terça-feira, 21 de outubro de 2014

VÍTIMAS DA SOCIEDADE - Roberto Rachewsky


Como uma expressão tão curta pode conter uma falácia tão grande. 

Sociedade é o conjunto onde todos os indivíduos estão inseridos, desde os miseráveis comedores de ratos do Piauí até os corruptos moradores do presídio da Papuda. 

É uma impossibilidade lógica, uma parte que integra e confunde-se com o todo, ser vítima do conjunto inteiro do qual é parte. Estando o todo contra um, sendo este parte do todo, este um estaria contra ele mesmo. Cai por terra a hipótese que validaria o discurso da exclusão social. 

Em qualquer sociedade, há os que interagem cooperando livremente – persuasão. E há os que se impõem pelo uso da força, da fraude ou do rompimento de contratos - violência. Os que usam a persuasão, criam valores. Os que usam a violência, criam vítimas. 

Assim como não há crimes sem vítimas, não há vítimas sem o uso da violência. 

Apenas quando os direitos individuais de alguém tiverem sido violados, se estabelecerá um crime e uma vítima. 

Estas não são vítimas da sociedade, são vítimas daquela parte da sociedade que tem na violência, a sua maneira de interagir com os demais. 

Somente dois grupos se valem da violência, os bandidos das ruas e os que ocupam cargos públicos com o propósito de violar direitos, mesmo que seja para distribuir benesses. 

Aqueles, apontados como vítimas da sociedade são, na realidade, vítimas do governo ou vítimas de si mesmos. 

Os apologistas da justiça social e dos direitos humanos, não confundir com direitos individuais, com suas leis irracionais e tirânicas, tributam e regulam, asfixiam e desestimulam, desestruturam e penalizam a livre iniciativa e a ordem espontânea. Destroem infinitas oportunidades de criação de valor, seja para jovens de todas as classes, iletrados de todas as idades ou pessoas com baixa produtividade, depauperando a todos. 

Sustentam multidões com esmolas, na infeliz tentativa de mitigar os efeitos indesejados, causados por suas próprias intervenções. 

Os artífices dos programas de engenharia social tratam seres humanos como pobres coitados, como se lhes restasse, receber esmolas, cometer pequenos delitos, furtos ou roubos, para sobreviverem. 

Não permitem que empreendedores, com mais liberdade e segurança para investir, criar, produzir e contratar, gerem empregos para todos, principalmente para os menos preparados.  

Impedidos de viver do fruto de seu próprio trabalho, com outra perspectiva, baseada no mérito e na dignidade, os miseráveis, supostos pobres coitados, vítimas do governo, também não conseguem se libertar. 

Governantes que culpam a sociedade, de maneira falaciosa, pelas vítimas que eles próprios criam, querem apenas despistar. 

Postado há 29th March por Roberto Rachewsky

VOCABULÁRIO
1) PREENCHA A CRUZADINHA COM SINÔNIMOS DAS PALAVRAS ABAIXO, OS QUAIS VOCÊ ENCONTRARÁ NO TEXTO.
a) convicção, certeza: 
b) ignorantes, analfabetos:
c) abusivos, opressores:
d) amenizar, abrandar:
e) castigam, punem:
f) arruinando, empobrecendo:
g) defensores:
h) crimes, erros:
i) auxílios, favores:

2) PESQUISE O SIGNIFICADO DA PALAVRA "FALÁCIA" E EXPLIQUE A QUE O AUTOR ESTÁ SE REFERINDO, NO PRIMEIRO PARÁGRAFO DO TEXTO.

3) ASSINALE A ALTERNATIVA ONDE O SENTIDO DO TERMO "FRUTO" NÃO CORRESPONDE AO MESMO COM QUE FOI EMPREGADO NA FRASE "Impedidos de viver do fruto de seu próprio trabalho," (14º parágrafo).

a) "A educação tem raízes amargas, mas os seus frutos são doces."(Aristóteles)
b) "Os homens semeiam na terra o que colherão na vida espiritual: os frutos da sua coragem ou da sua fraqueza." (Allan Kardec)
c) "No ano passado a esta época a chuva já tinha chegado e alguns frutos já estavam maduros." (Neide Rigo)

INTERPRETAÇÃO
1) SEGUNDO O AUTOR, O QUE É UMA SOCIEDADE?

2) A QUEM O AUTOR SE REFERE, NO SEGUNDO PARÁGRAFO, QUANDO DIZ "[...]ATÉ OS CORRUPTOS MORADORES DO PRESÍDIO DA PAPUDA?"

3) POR QUE, SEGUNDO O AUTOR, "CAI POR TERRA A HIPÓTESE QUE VALIDA O DISCURSO DA EXCLUSÃO SOCIAL" (3º PARÁGRAFO)?

4) COMO O AUTOR DEFINE A PERSUASÃO? E A VIOLÊNCIA?

5) QUANDO HÁ UM CRIME E UMA VÍTIMA, DE FATO, SEGUNDO O TEXTO?

6) AS VÍTIMAS DA SOCIEDADE SÃO VÍTIMAS DE QUEM? POR QUÊ?

7) QUAL A IMPOSSIBILIDADE LÓGICA A QUE O AUTOR SE REFERE, NO SEGUNDO PARÁGRAFO DO TEXTO? EXPLIQUE COM SUAS PALAVRAS.

8) "Assim como não há crimes sem vítimas, não há vítimas sem o uso da violência." (5º PARÁGRAFO). VOCÊ CONCORDA COM ESSA AFIRMAÇÃO? JUSTIFIQUE:

ATIVIDADES GRAMATICAIS
1) REESCREVA A FRASE ABAIXO, SUBSTITUINDO A LOCUÇÃO VERBAL POR UM FORMA VERBAL SIMPLES, EQUIVALENTE.
a) "Como uma expressão tão curta pode conter uma falácia tão grande."

