, é a que aparece no estardalhaço midiático envolvendo governos federal, municipal, estadual, distrital, políticos, servidores, particulares e heróis que não são de gibis, mas dos que somente enxergam a corrupção do outro.

Não é objeto deste artigo destacá-la, pois, a grande mídia se encarrega de fazê-la; utilizando-se da opressão publicitária, mexendo com os sentimentos alheios, fazendo muita gente acreditar em meias verdades. Foi assim com Lula, a prisão coercitiva e agora com a pirotecnia do powerpoint de Dallagnol.

Irei, no entanto, me ocupar da pequena corrupção, especificamente aquela que está entrelaçada ao contexto eleitoral, seja em campanhas ou em mandatos. Ela é ignorada pela grande mídia, pelo Judiciário e pelas instituições. Ignorada porque nada se faz de forma efetiva e eficaz para combatê-la.

Eu costumo chamar a pequena corrupção de comércio eleitoral. Ela é a espinha dorsal da grande corrupção, isto é, o que se pratica nos municípios do nosso país, de forma intensa ou não. Ele é caracterizado pela troca de voto por bens tangíveis (espécie de escambo), intangíveis (favores) e pela compra de voto (quando o eleitor prefere em espécie). Em minha escrita costumeiramente denomino esse conjunto de comércio eleitoral. Muitos justificam essa prática alegando que “o erro já vem de Brasília”, esquecendo-se que os que estão em Brasília não são eleitos por si.

É necessário que aqueles que queiram mudança procurem compreender o funcionamento do sistema, deixando de lado as ácidas críticas que para nada servem, e servem: para distanciar cada vez mais o cidadão de exercer os seus direitos políticos e dar espaço para coisas que acontecerem este ano, por exemplo, o dia 17 de abril.

Precisa o eleitor brasileiro fazer uma releitura da forma como o político é eleito. E essa releitura deve ser feita partindo do comércio eleitoral de base. Não é revoltando-se, esquivando-se que a coisa vai mudar. Não é descriminalizar a política, partidos, pessoas que as coisas serão resolvidas.

Precisa acabar com essa mania de enxergar a Política a partir das tribunas, das matérias de jornais, revistas, blogs e outros meios; fazendo dela inimiga da sociedade. É necessário conhecê-la na prática para que não se dê espaço para regimes ditatoriais e fascistas.

A mudança tem que vir da base e a base são os municípios, matrizes de todos os candidatos. E o que é que precisa ser mudado? As pessoas. Estas precisam mudar a forma de escolher. Enquanto essa mudança não acontece, as páginas impressas e online sempre trarão a prática da corrupção para as nossas vidas, expondo como muitos dos eleitos tratam-na com naturalidade e o povo com desdém.

É preciso espalhar uma maneira nova de pensar a política, não a partir do que nos oferece a grande mídia e os seus interesses escusos, mas a partir da realidade de cada município. Enquanto isso não acontece, é ilusão achar que “Todo poder emana do povo”.

1) No primeiro parágrafo, o autor utiliza as palavras "perniciosas e imorais" para caracterizar os dois tipos de corrupção sobre os quais fala. O que essas palavras significam?

2) De quem são esses conceitos de "grande e pequena corrupção" citados no texto?

3) Observe o seguinte trecho do texto: "A grande corrupção, mencionada por Plínio, é a que aparece no estardalhaço midiático  [...]" (2º parágrafo). Explique o que o autor quis dizer com essa frase e ao que se refere a expressão destacada.

4) Observe a seguinte afirmação feita no texto: "[...] e heróis que não são de gibis, mas dos que somente enxergam a corrupção do outro." (2º parágrafo). Levando-se em conta que o autor faz uma crítica em seu texto a atuais acontecimentos políticos vivenciados no Brasil, a quem você acredita que ele se refere quando fala em "heróis"?

5) A partir da leitura do texto, podemos perceber o posicionamento político do autor. Destaque o trecho onde podemos confirmar isso.

6) Qual é o foco principal do texto?