2) SABENDO QUE VERBOS ANÔMALOS SÃO AQUELES QUE APRESENTAM MAIS DE UM RADICAL AO SEREM CONJUGADOS, TRANSCREVA, DO TEXTO, DUAS FRASES ONDE APAREÇA UM VERBO ANÔMALO, APRESENTANDO RADICAIS DIFERENTES EM VIRTUDE DO TEMPO/MODO EM QUE ESTÃO CONJUGADOS.

3) INDIQUE A QUEM (OU AO QUE) SE REFEREM OS VERBOS E AS LOCUÇÕES ABAIXO, NO TEXTO:
a) validaria (3º parágrafo):
b) tiverem sido violados (6º parágrafo):
c) são (9º parágrafo):
d) tributam e regulam (10º parágrafo):
e) destroem (10º parágrafo):
f) sustentam (11º parágrafo):
g) tratam (12º parágrafo):
h) permitem (13º parágrafo):
i) conseguem (14º parágrafo):
j) culpam (15º parágrafo):

4) SE CONJUGÁSSEMOS O VERBO "CULPAM" NA 3ª PESSOA DO SINGULAR, O NÚMERO DE TERMOS A SER ALTERADOS NA FRASE "Governantes que culpam a sociedade, de maneira falaciosa, pelas vítimas que eles próprios criam, querem apenas despistar." É DE:
a) 4                   b) 5                    c) 3                      d) 6                        7) 8

5) ANALISE AS AFIRMAÇÕES ABAIXO E, EM SEGUIDA, ASSINALE A ALTERNATIVA CORRETA:
a) "Estando o todo contra um, sendo este parte do todo, este um estaria contra ele mesmo." (3º parágrafo) - os verbos destacados estão, respectivamente, no gerúndio (os dois primeiros) e no particípio.
b) "Os artífices dos programas de engenharia social tratam seres humanos como pobres coitados, como se lhes restasse, receber esmolas, cometer pequenos delitos, furtos ou roubos, para sobreviverem." - os verbos destacados estão, respectivamente, no particípio e no infinitivo.
c) "Não permitem que empreendedores, com mais liberdade e segurança para investir, criar, produzir e contratar, gerem empregos para todos, principalmente para os menos preparados." - os verbos destacados estão no particípio e pertencem a 3ª conjugação - investir e produzir - e 1ª conjugação - criar e contratar.

6) REESCREVA A FRASE ABAIXO PASSANDO OS VERBOS PARA O PRETÉRITO PERFEITO DO INDICATIVO.
a) "Cai por terra a hipótese que validaria o discurso da exclusão social."

7) REESCREVA A FRASE ABAIXO PASSANDO O VERBO PARA O PRETÉRITO IMPERFEITO DO INDICATIVO, USANDO A 1ª PESSOA DO PLURAL:
a) "Sustentam multidões com esmolas, na infeliz tentativa de mitigar os efeitos indesejados, causados por suas próprias intervenções." 




segunda-feira, 13 de outubro de 2014

O GRANDE MISTÉRIO - Stanislaw Ponte Preta

O Grande Mistério (Stanislaw Ponte Preta) 




Há dias já que buscavam uma explicação para os odores esquisitos que vinham da sala de visitas. Primeiro houve um erro de interpretação: o quase imperceptível cheiro foi tomado como sendo de camarão. No dia em que as pessoas da casa notaram que a sala fedia, havia um suflê de camarão para o jantar. Daí... 

Mas comeu-se o camarão, que inclusive foi elogiado pelas visitas, jogaram as sobras na lata do lixo e — coisa estranha — no dia seguinte a sala cheirava pior. 

Talvez alguém não gostasse de camarão e, por cerimônia, embora isso não se use, jogasse a sua porção debaixo da mesa. Ventilada a hipótese, os empregados espiaram e encontraram apenas um pedaço de pão e uma boneca de perna quebrada, que Giselinha esquecera ali. E como ambos os achados eram inodoros, o mistério persistiu. 

Os patrões chamaram a arrumadeira às falas. Que era um absurdo, que não podia continuar, que isso, que aquilo. Tachada de desleixada, a arrumadeira caprichou na limpeza. Varreu tudo, espanou, esfregou e... nada. Vinte e quatro horas depois, a coisa continuava. Se modificação houvera, fora para um cheiro mais ativo. 

À noite, quando o dono da casa chegou, passou uma espinafração geral e, vitima da leitura dos jornais, que folheara no lotação, chegou até a citar a Constituição na defesa de seus interesses. 

— Se eu pago empregadas para lavar, passar, limpar, cozinhar, arrumar, tenho o direito de exigir alguma coisa. Não pretendo que a sala de visitas seja um jasmineiro, mas feder também não. Ou sai o cheiro ou saem os empregados. 

Reunida na cozinha, a criadagem confabulava. Os debates eram apaixonados, mas num ponto todos concordavam: ninguém tinha culpa. A sala estava um brinco; dava até gosto ver. Mas ver, somente, porque o cheiro era de morte. 

Então alguém propôs encerar. Quem sabe uma passada de cera no assoalho não iria melhorar a situação? 

-- Isso mesmo — aprovou a maioria, satisfeita por ter encontrado uma fórmula capaz de combater o mal que ameaçava seu salário. 

Pela manhã, ainda ninguém se levantara, e já a copeira e o chofer enceravam sofregamente, a quatro mãos. Quando os patrões desceram para o café, o assoalho brilhava. O cheiro da cera predominava, mas o misterioso odor, que há dias intrigava a todos, persistia, a uma respirada mais forte. 

Apenas uma questão de tempo. Com o passar das horas, o cheiro da cera — como era normal — diminuía, enquanto o outro, o misterioso — estranhamente, aumentava. Pouco a pouco reinaria novamente, para desespero geral de empregados e empregadores. 

A patroa, enfim, contrariando os seus hábitos, tomou uma atitude: desceu do alto do seu grã-finismo com as armas de que dispunha, e com tal espírito de sacrifício que resolveu gastar os seus perfumes. Quando ela anunciou que derramaria perfume francês no tapete, a arrumadeira comentou com a copeira: 

— Madame apelou para a ignorância. 

E salpicada que foi, a sala recendeu. A sorte estava lançada. Madame esbanjou suas essências com uma altivez digna de uma rainha a caminho do cadafalso. Seria o prestigio e a experiência de Carven, Patou, Fath, Schiaparelli, Balenciaga, Piguet e outros menores, contra a ignóbil catinga. 

Na hora do jantar a alegria era geral. Não restavam dúvidas de que o cheiro enjoativo daquele coquetel de perfumes era impróprio para uma sala de visitas, mas ninguém poderia deixar de concordar que aquele era preferível ao outro, finalmente vencido. 

Mas eis que o patrão, a horas mortas, acordou com sede. Levantou-se cauteloso, para não acordar ninguém, e desceu as escadas, rumo à geladeira. Ia ainda a meio caminho quando sentiu que o exército de perfumistas franceses fora derrotado. O barulho que fez daria para acordar um quarteirão, quanto mais os da casa, os pobres moradores daquela casa, despertados violentamente, e que não precisavam perguntar nada para perceberem o que se passava. Bastou respirar. 

Hoje pela manhã, finalmente, após buscas desesperadas, uma das empregadas localizou o cheiro. Estava dentro de uma jarra, uma bela jarra, orgulho da família, pois tratava-se de peça raríssima, da dinastia Ming. 

Apertada pelo interrogatório paterno Giselinha confessou-se culpada e, na inocência dos seus 3 anos, prometeu não fazer mais. 

Não fazer mais na jarra, é lógico. 

VOCABULÁRIO 
1) “Os patrões chamaram a arrumadeira às falas.” Assinale a alternativa que explica corretamente o que quer dizer a expressão destacada. 
a) Os patrões xingaram a arrumadeira. 
b) Os patrões ouviram o que arrumadeira tinha para falar. 
c) Os patrões chamaram a arrumadeira para conversar. 

2) Assinale a alternativa que corresponde ao sinônimo das palavras destacadas nas frases abaixo:
a) “ventilada a hipótese,...”:
( ) refrescada                 ( ) imaginada, debatida              ( ) arejada

b) “Madame esbanjou suas essências...”
( ) gastou                       ( ) bebeu                                     ( ) queimou

3) “o dono da casa chegou, passou uma espinafração geral.” Assinale a alternativa que explica corretamente o que quer dizer a expressão destacada.
a) O dono da casa deu espinafres para todos. 
b) O dono da casa despediu todos. 
c) O dono da casa xingou todos.

4) PREENCHA A CRUZADINHA COM SINÔNIMOS DAS PALAVRAS ABAIXO, OS QUAIS VOCÊ ENCONTRARÁ NO TEXTO. 
a) etiqueta, timidez                  d) mau-cheiro, fedor                   g) comportamento, costume
b) ideia, suposição                  e) sem cheiro
c) perfumes                             f) relaxada



INTERPRETAÇÃO TEXTUAL 
1) De acordo com o narrador, qual foi a primeira hipótese levantada acerca do mau cheiro que havia na sala? 

2) Qual a condição imposta pelo patrão aos empregados? 

3) Qual a solução encontrada pelos empregados para acabar com o mau cheiro? 

4) Por que o narrador usa a expressão “a quatro mãos” no 10º parágrafo? 

5) “A patroa, enfim, contrariando os seus hábitos, tomou uma atitude: desceu do alto do seu grã-finismo com as armas de que dispunha [...]”(12º parágrafo). Que armas eram essas? 

6) “Mas eis que o patrão, a horas mortas, acordou com sede.” Em que período do dia ocorreu esse fato? 

7) Com o que o narrador comparou a patroa?

8) Qual era o cheiro misterioso, na sua opinião?

ATIVIDADES GRAMATICAIS
1) Transcreva, do texto, 1 substantivo epiceno.
__________________________________________________

2) Os substantivos “pessoas” e “vítima”, quanto ao gênero, são epicenos, sobrecomuns ou comuns-de-dois gêneros? Por quê?_________________________________________________________________________


3) Passe para o feminino singular a frase abaixo:
a) “Quando os patrões desceram para o café, o assoalho brilhava.”
________________________________________________________________________

4) Passe para o masculino plural a frase abaixo:
a) “A patroa, enfim, contrariando os seus hábitos, tomou uma atitude:[...]”
_________________________________________________________________________

5) Transcreva, do texto, os adjetivos empregados para caracterizar os substantivos abaixo:
a) Odores (1º parágrafo): ____________________________
b) Cheiro (1º parágrafo): _____________________________
c) Perna (3º parágrafo): ______________________________
d) Cheiro (4º parágrafo): ______________________________
e) Debate (7º parágrafo): ______________________________
f) Odor (10 parágrafo): _______________________________
g) Perfume (12º parágrafo): ___________________________
h) Cheiro (15º parágrafo): _____________________________
i) Horas (16º parágrafo): ______________________________
j) Moradores (16º parágrafo): _________________________
k) Buscas (17º parágrafo): ____________________________
l) Jarra (17º parágrafo): ______________________________

6) Reescreva as expressões abaixo, substituindo as locuções adjetivas pelo adjetivo correspondente. Observe o exemplo:
Ex: amor de mãe: amor materno
a) coquetel de perfume: _____________________ 
b) cheiro de morte: __________________________

7) Reescreva as expressões abaixo, substituindo os adjetivos pela locução adjetiva correspondente. Observe o exemplo:
Ex: Amor fraterno: amor de irmão 
a) Perfume francês: ___________________________ 
b) interrogatório paterno: _____________________________________

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

NÃO JOGUE PÉROLAS AOS PORCOS - Karen Curi

Não jogue pérolas aos porcos
(Karen Curi)

Mais um ano de eleição. Mais promessas, mais injúrias. Novos rostos, antigos. Novas ofensas, antigas. Sujeiras criando raiz por debaixo dos panos, ruas imundas, jingles insuportáveis martelando o compasso brega no mais profundo do tímpano.