7) Por que, de acordo com o autor, a pequena corrupção é ignorada?

8) O que é e como é caracterizada a pequena corrupção?

9) Qual é, de acordo com o autor, a justificativa para a pequena corrupção?

10) Como, segundo o autor, devemos combater a pequena corrupção? Liste as ações citadas no texto.

11) Quem, de acordo com o autor, deve mudar? Por quê?

12) Na seguinte oração: "[...] não a partir do que nos oferece a grande mídia e os seus interesses escusos [...]" (10º parágrafo), o que significa o termo destacado?

13) Indique a que conjugação pertencem os verbos destacados nas frases abaixo:
a) "Em um de seus livros, Plínio de Arruda Sampaio disse que dois tipos de corrupção: [...]" (1º parágrafo)
b) "A grande corrupção, mencionada por Plínio, é a que aparece no estardalhaço midiático envolvendo governos [...]" (2º parágrafo).
c) "Irei, no entanto, me ocupar da pequena corrupção [...]" (4º parágrafo)

14) Destaque, do texto:
a) uma frase que contenha um verbo no gerúndio:
b) uma frase que contenha um verbo no infinitivo:
c) uma frase que contenha um verbo no particípio:

15) Reescreva as frases abaixo, conjugando o verbo na pessoa solicitada entre parênteses. Faça as alterações necessárias:
a) "Irei, no entanto, me ocupar da pequena corrupção [...]" (4º parágrafo) (1ª pessoa do plural)
b) "Eu costumo chamar a pequena corrupção de comércio eleitoral." (5º parágrafo) (3ª pessoa do plural)
c) "Em minha escrita denomino esse conjunto de comércio eleitoral" (5º parágrafo) (3ª pessoa do singular)
d) "Precisa acabar com essa mania de enxergar a política a partir da tribunas [...]" (1ª pessoa do plural)

16) Empregue o sinal indicativo da crase, quando necessário:
a) Plínio de Arruda Sampaio se refere a dois tipos de corrupção: a grande e a pequena.
b) Em seus textos, Plínio de Arruda Sampaio se refere a corrupção.
c) Lula foi levado a delegacia coercitivamente.
d) A pequena corrupção está relacionada a campanha eleitoral.
e) Muitos justificam a prática do comércio eleitoral devido a cultura do povo.



quinta-feira, 1 de setembro de 2016

#SOMOSTODOSIGNORANTES: A HASHTAG DO BRASIL NAS REDES SOCIAIS - Bruno Ferrari - Atividades Ensino Médio


Passamos a nos sentir à vontade para escrever absurdos nas redes sociais que jamais ousaríamos falar numa praça pública – e o horizonte não parece promissor

BRUNO FERRARI
10/08/2016 - 20h02 - Atualizado 11/08/2016 10h42



1 “O senhor Walker é o típico homem comum. Considerado um bom cidadão e de inteligência razoável. Um homem gentil, amável, pontual e honesto. Mas, por trás de um computador ou smartphone, acontece um fenômeno estranho: o senhor Walker se deixa levar pela forte sensação de poder. Sua personalidade muda completamente. De repente, ele se transforma em um monstro incontrolável e diabólico. O senhor Walker é agora o senhor Wheeler – o comentarista de redes sociais.”

2 O texto lhe soa familiar? Tirei da animação Motor mania, estrelada pelo Pateta, produzida pela Disney em 1950. Do original, apenas substituí a palavra “volante” por “computador” e “smartphone" e “motorista” por “comentarista das redes sociais”. No Brasil, o vídeo de seis minutos foi traduzido como Senhor volante (ou Pateta no volante) e é reproduzido ainda hoje em centros de formação de condutores. Serve para mostrar como as pessoas não devem se comportar no trânsito. Poderia servir para mostrar como as pessoas não deveriam se comportar nas redes sociais.