É, meu amigo. Quatro anos passaram tão rápido feito bala perdida. Vejo cidadãos enlouquecidos levantando bandeiras, aclamando candidatos aos gritos, defendendo fervorosamente e cegamente um competidor e um partido. Venho acompanhando os debates políticos e a cada round assombrosamente consigo me surpreender com o ser humano. Não estou aqui para me aprofundar nos méritos ou não de cada concorrente, na fidelidade dos eleitores para com uma organização política, sem mesmo questionar um candidato que já foi integrante de três ou mais partidos, e continua pulando de galho em galho. Essa estrada é tão longa e sinuosa que não pretendo passar por ela.

Escândalos ___ parte, desvios de verba, corrupção descarada, caixa dois, laranja, propinas, e por aí vai. ____ lista é extensa. Meu foco não é esse. Deveria ser? Sim. Essas problemáticas merecem atenção? Sim. Mas estou aqui para ir além. Na verdade meu foco é ____ pátria amada, idolatrada. Salve,! Salve! Brasil. Olhando nos olhos dos candidatos procuro encontrar um resquício de orgulho verde e amarelo. Tudo o que se vê são cifrões. Tudo o que se fala são ofensas. E promessas. Ahhh, as velhas e esperançosas promessas... 

Continuam na cadeira de balanço olhando o horizonte ..........espera. Candidatos agem como robôs bem programados diante de um público de marionetes. Têm a verossimilhança na postura corporal, nos gestos, na entonação. São mestres em alfinetar e doutores em sair pela culatra.

E como fica .......... nossa saúde? Nossa educação? Os meios de transportes? A segurança? E o custo de vida cada vez mais caro? Impostos? Juros? Desemprego? Inflação? Discursos e mais discursos divagam sobre novas propostas de governo e melhorias para o povo e o sistema. Mas ...... realidade é que as mudanças caminham à passo de tartaruga. Falta paixão, flama. Um sonho intenso, um raio vívido.

Vi candidato que se importa mais com a opção sexual do cidadão do que com a precariedade do sistema de saúde pública e a (falta de) educação. Que tristeza, senhor. Que vergonha por não ter sequer um constrangimento de se expor assim perante tantos cérebros. Talvez seja esse o objetivo. Não sei de mais nada. Como diria Cássia Eller: 
“O mundo está ao contrário e ninguém reparou”.

O que está acontecendo?

Querem pão e circo, respeitável público? Aí está. O pouco para muitos é o bastante. E de migalhas vamos sobrevivendo, respirando com muita dificuldade. Quero tirar de mim essa impregnada sensação de que sou uma idiota. Que não tenho capacidade cognitiva, que sou incapaz de absorver informações, analisar, processar, e ter o meu parecer.

Eu lhe pergunto: Quem está, agora, no poder? Nós, eleitores, o povo brasileiro. Justamente quem eles tomam por ignorantes, acéfalos, os que de tudo riem e balançam a cabeça. Nós estamos, agora, no poder. No poder de decisão, no poder de escolha. Sei que o tempo é curto, mas todo tempo é ouro quando se trata do amanhã.

Vote com consciência, vote com responsabilidade, vote com amor à pátria. “Paz no futuro e glória no passado.”

VOCABULÁRIO
1) Analise as afirmações abaixo e assinale a alternativa correta:
I – “Mais promessas, mais injúrias.” – O termo destacado pode ser substituído por “ofensas” sem alterar o sentido da frase.
II – “Olhando nos olhos dos candidatos procuro encontrar um resquício de orgulho verde e amarelo.” – O termo destacado pode ser substituído por “vestígio” sem alterar o sentido da frase.
III – “Vi candidato que se importa mais com a opção sexual do cidadão do que com a precariedade do sistema de saúde pública e a (falta de) educação.” – o termo destacado é sinônimo de eficiência.
IV – “Que não tenho capacidade cognitiva, que sou incapaz de absorver informações, analisar, processar, e ter o meu parecer.” – o termo destacado refere-se à capacidade da autora de compreender a situação política a sua volta.
V – “Justamente quem eles tomam por ignorantes, acéfalos, os que de tudo riem e balançam a cabeça.” – Os termos destacados são sinônimos.


a) Todas estão corretas. 
b) Nenhuma está correta. 
c) Apenas a III está correta. 
d) Apenas a II está correta. 
e) Apenas a III está incorreta.


2) Assinale a frase onde o termo “compasso” apresenta o mesmo sentido com o que foi usado na frase “jingles insuportáveis martelando o compasso brega no mais profundo do tímpano.”.
a) Pressione a haste do compasso que tem uma ponta e arraste o compasso para uma posição diferente na página.
b) E sei que sou imortal, sei que minha órbita não pode ser medida pelo compasso do carpinteiro. (Walt Whitman)
c) É no compasso da sanfona que eu danço / É no balanço da vanera que me encanta. (Grupo Tradição)

3) Em que sentido foi empregado o termo “martelando” na frase acima?

4) Antítese é a figura de linguagem que consiste na oposição de ideias. Transcreva, do texto, 2 frases que exemplifiquem isso. 