3 Em pouco mais de seis anos, o Brasil virou de ponta-cabeça. Terminamos a década de 2000 com um cenário promissor, a economia em ascensão e grande expectativa para realizar uma Copa do Mundo e uma Olimpíada. Hoje, por todos os motivos conhecidos, temos um cenário oposto e as redes sociais acabam refletindo esse duplo twist carpado em curso no país. Entramos na era da grosseria, da intolerância, marcada por uma horda de senhores Wheelers que invade portais e páginas no Facebook destilando o discurso do ódio, o racismo, a homofobia, a misoginia e a xenofobia. Curiosamente, quando estão longe dos meios digitais, muitos se portam como Walkers: bons cidadãos e de inteligência razoável.

4 A judoca Rafaela Silva é um exemplo desse comportamento. Em 2012, ao ser eliminada dos jogos de Londres, foi xingada de macaca e ofendida à exaustão nas redes sociais. Quatro anos depois, com a conquista do ouro, virou heroína nacional. Não duvido de que muitos Wheelers de 2012, insatisfeitos com a derrota, tornaram-se Walkers em 2016, depois da vitória. Pelo menos até descobrirem que Rafaela tem uma namorada que foi fundamental em sua conquista. Wheelers costumam ser fãs da “família tradicional”.

5 Outra vítima da selvageria virtual foi a nadadora Joanna Maranhão, que ficou fora da semifinal dos 200 metros medley por uma diferença de 5 centésimos em relação à última classificada. Joanna, conhecida nas redes sociais por defender ideais “de esquerda” (na falta de um termo mais preciso), foi atacada no Twitter e em sua página no Facebook. “As pessoas não gostarem do meu rendimento é um direito delas. Todo mundo quer que o brasileiro esteja no pódio”, disse em entrevista ao canal SporTV. “Mas desejar que eu seja estuprada, que a minha mãe morra, que um bandido me mate, que eu me afogue, falar que a história da minha infância eu inventei para estar na mídia [Joanna afirma que sofreu abuso quando criança de um antigo treinador]... Acho que isso ultrapassa qualquer limite”, afirmou, prometendo que acionará seus detratores na Justiça.

6 Mesmo aqueles que se sentem à vontade para fazer críticas ao desempenho de atletas devem admitir que ataques assim ultrapassam qualquer limite do aceitável. Uma das alegações mais usadas em sua página no Facebook diz que se Joanna tivesse treinado mais em vez de ficar defendendo o PT nas redes sociais não teria perdido. Não consigo ver sentido em relacionar um posicionamento político com o desempenho de um atleta.

7 Evito usar o termo “linchamento virtual” porque alguns especialistas em violência acreditam que suas consequências são incompatíveis com as de um linchamento real. De fato, a priori ninguém morre por sofrer xingamentos em série no Facebook. Eles podem, sim, servir como estopim para agravar um quadro depressivo que leve ao suicídio ou como incentivo à violência física. Mas, para além de casos extremos, tente imaginar a sensação de alguém que acaba de perder uma das provas mais importantes de sua vida e se vê alvo de milhares de mensagens ofensivas. Tente imaginar a dor que deve ser assistir a desconhecidos recuperando episódios delicados e traumáticos de sua vida como se fossem questões banais.

8 De alguma forma, passamos a nos sentir à vontade para escrever absurdos que jamais ousaríamos falar numa praça pública – e o horizonte não parece promissor. Algumas ações violentas das redes sociais já se refletem no mundo físico, como as agressões físicas e verbais sofridas pela atriz Letícia Sabatella em Curitiba.

9 Usei no texto a primeira pessoa do plural, “nós”, como uma provocação. Quero acreditar que estamos diante de uma minoria barulhenta o suficiente para fazer com que algoritmos nas redes sociais os mostrem como maioria aparente. Mas isso não impede que eu e você, que nos julgamos Walkers, tenhamos nossos lapsos virtuais de Wheelers. Infelizmente, nos trending topics do Twitter em 2016, a hashtag SomosTodosIgnorantes está em destaque.


1) Na obra original, produzida pela Disney, quem era o S. Walker e o Sr. Wheeler?