5) Metáfora é a figura de linguagem que consiste em empregar uma palavra no sentido conotativo, ou seja, num sentido que não lhe é comum ou próprio, numa relação de semelhança entre dois termos. Observe o exemplo: “Sua boca é um cadeado / E meu corpo é uma fogueira”. Observe que o eu lírico mantém uma relação de similaridade entre os termos “boca” e “cadeado”, de modo que as características do “cadeado” (fechado) sejam atribuídas à “boca”. O mesmo ocorre entre os termos “corpo” e “fogueira” (ambos são quentes). Escolha duas frases do texto onde a autora tenha empregado esse recurso e explique o que ela quis dizer.

INTERPRETAÇÃO TEXTUAL
1) A autora se posiciona no 3º parágrafo do texto dizendo "[...] meu foco não é esse [...]. [...] Na verdade meu foco é a pátria amada, idolatrada. Salve,! Salve! Brasil. [...]". Explique, com suas palavras, qual é, na verdade, o foco da autora.

2) Com o que a candidata compara os candidatos? Por quê?

3) O que a autora quis dizer com a expressão "Tudo o que se vê são cifrões."?

4) Observe as charges abaixo:







































a) Qual relação podemos estabelecer entre as charges e o texto de Karen Curi? Exemplifique com trechos do texto.

ATIVIDADES GRAMATICAIS
1) Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas (____) do texto:
a) à - à - à
b) à - a - a
c) a - a - a
d) a - à - à
e) a - à - a

2) Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas pontilhadas (....) do texto:
a) à - a - à
b) à - à - a
c) à - à - à 
d) à - a - a
e) a - a - a

3) Analise as seguintes afirmações 
I - No título do texto "Não jogue pérolas aos porcos" se substituíssemos o substantivo "porcos" pelo seu feminino, a crase seria obrigatória.
II - "Venho acompanhando os debates políticos" - se substituíssemos o termo destacado por "discussões" a crase seria obrigatória.
III - "Vote com consciência, vote com responsabilidade, vote com amor à pátria." - se substituíssemos o termo destacado por "nação", a crase não seria necessária.
Estão corretas:
a) Todas.
b) Nenhuma.
c) Apenas a I.
d) Apenas a II.
e) Apenas a III.

4) No 5º parágrafo, a crase foi, propositalmente, empregada incorretamente. Transcreva a frase onde isso acontece, corrigindo-a e explicando o porquê da inadequação. 

5) Sabendo que frases verbais contém verbos e frases nominais não os contém, transcreva, do texto, duas frases nominais.

6) Se passássemos o verbo da frase "Quatro anos passaram tão rápido feito bala perdida." para o Futuro do Pretérito do Indicativo, a redação correta seria:
a) Quatro anos passam tão rápido feito bala perdida.
b) Quatro anos passarão tão rápido feito bala perdida.
c) Quatro anos passariam tão rápido feito bala perdida.

7) Transcreva, do terceiro parágrafo do texto, uma frase onde o verbo esteja conjugado no Futuro do Pretérito do Indicativo.

8) Substitua as locuções verbais destacadas nas frases abaixo por uma forma verbal simples equivalente. REESCREVA as frases.
a) "Venho acompanhando os debates políticos e a cada round assombrosamente consigo me surpreender com o ser humano."
b) "[...] sem mesmo questionar um candidato que já foi integrante de três ou mais partidos, e continua pulando de galho em galho."
c) "E de migalhas vamos sobrevivendo, respirando com muita dificuldade."

9) Em relação às formas nominais, analise as afirmações abaixo e assinale a alternativa correta:
I - "Sujeiras criando raiz por debaixo dos panos, ruas imundas, jingles insuportáveis martelando o compasso brega no mais profundo do tímpano." - os verbos destacados estão no gerúndio.
II - "Vejo cidadãos enlouquecidos levantando bandeiras, aclamando candidatos aos gritos, defendendo fervorosamente e cegamente um competidor e um partido." - os verbos destacados estão, respectivamente, no gerúndio (os 3 primeiros), infinitivo e particípio.
III - "São mestres em alfinetar e doutores em sair pela culatra." - os verbos destacados estão no infinitivo.

a) Todas estão corretas.
b) Apenas a III está correta.
c) Nenhuma está correta.
d) I e II estão corretas.
e) II e III estão corretas.

10) Em relação às afirmações a seguir, assinale a alternativa incorreta.
a) "Que vergonha por não ter sequer um constrangimento de se expor assim perante tantos cérebros." - os verbos destacados são verbos da 2ª conjugação.
b) "Vi candidato que se importa mais com a opção sexual do cidadão do que com a precariedade do sistema de saúde pública e a (falta de) educação." - os verbos destacados pertencem, respectivamente  a 2ª e 1ª conjugação.
c) "Vote com consciência, vote com responsabilidade, vote com amor à pátria." - os verbos destacados pertencem, respectivamente, a 1ª e a 2ª conjugação.

11) Transcreva, do texto, uma frase onde apareçam verbos no modo Imperativo.

12) Reescreva as frases abaixo, empregando os verbos no tempo/modo, número/pessoa solicitados.
a) "Querem pão e circo, respeitável público?" (Pretérito Imperfeito do Indicativo - 1ª pessoa do plural)
b) "Não sei de mais nada." (Futuro do Presente do Indicativo - 3ª pessoa do plural)
c) "Continuam na cadeira de balanço olhando o horizonte à espera." (Pretérito Perfeito do Indicativo - 2ª pessoa do singular)

13) Dos verbos destacados no texto indique:
a) Conjugação: 
b) Tempo e Modo:
c) Número e pessoa:

terça-feira, 7 de outubro de 2014

INFERNO NACIONAL - Stanislaw Ponte Preta

INFERNO NACIONAL

Diz que era uma vez um camarada que abotoou o paletó. [...] Ao morrer nem conversou: foi direto para o Inferno. Em lá chegando, pediu audiência a Satanás e perguntou:

— Qual é o lance aqui?

Satanás explicou que o Inferno estava dividido em diversos departamentos, cada um administrado por um país, mas o falecido não precisava ficar no departamento administrado pelo seu país de origem. Podia ficar no departamento do país que escolhesse. Ele agradeceu muito e disse a Satanás que ia dar uma voltinha para escolher o seu departamento.

Está claro que saiu do gabinete do Diabo e foi logo para o Departamento dos Estados Unidos, achando que lá devia ser mais organizado o inferninho que lhe caberia para toda a eternidade. Entrou no Departamento dos Estados Unidos e perguntou como era o regime.

— Quinhentas chibatadas pela manhã, depois passar duas horas num forno de 200 graus. Na parte da tarde: ficar numa geladeira de 100 graus abaixo de zero até às três horas, e voltar ao forno de 200 graus.

O falecido ficou besta e tratou de cair fora, em busca de um departamento menos rigoroso. Esteve no da Rússia, no do Japão, no da França, mas era tudo a mesma coisa. Foi aí que lhe informaram que era tudo igual: a divisão em departamento era apenas para facilitar o serviço no Inferno, mas em todo o lugar o regime era o mesmo; quinhentas chibatadas pela manhã, forno de 200 graus durante o dia e geladeira de 100 graus abaixo de zero, pela tarde. 

O falecido já caminhava desconsolado por uma rua infernal, quando viu um departamento escrito na porta: Brasil. E notou que a fila à entrada era maior do que a dos outros departamentos. Pensou com suas chaminhas “Aqui tem peixe por debaixo do angu”. Entrou na fila e começou a chatear o camarada da frente, perguntando por que a fila era maior e os enfileirados menos tristes. O camarada da frente fingia que não ouvia, mas ele tanto insistiu que o outro, com medo de chamarem a atenção, disse baixinho: 

— Fica na moita, e não espalha não. O forno daqui está quebrado e a geladeira anda meio enguiçada. Não dá mais de 35 graus por dia. 

— E as quinhentas chibatadas? — perguntou o falecido. 

— Ah... o sujeito encarregado desse serviço vem aqui de manhã, assina o ponto e cai fora. 

PONTE PRETA, Stanislaw. Tia Zulmira e eu. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1975.


Atividades de pré-leitura

1. Hoje vamos trabalhar com um texto que tem por título “Inferno Nacional”, cujo autor é Stanislaw Ponte Preta. 
a) Sobre o que vocês imaginam que o texto vai nos falar? Por quê? 

b) Vocês já leram outro texto desse autor? Qual? 

c) A que gênero vocês imaginam que o texto pertence? 

d) Qual o tom que o autor adota no texto? Por quê? 

e) Com que finalidade, objetivo, o escritor produziu esse texto? 

Atividades de leitura: 
1. Após ler o texto, podemos perceber qual o tom que nele predomina. Marque o tom que o 
caracteriza: 
a) ( ) irônico            b) ( ) humorístico                  c) ( ) moralista              d) ( ) sério 

2. Que elementos do texto o evidenciam? 

3. A que esfera da comunicação (jornalística, publicitária, religiosa, jurídica) você imagina que o texto pertence? 

4. Com que objetivo (informar, divertir, ensinar, polemizar) o autor o produz?  

5. Tendo uma estrutura narrativa, podemos dividir o texto em partes. Identifique cada uma delas, numerando-as de acordo com a sequência em que aparecem no texto: 
(   ) Fato novo: algo inesperado ______________________________________________
(   ) Desfecho: situação final da narrativa _______________________________________
(   ) Ações decorrentes do fato novo ___________________________________________
(   ) Situação inicial da narrativa ______________________________________________
(   ) Ponto culminante da história _____________________________________________

6. Qual o perfil que podemos traçar do personagem? Que elementos do texto comprovam essas características? 

7. No final da narrativa, a solução encontrada pelo personagem é compatível com as suas características? Por quê? 

8. No texto, o autor cita vários países: Estados Unidos, Rússia, Japão, França e Brasil. O que os distingue, segundo ele? 

9. Você concorda com a imagem que Stanislaw Ponte Preta nos passa do nosso país? Justifique sua resposta. 

10. O título “Inferno Nacional” permite-nos uma dupla interpretação. Identifique-as. 

11. Você já observou que a variedade linguística privilegiada no texto é a mais informal, inclusive com o emprego de gírias. Qual o significado das seguintes expressões do texto? 
a) Abotoar o paletó:
b) Qual é o lance? 
c) Ter peixe por debaixo do angu:
d) Ficar na moita:

12. É dada voz aos personagens do texto? Como? 

13. Ao dizer : “Está claro que saiu do gabinete do Diabo e foi logo para o Departamento dos Estados Unidos ...” o narrador deixa implícito um consenso. Qual é ele? 

14. Ao sair do gabinete do Diabo, o personagem foi direto para o Departamento dos Estados Unidos, pois pensou que encontraria por lá um inferno organizado. Por que motivo ele pensou assim?

15. O que fez com que o personagem desistisse de freqüentar o departamento daquele país?

16. O colega de fila do departamento brasileiro não queria explicar os motivos de haver mais gente na fila. Por que ele agiu assim? O que ele temia?

17. Ao explicar os motivos de haver uma fila tão grande no departamento brasileiro, a personagem revela duas críticas comuns feitas em relação ao Brasil. Que críticas são essas? 

18. Observe as duas piadas transcritas abaixo. Há alguma intertextualidade entre elas e o texto acima? No que eles se interrelacionam? 