2) Há, no texto, referência a um movimento da ginástica que consiste em uma pirueta de giro em torno de si, seguido de um mortal duplo. Que movimento é esse? Por que o autor o usa como exemplo para ilustrar a situação que ocorre no país?

3) De que forma são caracterizados, no texto, o Sr. Walker e o Sr. Wheeler? Qual foi a inspiração usada pelo autor para usar esses personagens?

4) No 4º parágrafo, o autor afirma que a judoca Rafaela Silva foi xingada nas redes sociais em 2012, após ser eliminada dos jogos olímpicos de Londres. Em seguida, disse que, este ano, virou heroína nacional. Por que o autor afirma isso? No mesmo parágrafo, o autor afirma: “Wheelers costumam ser fãs da “família tradicional”, qual a relevância disso para o tema discutido no texto?

5) Que palavras, segundo o autor, foram substituídas no exemplo citado e por que houve essa substituição?

6) Por que especialistas em violência não aceitam o uso do termo “linchamento” relacionado aos ataques virtuais?

7) No 3º parágrafo o autor cita: “destilando o discurso do ódio, o racismo, a homofobia, a misoginia e a xenofobia”. Ao que se referem os termos destacados?

8) Transcreva, do texto:
a) 3 exemplos onde o prefixo -IN acrescenta, à palavra, um sentido de negação.
b) 2 exemplos onde o prefixo não acrescenta, à palavra, um sentido de negação.

9) Se substituirmos o termo destacado na frase: “Uma das alegações mais usadas em sua página no Facebook diz que se Joanna tivesse treinado mais em vez de ficar defendendo o PT nas redes sociais não teria perdido.” (6º parágrafo) – por “argumentos”, o número de termos a ser alterado é de:
a) 3                    b) 5                    c) 4                d) 6                   e) 2 

10) Observe a frase: “Todo mundo quer que o brasileiro esteja no pódio” (5º parágrafo). Se reescrevermos a frase substituindo o termo destacado por um pronome pessoal correspondente a 3ª pessoa do singular a redação da frase fica: “Todo mundo quer que ele esteja no pódio”. Reescreva a frase, substituindo o termo destacado pelos pronomes solicitados abaixo. Faça as alterações necessárias.
a) Pronome pessoal reto – 1ª pessoa do plural

b) Pronome pessoal reto – 1ª pessoa do singular: 

11) Observe a frase: “Serve para mostrar como as pessoas não devem se comportar no trânsito. ” (1º parágrafo). Se reescrevermos a frase substituindo o termo destacado por um pronome pessoal correspondente a 3ª pessoa do plural a redação da frase fica: “Serve para mostrar como elas não devem se comportar no trânsito”. Reescreva a frase, substituindo o termo destacado pelos pronomes solicitados abaixo. Faça as alterações necessárias. 
a) Pronome pessoal reto – 1ª pessoa do plural 

b) Pronome pessoal reto – 1ª pessoa do singular:

12) Na frase: “Terminamos a década de 2000 com um cenário promissor, a economia em ascensão e grande expectativa para realizar uma Copa do Mundo e uma Olimpíada..” (3º parágrafo) foi omitido um pronome:
a) Que pronome é esse e como se classifica?

b) A que pessoa do discurso se refere?


13) Na frase: “Evito usar o termo “linchamento virtual” porque alguns especialistas em violência acreditam que suas consequências são incompatíveis com as de um linchamento real” (7º parágrafo) foi omitido um pronome:
a) Que pronome é esse e como se classifica?

b) A que pessoa do discurso se refere?

14) Reescreva as orações, substituindo os termos destacados pelo pronome adequado:
a) Mesmo aqueles que se sentem à vontade para fazer textos ofensivos [...]
b) [...] servir como estopim para agravar uma doença [...]
c) [...] tente imaginar o problema [...]
d) [...] acaba de perder um dos melhores amigos [...]

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

A MALA DE HANA - Karen Levine

A mala de Hana


Toda _____________ havia uma nova restrição. Judeus não podiam frequentar o ____________ de diversões. Nem os _____________ de ___________. Nem os parques públicos. Logo, Hana não podia mais ir ao ________________. Até mesmo o _________ em que esquiavam estava proibido. Suas _______________ - todas gentis - no começo também ficaram tão perplexas quanto Hana com as regras. Ainda se sentavam lado a lado na ___________ e aprontavam ____________ juntas dentro da classe e na hora do _______________.

- Ficaremos juntas para sempre, não importa o que aconteça - prometeu Maria, a melhor amiga de Hana. - Não vamos deixar que ninguém nos diga com quem vamos _________!

Mas, aos poucos, conforme os ________ se passavam, todas as _________ de Hana, inclusive Maria, pararam de visitá-la depois da escola e nos _____________________. [...]

Com cada ___________ perdido e cada  restrição, Hana e George sentiam que seu __________ ficava um pouco menor. Eles estavam __________. Eles estavam tristes. E estavam frustrados.

- O que podemos fazer? - perguntavam aos pais. - Para onde podemos ir?

Mamãe e papai fizeram o seu melhor para __________ as crianças, para ajudá-las a descobrir novas ______________.

- Nós temos ______________ - disse mamãe -, porque temos um grande ______________. Vocês podem brincar de ____________________. Podem balançar nas ______________. Podem inventar jogos. Podem brincar de ____________ nos depósitos. Podem explorar a ____________ secreta. Adivinhar ______________. Sejam gratos  um pelo outro!

Hana e George eram gratos por terem um ao outro e também por brincarem juntos. Mas isso não aliviava a _________________ de não poderem mais fazer o que faziam antes nem ir àqueles _____________ onde costumavam ir. Num lindo dia de _____________________, quando o ___________ brilhava, os dois sentaram no quintal, entediados, brincando com a grama. De repente, Hana começou a chorar.

- Não é justo! - gritou. - Eu odeio isso! Quero que tudo volte a ser como antes!

Arrancou um punhado de __________ e jogou as folhas no ar. Olhou para o _________. Sabia que ele estava tão triste quanto ela.

- Espere aqui - disse ele. - Eu tenho uma ideia. 

Minutos depois, George estava de volta, com um bloco de papel, uma caneta, uma __________ vazia e uma pá.

- Pra que tudo isso? - perguntou Hana.

- Talvez, se escrevermos todas as coisas que estão acontecendo com a  gente, fiquemos mais aliviados.

- Isso é _____________ - respondeu Hana. - Não vai trazer nem o parque nem a diversão de volta. E não trará Maria de volta.

Mas George insistiu. Ele era, no fim das contas, o irmão mais velho, e Hana não tinha nenhuma outra ideia. Então, nas ____________ seguintes, as crianças derramaram sua infelicidade no ____________. George escrevendo e Hana falando. Fizeram listas das coisas que faziam falta e das coisas que os enfureciam. Fizeram listas de todas as coisas que fariam e de todos os lugares para onde iriam quando aqueles tempos terríveis acabassem.

Quando terminaram, George pegou as folhas de papel, enrolou-as num _________, colocou-as dentro da garrafa e fechou-a com uma _____________. Então, os dois andaram até a casa, parando embaixo do balanço duplo. Ali, Hana cavou um grande _____________: seria aquele seu __________________ da tristeza e da frustração. George colocou a garrafa dentro do buraco e Hana cobriu-a de terra. Quando acabaram, o ________________ parecia um pouquinho mais claro e brilhante, pelo menos naquele dia.

(A mala de Hana - Uma história real. São Paulo: Melhoramentos, 2007)

1) Complete adequadamente as lacunas do texto, com as palavras do Banco de Palavras.