Piada 1: O senador e o inferno 
Um senador está andando tranquilamente quando é atropelado e morre. A alma dele chega ao Paraíso e dá de cara com São Pedro na entrada. 
-Bem-vindo ao Paraíso!, diz São Pedro 
-Antes que você entre, há um probleminha. Raramente vemos parlamentares por aqui, sabe, então não sabemos bem o que fazer com você. 
-Não vejo problema, é só me deixar entrar, diz o antigo senador. 
-Eu bem que gostaria, mas tenho ordens superiores. Vamos fazer o seguinte: 
Você passa um dia no Inferno e um dia no Paraíso. Aí, pode escolher onde quer passar a eternidade. 
-Não precisa, já resolvi. Quero ficar no Paraíso diz o senador. 
-Desculpe, mas temos as nossas regras. 
Assim, São Pedro o acompanha até o elevador e ele desce, desce, desce até o Inferno. A porta se abre  e ele se vê no meio de um lindo campo de golfe. 
Ao fundo o clube onde estão todos os seus amigos e outros políticos com os quais havia trabalhado. 
Todos muito felizes em traje social. Ele é cumprimentado, abraçado e eles começam a falar sobre os bons tempos em que ficaram ricos às custas do povo.
Jogam uma partida descontraída e depois comem lagosta e caviar. 
Quem também está presente é o diabo, um cara muito amigável que passa o tempo todo dançando e contando piadas. 
Eles se divertem tanto que, antes que ele perceba, já é hora de ir embora. 
Todos se despedem dele com abraços e acenam enquanto o elevador sobe. Ele sobe, sobe, sobe e a porta se abre outra vez. São Pedro está esperando por ele. 
Agora é a vez de visitar o Paraíso. 
Ele passa 24 horas junto a um grupo de almas contentes que andam de nuvem em nuvem, tocando harpas e cantando. Tudo vai muito bem e, antes que ele perceba, o dia se acaba e São Pedro retorna. 
-E aí ? Você passou um dia no Inferno e um dia no Paraíso. 
Agora escolha a sua casa eterna. Ele pensa um minuto e responde: 
-Olha, eu nunca pensei … O Paraíso é muito bom, mas eu acho que vou ficar melhor no Inferno. 
Então São Pedro o leva de volta ao elevador e ele desce, desce, desce até o Inferno. A porta abre e ele se vê no meio de um enorme terreno baldio cheio de lixo. Ele vê todos os amigos com as roupas rasgadas e sujas catando o entulho e colocando em sacos pretos. O diabo vai ao seu encontro e passa o braço pelo ombro do senador. 
-Não estou entendendo”, – gagueja o senador – “Ontem mesmo eu estive aqui e havia um campo de golfe, um clube, lagosta, caviar, e nós dançamos e nos divertimos o tempo todo. Agora só vejo esse fim de mundo cheio de lixo e meus amigos arrasados!!! 
O diabo olha pra ele, sorri ironicamente e diz: 
-Ontem estávamos em campanha. Agora, já conseguimos o seu voto… 

Disponível em http://www.semsaco.com/2010/05/piada-o-senador-e-o-inferno. Acesso em 05/08/2010) 

Piada 2: Céu X Inferno 

Ao atender o telefone, São Pedro ouve a inconfundível voz do Diabo: 
- Estou lhe desafiando para uma partida de futebol no próximo final de semana. O Céu 
contra o Inferno, aceita? 
- Aceito, sim - respondeu São Pedro, humildemente. - Mas, a honestidade me obriga a lhe 
dizer que vocês vão perder. Tenho os melhores jogadores de todos os tempos no meu time. 
- Pode ser! Mas não se esqueça de que eu tenho os piores juízes! 

Disponível em http://www.pegadinha.net/piada/S2BC2yfh.php. Acesso em 05/08/2010) 

(Professor: A piada é um excelente material linguístico para se reconhecer manifestações culturais e ideológicas, já que versam sobre temas polêmicos, como valores, instituições em geral (Igreja, Estado, Família), operando com esteriótipos e abordando discursos que, num outro gênero, não seriam permitidos ou bem aceitos.) 

Produção Textual 

1. Inspirando-se no texto de Stanislaw Ponte Preta, crie uma história em que o personagem, um  estrangeiro, vem ao Brasil e se depara com fatos que fazem de nosso país “um inferno nacional”. Imagine o seu espanto, as conclusões a que chega sobre o Brasil e seu povo e as situações embaraçosas que vive por causa disso. Lembre-se de que o seu texto será lido pelos colegas de turma e, se selecionado para o mural da escola, pelos das outras turmas também. 

2. Observe as charges abaixo. Cada uma explora um pouco de nossos problemas morais. 
Escolha um deles (ou todos apontados nas charges, que poderão ser outras, a critério do 
professor) e redija uma carta a um candidato das próximas eleições, falando sobre esses 
problemas, do mal que nos fazem e como poderiam ser erradicados da nossa sociedade.

Fonte: Projeto Ler é Saber / Faccat - 2010 - https://www2.faccat.br/portal/sites/default/files/ckeditorfiles/abordagem_fasc_2_2010.pdf