Banco de Palavras

primavera                   lago                    jardim              bobagem
fins de semana           passagem             lugares            parque
campos                       ginásio                    sol                 tubo
recreio                     escola                    tristeza            mundo
esconde-esconde            meses                    charadas           rolha 
colegas            brincar                     detetive                 esconderijo
semana       bravos                               grama               buraco
esporte               distrair                         papel                   árvores
amigo              brincadeiras                     horas
travessuras               sorte                  garrafa
amigas               mundo                        irmão

2) Observe a seguinte frase: "Toda semana havia uma nova restrição." (1º parágrafo).
a) O que significa o termo destacado? 
b) Que restrições eram essas?

3) No 1º parágrafo do texto, há referência a um esporte. Que esporte é esse? Como ele é praticado?

4) Observe a seguinte passagem do texto: "Suas amigas - todas gentis - no começo também ficaram tão perplexas quanto Hana com as regras." (1º parágrafo). Reescreva a frase, substituindo o termo destacado por um sinônimo. Faça as alterações necessárias.

5) O texto relata a história de dois irmãos, Hana e George, que viviam na Tchecoslováquia (atual República Checa), durante a Segunda Guerra Mundial. No começo do texto, somos informados que restrições foram impostas aos judeus, quando as tropas alemãs invadiram o país. Com base nisso, responda:
a) Os amigos e colegas de Hana e George também eram judeus? Comprove com um trecho do texto?
b) A melhor amiga de Hana, Maria, fez uma promessa. Que promessa foi essa? Ela foi cumprida? Comprove com um trecho do texto.

6) Por que Hana e George se sentiam bravos, tristes e frustrados?

7) Procure no dicionário o significado do termo "frustrados" e reescreva a frase abaixo, substituindo esse termos por um sinônimo.
"E estavam frustrados." (4º parágrafo)

8) Segundo a mãe das crianças, eles tinham sorte porque tinham um grande jardim. Explique, levando em conta o contexto, por que ela afirma isso.

9) Observe a frase: "Num lindo dia de primavera, quando o sol brilhava, os dois sentaram no quintal, entendiados, brincando com a grama."(8º parágrafo). Procure o significado do termo destacado e reescreva a frase, substituindo-o por um antônimo.

10) Explique, com as suas palavras, a seguinte passagem do texto: "Então, nas horas seguintes, as crianças derramaram sua infelicidade no papel, George escrevendo e Hana falando." (16º parágrafo). 

11) O que as crianças escreveram no papel?

12) Pelo que, Hana e George deveriam ser gratos?

13) Observe a seguinte passagem: "[...] todas as colegas de Hana, inclusive Maria, pararam de visitá-la depois da escola e nos fins de semana." (3º parágrafo). A qual termo o pronome destacado está se referindo?

14) Reescreva as frases abaixo, substituindo as expressões destacadas pelos pronomes adequados.
a) "Mamãe e papai fizeram o seu melhor para distrair as crianças [...]" (5º parágrafo).
b) "Podem inventar jogos." (6º parágrafo).
c) "Adivinhar charadas." (6º parágrafo).
d) "Então, nas horas seguintes, as crianças derramaram sua infelicidade no papel, George escrevendo e Hana falando." (16º parágrafo)."

15) Identifique a que palavras os pronomes destacados nos trechos abaixo se referem:
a) "Quando terminaram, George pegou as folhas de papel, enrolou-as num tubo, colocou-as dentro da garrafa e fechou-a com uma rolha."
b) "George colocou a garrafa dentro do buraco e Hana cobriu-a de terra."


terça-feira, 2 de agosto de 2016

Os ingratos e egoístas que me perdoem, mas generosidade é fundamental (Sílvia Marques) - Atividades para o Ensino Médio

OS INGRATOS E EGOÍSTAS QUE ME PERDOEM, MAS GENEROSIDADE É FUNDAMENTAL


Os ingratos e egoístas que me perdoem, mas generosidade é fundamental. Meu texto não apresenta nenhum viés religioso porque a generosidade não é exclusividade daqueles que professam uma fé em uma força superior e frequentam um culto. A generosidade é um atributo humano que pode ser expresso por pessoas de todos as faixas etárias, etnias, credos e níveis sociais.