O CASO DO ESPELHO - Ricardo Azevedo

O caso do espelho
Ricardo Azevedo


Era um ____________que não sabia quase nada. Morava longe, numa ___________ de sapé esquecida nos ___________ da mata. 
Um dia, precisando ir à ______________, passou em frente a uma ________ e viu um ________ pendurado do lado de fora. O homem abriu a boca. Apertou os __________. Depois gritou, com o espelho nas ________: 
- Mas o que é que o __________ de meu __________ está fazendo aqui? 
- Isso é um espelho - explicou o _________ da loja. 
- Não sei se é espelho ou se não é, só sei que é o retrato do meu pai. 
Os olhos do homem ficaram molhados.
- O senhor... conheceu meu pai? - perguntou ele ao ______________________. 
O dono da loja sorriu. Explicou de novo. Aquilo era só um espelho comum, desses de ___________ e _______________ de _____________. 
- É não! - respondeu o outro. - Isso é o retrato do meu pai. É ele, sim! Olha o _________ dele. Olha a _________. E o _________? E o nariz? E aquele _________ meio sem jeito?
O homem quis saber o ________. O comerciante sacudiu os ___________ e vendeu o espelho, baratinho.
Naquele dia, o homem que não sabia quase nada entrou em casa todo contente. Guardou, cuidadoso, o espelho embrulhado na ______________ da penteadeira.
A ____________ ficou só olhando. 
No outro dia, esperou o marido sair para trabalhar e correu para o quarto. Abrindo a gaveta da _____________, desembrulhou o espelho, olhou e deu um passo atrás. Fez o sinal da _______tapando a __________ com as _________. Em seguida, guardou o espelho na gaveta e saiu chorando. 
- Ah, meu Deus! - gritava ela desnorteada. - É o retrato de outra mulher! Meu marido não gosta mais de mim! A outra é linda demais! Que olhos bonitos! Que _____________ solta! Que ________ macia! A diaba é mil vezes mais bonita e mais moça do que eu! 
- Quando o homem voltou, no fim do dia, achou a casa toda desarrumada. A mulher, chorando sentada no __________, não tinha feito nem a __________. 
- Que foi isso, mulher?
- Ah, seu traidor de uma figa! Quem é aquela ___________ lá no retrato? 
- Que retrato? - perguntou o marido, surpreso. 
- Aquele mesmo que você escondeu na gaveta da penteadeira! 
O homem não estava entendendo nada.
- Mas aquilo é o retrato do meu pai! Indignada, a mulher colocou as mãos no peito: 
- Cachorro sem-vergonha, miserável! Pensa que eu não sei a diferença entre um velho lazarento e uma jabiraca safada e horrorosa? 
A __________ fervia feito _________ na _______________. 
- Velho lazarento coisa nenhuma! - gritou o homem, ofendido. 
A mãe da moça morava perto, escutou a gritaria e veio ver o que estava acontecendo. Encontrou a filha chorando feito ______________  que se perdeu e não consegue mais voltar pra casa. 
- Que é isso, menina?
- Aquele ___________ arranjou outra! 
- Ela ficou maluca - berrou o homem, de cara amarrada. 
- Ontem eu vi ele escondendo um __________ na gaveta lá do quarto, mãe! Hoje, depois que ele saiu, fui ver o que era. Tá lá! É o retrato de outra mulher! 
A boa senhora resolveu, ela mesma, verificar o tal retrato. 
Entrando no quarto, abriu a gaveta, desembrulhou o pacote e espiou. Arregalou os olhos. Olhou de novo. Soltou uma sonora ____________________. 
- Só se for o retrato da ____________ dele! A tal fulana é a coisa mais enrugada, feia, velha, cacarenta, murcha, arruinada, desengonçada, capenga, careca, caduca, torta e desdentada que eu já vi até hoje! 
E completou, feliz, abraçando a filha: 
- Fica tranqüila. A bruaca do retrato já está com os dois ___________ na ____________!

ATIVIDADES 
1) Leia com atenção o texto e descubra quais são as palavras que o completam.

BANCO DE PALAVRAS


Bisavó         Rosto             Discussão             Cabeleira              Casinha               Mãos

Comerciante          Pacote               Cova                  Sorriso            Preço            Cafajeste

Chão       Penteadeira             Cidade           Homem              Dono            Vidro        Água 

Cabelo              Gaveta         Pés          Boca            Olhos           Cafundós          Pele

Mulher        Cruz          Espelho       Pai            Chaleira          Gargalhada          Retrato

Testa          Ombros            Comida       Mãos               Loja              Moldura           Criança

Jararaca                 Madeira


2) Qual o engano cometido pelo homem ao passar pela frente de uma loja?

3) Complete as lacunas abaixo com as expressões que caracterizam, no primeiro parágrafo:
O homem:_______________________________
A casa onde ele vivia:__________________________

4) O que essas informações revelam sobre a vida e as características do personagem?

5) Por que o homem, ao olhar-se no espelho, achou que estava vendo seu pai?

6) Em um conto popular, é comum que os personagens não tenham nome próprio. Como eram chamados os personagens do texto?

7) Como reagiu a mulher ao ver o espelho?

8) Quais são os três substantivos usados pela mulher para se referir “à outra”?

9) Qual a intenção da mulher ao chamar a “outra” por tais substantivos?

10) Como a mulher caracteriza o pai do marido no momento da briga?

11) O choro da mulher, ao discutir com o homem, é comparado, pelo narrador, a quê?

12) O que aconteceu quando a mãe da mulher tentou resolver a situação?

13) Que expressões são usadas pelo narrador para retomar “a mãe da moça”?

14) Qual a intenção da mãe da mulher ao dizer que a bruaca do retrato “estava com os dois pés na cova”?

15) A localização temporal do texto é precisa? Comprove com passagens do texto.

16) Substitua a expressão “esquecida” (l.2) por um termo que expresse significado semelhante.

17) Qual a expressão que indica como ficaram os olhos do homem ao ver “o retrato de seu pai”? O que isso significa? 

18) Qual a palavra que está caracterizando a palavra “espelho” na linha 18? Qual a intenção do vendedor ao caracterizar o espelho dessa forma?

19) Com que expressões a mulher caracteriza os olhos, a cabeleira e a pele da “outra mulher” vista no “retrato”?

20) Se, ao invés de utilizar o substantivo “cabeleira”, o autor tivesse utilizado “cabelo”, como ficaria a expressão que o caracteriza?

21) Caso a mulher achasse a “outra mulher” feia, como poderiam ficar as palavras que caracterizam olhos, cabeleira e pele?

22) Quais as palavras que a mãe da moça usa para caracterizar a figura vista por ela?

23) Se essas palavras fossem atribuídas a um homem, como ficariam ao completarem a seguinte frase: “Esse homem é _____________________________________________”.

24) Quais as duas únicas palavras que não mudaram sua forma na questão anterior?

Fonte: Fascísculo Ler é Saber / 2010. https://www2.faccat.br/portal/sites/default/files/ckeditorfiles/abordagem_fasc_2_2010.pdf