Ser generoso não significa necessariamente sair pela cidade distribuindo sopa à noite. Embora tal gesto expresse uma grande generosidade, existem muitas maneiras de uma pessoa ser generosa. O trabalho voluntário é a mais emblemática de todas, mas podemos ser generosos diante das mais variadas pessoas e situações do nosso cotidiano. Às vezes, um gesto muito pequeno e simples, aparentemente sem importância, pode indicar o quanto somos generosos ou não.

Ninguém é obrigado a ajudar ninguém. Ninguém é obrigado a oferecer um pouco do seu tempo e da sua energia para ouvir quem está triste, para prestar gratuitamente algum tipo de serviço para alguém necessitado. Porém, se todas as pessoas se fechassem no seu quadrado e olhassem apenas para o próprio umbigo, considerando apenas as suas necessidades, o mundo estaria ainda mais caótico do que já está.

Se não houvesse gente se envolvendo nas mais variadas causas, se não houvesse gente que se dispusesse a ser gentil e prestativo com os vizinhos, colegas de trabalho, amigos, se não houvesse gente capaz de dispor um pouco do seu conhecimento a favor de outras pessoas, se não houvesse gente que perguntasse "Tudo bem?" disposto a ouvir um longo relato, o mundo seria ainda pior, com mais sofrimento, com mais abandono.

Não querer ajudar, não querer se envolver, tudo bem. É uma escolha. É um direito. Porém, negar o valor e a importância de quem ajuda, de quem se importa, de quem se envolve, desmerecendo as pessoas que saem da zona de conforto para contribuir, nem que seja com o vizinho ou com o melhor amigo, é uma atitude maldosa. As relativizações existem, mas há um limite para tudo: dizer que ser egoísta é bom, é querer tapar o sol com a peneira. É querer justificar o próprio comodismo e falta de empatia.

Como falei anteriormente, ninguém precisa sair pela cidade distribuindo sopa. Ninguém precisa se filiar numa ONG para fazer o bem. Basta ser carinhoso com as pessoas da família. Basta ser um colega de trabalho solidário. Basta ser uma pessoa que não se afasta dos amigos quando estes estão tristes. Basta ser gentil com as pessoas que possuem funções mais humildes na sociedade. Basta dar a passagem para uma pessoa idosa no caixa do supermercado ou dar passagem para alguém que vai comprar apenas um produto enquanto carregamos uma compra enorme. Normalmente as pessoas não param para pensar neste tipo de coisa. Se estamos com 50 produtos num caixa de supermercado, o que custa deixar passar na nossa frente alguém que carrega dois ou três itens?

Enfim, são atitudes bem pequenas que acabam fazendo a diferença. Um sorriso, um bom dia alegre podem parecer coisas desimportantes, mas, muitas vezes, melhoram o dia de uma outra pessoa.

Mas, pior do que o egoísmo simples e puro é a ingratidão. É menosprezar quem nos ajudou, quem nos amparou num momento de dificuldade. Não admitir o mérito de quem nos ajudou, não demonstrar um mínimo de simpatia e consideração por quem nos apoiou é o cúmulo da falta de empatia.

É egoísta e não pretende mudar? Sem problemas. Mas não diga que ser egoísta é uma coisa boa. É uma mentira. É deslealdade intelectual. Mais do que isso: é tentar ultrajar a inteligência alheia.


1) Analise as afirmações abaixo e assinale a alternativa correta.
I – Segundo a autora, a generosidade está intimamente ligada à fé e à prática religiosa.
II – Segundo a autora, a generosidade é intrínseca ao ser humano.
III – O trabalho voluntário é a única maneira de pôr em prática a generosidade.
IV – Se não houvesse pessoas dispostas a ajudar o próximo, o mundo estaria bem pior, de acordo com a autora.
V – Segundo a autora, não querer ajudar alguém é um direito de cada um, mas desmerecer aquele que ajuda o próximo, é um ato de maldade.

a) II, IV e V estão corretas.
b) I e III estão corretas.
c) II, IV e V estão incorretas.
d) Todas estão corretas.
e) Nenhuma está correta.

2) Que palavra foi empregada, no texto, para dizer que o trabalho voluntário é a atividade mais representativa, mais exemplar da generosidade?

3) De que forma a autora caracteriza o mundo, no 3º parágrafo? Baseado no contexto e na realidade em que vivemos, explique essa afirmação.

4) O prefixo -DES acrescenta às palavras um sentido de negação. Transcreva, do texto, 3 palavras que exemplifiquem isso.

5) O prefixo -IN acrescenta às palavras um sentido de negação. Dentre as opções abaixo, assinale a alternativa que exemplifica isso:
a) Intelectual 
b) inteligência 
c) ingratos 
d) indicar

6) Segundo a autora, o que é pior que o egoísmo? Por quê?

7) Encontre, no texto, sinônimos para as palavras abaixo:
a) Merecimento:
b) Tendência, natureza:
c) Diminuir, desmerecer:
d) Ofender. Insultar:

8) Observe a frase: “Os ingratos e egoístas que me perdoem, mas generosidade é fundamental.” (1º parágrafo). O termo destacado estabelece entre as orações uma relação de:
a) Explicação 
b) Oposição 
c) Adição 
d) Conclusão 
e) Alternativa

9) Observe a frase: “Embora tal gesto expresse uma grande generosidade, existem muitas maneiras de uma pessoa ser generosa.” (2º parágrafo). O termo destacado estabelece entre as orações uma relação de:
a) Concessão 
b) Tempo 
c) Finalidade 
d) Modo 
e) Causa

10) Observe a frase: “Ninguém é obrigado a oferecer um pouco do seu tempo e da sua energia para ouvir quem está triste, para prestar gratuitamente algum tipo de serviço para alguém necessitado.” (3º parágrafo). O termo destacado estabelece que tipo de relação entre as orações?

11) Observe a frase: “Porém, se todas as pessoas se fechassem no seu quadrado e olhassem apenas para o próprio umbigo, considerando apenas as suas necessidades, o mundo estaria ainda mais caótico do que já está.” (3º parágrafo). Assinale a alternativa que apresenta, respectivamente, a relação estabelecida pelos termos destacados:
a) Oposição e condição.
b) Oposição e explicação.
c) Explicação e condição.
d) Condição e oposição.
e) Oposição e oposição.

12) Observe a frase:Meu texto não apresenta nenhum viés religioso porque a generosidade não é exclusividade daqueles que professam uma fé em uma força superior e frequentam um culto.” (1º parágrafo). Os pronomes destacados classificam-se, respectivamente, como:
a) Indefinido – possessivo – demonstrativo
b) Possessivo – demonstrativo – demonstrativo
c) Possessivo – indefinido – indefinido
d) Indefinido – possessivo – indefinido
e) Possessivo – indefinido – demonstrativo

10) Classifique os pronomes destacados nas frases abaixo em Pronome Adjetivo (PA) ou Pronome Substantivo (PS).
a) “Os ingratos e egoístas que me perdoem, mas generosidade é fundamental.” (1º parágrafo)
b) “Ninguém é obrigado a ajudar ninguém.” (3º parágrafo)
c) “Porém, se todas as pessoas se fechassem no seu quadrado [...]” (3º parágrafo)

11) Reescreva as frases abaixo, substituindo as expressões destacadas pelos pronomes adequados:
a) Não é necessário frequentar o culto para ser generoso.
b) Fomos distribuir a sopa para os moradores de rua.
c) É preciso envolver as pessoas em causas sociais.

12) Observe a frase: “Como falei anteriormente, ninguém precisa sair pela cidade distribuindo sopa.” (6º parágrafo).
a) Nessa frase, foi omitido um pronome. Que pronome é esse e como ele se classifica?
b) A qual pessoa do discurso ele se refere?
c) Reescreva a frase, empregando a 1ª pessoa do plural.